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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Mentalização

Cabora Bassa, Moçambique (Portal do Governo, s.d.)  No noticiário hoje das oito na antiga Emissora Nacional a chamada para a notícia sobre a venda de Cabora Bassa era literalmente: - "Portugal devolve a barragem..."
A página da R.T.P. fala até num beberete: «sete chefes de Estado [...] na cerimónia de reversão da Hidroeléctrica...»
  Proponho como exercício didáctico aos srs. redactores da notícia referirem-na ao Castelo do Bode para ver se percebem o ilógico de se devolver o que nunca pertenceu a outrem e a insanidade que é reverter qualquer obra construída de raiz, a menos que se queira tê-la demolida.
  E já que me contam amiúde sobre o lápis azul devolvo-lhes que vai para cima de trinta anos que não risca nada; podem reverter o sopro de propaganda da Frelimo nas entrelinhas.




A imagem é do portal do governo.

domingo, 25 de novembro de 2007

Rita Iurte (*)


Fred Astaire e Rita Hayworth - So near and yet so far




(*) Rita Hayworth custa um bocadinho a dizer.

Sr. Emídio


 — Sabe! Estive para lhe pôr lá qualquer coisa na Rua Larga.
 — Imaginei que esse verbete lhe suscitasse interesse.
 — Eu até me lembro daquela rua antes de ter muros.
 — Pois olhe que há uma fotografia disso.

Rua Veríssimo Sarmento, Alto do Pina (E. Portugal, 1946)

Rua Veríssimo Sarmento, Lisboa, 1946.
Fotografia de Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 O amigo Fernando C. contou-me ao depois mais:
 — À esquerda dessa rua o caminho dividia-se ao pé duma casa: pela esquerda descia a Azinhaga da Fonte do Louro em direcção ao caminho de ferro; à direita, partia a azinhaga que ia dar à quinta das...
 — Olaias — completei. Verifiquei agora que a tal azinhaga passava antes de chegar às Olaias pela quinta do Monte do Coxo e talvez daí a hesitação do meu bom amigo. Mas confirmou.
 — Das Olaias. Ia-se por ali acima até ao portão da quinta. Logo ali, no princípio da azinhaga, era a casa do sr. Emídio que tinha umas hortas. Em pequeno era costume ir lá comprar...
 Pois agora, [que memória] passados que vão uns dias desta conversa, já não tenho a certeza. Cuido que era feijão. Ou favas?
 Em todo o caso também há uma fotografia disso. Da casa do sr. Emídio, quero dizer; era por esse caminho aí adiante.


Azinhaga das Olaias, Lisboa, [s.d.].
Fotografia de Arnaldo Madureira in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


Pela Azinhaga das Olaias tenho a vaga ideia de uma vez me ter aventurado à descoberta. Sozinho, indo já por ela adiante — quem sabe se por perto da velha casa do sr. Emídio — dei comigo a ser perseguido por uns daquele bairro e, pernas para que te quero, que aquilo era território doutra matilha. Não me lembra agora onde fui dar, mas deve ter sido à serração que houve onde fora a quinta das Olaias — onde hoje está o centro comercial. Não me aconteceu mal.


Azinhaga da Fonte do Louro


 Na Azinhaga da Fonte do Louro embrenhei-me um par de vezes sem azares daqueles a caminho do Areeiro. Mas um atalho por uma íngreme ravina que era precisa trepar, ali por alturas hoje da Rua Sarmento Beires, tornava muito pouco apetecível aquela... acessibilidade.
 (E quem diria que eu havia de estar aqui quase trinta anos depois a falar de caminhos de cabras que ninguém já se lembra, com uma linguagem toda século XXI, hem?)
 Aquilo lá ao fundo são os Olivais.


