Inteligência artificial. Um termo que não vale. Se é
inteligência não pode ser artificial. Se é artificial não há nunca de
ser inteligência: antes é artifício.
Artifício, como foguetório.
Do artifício, agora torno a contar.
Tenho-me entretido com o Gemini, o algoritmo do Guglo que simula a linguagem humana. Vulgarmente chama-se-lhe inteligência artificial, nome de que não gosto porque, como já disse, a coisa não é inteligência nenhuma (salva a dos programadores que a nutrem); e de artifício tem tudo.
Só o adjectivo lhe assenta, portanto.
Adjectivado que está o utensílio, por conseguinte, fica pelo adjectivo nomeado: chamemos-lhe o artifício.
Pois bem, o artifício, para lá de manobrar com jeito a gramática, parece capaz também a fazer bonecos. Aqui ou ali fundem-se-lhe os fusíveis e estoura, como qualquer máquina puxada ao limite. Ironia. É justamente quando estoura que o artifício ganha foros de coisa real.
Voltando ao artificioso da coisa, todas as preguntas que se lhe faça têm sempre resposta pronta; verdade firmada ou disparate inventado conforme haja ou não estribo na base de dados de suporte à resposta. O caso é que inventa descaradamente.
E a fazer bonecos?
A fazer bonecos tem algo de sinistro. Não digo só do aspecto geral das imagens que por artifício são geradas por inteiro como das trevas do nada: notam-se-lhe monstruosidade em rostos desfigurados e um tom sempre lúgubre da luz; são imagens sinistras que não inspiram.
Por isso, se aproveito o utensílio para foguetório aqui, é só no jeito que tem de adulterar imagens. Algumas vezes em que o fiz, à procura de melhorar algo, forneci-lhe uma imagem real, já para estragar deliberadamente, já para recompor com verosimilhança.
Ou seja, carregar numa máquina a matéria-prima essencial para obter um produto acabado.
Estamos no âmbito da mecânica, bem entendido. Já se faz com teares mecânicos.
O resultado do processo é quase sempre para deitar fora à primeira e, à segunda; à terceira só piora. Escapam algumas por regra de excepção.
Depois, há o sofisma.
O caso da vivenda Maria de Lourdes, em Benfica, cuja fotografia original carreguei na espécie de «Bimby» que passa por ser inteligente, foi grotesco. Grotesco e tão à vista que, nem vi. À primeira, as cores demasiado saturadas suscitaram-me rejeição. Corrigidas estas, o artifício acrescentou persianas na empena da casa à direita da «Maria de Lourdes» e ampliou o arvoredo em segundo plano de maneira exuberante. Tomei por boa a fotografia processada, desapercebido da aldrabice. Só depois vi a asneira. Nestes casos já sei; vai de recomeçar o processo com o original a preto e branco e pedir pouca saturação.
Aqui, hoje, com o autocarro da Cityrama, o original era a cores, meio descorado ou a pender para o roxo. Quis melhorá-lo.
Outra vez à primeira saiu com as cores saturadas, mas não lhe topei nada mais. Uma ordem de correcção desse problema e pareceu bem. Cheguei a publicá-la. Até que, revendo e ampliando, o nome Leyland na frente do autocarro tinha saído aldrabado.
Vão três [quatro] recortes da treta que se seguiu.
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