Para melhor ilustrar as chinesices que ali escrevi anteontem, aqui tendes o exemplo do critério adoptado pelo Ministério da Educação para aferir o Português dos nossos cachopos. O que vai emendado à máquina é gralha tipográfica (demonstrativa também de certo desleixo na revisão das provas do jornal). Os valores à direita são a classificação dada às respostas.
Da folha Diário de Notícias de anteontem, sem mais comentários.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Serviços mínimos
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Pequeno-almoço estudado (pub)
Ontem comprei o Diário de Notícias. Que pasto para o blogo!
Uma outra que lá vinha era sobre o pequeno-almoço dos meninos (Diana Mendes, «99% das crianças tomam pequeno-almoço errado», Diário de Notícias, 29/5/07). É um daqueles estudos...
Diz que 99% dos meninos em Portugal parece que tomam o pequeno-almoço errado. Mas há um detalhe - esta parte ouvi na telefonia: o estudo foi levado a cabo nas regiões norte, centro, e da grande Lisboa, embora o D.N. diga que foi em Portugal. Mas está certo. Desprezaram além Tejo, devido ao ermamento, e o Allgarve, que pelo nome é com certeza terra estrangeira.
Mas sobre o pequeno-almoço dos meninos diz que a culpa é dos pais, que só dão alimentos-porcaria ao meninos. Pena o estudo não dizer a porção de pirralhos que, por birras e choradinhos, impõem que os pais os abasteçam com toda a sorte de tulicremes e afins, propostos pela incisiva publicidade ou pelas gulosas prateleiras dos híperes. Mas o caso é tão grave que até os cereais são má opção. Quem diria, hem!
Afortunadamente a própria notícia traz o pequeno-almoço-solução incorporado: «o mais correcto é comer pão com creme de barrar vegetal...»
Agora já percebo o que é o projecto Bom Dia Planta, em cujo âmbito coube o estudo.
Planta (Lambona)
misteriojuvenil.com
terça-feira, 29 de maio de 2007
Chinesices
Aferir é conferir pelo padrão. Toda a linguagem tem um padrão e por ele confiro se o uso que alguém faz da linguagem é melhor ou pior.
Posso aferir a aptidão de fulano para usar a linguagem lendo-lhe um texto ou dando-lho para ler e fazendo-lhe perguntas sobre o dito texto. Da correcção ou incorrecção das respostas afiro a compreensão do texto; pela gramática das respostas afiro o seu domínio da linguagem. Uma coisa é certa: quanto mais a gramática for subvertida menos inteligível será a linguagem de fulano; e se a linguagem de fulano se afasta do padrão ao ponto de se entender muito mal ou de se não entender de todo, então fulano é, aferindo pelo padrão (que é a única bitola válida) inapto no uso da linguagem. Posso pois dizer que, se fulano não se entende com a sua própria linguagem, qualquer texto que se lhe dê ou leia será para ele pouco menos que chinês.
Leio hoje no Diário de Notícias que o Ministério da Educação considera que fulaninhos do 4º ao 6º ano inaptos a exprimir-se na sua própria língua podem ainda assim ter aproveitamento na interpretação dum texto que para eles não passará de chinês.
E mais abaixo leio que a habilidade da Associação de Professores de Português para dar como apta aquela gentinha incapaz é... escolha múltipla.
Parece-me bem: se forem o próprios professores a escrevinhar as respostas aos meninos, mais disfarçado será o fracasso. Assim saibam eles (os professores) chinês...
Refª: Maria Luísa Torres Pires, Francisca Laura Batista, Glória N. Gusmão Morais, Livro de leitura da primeira classe, 1ª ed., Lisboa, Papelaria Fernandes, 1967. Ilustrações: Maria Keil, Luís Filipe de Abreu.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
A mestria
Há muitos anos que o prof. Saraiva é o único que me marca hora para ver televisão. Hoje acabou o programa com o mestre Ilídio, caldeireiro do cobre de Loulé. Mostrou um bule muito grande feito pelo mestre Ilídio que dava para servir um regimento. Diz que o mestre Ilídio gastou cinco dias de trabalho na feitura do bule, ao que respondeu o professor que numa máquina se fariam centenas. Evidentemente que a ideia que quis passar foi que feitos industrialmente certos bens não têm o mesmo valor do artesanato. Concordo. Se o mestre Ilídio fosse industrial latoeiro em lugar de industrioso artesão podia provavelmente ser chefe de produção, engenheiro ou até doutor em organização e administração, mas mestre ninguém lhe chamava; a sua produção não teria o valor do artesanato, antes passaria a ter outra coisa mai' moderna: mais-valia. E a sua mestria não seria mestria; seria com toda a certeza know-how.