Azinhaga da Fonte do Louro, Alto do Pina, 1967.
Fotografia de João H. Goulart in Arquivo Fotográfico da C.M.L.


sábado, 24 de novembro de 2007

Gazcidla


 O Gazcidla é do meu imaginário infantil. Havia uma loja no Largo Mendonça e Costa, à Morais Soares, aonde ia com a minha mãe algumas vezes que me ficou na memória; descia-se umas escadas para dentro dela e tinha um ar moderno, com vidro grande e aparelhos a gás na montra. Outra coisa do Gazcidla que me ficou foram os reclamos ao longo das estradas. O Gazcidla via-se por muito lado no tempo em que as viagens se embrenhavam nas localidades que se atravessavam e tudo ao redor tornava as rodovias mais coloridas que as modernas auto-es-
tradas.
 Mais modestos (mas mais reais) que o camião branco das bilhas azuis dos meus Legos que sempre associei ao Gazcidla, vede aí em baixo uns triciclos de padiola à beira da E.N. 8, no Largo Major Rosa Bastos, Póvoa de Santo Adrião.


Triciclos do Gazcidla, Póvoa de St.º Adrião, 1961 [1968].
Fotografia de João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

 Quando a Dona T. me dedicou algumas belas fotografias do Gazcidla foi às lembranças disto que acima digo que apelou, muito embora o amigo Réprobo faça uma leitura muito mai' generosa.
 Obrigado a ambos.


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Acordo ortográfico


 Não partilho em geral as opiniões do Vasco Graça Moura. No entanto, sobre o estúpido protocolo de uniformização ortográfica do Português concordo inteiramente com o que ele escreveu no Diário de Notícias.
 O modo de ratificação do tratado (a ratificação por três dos signatários impõe o Acordo a todos os outros) é a prova (mais uma) da leviandade criminosa com que os portugueses de hoje encaram [lidam com] a soberania de Portugal. No caso da ortografia do Português nem por dez réis de mel coado a trocam; dão-na graciosamente - embora isto não tenha graça nenhuma porque, sabemos, na C.P.L.P. há estados sem a mínima capacidade para exercer a soberania no seu próprio território...
 E ao depois é a ignorância dos negociadores sobre o que pretendem tratar; mete dó ver-se que nem sabem que "fêmea" se escreve com acento circunflexo.


terça-feira, 20 de novembro de 2007

Vista da Amora

 Talvez tomada do alto da Arrentela.

Vista da Amora, Tomás d´Anunciação
Vista da Amora, 1852.
Tomás d' Anunciação, (1818-1879).
Óleo sobre tela, 67,5 cm x 88.5 cm, Museu do Chiado, Lisboa.

domingo, 18 de novembro de 2007

A Rua Larga


 A Rua Larga ligava ao bairro. Nela podiam cruzar-se dois autocarros, geralmente em boa velocidade. Os motoristas aceleravam e as chapas desconjuntadas das carroçarias de dois andares trepidando com o mau piso da rua faziam tal barulheira que o grosso ronco dos motores se deixava de ouvir. A rua tinha um muro de cada lado. Não era daqueles muros altos das azinhagas que não deixavam ver as quintas a quem passava. Tinham talvez um metro de altura e dum lado e doutro havia as terras das velhas quintas, de que sobejava só um nome mal lembrado e algumas hortas cultivadas pela gente dos bairros.
 O meu irmão ia sempre por cima do muro. Eu também, mas como era pequenino era a mãe que me punha lá em cima. Ao depois seguíamos: o meu irmão à frente — ele ia sempre à frente — e eu pela mão da mãe, não fosse desequilibrar-me e cair. No fim do muro, a chegar ao outro bairro, havia uns tapumes e depois uma padaria. Houve uma vez que a meio caminho na Rua Larga, indo como costume em cima do muro, pedi um bolo.
 — Que bolo queres? - quis saber a mãe.
 — Quero um que é de palha e tem creme lá dentro.
 A mãe não disse nada.
 Na padaria pegou-me ao colo para eu ver os bolos na redoma em cima do balcão alto.
 — Que bolo queres? — tornou-me a dizer.
 — Aquele — apontei.
 À saída ensinou-me:
 — Esse bolo chama-se um pastel de nata e não é de palha, filho; quem come palha são os cavalos.

