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sábado, 19 de maio de 2007

Tudo se compra...


« A câmara de Lisboa deve ser, assim de cabeça, uma das maiores empresas públicas deste país, com tudo o que de privado tem o que é público, entenda-se. É, isto de certeza, um pote de ouro gigante onde se têm alimentado organizações criminosas ligadas à finança, ao cimento e à política.»


 B.S., in Baixa Autoridade, 17/5/2007.



Obras, Lisboa (J.Benoliel, 1955-59)
Obras..., Picoas, 1955-59.

 As eleições são concursos públicos sem caderno de encargos. A função é sempre a mesma: agente de compras.
 Quem ganha o concurso pode comprar toda a banha da cobra que conseguir aos grossistas mais amigos, ou, mais formalmente, àqueles com quem haja firmados prévia e secretamente contratos-promessa de compra e venda. Certas corporações de mercadores - contemporaneamente designadas partidos políticos - detêm o monopólio das vagas desses concursos para agentes de compras públicas. Antes dos concursos eleiçoeiros as corporações de mercadores alienam a pataco, a sociedades comerciais, quotas do seu monopólio de compras com o dinheiro colectivo. O negócio - que não querem que se saiba - cobre normalmente as despesas com o concurso e, em caso de vitória, rende óptimas comissões em espécie e em género às corporações de mercadores - contemporaneamente ditas partidos políticos - que depois redistribuem internamente... Para as sociedades comerciais pode parecer uma lotaria, mas contabilísticamente é investimento (de mais a mais há estudos de mercado sondagens); já para as corporações de mercadores - contemporaneamente ditas partidos políticos -, caso tivessem escrita comercial séria, o proveito seria simplesmente lançado na classe 7 como prestação de serviços.
 Depois do concurso ganho cumprem-se os contratos-promessa e não as promessas, não haja enganos.
 Este jogo combinado de compra e venda de quotas, serviços e mercadorias que em delírio descrevo é o que de privado tem a coisa pública na citação lá de cima. Sabei então daqui que o tão apregoadamente nobre combate político é triste eufemismo para guerra comercial. E é por isto que não encontrareis ética nenhuma na política: porque é comércio, e isso é cousa amoral...


(Obras, Lisboa (J.Benoliel, 1955-59)
Obras..., Av. Fontes Pereira de Melo, 1955-59.




Fotografias: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

10 comentários:

  1. E depois ainda há o "pequeno" pormenor de serem quase todos muito burros.
    Abraço

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  2. Burros e amorais. Mas que mau negócio nos calhou. Cumpts.

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  3. Os Políticos dizem que portugal perdeu a confiança neles, isso é unica e exclusivamente culpa deles.
    A 1ª foto das obras é muito interessante, foi retirado o passeio e as arvores, para caberem carros...

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  4. Bic Laranja19/5/07 20:53

    Para caberem carros, sim. Parados. Cumpts.

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  5. Parabens por 60.000 visitas. Visito o seu espaço com alguma regularidade ultimamente pois interesso-me bastante por fotografias antigas. Mais umas vez parabens e continuação de bom blog.

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  6. Todos os partidos são iguais...Eu subscrevo o post do senhor Dom Bic!

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  7. Bic Laranja19/5/07 22:35

    Obrigado, Mário! // Obrigado Dona T. // Cumpts. a ambos. :)

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  8. Que políticos inteligentes não haja, pouco me surpreende, mas políticos sem o carisma de outrora.. que desilusão :( os de agora nem convencer conseguem!
    Belo post;)
    Beijinhos!

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  9. Que saudosismo encontrei aqui !!!! rs
    Saudades do tempo do fascismo!?
    Nas próximas eleições ponderem antes de decidir, ok?
    Tudo de bom.........

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  10. Bic Laranja21/5/07 22:01

    Borboleta: ainda convencem muita gente, mas a abstenção sobe; são já mais os que se não deixam convencer. Ah! E quando perderam a arte de bem convencer viu-se-lhes a manha despida até de vergonha. // Intemporal: saudosismo há sempre muito cá no blogo. Ou não fosse esse um sentimento tão nacional... Aprecie-o quanto lhe apeteça. Cumpts.

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