Bom! Aqui tenho já dois ferretes: 1) não gosto de animais (concretamente, cães); 2) sou pessoa de gatos.
Dois ferretes merecidos, pelo animal que sou.
Divagando: mais de metade da gente com que me cruzo, são animais; sobram algumas pessoas humanas que se dividem entre Neandertais (animais do género homo) e bichos (indigentes alimentados à mão como os pombos…); os primeiros reconhecem-se pelos grafitos e as ferragens que exibem nos seus lombos e restante carcaça; dos últimos nada acrescento porque são gado necessário a certa gente… Claro que todos eles são cidadãos, porquanto hão-de possuir a tarjeta oficialíssima que o atesta, com direito a voto e à assistência médica ainda possível, como sabemos.
De animais estamos conversados, e já vemos que me não referi a cães nem gatos. Duns e doutros, nada contra; mas confesso que me irritam as variantes cãezinhos e gatinhos, muito à conta dalguns animais que os atrelam, pastoreiam e, por último, mas não de somenos, os cuidam representar na Assembleia nacional ou na vida em geral. — A propósito, lembra-me agora a história de duas senhoras que, achando um gato vadio a dormir preguiçosamente num banco do pátio do serviço, inquiriram seriamente os colegas se o queriam «adoptar»; em chegando a mim, só lhes procurei se haviam perguntado ao gato se me quereria ele «adoptar» a mim. Foi remédio santo.
Para lá das divagações mais ou menos cáusticas, sobra que o cãozinho da fotografia está curioso. A placa «DOG PARKING», todavia, é típica de animalejos, se não letrados ou diplomados, pelo menos versados para aí em linguagens estrangeiras de cão… E da moda fashion à Isabel I de Inglaterra conheço-a desde que li que o Tim feriu uma orelha e o veterinário mandou a Os Cinco que lhe pusessem uma rodela de cartão (naquele tempo o plástico era mai' raro) em volta do pescoço para o bicho não coçar a ferida. Foi nesta história da Enid Blyton que aprendi a piada às golas da Isabel I de Inglaterra.
E sobra que de bichos gosto: melros a cantar, rolas a arrulhar, estorninhos a esvoaçar, maçaricos na praia, cavalos em artes equestres, touros de lide, grilos em noites de Verão… Ah! e sardinhas assadas.
:)

«A Zé escapou-se escada abaixo com o Tim», in Os Cinco na Casa em Ruínas, 1956.
Ilustração de Eileen Soper; fotografia em Blyton Books.
Gostei!
ResponderEliminarAchei demasia ironia à mistura com algum sarcasmo, embora possa estar a exagerar. Isto acontece por não apreciar nem um bocadinho - exactamente como era o meu Pai, mais do que a Mãe - e ser totalmente avessa a piadas de qualquer género (só aprecio a ironia fina) e se forem piadas grosseiras e/ou ordinárias então não as suporto. Elas só servem para troçar do próximo e especialmente gozar com o interlocutor.
Para dar dois exemplos: eu até gostava de ver e ouvir o Ricardo Araújo Pereira e fi-lo durante anos, achava-lhe muita piada, mas desde há algum tempo que deixei de o ver e ouvir porque perdeu a graça. E quando li há dias que ele andou a bolsar asneiras do pior contra o magistrado Neto de Moura, bastou-me isso para ficar a detestá-lo. Mas não foi só por isso, ele é muito repetitivo e já cansa.
Assim como detesto o cretino Bruno Nogueira que também bolsa ordinarices contra o mesmo magistrado, ele é um relapso e carece de humor. Este parvalhão, ouvi-o há cerca de um ano no rádio do carro a bolsar piadolas do mais baixo nível sobre uma médica por ela ter anunciado um tratamento que achava útil para a eventual cura dos homossexuae e que o estúpido achou ser uma afronta aos ditos, como se ele, que provàvelmente o é, só pode pela defesa que lhes fez, percebesse alguma coisa de medicina ou de psiquiatria.
Este mal-educado, que não tem a mínima piada nos seus programas de rádio ou TV (deve ser filho ou sobrinho d'algum produtor para ter tanto trabalho nos vários espaços audio-visuais, sem valer nada como pretenso humorista) parece que agora faz parelha com o RAP e a propósito do tema do magistrado, que agora anda na bocas do mundo, proferiu as maiores ordinarices contra o Senhor. O RAP parece ter feito a mesma figura triste e ainda fez pior, li algures que no seu último programa convidou uma miúda de dez anos para que ela adivinhasse um jogo qualquer em que as imagens expostas eram do mais ordinário e mesmo criminoso tratando-se de uma criança daquela idade. Se o magistrado processar estes dois estúpidos e parece que o vai fazer, será muitíssimo bem feito.
É evidente que nada deste tipo de críticas tem a ver consigo, como imagina, pessoa que muito prezo como sabe.