Rua Veríssimo Sarmento, Lisboa (J.H.Goulart, 1969)
Rua Veríssimo Sarmento, Lisboa, 1969.
Fotografia de João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



 

sábado, 17 de novembro de 2007

Problema de dicção

O carro. O burro.

 No Verão, enquanto estava de férias li no Sol que o Cristiano Ronaldo passou momentos difíceis quando veio para o Sporting por falar à madeirense. Vinha na 1ª página. Naquelas idades os moços são terríveis com os que são diferentes. Todavia, o esforço de aculturação [agora diz-se integração, eu sei] parece que foi excessivo.

S' eu não c'rrêss'
S' eu não m' m'xêss'
...

E eis os soluções do rendimento besta.








Imagem: Livro de leitura da primeira classe, 1973.



 

Problema de expressão


Clã - Problema de Expressão

O modo jornalístico

Felisbela Lopes Há pedaço ouvi na televisão a comentadora Felisbela, professora doutora, enunciar jornalisticamente no modo enunciado: — «Cavaco ontem terá dito...»
 O modo jornalístico é uma esquizofrenia, ou melhor, um embuste. Usa o modo indicativo dos verbos para dar o facto como certo, empregando como é hábito o futuro do presente composto, usado para exprimir incerteza. Como o modo conjuntivo denuncia o locutor como encarando a existência ou não existência do facto como coisa incerta, duvidosa, eventual, ou mesmo irreal, os noticieiros desaprendem-no (se é que o aprenderam).
 Voltando à comentadora Felisbela, professora doutora, vejo no caso como ela usa o advérbio 'ontem' para situar inequivocamente o que Cavaco disse ou não disse no passado (não dizer passa a ser um facto igual a dizer logo que um jornalista o enuncie no modo jornalístico). Pois neste caso o tempo verbal correcto seria o futuro do pretérito condicional composto (que exprime a possibilidade de um facto passado), a saber: — «Cavaco ontem teria dito...» — Mas isso já seria complicação a mais.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Cristiano Ronaldo

 O nome das vedetas chamadas Ronaldo deve ser pronunciado "Rô-naldo" para dar mais ênfase. Não deve dezer-se nem ró... nem ru-naldo, por demasiado exagerado ou simplório, respectivamente.
 Já Cristiano pode dezer-se à vontade Questiano.

Cristiano Ronaldo (Rui Duarte, 2007)
(Caricatura de Rui Duarte.)

domingo, 11 de novembro de 2007

Fotógrafo de Lisboa


Companheiros de recordações:

 Só hoje tive oportunidade de ler as vossas muito gratificantes referências às minhas fotos da querida Lisboa dum passado ainda recente, mas que já se perde nas brumas da nossa saudade. Não sou fotógrafo de profissão, apesar de ter continuado, de modo intermitente a fazer fotografia, porque é sempre muito agradável reviver alguns dos momentos que escreveram a nossa vida. Como Mia Couto, posso dizer que não sou um, sou muitos. Parto foi só um, mas fui tendo minhas outras vidas, sou mulato, não de raças mas de existências e numa delas fui «fotógrafo de Lisboa».
 Bem Haja [...],
 Um abraço do

 Artur Goulart
 (8/11/2007)



Av. E.U.A., Lisboa (A.Goulart, s.d.)
Av. dos Estados Unidos da América, Lisboa, [s.d.].
Artur Goulart in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


 




Nota: há tempo fiz um verbete em virtude dum feliz comentário recebido do sr. Artur Goulart. Os comentários que os leitores lá deixaram eram-lhe em grande medida dirigidos e dei-lhe deles notícia por missiva electrónica. A resposta do sr. Artur Goulart é a que vedes acima, e vem dirigida aos companheiros de recordações que visitam este blogo.

sábado, 10 de novembro de 2007

Bom fim-de-semana

 Recebido o recado [abrir um livro em tal pág. e transcrever um parágrafo, já não sei qual], sigo o conselho e não me volto para a estante atrás... Hesito entre o dicionário e o Guia de Portugal aqui diante, na secretária; pego no Guia que está mais perto.



