SEDA, Amanhã é Sempre Longe Demais (Rádio Macau)
Boa noite!

(D.R., I Série, 27/4/2019)
A assembleia regional da Madeira resolveu reconhecer um órgão de soberania dum Estado soberano. E se resolver declarar-lhe guerra?
Super Constellation. Painel do mecânico de voo a ser vigiado em viagem (Mec. de voo Serra Afonso e Luís), s.l., 1958.
Fotografia: autor n/ ident. Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.
Original em p/b animado via ColouriseSG por sugestão do benévolo leitor B.H.
[…] Findas as aulas teóricas, as muitas sessões de simulador e o Voo Base (voos de instrução, sem passageiros) fomos finalmente para a Linha, com passageiros e tudo mas assistidos por um Comandante encartado. Desses voos assistidos em linha por outro Comandante, antes de eu ser largado, lembro-me principalmente dos dois primeiros.
O primeiro de todos, um Lisboa-Genève-Zurique, com o Comandante Queirós. No dia 6 de Abril de 1977 no CS-TBK. E lembro-me porque sendo o primeiro voo de todos como Comandante, embora asistido, o controlador suíço de Genève resolveu mudar a pista no último instante e consciente da quase impossibilidade de uma aterragem segura naquelas condições me ter até perguntado:
— Você consegue?...
Com a minha nenhuma experiência em Comando e naquele avião (era o 1.º voo e com a responsabilidade de ter a cabina cheia de passageiros, que nunca sabem o que está prestes a acontecer...) fiquei mudo aqueles milésimos de segundo que parecem sempre uma eternidade, sem saber o que lhe responder…
O Queirós disse-me rapidamente que sim, eu podia e assim aceitei a rasteira do controlador. Mas o Queirós ensinou-me como fazer, sentado na cadeira atrás de mim:
— Reduz toda a potência, já! Trem em baixo! Não desças! Deixa a velocidade cair! Flaps todos em baixo! Aterra agora… E lá passei eu aquela montanha entre Lyon e Genève com enorme razão de descida em direcção à pista mesmo em frente, a querer desaparecer-me debaixo do nariz do avião…
Mas fiz uma boa e segura aterragem.
Já na Placa do Aeroporto o Queirós ensinou-me mais uma coisa:
— Da próxima vez quando ele te perguntar se és capaz, responde-lhe: — Eu não e você?!
Obrigado, Queirós, lá onde estiveres!Cte. Cavaleiro, «Aviões que voei. Eu e o Boeing 727, na TAP», in Rio dos Bons Sinais, 2/11/2014.

B727, CS-TBK, «Açores», Aeroporto da Portela, 1979
© Stefan Roherich, in Jet Photos.

