O «Correio» titula «crise migratória» a invasão de Ceuta por 50 ou 60
mil mancebos em idade de assentar praça ou, vá lá, em boa idade de ter de dar
o nome para a tropa. É o jornalismo impressionista. Umas lambuzadelas de
eufemismos e está pintado o quadro. O habitual: aldrabice à descarada. Do
impressionismo aldrabão a fingir notícias até à realidade vai que as hordas
dirigidas de Rabat para Ceuta e que se recusam agora a tornar a Marrocos, são
de gente que se parece muito mais com os cafres da Guiné do que com mouros de
Fez ou de Marraquexe. Um fenómeno inexplicado pelo catequista Rui Gomes do
«Correio da Manhã» cuja prègação importa é matraquear sobre «migrantes»,
«jovens» a «passar fome», «sem condições de vida» vindos do Sudão, «um país em
guerra». Uns desgraçados, coitadinhos, a serem recambiados sem compaixão por
«militares do Exército [espanhol] fortemente armados», de volta a Marrocos,
«onde não conhecem ninguém», mas onde naturalmente estavam quando alguém os
arregimentou e despejou para Ceuta para se virem pôr à mama dos europeus. Este
jornalismo de pinceladas impressionistas dá-me impressão que impressiona, de
facto. Porque deve cuidar que todo o leitor é realmente muito, muito
estúpido.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Crónica da tomada de Ceuta para totós
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário