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terça-feira, 19 de maio de 2026

Duma era de luz sem côr, à de uma «sem imaginação»

 As memórias fotográficas, e por conseguinte a História, são a preto e branco desde a invenção da fotografia até ao advento do filme a côres. É tôda uma era da História contemporânea em matizes de cinzento, a descair para o sépia, se tanto.
 Sucede, porém, uma curiosidade imensa de ver o mundo dessa época como ele foi: a côres. A final, a realidade dessa era — e a História que queremos vêr dela — não deixou de ser a côres. E se da luz o preto e branco dá imagem real, da côr é precisa imaginação.
 Ou não.
 Há agora utensílios que imaginam pela gente e assim ficamos a preguiçar até de imaginar.
 Mas, bem, a tentação é inevitável. E até pelo apêlo estético duma realidade que passou a querer-se vê-la como ela foi, como é o caso dos postais antigos em fototipia animada.
 Estraga a fotografia?
 Estraga.
 Estraga a História?
 Talvez. Pode só recontá-la. Ninguém garante as côres. Mas dá-lhe verosimilhança.

1.º prémio da «Eva do Natal» (à Estr. de Benfica, 747), Lisboa, 1936.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.
1.º prémio da «Eva do Natal» (à Estr. de Benfica, 747), Lisboa, 1936.
Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G. [Fototipia animada pelo Gemini.]

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