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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Fado da Verdade


 Fado de abertura do último programa musical com D.ª Maria Teresa de Noronha na Emissora Nacional, acompanhada pelo conjunto de guitarras de  Raul Nery. Apresentado por D. João da Câmara, o programa gravado em 20 ou 25 de Dezembro de 1962, conforme as fontes, só terá ido para o ar na quarta-feira seguinte, 26 de Dezembro, às 22h25, seu dia e hora habitual.
 Neste programa de despedida, D.ª Maria Teresa de Noronha esmerou-se na escolha do repertório e abriu com este «Fado da Verdade» numa resposta pronta às ideias então defendidas aos microfones da mesma E.N. por Luís Moita, de que o fado era uma «canção decadente da raça», «dormente» e duma «degradante melancolia», ideias que veio a publicar no seu livro «Fado, canção de vencidos».
 D.ª Maria Teresa de Noronha contrapõe honestamente no «Fado da Verdade» que «é heresia e é pecado dizer tal coisa do fado» e que «quem do fado diz mal, não nasceu em Portugal ou, sem querer, falta à verdade.»
 Nas palavras de Nuno Lopes 
(Inéditos Para A História do Fado, Fundação Manuel Simões, Estoril, 2008), «uma clara profissão de fé da fadista que na hora do adeus terá feito questão de acentuar o seu amor a esta canção terna e declara que abençoado país que tem tal preciosidade».

M.ª Teresa de Noronha — Fado da Verdade
(Joaquim Campos, D. António de Bragança)

Houve alguém que disse um dia
Que o fado adormecia
Os que ouvissem seus gemidos
Que o fado tira energias
Que nos leva as alegrias
Que é uma canção de vencidos

É heresia, é pecado
Dizer tal coisa do fado
Fazer tal afirmação
Se o fado é triste cantar
Ele apenas faz chorar
A quem tem um coração

E quem do fado diz mal
Não nasceu em Portugal
Ou sem querer, falta à verdade
O fado, cantar tão terno
Não acaba e é eterno
Para nossa felicidade

Não faz ninguém infeliz
Abençoado País
Que tem tal preciosidade
Do amor, ele é irmão
Tem por pai o coração
E por mãe tem a saudade

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