As memórias fotográficas, e por conseguinte a História, são a preto e branco desde a invenção da fotografia até ao advento do filme a côres. É tôda uma era da História contemporânea em matizes de cinzento, a descair para o sépia, se tanto.
Sucede, porém, uma curiosidade imensa de ver o mundo dessa época como ele foi: a côres. A final, a realidade dessa era — e a História que queremos vêr dela — não deixou de ser a côres. E se da luz o preto e branco dá imagem real, da côr é precisa imaginação.
Ou não.
Há agora utensílios que imaginam pela gente e assim ficamos a preguiçar até de imaginar.
Mas, bem, a tentação é inevitável. E até pelo apêlo estético duma realidade que passou a querer-se vê-la como ela foi, como é o caso dos postais antigos em fototipia animada.
Estraga a fotografia?
Estraga.
Estraga a História?
Talvez. Pode só recontá-la. Ninguém garante as côres. Mas dá-lhe verosimilhança.
1.º prémio da «Eva do Natal» (à Estr. de Benfica, 743), Lisboa, 1936.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G. [Fototipia animada pelo Gemini.]
terça-feira, 19 de maio de 2026
Duma era de luz sem côr, à de uma «sem imaginação»
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