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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Etelvina, campista do Rossio

Etelvina só gostava era de andar pela cidade
A semear desacatos e a colher tempestade
A meter-se coa polícia, a dizer assim: 
Você que dá bastonada
Bata aqui a ver se eu deixo
Espere lá que já o agarro
No tribunal é qu' eu me queixo

Eu durmo sòzinha à noite
Vou dormir ao desafio à noite, à noite
Acampada no Rossio à noite, à noite, à noite, à noite, à noite.



Sérgio Godinho, Etelvina
(À Queima Roupa, 1974)



Epílogo:

Etelvina já sabia que não ia encontrar
Nem um amanhã cantado nem um lobo do mar
Só alguém com quem pudesse dizer assim:
O amor já não é cego
Abre os olhinhos à gente
Faz lutar com mais apego
A quem quer casa dif'rente

O seu homem encontrou-o à noite
A dormir no Rossio, à noite, à noite
Acocorado com frio à noite, à noite, à noite, à noite, à noite

Da falta que os imigrantes fazem

«Crónica da imigração em Portugal em 27 de Outubro de 2026 às 11h34 T.M.G.», Lisboa — © 2026
Crónica da imigração em Portugal em 27/X/2026 às 11h34 T.M.G.
Lisboa — © 2026

Nota: Tirando o dia e hora da foto, é todos os dias à mesma ou noutra hora.