Ia a sair do barbeiro, passa-me de ante um desses pardos indianos que deambulam por todo o lado de «tablete» na mão. Normalmente conversam com o objecto meios a berrar e numa língua de trapos que se não atura. Há dias na caixa do super chegou um atrás de mim nestes termos que nem conseguia eu ouvir a menina da caixa. Virei-me para ele com pouca cerimónia.
— Importa-se de falar mais baixo?
— Porquê? — respondeu-me com insolência.
— Ai tu até falas português?! Então entendes-me bem. Baixa-me lá a voz se fazes favor!
Não só baixou o volume como calou a matraca. Acabou-se a conversa.
Sarnosos do caraças!
Pois ia eu hoje a sair do barbeiro e passa-me de ante um desses, com a «tablete» na mão. Mas este não falava; trazia era o objecto a retransmitir rua fora uma guinchadeira tipo Avé Críxena ióim, ióim, com acordes de faquir encantador de serpentes. Coisa lá de além-A.I.M.A., donde estes espécimes estralejam agora cá como pipocas, não sei se estais a ver o filme…
Ora em saindo do barbeiro saiu-me logo este bago de milho meio tostado a dar-me música (música?!…) e dou comigo a pensar. — Mas eu tenho agora de aturar este caramelo no meio da rua, assim, logo à minha frente?… E logo no mesmo caminho que eu!… E com isto, nós, cá, todos os que passamos ou nos cruzamos com esta ave (pouquíssimo) rara (infelizmente), vamos a ter de lhe gramar a «riqueza» cultural que o pariu lá na terra donde nos também já calhou aqueloutro que promoveram a marajá de Broxelas!
Raisparta! [Com F maiúsculo, leia-se.]
Pois bem! Pus-me a um passo do gajo. Só um passinho atrás, a segui-lo. Enquanto isto puxo com jeitinho da minha «gaita» (refiro-me ao telemóvel, nada de confusões), discorro nela pelo blogo da Bic Laranja que tem uns fadunchos jeitosos e, nem três passos andados, já estava aquele freguês a ser enriquecido culturalmente pelaquelas orelhas pardas a dentro com umas sardinheira que eu e a Amália lhe atirámos.
Isto é verdade! Não foi da trapeira nem de nenhuma água furtada. Foi mesmo ali ao pé dele, só um passinho ao lado. Volume no máximo. E sorri cá comigo sem olhar para ele.
Epá, isto é sincero! Nem meia dúzia de passos andados e logo aquele freguês salvador da Segurança Social ou lá o que é, acabou com a emissão sonora de ondas curtas trazida lá da Índia ou do raio que o parta, e vai daí enfiou o retransmissor na algibeira como quem enfia o rabinho entre as pernas.
Sardinheiras. Foi remédio santo.
Ora já vistes! Pensava-me aquele c@x#!ho que isto do enriquecimento cultural era só de lá para cá e assim à lagardère pela' ruas de Lisboa ou quê?!
Amália — Sardinheiras
(Linhares Barbosa, Fernando de Freitas)
estes salvadores da seguranca social ,sao uma comedia
ResponderEliminarSão uma tragicomédia.
EliminarNuma rua onde passo todos os dias está sepre uma gaja vinda desses lados - mais feia que o Belzebu, diga-se por ser verdade - sempre a ouvir uma guinchadeira dessas enquanto bronzeia os cascos.
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