« Ir depois, em carruagem, à Batalha, avançar para Aljubarrota, tomando, em São Jorge, o caminho de Porto de Mós, donde no mesmo carro se pode alcançar a maior parte do percurso até ao ponto culminante da Serra dos Candeeiros.»


Raúl Proença, Guia de Portugal, 1.º v., Generalidades; Lisboa e arredores, 1.ª ed., Lisboa, B.N., 1924, p. 161. [Reedição da Fund. Calouste Gulbenkian, imp. 1991, que reproduz fielmente a 1.ª ed. de 1924].


Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha, c. 1965-70.



 Se tenho pegado no dicionário também teria tido a sua graça (autoplastia; por pouco não seria autópsia, que é a entrada seguinte).
 Em todo o caso cá está o postal. Fui naquela camioneta da carreira de cores garridas, que leva mais gente que a carruagem. Mas noto que o cocheiro parou esta última ali à direita na sombra.
 O desafio fica com os visitantes 80061-80065.




Postal [em tempos] no foro dos Transportes XXI.

Troco de 20

O sr. Carlos Freitas diz que nem por € 0,10 a troca.
E se for assim?
Dinheiro português




Dinheiro português em moedas.org.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pátio dos Geraldes


Pátio dos Geraldes, Lisboa (A.F.C.M.L. - ant. 1933)
Pátio dos Geraldes, Lisboa, [ant. 1933].


« Em 1869 habitou aqui o Marechal Duque de Saldanha, razão por que o Pátio se chamou também do Saldanha.
   O palácio, com suas chaminés cónicas, das quais ainda há os vestígios da base (Maio de 1939) no quarteirão por edificar entre as Ruas Castilho e Rodrigo da Fonseca, com frontaria armoriada, sua capela de belo pórtico e seu agradável conjunto solarengo, teve história alfacinha, fidalga e política [...] »
Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, 1939.


Fotografia: Arquivo Fotográfico da C.M.L..

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Duas civilizações urbanistas. Três.

Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de St.ª Bárbara 30-31, Lisboa, [1898-1908].
Machado & Souza, in archivo photographico da C.M.L.

« Como notas pois, Dilecto, a um simples golpe de vista estão bem nítidas duas civilizações urbanistas: as casas da Rua de Santa Bárbara e das Barracas, os prédios do Largo e da Rua dos Anjos (tudo de meados de setecentos e século passado), e a parte moderna (1850 à actualidade) das Ruas Joaquim Bonifácio [hoje Jacinta Marto, no troço até à Rua de D. Estefânia], Passos Manuel, José Estêvão, Pascoal de Melo, esta mais ao Norte com toda a rede construtiva que hoje constitue o Bairro da Estefânia (de D. Estefânia, Rainha).»

Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, 1939.

Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de St.ª Bárbara, 32-40, Lisboa, [1898-1908].
Id.
Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de St.ª Bárbara, 41-47, Lisboa, [1898-1908].
Ib.

 E eis a terceira...
 (Houve alguém falou em cabeça de giz, não foi?)

Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 195...)
Largo de St.ª Bárbara, Lisboa, [195...].
Fotografia de Mário de Oliveira.


Fotografias: Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(Revisto em 18/VII/14.)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

(Datação...)

 
A Vizinha do Lado
António Lopes Ribeiro - 1945
(Segundo a célebre comédia de André Brun)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Do lado nascente

Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de Santa Bárbara, 58-64, Lisboa, [1898-1908].
Machado & Souza, in archivo photographico da C.M.L.



