Etelvina só gostava era de andar pela cidade
A semear desacatos e a colher tempestade
A meter-se coa polícia, a dizer assim:
Você que dá bastonada
Bata
aqui a ver se eu deixo
Espere lá que já o agarro
No tribunal é
qu' eu me queixo
Eu durmo sòzinha à noite
Vou dormir ao desafio à noite, à noite
Acampada no Rossio à noite, à noite, à noite, à noite, à noite.
Sérgio Godinho, Etelvina
(À Queima Roupa, 1974)
Epílogo:
Etelvina já sabia que não ia encontrar
Nem um amanhã cantado nem um
lobo do mar
Só alguém com quem pudesse dizer assim:
O amor já
não é cego
Abre os olhinhos à gente
Faz lutar com mais apego
A
quem quer casa dif'rente
O seu homem encontrou-o à noite
A
dormir no Rossio, à noite, à noite
Acocorado com frio à noite, à
noite, à noite, à noite, à noite