De conhecer tão pouco como eram aqueles lados da Pampulha dou o braço a Norberto Araújo e sigo com ele em peregrinação.
Espreitemos a Rua da Tôrre da Pólvora, urbanizada e rectificada no seu trôço inicial sob a Pampulha, há dois anos [1937]. Na parte antiga vemos, à esquerda uns casebres decrépitos, e os restos dos fornos da cal, pois muitos por aqui houve. O sítio foi chamado, no século XVI, «Lapa da Moura», em virtude da existência de uma lapa entre as pedreiras que afloram ainda na raiz das construções. De Lapa da Moura se passou a Cova da Moura, nome que esta área entre Alcântara e a Pampulha ainda mantém.
Panorâmica [do alto da Cova da Moura] sobre a Pampulha e a antiga [Rua] da Torre da Pólvora, Lisboa, c. 1940.
Acompanhemos Eduardo Portugal ao hoje chamado alto da Cova da Moura, mais ou menos ao fundo da Travessa do Chafariz das Terras. A panorâmica sobre a Pampulha e o Tejo é formidável. À direita as chaminés fumegantes da Alcântara industrial. Aqui mesmo em baixo, no começo da Rua da Torre da Pólvora uma camioneta entra nuns armazéns. Logo abaixo, já na Alameda do Tenente Valadim, há um grande palacete do estilo de D. João V, à esquina da Rua da Cova da Moura, que é por onde tem a entrada principal. Pertencia ao Dr. João Ulrich - é Norberto de Araújo quem mo diz - e prossegue:
Foi adquirido pelo Ministério da Guerra em Agôsto de 1935, para sede do Conselho Superior de Defesa Nacional e do Conselho Superior do Exército. Como contraste, olha-me êste prédio, de 1938, ao estilo moderno e desafogado, e êsse outro, em gaveto, estreito como uma cunha, entre as Rua e Travessa da Cova da Moura, do século passado. O urbanismo em Lisboa tem muito dêste desiquilíbrio estético.
O prédio em estilo moderno deve ser aquela casa branca baixa, ao lado do palacete do Dr. Ulrich. O outro, o de gaveto, não se vê daqui, encoberto que está por aqueloutro casarão branco à direita. Pois bem, agora vejamos. Para chegar cá ao alto vindos da Pampulha passámos além por aqueles armazéns - vimos lá uma carroça e umas mulheres que vinham com uns cestos; ao depois demos com o largo da Torre da Pólvora, onde está a entrada do quartel…
 Rua Torre da Pólvora, actualmente incorporada na Av. Infante Santo, Lisboa, 1939.
 Quartel da Cova da Moura na antiga Rua da Torre da Pólvora antes da abertura da Av. Infante Santo, Lisboa, 1939.
Bibliografia: Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, 2ª ed., Lisboa, Vega, 1993, pp. 12-13. Fotografias: Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.. Mote: Olisipografia 17, in O Exactor, 28/4/2007.
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Deixe-me voltar, e atiramo-nos ao que foi e ao que resta do famoso aqueduto do Chafariz das Terras. Vale?
ResponderEliminarSim. :) Cumpts.
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