Na arqueologia lexical a clareza do Português vai-se acamando suavemente nos níveis inferiores.
Medidas, Ovibeja, 2007.
domingo, 27 de maio de 2007
Av. da República, 13-23
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sábado, 26 de maio de 2007
89/90 ou 90/91
Apesar de muito esquecido dos anos 80 (a memória pode ser muito selectiva se não for alimentada; e se o for, também) há uma feliz recordação de lá do fim da década que apesar muito envolta em brumas ainda permanece agradável. Já cá falei disto em Julho ou Agosto de 2005. A passagem de ano foi na casa de praia dos pais da namorada dum de nós. Sem os pais, como é óbvio. A malta que meteu mãos à obra foi assaz diligente, mas pouco esperta: comprou os comes e bebes (catering é como se hoje diz à maneira amaricana) no Euromarché das Telheiras; comprou os confetti lá também; carregou isso e a restante tralha (aparelhagem de som, discos, luzes e mais não sei o quê); montou tudo no dia da antevéspera de ano novo; fez contas e não incluiu na margem de lucro mais que um contido almoço na Praia das Maçãs. Grandes empresários, hem!...
Avisada a malta mais selecta — não queríamos lá chungaria — muitos mais pediram cabidela; foram e couberam todos; ninguém fez asneira (o que chegou num carro todo desportivo, sem ter carta, não conta). Afinal era tudo boa gente, conforme o demonstra a casa ter ficado de pé.
Para abrir a rambóia, lembro-me, pus o Turn It On Again do Three Sides Live...
Agora encontrei aí um plágio do documentário do evento (tirando os bebés, que não houve naquela data e que devem ser criação dos Genesis para disfarçar). Notai a estranha dança aos 2' 31'': aquilo seria eu?!...
Bom! A moral da história é assim (*), dois pontos: as memórias são algo como uma coisa qualquer.
Genesis — Turn It On Again
(Three Sides Live, 1982)
(*) É assim, dois pontos: não é assim que ele agora toda a gente começa a dizer as frases todas que diz?
Select
Select é um álbum (em vinil) da Kim Wilde de, salvo erro, 1982. Devo ter sido o único jovem em Portugal que na altura o comprou. O meu querido amigo Pitxaime lembra-se dele (que memória, pá!) e propôs-me um artigo. A única coisa que me ocorre dizer foi que lá comentei.
Chaos at the Airport é no Poceirão depois duma cantoria empolada do Words Fell Down
pelo sr. ministro Lino e do dr. Almeida Santos ter trauteado o View From a Bridge.
Há-de ter mais de 25 anos que não ouço este disco. Metes-me em cada uma.
(Bic Laranja)
Para me desculpar da resposta fraquinha que dou ao seu desafio (e sobretudo da imodéstia de me citar a mim mesmo) cá lhe deixo a Kim Wilde numa contracapa mais Select(a) que a de 82.
Kim Wilde - You Came (2006)
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Os calhaus
A Criação foi violenta e no acto houve calhaus pelo ar em todas as direcções.
Uns que tombaram nas encostas, por ladeiras íngremes vieram a rebolar; poliram-se tanto com delicadezas e mesuras que chegaram a ponto de alardear irritantes punhos de renda.
Outros houve que bateram na carqueja e por ali ficaram, urbanizando aqueles lugares ermos (*), edificando estádios, construindo estradas, planeando maiores voos e aeroportos. Governando[-se]... Continuam tão brutos e toscos como quando a Criação os cuspiu para os ermos povoados de carqueja. Quem sabe é disso o trauma que têm com o ermamento.
A estrada, Alentejo, 2004.
