Torno à Senhora do Monte de S. Gens. Acredito que esta chapa foi batida na mesma ocasião que a da praça de touros do Campo de Santana. Aqui a panorâmica é voltada a NNE. O cenário campestre dos Anjos é admirável. Sobressai ali a velha igreja dos Anjos (1) com a sua única torre sineira. Os fados atravessaram-na no caminho da Av. D. Amélia (Almirante Reis) o que lhe ditou a sorte. Foi demolida em 1907. — O amigo Manuel publicou há dias uma fotografia bastante aproximada do ponto exacto onde esteve a igreja, parece que adivinhando isto que eu cá tinha fisgado.
 Panorâmica tirada sobre a antiga Igreja dos Anjos e a Ermida do Resgate, Lisboa, c. 1880. Fotografia: col. de António Horácio Novais, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
A Rua Direita dos Anjos — subindo do Largo do Intendente — passava diante da igreja e seguia pelo lado poente cortando os arrabaldes, ladeada de casario. Um pouco mais acima pode ainda o benévolo leitor hoje em dia encontrar a Ermida de Nossa senhora do Resgate (2). Seguindo adiante chegava-se ao campo de Santa Bárbara. Por aí o casario além da estrada de Arroios já se rarefazia; em redor todo o cenário era rural. Na encosta a poente, na zona mais chegada cá distingo a Rua do Conde de Pombeiro subindo desde a Rua Direita dos Anjos e noto lá o palácio do mesmo Conde de Pombeiro (3) logo ao cimo. Acolhe-se lá hoje a legação da Itália. Um pouco acima um edifício grande com dois corpos: é o quartel do Cabeço da Bola (4). Mais além imagino se aquilo que se lá vê muito mal, muito ao longe, será porventura o Hospital de D.ª Estefânia (5). Não me parece… Ora o hospital foi inaugurado em 1877 e se lá não está, então a data da fotografia cai no 3.º quartel do séc. XIX, tal como conjecturara já para a da praça do Campo de Santana. Mais ao longe distigue-se ainda um estradão subindo a encosta e que julgo ser a Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado (6), que evoluiu para ser a Rua Pascoal de Melo. Tornando atrás desejo oferecer ao benévolo leitor um panorama inverso (em baixo à esq.) desde a Rua Direita dos Anjos para sul, com o monte de S. Gens ao fundo e a igreja do Anjos por demolir mesmo aqui em frente.
 Antiga igreja dos Anjos, Lisboa, 1906 [ant. 1901] e [1907 à dir.]. [Machado & Souza, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
E prossigo agora pensando se o branco de casarias rebrilhando ao sol (*) que Ega avistava da sua Villa Balzac, à Penha de França, não era exactamente este que avistamos aqui, desde a Igreja de Arroios (7) à Rua da Bombarda (8), o que me deixa outra vez com a cumeada toda da Penha de França para pôr aquela Torre de Nesle...
(*) Eça de Queirós, Os Maias, v. I, [1.ª ed.], [Porto], [Livraria Chardron], [s.d.], p. 193.
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Afinal moro no campo:) Belo verbete!
ResponderEliminarCumpts
Sim. Conseguia imaginar? Obrigado!
ResponderEliminarAhaaaaaam! Caro Bic, com o que o Velho Ega faria na dita torre, as visões poderiam ser outras. Não é branco o que se transmite ao nosso cérebro na fracção de segundo paroxística? Abraço
ResponderEliminarPosto assim... Cumpts. :)
ResponderEliminarNão sabia desta ocupação anterior do local.
ResponderEliminarMais uma lição!
Abraço
A igreja paroquial dos Anjos foi reconstruída no lugar onde hoje a temos. Antes da demolição falou-se pôr a igreja paroquial na do paço da Bemposta.
ResponderEliminarCumpts.