« Não, homem da rua que me leres. Ao passares pelo monumento que exalta a memória do grande capitão que foi Fernão de Magalhães, não voltes a cara com desprezo. Porque aquele bronze não representa apenas uma homenagem do Chile a um grande navegador que, «atraiçoando Portugal», se teria limitado ao descobrimento das costas da América do Sul. Aquela figura simbólica sintetiza feitos como o de Gama, aliados aos de Albuquerque, os quais não interessaram só à Espanha mas assombraram o Mundo, com uma travessia oceânica, «cúmulo de energia e arrojo». Para lhe abrir com a sua esquadra o caminho do seu «Mar del Sul», e lá descobrir «tierras e islas», foi preciso lutar, com braço e alma de aço, contra uma rebelião dos companheiros espanhóis, realizando depois a parte mais longa e mais árdua da viagem à volta do Mundo.
[…]
Pois nada disto impediu historiadores de tentarem diminuir o feito pessoal do português Magalhães — «façanha que supera todas as proezas de sua época» — escreveu Stefan Zweig — a fim de disfarçar a oposição levantada pelos oficiais da frota na busca de uma passagem para oeste do Atlântico, a ponto de a maior das naus ter desertado para Espanha! E tanto que, quando depois, pela chegada lá da «Victoria», se soube a verdade, os autênticos traidores nem foram punidos pelas suas calúnias contra o heróico capitão-mor.
[…]
Certo, o papel de quem levou a «Victoria» a Espanha, por caminho já muito trilhado por outros mareantes, foi na verdade secundário, se o compararmos com aquele desempenhado por Magalhães. Porque este, chefe e navegador, tendo vencido elementos e homens, acabou perdendo a vida em luta pela Espanha. O que por ela não foi exaltado, só para evitar que o sucesso da mais difícil parte da viagem, chefiada por Magalhães, pudesse recair sobre um não espanhol.
[...]
Assim, na sua famosa navegação, escasso de recursos, explorando um nova [sic] canal, e cortando um desconhecido oceano, longe de nos «atraiçoar», abrindo aos rivais espanhóis os portos orientais, aquele audacioso chefe de bronze, que foi Magalhães, queimando a sua vida, até nos ampliou o Brasil. E devemos orgulhar-nos de que também tivesse sido português o primeiro capitão-do-mar a passar com uma esquadra do Atlântico para o Pacífico, como já foram portugueses aqueles que o fizeram para o oceano Índico.Tal é o elevado conceito que, quando for gravado na base do Monumento, concretizará a incontestável glória da figura mundial, que foi o navegador português Fernão de Magalhães!»
Gago Coutinho (Almirante), A Náutica dos Descobrimentos, vol. II, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1969, pp. 119-135 passim.
Inauguração da estátua de Fernão de Magalhães, Praça do Chile, 1950.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.
Um baixo, uma pianola e uma caixa de ritmos nutridos a electricidade.
Como andar de bicicleta, nunca se esquece.
Orchestral Manœuvres in the Dark – Electricity
Loja de bicicletas de Mellow Johnny, Austin, Texas, 2011.
Da demolição resultou a ligação da Av. Cinco de Outubro com o Saldanha. O Teatro Monumental erguer-se-ia no [segundo] lote seguinte ao segundo prédio à direita.
Colégio Normal de Lisboa (antigo Palácio Camarido) e Av. da Praia da Vitória em construção, Lisboa, 1945.
Roiz, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Aqui brotará o Teatro Monumental. O autêntico.
Este troço da antiga Estrada das Picoas, entre a actual Rua Eng.º Vieira da Silva e a actual Rua das Picoas, desapareceu debaixo do Teatro Monumental.
O Colégio Normal de Lisboa situava-se no que estava dos jardins do Palácio Camarido, cujos domínios se estendiam ao Campo Pequeno no séc. XIX, antes de se rasgarem neles a Av. Ressano Garcia (ou da República) e boa parte das as avenidas novas.
Demolição do troço da Rua das Picoas ante o Colégio Normal de Lisboa (antigo Palácio Camarido), Picoas, 1945.
Roiz, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Aqui brotará o Teatro Monumental. O autêntico. O Colégio Normal de Lisboa situava-se no que estava dos jardins do Palácio Camarido, cujos domínios se estendiam ao Campo Pequeno no séc. XIX, antes de se rasgarem neles a Av. Ressano Garcia (ou da República) e boa parte das as avenidas novas.
Demolição do Colégio Normal de Lisboa (Palácio Camarido), Picoas (=Saldanha), 1945.
Roiz, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Nos anos 80 já não havia variedades.
Estávamos ali a acabar de jantar…
A dada altura ouvi dizer que as espanholas depois de certa idade começaram a ficar louras. Estávamos ali a acabar de jantar e… O cabelo da senhora está louro. Louro escuro. Golden Brown, ocorreu-me.
E lembrou-me a cantiga, que não tem nada que ver.
Stranglers, Golden Brown.
Top of the Pops, 1982.
Enquanto os juízes assam nas fogueiras da inquisição da violência doméstica e só os padres chispam nos fogaréus mediáticos por causa da pederastia, essoutros recreiam-se nas escolas como raposas no galinheiro.
Bem disse alguém quando esta porcaria começou a cheirar em demasia:
— O que eles querem é chegar aos meninos…

(I, 14/III/19.)
Quanto custaria uma passagem aérea da Beira para Lisboa em Abril de 1974? E a que horas foi a partida do voo LUM/BEW/LAD/LIS em 27 de Abril de 1974?
Voe na TAP — Transportes Aéreos Portugueses. Visite Moçambique, T.A.P., c. 1970.
Cartaz da TAP apanhado no Pinterest.
(*) Pregunta e não pergunta, justamente!...
Uma imagem que pode resumir Lisboa no séc. XX: eléctrico, táxi Ponton, roupa estendida e campanário (Santa Cruz do Castelo).
O Renault 5 era a prosperidade contida dos 4,9 aos 100 [ou talvez ainda não; a matrícula parece-me francesa].