Fotografia de Pedro Flávio, in 1000 imagens.
(*) Ou desertos, que é por onde o escol bem-falante da imprensa e da televisão afunila o despovoamento.
Eu fico.
É óbvio que o sr. dr. Paulo Portas é sincero e honesto. Mas porque o ostenta ele com gestos e jeitos tão avolumados?!...
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Guarda pólis
Esta já está madura, mas os jornaleiros descobriram-na só agora.
Um professor foi suspenso na D.R.E.N. por dizer uma piada sobre o sr. primeiro ministro Sócrates. Ora se tivesse sido suspenso de funções, preso, e até levado uns safanões por dizer uma piada sobre o dr. Salazar talvez fizesse sentido, não é!...
Mas sobre sr. engº engenheiro Sócrates?!...
Guarda Pólis, Guarda, 2006.
Não é?!...
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Estrelas do vídeo
A saudade de 79 que o Weekend me deixou lembrou-me os Buggles e uma das minhas cantigas favoritas daquele tempo. Ao contrário do que cantam num dado passo da letra (we can't rewind we've gone too far) os Buggles nem por isso foram muito longe, e aqui em 2004, ao fim de contas, até conseguiram rebobinar; excelentemente, por sinal.
Tomava os Buggles por uma banda de estúdio incapaz de apresentações ao vivo tão fiéis ao disco. Ora enganei-
-me. Diz-me o Trevor Horn - o dos óculos - no fim da canção que foi a primeira vez que ele, os colegas dos Buggles, o baterista e duas das senhoras do coro a tocaram diante de alguém, ao vivo, desde a gravação no estúdio 25 anos antes. Em boa hora o fizeram. Mereceram muito bem as honras da realeza.
The Buggles - Video Killed The Radio Star
(Teledisco)
sábado, 19 de maio de 2007
Tudo se compra...
« A câmara de Lisboa deve ser, assim de cabeça, uma das maiores empresas públicas deste país, com tudo o que de privado tem o que é público, entenda-se. É, isto de certeza, um pote de ouro gigante onde se têm alimentado organizações criminosas ligadas à finança, ao cimento e à política.»
B.S., in Baixa Autoridade, 17/5/2007.
Obras..., Picoas, 1955-59.
As eleições são concursos públicos sem caderno de encargos. A função é sempre a mesma: agente de compras.
Quem ganha o concurso pode comprar toda a banha da cobra que conseguir aos grossistas mais amigos, ou, mais formalmente, àqueles com quem haja firmados prévia e secretamente contratos-promessa de compra e venda. Certas corporações de mercadores - contemporaneamente designadas partidos políticos - detêm o monopólio das vagas desses concursos para agentes de compras públicas. Antes dos concursos eleiçoeiros as corporações de mercadores alienam a pataco, a sociedades comerciais, quotas do seu monopólio de compras com o dinheiro colectivo. O negócio - que não querem que se saiba - cobre normalmente as despesas com o concurso e, em caso de vitória, rende óptimas comissões em espécie e em género às corporações de mercadores - contemporaneamente ditas partidos políticos - que depois redistribuem internamente... Para as sociedades comerciais pode parecer uma lotaria, mas contabilísticamente é investimento (de mais a mais há estudos de mercado sondagens); já para as corporações de mercadores - contemporaneamente ditas partidos políticos -, caso tivessem escrita comercial séria, o proveito seria simplesmente lançado na classe 7 como prestação de serviços.
Depois do concurso ganho cumprem-se os contratos-promessa e não as promessas, não haja enganos.
Este jogo combinado de compra e venda de quotas, serviços e mercadorias que em delírio descrevo é o que de privado tem a coisa pública na citação lá de cima. Sabei então daqui que o tão apregoadamente nobre combate político é triste eufemismo para guerra comercial. E é por isto que não encontrareis ética nenhuma na política: porque é comércio, e isso é cousa amoral...
Obras..., Av. Fontes Pereira de Melo, 1955-59.
Fotografias: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
A involução dos eléctricos
Quando ainda era possível atravessar a Av. da República sem semáforos...
