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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Crónica da tomada de Ceuta para totós

 O «Correio» titula «crise migratória» a invasão de Ceuta por 50 ou 60 mil mancebos em idade de assentar praça ou, vá lá, em boa idade de ter de dar o nome para a tropa. É o jornalismo impressionista. Umas lambuzadelas de eufemismos e está pintado o quadro. O habitual: aldrabice à descarada. Do impressionismo aldrabão a fingir notícias até à realidade vai que as hordas dirigidas de Rabat para Ceuta e que se recusam agora a tornar a Marrocos, são de gente que se parece muito mais com os cafres da Guiné do que com mouros de Fez ou de Marraquexe. Um fenómeno inexplicado pelo catequista Rui Gomes do «Correio da Manhã» cuja prègação importa é matraquear sobre «migrantes», «jovens» a «passar fome», «sem condições de vida» vindos do Sudão, «um país em guerra». Uns desgraçados, coitadinhos, a serem recambiados sem compaixão por «militares do Exército [espanhol] fortemente armados», de volta a Marrocos, «onde não conhecem ninguém», mas onde naturalmente estavam quando alguém os arregimentou e despejou para Ceuta para se virem pôr à mama dos europeus. Este jornalismo de pinceladas impressionistas dá-me impressão que impressiona, de facto. Porque deve cuidar que todo o leitor é realmente muito, muito estúpido.

Rui Gomes, Nuno Alfarrobinha, «Crise migratória», «Correio da Manhã», 3/VIII/26.

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