O Brasil invadiu um imenso bairro de lata (lá dizem favela) nos subúrbios do Rio de Janeiro. Diz que inúmeros sobas do tal bairro de lata foram capturados pela tropa do Brasil. Mas ouço também dizer nas notícias que uns quantos se escaparam pela rede de esgotos.
Um bairro de lata com rede de esgotos?
Pamorâmica [sobre o palácio de Catete?],Rio de Janeiro, s.d..
Autor não identificado, in Arquivo Municipal de Lisboa / Núcleo de Fotografia.
domingo, 28 de novembro de 2010
As notícias que se dão
sábado, 27 de novembro de 2010
Aeroporto da Portela. Postal ilustrado sem data
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
De excepção
O ministro das Finanças conjugou hoje pela primeira vez o verbo excepcionar. Nem faz nada que já preste nem diz coisa que valha.
Tinteiro «Toma!» em faiança das Caldas.
(In MdS Leilões).
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Dia de Santa Catarina
Vista aérea do liceu, Lourenço Marques, [s.d.].
(S.E.I.T./D.G.I., 382974, cx. nº 462, env. nº 10.)
Fotografia amavelmente cedida pelo sr. António Fernandes.
Liceu Salazar. O maior liceu de África. Construído segundo princípios de ergonomia; as salas do andar superior destinavam-se aos anos mais adiantados e tinham mobiliário adequado a alunos mais crescidos.
Certa vez rebentou uma bomba na estátua de Salazar, à entrada. Por decoro havia um pano preto para se não ver o monumento mutilado. Havia de ser hoje...
Duma vez o Canu, por uma razão qualquer, foi lá fora - saiu da aula. Jornalista em embrião, quando tornou passou um bilhetinho à turma que dizia: Goa caiu! Não passar à Pureza.
Os pais da Pureza estavam em Goa.
Dando a volta à História: o grande Afonso de Albuquerque conquistou Goa no dia de Santa Catarina de 1510. Faz hoje 500 anos.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Outros tempos
« O sistema comportava um alinhamento automático (não eléctrico) da agulha para permitir ao eléctrico no fim [dum] troço único de seguir na via correcta e não em contra-mão. Isto é, o peso do eventual eléctrico precedente em sentido oposto mudou a agulha que o sistema automático corrigiu. Em todo o caso havia sempre uma vareta para permitir ao guarda-freio de o fazer manualmente em caso de avaria. O meu pai chegou a fazê-lo [...].»
José Gracioso
Sucy en Brie, França.
Convento das Comendadeiras de Santos-o-Novo, Rua de Santa Apolónia, 1967.
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa / Núcleo Fotográfico.
Rua de Santa Apolónia, 1939
Vista de cá, vista de lá; 50 anos de diferença.
Rua de Santa Apolónia, Santos-o-Novo, 1939.
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa / Núcleo de Fotografia.
Av. Cinco de Outubro
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
CML20104147
Notícia telegráfica em dia sem rede.
Propaganda na estátua tirada. Stop. Se presidente da Junta não sei, stop. C.M.L. desconhece resolução. Stop.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
O presidente da Junta
Portanto: 1) não é Monumento Nacional mas é indecoroso; e 2) a Junta de São Sebastião não tem um escadote.
Haverá alguma obra ou comerciante na freguesia que empreste? Eu vou lá.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Monumento nacional
Há meses deu brado o desfraldar duma bandeira azul e branca nos Paços do Concelho. Nem uma manhã se lá aguentou. A República ofendeu-se e foi prestes arriá-la. E a Câmara parece que se assanhou também contra os autores do feito...
Se for caso de a Causa Real procurar visibilidade mais duradoura, sugiro cravar a bandeira da Monarquia Constitucional no monumento ao Duque de Saldanha. Passa mais gente que nos Paços do Concelho e há já três dias que lá vejo um cartão manhoso pendurado dizendo: - Greve. Eu faço - sem polícia que zele nem Câmara que se ofenda. Se vergonha houvesse... – se lá atrás os Paços eram do Concelho, o Saldanha é monumento nacional. – Se vergonha houvesse a bitola seria a condizer.
No caso agora, dar-me-ei até por afortunado se vier um mero presidente da Junta a por cobro à vergonha.
Monumento ao Duque de Saldanha, Lisboa, 1976.
F. Gonçalves, in Arquivo Municipal de Lisboa/Núcleo Fotográfico.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dia de São Martinho
A antiga Emissora 2, entre as 9h00 e 9h15 de hoje, falou por três vezes na independência de Angola.