Os eléctricos faziam ali uma volta no cruzamento com a Duque de Ávila. Seriam as carreiras do Lumiar que desistiam ali de concorrer com o Metropolitano até à Baixa? 
Av. da República [vendo-se ao fundo o Saldanha], Lisboa, 1967.
João Brito Geraldes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
2ª circular
Não estava bem como na imagem, mas anteontem levou-me oito minutos ir do aeroporto à Estrada de Benfica pela a 2ª circular. Isto às 6h00 da tarde. Nem por uma vez parei. No fim só pensei no desmazelo que era os do Rádio Clube dizerem - isto quando ia eu no Relógio - que estava tudo engarrafado entre o Campo Grande e Benfica. Lá porque é a regra não quer dizer que não devam verificar, porque há excepção.
E pensar que o trabalho daqueles senhores do Rádio Clube é dizer as notícias!...
2ª circular entre o estádio da Luz e a Estrada de Benfica, Lisboa, [s.d.].
Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Agora parece que há ali uma bomba de gasolina onde havia aquela casa.
terça-feira, 15 de maio de 2007
Punaises e outras ferragens
Quem é o ministro asterisco?
- Saberão a seu tempo! - declarou José Socrates.
[Eh raça de homem! É assim mesmo!...]
Este verbete foi sugerido por... Sabereis a seu tempo...
domingo, 13 de maio de 2007
Weekend
Foram as gémeas que me disseram o nome. Sabiam que queria dizer 'fim-de-semana' porque tinham escolhido Inglês no ciclo. Eu tinha escolhido Francês mas também sabia o significado porque se diz da mesma maneira. A cantiga foi um êxito formidável em 79 e dava quase todos os dias na telefonia onde a ouvíamos -- as gémeas e eu -- nos discos pedidos. E ao depois nunca mais se ouviu...
Já tinha andado à cata da cantiga no Tubo, mas como não a achei, deixei. Hoje meti-me novamente à procura e cá está. Sabendo o nome - e havendo no Tubo -- foi simples. Caso idêntico já se não deu com o sr. Francisco Mateus que passou 28 anos com a melodia atravessada na ideia e a lembrança do teledisco a ganhar pó na memória, sem forma de poder achar a cantiga. É complicado pesquisar algo quando os termos de pesquisa são uma melodia sem nome ou uma cantora meneando-se num macacão brilhante, na TV, há 28 anos. A busca, que para mim foi uma questão de tempo até a cantiga chegar ao armazém, para ele foi um afortunado golpe do acaso. Por isso quando tropeçou na "sua" cantiga perdida nesse palheiro imenso que é a Internete ele quase não acreditava. Compreende-se. Resta-me eu saber agora se terei sorte igual com a minha cantiga perdida, que não sei sequer trautear com convicção, que não sei o nome, cuja cantora não sei quem é, e cujo teledisco nem sei se há.
Earth and Fire - Weekend
Aviso
Fiquei cá agora a pensar...
Há muita ferramenta fácil de incorporar aqui no blogo que pode indicar quem são os benévolos leitores que aqui vêm. Hesito muito em pôr disso cá porque não domino a ciência e não sei quanto isso pode espiolhar os computadores dos visitantes daqui. Por exemplo o 'sitemeter' diz qual sistema operativo ou a resolução do monitor dos visitantes. Saber isto não tem o mínimo interesse e considero reles bisbilhotice espiolhá-lo. O que mais espiolhará não sei, mas aflijo-me. Sei que quem quer dar-se a conhecer di-lo nos comentários. Por isso só há um simples contador aqui; mantenho o 'sitemeter' somente nos arquivos porque não há forma de pôr contadores em todo o arquivo diário e mensal.
Inscrevi-me há pedaço num desses que medem as visitas aos nossos blogos. Fiquei algo admirado com as remissões para cá de blogos que desconhecia e que nunca visitei. Constrangido por os não conhecer quando eles me conhecem e reconhecem, é este aviso também, em alguma medida, uma desculpa. Não sei o que este fornecedor vasculhará sobre os benévolos leitores; nem sei quanto tempo o manterei ligado; como lhe não faço publicidade explícita fica este aviso.