Lisboa, Escolas Gerais, 1972.
Jean-Henri Manara, in Portugal (Flickr).
(Revisto às 25 para as 2h00.)
Ouço no noticiário que o presidente da República Portuguesa se passeou «no Lubango».
No Lu…
Não é preciso ser-se bedu nem recurso a grande aparato bibliográfico; o oráculo mais ordinário serve:
A cidade de Sá da Bandeira era chamada a «Coimbra de Angola» devido ao desenvolvimento cultural, num sentido universal e cosmopolita, sem abdicar da sua especificidade. A partir de meados da década de 1950 considerava-se a cidade mais branca de Angola (e Benguela, a cidade mulata por excelência), visto que a sua colonização se processara, de raiz, com a instalação de colonos portugueses […]
Wikipædia, a enciclopædia livre (sublinhado meu).
Sá da Bandeira parece que ofendia. E eu ralado.
(Selo de $10 [=1 tostão] — Catedral de Sá da Bandeira, Angola. Correios, República Portuguesa, 1963.)
Bom! Aqui tenho já dois ferretes: 1) não gosto de animais (concretamente, cães); 2) sou pessoa de gatos.
Dois ferretes merecidos, pelo animal que sou.
Divagando: mais de metade da gente com que me cruzo, são animais; sobram algumas pessoas humanas que se dividem entre Neandertais (animais do género homo) e bichos (indigentes alimentados à mão como os pombos…); os primeiros reconhecem-se pelos grafitos e as ferragens que exibem nos seus lombos e restante carcaça; dos últimos nada acrescento porque são gado necessário a certa gente… Claro que todos eles são cidadãos, porquanto hão-de possuir a tarjeta oficialíssima que o atesta, com direito a voto e à assistência médica ainda possível, como sabemos.
De animais estamos conversados, e já vemos que me não referi a cães nem gatos. Duns e doutros, nada contra; mas confesso que me irritam as variantes cãezinhos e gatinhos, muito à conta dalguns animais que os atrelam, pastoreiam e, por último, mas não de somenos, os cuidam representar na Assembleia nacional ou na vida em geral. — A propósito, lembra-me agora a história de duas senhoras que, achando um gato vadio a dormir preguiçosamente num banco do pátio do serviço, inquiriram seriamente os colegas se o queriam «adoptar»; em chegando a mim, só lhes procurei se haviam perguntado ao gato se me quereria ele «adoptar» a mim. Foi remédio santo.
Para lá das divagações mais ou menos cáusticas, sobra que o cãozinho da fotografia está curioso. A placa «DOG PARKING», todavia, é típica de animalejos, se não letrados ou diplomados, pelo menos versados para aí em linguagens estrangeiras de cão… E da moda fashion à Isabel I de Inglaterra conheço-a desde que li que o Tim feriu uma orelha e o veterinário mandou a Os Cinco que lhe pusessem uma rodela de cartão (naquele tempo o plástico era mai' raro) em volta do pescoço para o bicho não coçar a ferida. Foi nesta história da Enid Blyton que aprendi a piada às golas da Isabel I de Inglaterra.
E sobra que de bichos gosto: melros a cantar, rolas a arrulhar, estorninhos a esvoaçar, maçaricos na praia, cavalos em artes equestres, touros de lide, grilos em noites de Verão… Ah! e sardinhas assadas.
:)

«A Zé escapou-se escada abaixo com o Tim», in Os Cinco na Casa em Ruínas, 1956.
Ilustração de Eileen Soper; fotografia em Blyton Books.
Porque qualquer cão por aí já fala inglês…

Lisboa Lisbon, Portugal — © 2018
Este até se exibe à moda da rainha Isabel I.

«Caravela» VI-R — T.A.P., CS-TCA, «Goa», Copenhaga, 18/2/1968.
Erik Frikke, in Air-Britain Photographic Images Collection.
Tenho o automóvel ali parado há uma semana. Passei a andar de autocarro. Ontem de manhã, antes de apanhar o autocarro fui ao barbeiro — era dia 1. Cortei o cabelo; a franja caía-me para os olhos. No Toni, que tem loja de barbeiro ali há 40 anos. Ao depois parei no fotógrafo a tirar o retrato. Para mandar fazer o passo.
Tornei a andar de autocarro.Tenho o automóvel ali parado há uma semana…