Largo D. Afonso Henriques e Av. Álvaro Ferreira, Luanda, [s.d.].
(S.E.I.T./D.G.I., 286212, cx. nº 445, env. nº 19.)
Fotografia amavelmente cedida pelo sr. António Fernandes.
Antena 2
Entre as 9h00 e as 9h15 de hoje, a Antena 2 falou por três vezes na independência de Angola.
Av. do 1º Congresso do M.P.L.A. (Largo D. Afonso Henriques e Av. Álvaro Ferreira), Luanda, [s.d.].
Martin Wolter, in Panoramio.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Da natureza das espécies
No fim de semana houve uma notícia do Papa. Parece que foi em missionação ao Bairro Alto para pregar bons costumes a fanchonos noctívagos. Que coisa descabida!...
Uma outra notícia hoje era os fanchonos comuns, de serem só bem apadrinhados, poderem eles passar comummente a apadrinhar.
A imagem é do Jardim Zoológico. No Jardim Zoológico faz tempo que há apadrinhamento por empresas, individual e de grupo.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
A presidenta
A gramática dispensa-a. Obra literária que lhe alguma vez tenha dado voz não conheço. Alguns dicionários, porém, admitem o termo como de uso informal, coisa da oralidade.
De feito, é na oralidade que se exprime o verdadeiro sentido das presidentas, das governantas (estas consagradas já nos dicionários) ou das chefas, capitoas, coronelas, generalas, &c. que no futuro se adivinham. São femininos forçados, demasiado viris e que acabam sempre por referir uma mulher mandona. Na prática não servem ao género feminino, pois são do género maria-machão. Ouço-os usados por terceiros (de ambos os sexos) quando visam apoucar despeitadamente uma mulher com poder de mandar. Pela sua carga pejorativa dificilmente servem no trato directo com alguém a quem se deva deferência por inerência de cargo.
Já quando for a própria chefe dum Estado a intitular-se presidenta, não sei o que diga...
Busto de Agripina, Milreu, 2010.
sábado, 6 de novembro de 2010
Dos «primitivos» (ainda)
Afinal «primitivos» é termo consagrado pela historiografia da Arte. Desconhecia, confesso-o envergonhadamente. Tarde cheguei à explicação, porém; sou vagaroso na leitura, ainda mais quando os textos têm erros deliberados de português... Mas adiante.
O termo reclamam-no os da exposição, pois, por um certo classicismo de ideias. É louvável. Mas mesmo se por isso tolhem alguma acrimónia que usei a propósito do caso, o certo é que nenhum classsicismo de ideias se coaduna com a língua de pau usada nem com as desgraçadas derivações do verbo complicar que em torno disto se lhes podem ler. – Tudo uma verdadeira complicação, de facto!...
(In Jornal de ... Artes e Ideias, 3/11/2010.)
Portugueses primitivos
Inaugura-se no dia em que o Arquivo Fotográfico da C.M.L. comemora a independência de Angola.
Do complexo [do] emprego dos adjectivos
Afinal a sociedade e a corte portuguesas de há 500 anos sempre se complicaram. O que faz dos portugueses de então bem menos primitivos, ou não?
O sábio da exposição que se exprime neste modo, com ecos pelos jornais de letras,artes &c., comunica muito mais do que consegue dizer. A aquisição de produtos artísticos denuncia-o logo como tratante, não como curador de exposições de Arte. É como pensar em Calouste Gulbenkian e em Joe Berardo; o primeiro coleccionou arte, o segundo adquire produtos artísticos. – O benévolo leitor perceberá, por certo.
Eruditos como Oliveira Caetano, que dizem as coisas nesta maneira, não são naturais de cá; arribam-nos contentorizados e certificados da Europa; daí a expansão portuguesa afigurar-se-lhe como extra-europeia. Quando Portugal era Portugal, e nós naturalmente portugueses, a expansão portuguesa depois da Reconquista foi simplesmente ultramarina... – Mas é muito complicado, não?!...
Isto anda complicado!
O Museu de Arte Antiga vai realizar uma exposição de pintura portuguesa dos séculos XV e XVI. São os séculos de maior explendor da nossa História.
E qual foi o nome que resolveram dar à exposição? – Primitivos Portugueses.
Primitivo é um adjectivo bem achado. Remete os portugueses da Idade Média para além das cavernas e livra os comissários da exposição de se misturarem muito com aquela molhada dos painéis de S. Vicente.
É, pois, uma exposição que "complexifica mais do que simplifica" (Jornal de ... Artes e Ideias, 3/11/2010).