Nota: uma boa informação que colhi desta ferramenta - pois que também há vantagens - foi ver esta tela branca aqui onde faço redacções e penduro postais distinguida três vezes com o prémio de blogo que dá que pensar. Em dois deles (Dias que Voam e Rio das Maçãs) que tinha já dado notícia agradeci lá onde gentilmente o prémio foi atrubuído a honrosa distinção. No terceiro (Aldrabas, Batentes e Fechaduras) dei só agora. Renovo-lhes o meu obrigado agora aqui.
sábado, 12 de maio de 2007
Domus Iustitiæ
Bófias (ou os gajos que deixaram o rock onde ele nunca deveria ter saído)*
| Não me venham com a converseta dos produtos de excelência, com tangas de nova imagem nem com gestões da mudança. Este trio é duma simplicidade rockeira notável. E ponto final. Diferenças desde 79? Talvez a cor dos cabelos. E o fato-de-macaco do Sting. * Títulos gamados ao Pipàterra, onde o texto vale a pena. | |
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Dogma
A razão de certas tiras de papel azulado com "20 EURO" inscrito na frente e no verso valerem mesmo € 20,00 e um guardanapo de papel azul com o mesmo texto escrito por mim a lápis não valer nada é a seguinte: naquele tempo alguns humanos sábios vieram e disseram que as tiras de papel azulado com "20 EURO" inscrito tinham aquele valor e os guardanapos de papel manuscritos pelos comuns homens não; e todos os homens ouviram as boas palavras dos sábios e acreditaram; e ao depois viram que as tiras de papel azulado que dizem "20 EURO" eram boas; e então creram genuinamente e do fundo do seu coração que as tiras de papel azulado que dizem "20 EURO" tinham e têm aquele valor; e porque eram boas chamaram-lhes notas de banco.
E porque todos crêem no valor das notas de banco, o dinheiro tornou-se um dogma.
Anti-dogma
E porque nesta idade fiduciária os homens bons e modernos se libertam dos grilhões convencionais e derrubam os dogmas, aguarda-se o advento de notas de banco em tiras de papel sem álcool e com sabor a pêssego.
Imagem do extinto dogma fiduciário português em moedas.org.
| Carl Sagan contou no Cosmos uma história engraçada. No princípio da observação de Vénus por telescópio a partir da Terra via-se uma espessa camada de nuvens sobre todo o planeta. Havendo nuvens devia haver vapor de água, pensou-se; tanto vapor de água que cobrisse o planeta inteiro significaria uma superfície muitíssimo húmida; com tanta humidade à superfície devia haver lagos, charcos, pântanos; se havia pântanos podia haver répteis, ou até dinossauros... Observação: não se via nada. Conclusão: dinossauros. ... Talvez a imprensa inglesa devesse conduzir a procura... Pois se consegue encontrar erros de investigação numa investigação em que não vê nada nem lhe é revelada coisa alguma!... Isto para lá de toda a chafurdice dita informativa em cima da desgraça. Goya, Até ao seu avô (Os Caprichos, gravura 39) |
terça-feira, 8 de maio de 2007
Enformação
A antiga Emissora Nacional dizia ontem de manhã em modo introdutório que mice (1) Nicolau ganhou. E num repente pôs em destaque Mme. Royal, as gentes que a seguiram e o ululante apoio que lhe cantaram ao perder....
Passado o noticiário, o locutor Macedo deu o tempo por cá: calor, 25 graus em Lisboa, &c. e tal... No fim: Paris com manhã cinzenta; dia muito feio em Paris!
No novo e chique Rádio Clube Português a cantoria da vitória de mice Nicolau era pautada pela revolta dos jovens, acompanhada por trauliteiros da gendarmaria...
Tornando a sintonizar a ex-Emissora: o noticiário repete-se; o boletim do tempo repete-se outras várias vezes; a voz bovina do locutor Macedo cada vez que insiste no tempo por cá remata: Paris com manhã cinzenta; dia muito feio em Paris!
Ora, será impressão minha ou esta subtil maneira de dar as notícias é assaz pouco neutra; logo a começar pela insistente ironia meteorológica do locutor Macedo. Imagem da Internete...
A propósito de eleições: na Madeira, alguma das araras que lá foram em excursão enformativa ligou ao tempo?