« Todos os prédios do Largo de Santa Bárbara, do lado nascente, e cujas traseiras caem sobre o Regueirão, assim como os da Rua dos Anjos, são muito anteriores à urbanização moderna, e datam em grande parte de reedificações logo a seguir ao Terramoto. Alguns têm na fachada as típicas caravelas lisboetas, que falam como uma data, outros notam-se ainda sobrepostos [pelo] nível actual da rua, mais alto cêrca de noventa centímetros do que era em 1840. Há mesmo um dêles, n.º 62 do Largo, datado de 1747.»


Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, 1939.



Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - c. 1949)
Caravela foreira, Largo de Sta. Bárbara, [c. 1949].
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.
Sta. Bárbara, Lisboa (Fernando Martinez Pozal, A.F.C.M.L., 1954)
Escadas no [Largo de Santa Bárbara], Lisboa, 1954.
Fernando Pozal, in archivo photographico da C.M.L.

 


(Revisto em 18/VII/14 e recomposto em 9/XII/17.)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

«Aqui, no Largo de Santa Bárbara...»

Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de Santa Bárbara, 7, Lisboa, [1897-1908].
Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de Santa Bárbara, 11-12, Lisboa, [1897-1908].


« Aqui, no Largo de Santa Bárbara, foram demolidos há cerca de dois anos uns casebres do lado poente, quási à esquina da Rua de Joaquim Bonifácio [actualmente Rua Jacinta Marto], e no seu lugar, com frente ao largo n.os 7 e 9, se ergue esse grande prédio urbano moderno, de que é proprietário Joaquim Antunes da Silva.»


Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, 1939.



Sta. Bárbara, Lisboa (A.F.C.M.L. - 1898-1908)
Largo de Santa Bárbara 27-28, Lisboa, [1897-1908].


Fotografias: Machado & Souza Arquivo Fotográfico da C.M.L..


(Revisto em 18/VII/14 e recomposto em 9/XII/17.)

Pela Rua Direita dos Anjos…

... Em dia chuvoso. Quase quase a chegar à Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor Jesus dos Perdidos.
[O poste dos telefones também estava a pedir chuva.]

Rua Direita dos Anjos, Lisboa (A.F.C.M.L., 1901-08)
Rua Direita dos Anjos 198 a 208 [66?-70], Lisboa, [ant. 1901].
[Machado & Souza, in ] Arquivo Fotográfico da C.M.L.


 




Adenda: a datação da fotografia pelo arquivista foi 1898-1908; ora sabendo que a linha do Arco do Cego foi instalada em 1901 comecei por reduzir a margem para 1901-08; olhando com atenção vejo que não há cabos eléctricos, só os carris do chora ou do americano; a fotografia é portanto anterior a 1901.


Nova Adenda: hoje, 20/VIII/2022, o registo no archivo photographico atribui a autoria da fotografia a Machado & Souza com data de 27/II/1901.

domingo, 4 de novembro de 2007

Panorâmica dos Anjos (3.º quartel do séc. XIX)


 Torno à Senhora do Monte de S. Gens. Acredito que esta chapa foi batida na mesma ocasião que a da praça de touros do Campo de Santana. Aqui a panorâmica é voltada a NNE. O cenário campestre dos Anjos é admirável. Sobressai ali a velha igreja dos Anjos (1) com a sua única torre sineira. Os fados atravessaram-na no caminho da Av. D. Amélia (Almirante Reis) o que lhe ditou a sorte. Foi demolida em 1907. — O amigo Manuel publicou há dias uma fotografia bastante aproximada do ponto exacto onde esteve a igreja, parece que adivinhando isto que eu cá tinha fisgado.