É no falar dos agora não primitivos assaz complexos portugueses que se nota a complexificabilidade em que isto se tornou.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Incidentes...
Um disparo no conta-quilómetros ali ao lado (320 entradas neste blogo hoje em meio-dia quando foram 355 ontem o dia inteiro) é um estranho fenómeno. O Sitemeter revelou o destino: um verbetezinho sobre o aivião Airbus 380 (http://biclaranja.blogs.sapo.pt/34810.html) de há três anos. Coisa de motores de busca atirando gente para cá, por certo. Mas porquê tanta busca por A380?
Pois bem: um incidente, que não um acidente.
No terra.com.br leio:
O fabricante aeronáutico europeu Airbus reconheceu nesta quinta-feira que o incidente ocorrido com A380 da companhia Qantas, que teve de fazer uma aterrissagem de emergência em Cingapura, é o maior de passageiros do mundo desde a entrada em operação em 2007.
Felizmente nada de pior a lamentar. Apenas três apartes:
- Contemporizo com a aterrissagem porque, enfim, foi uma emergência;
- Confunde-me que o incidente ocorrido [seja] o maior de passageiros do mundo porque; a) ninguém se feriu; b) o português escrito é paupérrimo;
- Que irá acontecer à Singapura com o aborto gráfico?!...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Ainda a Av. da República, 37
Ele há coisas que não entendo. Quem possua um prédio de cinco andares, sólido, em plena Av. da República em Lisboa há-de de ter jeito de fazer negócio, seja arrendando as casas, seja vendendo os andares, seja até vendendo o prédio todo. Mais estranho é não fazê-lo tendo uma tela publicitando a venda há muitos meses. O sacrossanto mercado não proporciona um encontro de valores para uma venda? Ou os mercados, como agora se diz, serão mera ditadura da oferta a preços absurdos...?
Ou será a venerada economia de mercado algo surreal, em que o senhorio dum prédio, em vez de promover o legítimo negócio das suas propriedades, se recria (é o verbo recriar, não confundir o prémio municipal) em campanhas publicitárias a obscuras maçãs azuis enquanto deteriora a propriedade com as janelas escancaradas às intempéries?
De feito, foi no café "A Cubana", que era neste prédio, que o Alexandre O'Neill conheceu o Mário Cesariny em 1945. Dois homens do Surrealismo, pois então.
Av. da República, 37, Lisboa - (c) 2010
Notai as janelas abertas no piso da mansarda e no 1º andar junto à árvore. A fotografia é de ontem ás 14h00. Hoje às 9h30 da manhã havia muitas mais, completamente escancaradas.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Avenida da República, 37
Esta agora serve de recado para uma Aguirre Newman e uma outra imobiliária sonante que pespegaram há meses na fachada uma tela a dizer «vende-se edifício».
— Os senhores costumam arruinar as propriedades que têm para vender?
De há meses até sexta-feira passada havia duas janelas entreabertas na mansarda do lado da Miguel Bombarda. Pois na dita sexta-feira — precisamente: o dia em que choveu que Deu-lo dava, com alertas da Protecção Civil e tudo — à hora de almoço passaram as tais janelas da mansarda a ver-se despudoradamente escancaradas; as duas do lado da Miguel Bombarda e mais uma (esta foi novidade) do lado da Avenida da República. Isto é o que vê quem passa, porque nas traseiras sabe Deus a incúria em que irão...
Este prédio tem pormenores de Arte Nova, cada vez mais raros de achar nas avenidas graças à bruta avidez das imobiliárias e à grosseira conivência dos entendidos da Câmara. Já em 1969 o prédio parece que era para demolir; a fotografia abaixo assim o indicia. Um banco, e ao depois uma loja de cozinhas espanhola, mutilaram-lhe desgraçadamente a fachada. A Sociedade Portuguesa de Matemática foi arredada do 4.º andar e mandada um quarteirão para diante há dois ou três anos. O 3.º andar assemelha-se a um desses parques de empresas que todos os autarcas hoje fazem nos termos dos concelhos com tortuosas rotundas pelo caminho: Lisinur, Euro-atlântica, Imoatlântica, Sodege. Tudo imobiliárias ou parecido. Tudo negócios idóneos, não duvido. Mas amontoam-se todas no mesmo andar? Talvez repartam o custo a renda; talvez passem testemunho umas às outras…
No meio disto dois cafés e uma florista vão mantendo porta aberta (e o prédio de pé?). Por quanto tempo mais?

Prédio para demolir, Lisboa, 1969.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.