E à abstenção?!...
(1) Do Francês monsieur; sigo a forma medieval portuguesa usada por Fernão Lopes. Diz-se micê.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Ovibeja
Em menino tive um tractor brinquedo, réplica daquele encarnado. Também tinha um azul, réplica dum Ford com ar mais moderno. Mas era só no encarnado, por parecer mais antigo, que eu conseguia imaginar o meu avô trabalhando nos campos.
Em menino eu gostava muito de tractores por causa daquelas rodas muito grandes atrás.
E por causa do meu avô também.
Exposição do Museu Agrícola de Beja, Ovibeja — © 2007.
Suinibeja
Porcos vietnamitas... à alentejana, Ovibeja — © 2007.
Excerto da Nortada de Júlio Pereira.
sábado, 5 de maio de 2007
Torre da Pólvora
De conhecer tão pouco como eram aqueles lados da Pampulha dou o braço a Norberto Araújo e sigo com ele em peregrinação.
O prédio em estilo moderno deve ser aquela casa branca baixa, ao lado do palacete do Dr. Ulrich. O outro, o de gaveto, não se vê daqui, encoberto que está por aqueloutro casarão branco à direita. Bibliografia: Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, 2ª ed., Lisboa, Vega, 1993, pp. 12-13. |
Para os lados da Pampulha
Conheço mal para aqueles lados da Pampulha. Por isso fui ver o livro dos mapas, que são já de 1910/11. Para cotejo com o que há hoje movei o cursor sobre a imagem. |
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Legenda:
Mapas do Levantamento da Planta de Lisboa - 1904-1911 (plantas 8E e 8F) e da Lisboa Interactiva (Av. Infante Santo). |
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Pampulha
A imagem da adivinha proposta pelo Exactor é de 49; foi tirada sensivelmente onde hoje a Rua Embaixador Teixeira de Sampaio entronca com a Infante Santo. Em 50 o fotógrafo amigo de Lisboa Eduardo Portugal passou por lá e, aproximadamente daquele local, obteve este resultado que primeiramente aí vedes: o aqueduto fora já demolido; a Infante Santo percebe-se já bem desenhada, mas ainda por alcatroar; o casarão que o confrade Je Maintiendrai referira ter algum porte de casa fidalga - em 49/50 era apenas os restos do quartel da Cova da Moura; Infantaria 7, acho - o casarão, dizia eu, ainda se aguentava. Logo acima havia de surgir um gasómetro e ao depois dele pela a avenida acima, edificaram-se uns blocos de arquitectura muitíssimo moderna. O gasómetro já despareceu mas a arquitectura modernaça perdura por lá, não é verdade?!...
O fotógrafo, esse largou daqui desta poeira da destroçada Rua da Torre da Pólvora onde o percebemos e seguiu fotografando pela nova avenida abaixo até à 24 de Julho. Bem! Isto presumo eu, que Eduardo Portugal pode eventualmente ter feito este percurso em sentido inverso.
Mas ir por ali às avessas do Tempo gostava eu, que ando cá intrigado com o lugar da Pampulha antes de toda esta reviravolta da Infante Santo.
Avenida Infante Santo em construção, Lisboa, 1950.
Avenida Infante Santo, Lisboa, 1950.
Av. Infante Santo [no entroncamento com] a Av. 24 de Julho, Lisboa, 1950.
Fotografias de Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Vereação
Fotografia: Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Relatório para mais tarde.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Caixa da Comunidade
Quase parecia... Tanto que me lembrei deste...
Uma interessante reflexão sobre o jogo do Monopólio em...
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Pontes e pargos, que sei eu...
A outra ponte assinalada no mapa do amigo Manuel.
Todavia a melhor fotografia de pontes sobre a Estrada de Chelas pertence ao H Gasolim Ultramarino.
Palácio da Quinta do Lavrado, Estrada de Chelas, [c. 1960].
J. H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
terça-feira, 1 de maio de 2007
Palacete...
Onde retorna, em tracção animal, a ciranda por essas avenidas.
Palacete (Av. da República, 77), Lisboa, c. 1907.
Paulo Guedes in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