Panorâmica tirada sobre a antiga Igreja dos Anjos e a Ermida do Resgate, Lisboa, c. 1880.
Fotografia: col. de António Horácio Novais, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 A Rua Direita dos Anjos — subindo do Largo do Intendente — passava diante da igreja e seguia pelo lado poente cortando os arrabaldes, ladeada de casario. Um pouco mais acima pode ainda o benévolo leitor hoje em dia encontrar a Ermida de Nossa senhora do Resgate (2). Seguindo adiante chegava-se ao campo de Santa Bárbara. Por aí o casario além da estrada de Arroios já se rarefazia; em redor todo o cenário era rural.
 Na encosta a poente, na zona mais chegada cá distingo a Rua do Conde de Pombeiro subindo desde a Rua Direita dos Anjos e noto lá o palácio do mesmo Conde de Pombeiro (3) logo ao cimo. Acolhe-se lá hoje a legação da Itália. Um pouco acima um edifício grande com dois corpos: é o quartel do Cabeço da Bola (4). Mais além imagino se aquilo que se lá vê muito mal, muito ao longe, será porventura o Hospital de D.ª Estefânia (5). Não me parece… Ora o hospital foi inaugurado em 1877 e se lá não está, então a data da fotografia cai no 3.º quartel do séc. XIX, tal como conjecturara já para a da praça do Campo de Santana.
 Mais ao longe distigue-se ainda um estradão subindo a encosta e que julgo ser a Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado (6), que evoluiu para ser a Rua Pascoal de Melo.
 Tornando atrás desejo oferecer ao benévolo leitor um panorama inverso (em baixo à esq.) desde a Rua Direita dos Anjos para sul, com o monte de S. Gens ao fundo e a igreja do Anjos por demolir mesmo aqui em frente.

Primitiva Igreja dos Anjos, Lisboa (ante 1901) Primitiva Igreja dos Anjos, Lisboa (1907)
Antiga igreja dos Anjos, Lisboa, 1906 [ant. 1901] e [1907 à dir.].
[Machado & Souza, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 E prossigo agora pensando se o branco de casarias rebrilhando ao sol (*) que Ega avistava da sua Villa Balzac, à Penha de França, não era exactamente este que avistamos aqui, desde a Igreja de Arroios (7) à Rua da Bombarda (8), o que me deixa outra vez com a cumeada toda da Penha de França para pôr aquela Torre de Nesle...




(*) Eça de Queirós, Os Maias, v. I, [1.ª ed.], [Porto], [Livraria Chardron], [s.d.], p. 193.


sábado, 3 de novembro de 2007

Girls Band

 Disfarçada de notícia saiu há pouco ali da S.I.C. a publicidade à nova reunião das Spice Girls. O assunto não me merece interesse mas deu-se o caso de ter ouvido mais um daqueles desconchavos do papagueanço pedojornalístico (ou pedopublicitário): a classificação das meninas Spice como a primeira girls band do mundo.
 O que é isso da «primeira girls band do mundo»?!…



The Supremes - Baby Love
(1964)



Silver Convention - Fly Robin Fly
(1975)


Doce - Bem Bom
(Eurovisão, 1982)



 Nenhuma destas foi de certeza a primeira girls band do mundo. Em 75-76 é notório que, apesar da bonita orquestração, já o trabalho de memória era reduzido a um ou dois versos para não sobrecarregar a complexa coreografia. Em 82 ainda se sabia contar, desde que usando como mnemónica o passar da borga da naite anterior (naite é um conceito termo anacrónico para 82, eu sei, mas prova a profundidade histórica do meu saber).
 Pois hoje, se a memória alcança os anos 90 (as meninas Spice são dos 90, não é? — O Old Spice é que é mais antigo, está bem…) O tino parece não dar para contar além da primeira (banda feminina do mundo, hora da madrugada, o que seja...). Bem bom!

(Revisto em 9/8/2009 e em 18/7/2014.)

Foleirada (domina dixit)

 O caríssimo Réprobo desafiou-me, à laia de corrente blogosférica, a apresentar aqui algum ídolo do meu tempo juvenil que hoje me envergonhe ou seja motivo para autoflagelo e chacota. Quando revolvia o baú dos ídolos à procura desses que aí estão a virose da nostalgia atingiu-me e duvidei se, de feito, eles serviriam bem o propósito. De repente a senhora apareceu e disse:
 — Gostas dessa foleirada?
 Caso arrumado.



ABBA - Dancing Queen