Olhe, o focinhito do cãozinho da foto é tão lindo - ele deve ser muito calminho e meiguinho ou não estaria naquele local preso pela trela sem se mexer enquanto a dona/o terá ido às compras, calculo eu - que só me apetecia ir lá fazer-lhe uma festinha..., se aquele acontecimento tivesse sido recente e se se repetisse. Não tivesse já dois cadelinhos e se aquele tivesse sido abandonado (e se calhar foi...) eu ia lá buscá-lo.
Eu gosto de todos os animais, incluíndo gatos, mas eu não os compreendo, dizem que eles são inteligentes e acredito, mas eles não brincam como os cães e parece não compreenderem o que lhes dizemos e não nos defendem de estranhos. Os cães percebem tudo o que lhes dizemos e ladram quando estranhos se aproximam dos donos e quando ouvem ruídos junto à porta de casa.
Aqui há semanas vi pela janela um gatinho pequenino a andar perdido pelo meio dos carros e a aninhar-se debaixo d'alguns à procura do calor dos motores. Via-se que estava abandonado e não o fui buscar por já ter dois cães, senão era bem capaz de o ter feito.
Aqui há quatro anos uma senhora de uma loja quis oferecer-me um gatinho (ela era criadora e já tinha vários e disse-me que se não me desse bem com ele que o devolvesse), eu concordei em trazê-lo para casa. Durante três!!!, repito, três noites seguidas a partir das cinco/seis da manhã ele desatava a saltar dumas paredes para as outras da varanda e não parava de miar! Um verdadeiro horror. Ao quarto dia tive que devolvê-lo. Contràriamente ao gato, os meus cães dormem a noite inteira sem fazerem o mínimo ruído. Um verdadeiro regalo.
Gosto de todos os animais à excepção dos répteis por serem violentos e perigosos, além do seu aspecto repelente. Mas também não sou como as americanas que inacreditàvelmente possuem animais das
Em pequenina tive dois canários que o meu Pai me trouxe das Canárias e era eu quem tratava deles com carinho. Depois tivemos um cãozinho bebé que um dos meus Tios nos ofereceu. Ele adorava caçar e quando encontrava cachorrinhos abandonados trazia-os para casa e distribuía-os pelos irmãos e amigos, foi o que aconteceu com um deles que deu à minha Mãe, sua irmã.
ResponderEliminarCerto dia o cadelinho caiu da janela (era um rez-do-chão de baixa altura, na Praceta João do Rio) e partiu uma patinha. A minha Mãe ficou horrorizada e julgando ter sido um dos meus irmãos o culpado, todos eles eram terríveis, despachou o cachorrinho para os meus Avós em grande velocidade. Escusado será dizer que fiquei com um desgosto terrível. Nunca esqueci o cachorro e disse para mim que um dia iria ter um cão. Esperei décadas até que finalmente cumpri a promessa feita a mim própria quando adquiri os dois Yorkshire; a minha maior comprei-a há cerca de quatro anos e o pequenino há cerca de um ano. Vi-o na montra da loja onde compro a ração e não resisti àquele focinhito lindo. Ele era (e ainda é!) muito pequenino, bonito e perfeito, mais parecia um boneco articulado.
Ainda pensei noutras raças, mas os meus vizinhos, que já tiveram um igual aos meus, avisaram-me que algumas raças largam muito pêlo e outras são grandes demais para quem não tem quintal ou terraço.
Este comentário já vai longo (para não variar...) mas não resisto a contar algo significativo para que se veja quão me afecta profundamente o sofrimento de qualquer animal, ainda que no caso tenha sido em ficção. Há cerca de dois anos resolvi ver um filme na RTP2, creio que era dinamarquês, não vi o genérico. Eu que detesto filmes nórdicos especialmente os suecos, no início estive quase para mudar de canal, mas à medida que as cenas iniciais íam decorrendo havia algo que estranhamente me prendia ao écran. E não me arrependi, o final emocionou-me até às lágrimas.
O enredo era do mais básico que há, mas extremamente muito bem feito: a história baseava-se num pai velhote e doente e numa única filha jovem. Viviam num Monte isolado de tudo e numa casa muito humilde, género barraca, de espaço único e como animal de carga possuíam apenas um cavalo. O dramatismo do filme era fortemente acentuado por um vendaval permanente que acompanhou quase todas as cenas do princípio ao fim. A filha limitava-se a tratar do pai, ir buscar água ao poço, cozer batatas para o almoço e jantar - o único alimento dos dois - e dar de comer ao cavalo. O pai sempre que necessário ía na carroça buscar batatas, lenha e fardos de palha algures a milhas de distância do Monte. Certo dia o cavalo recusou-se a ser atrelado à carroça. O dono, enraivecido, começou a chicoteá-lo com extrema violência e a filha ía implorando ao pai para não lhe bater, fazendo-lhe ver que se o animal não queria ser atrelado à carroça era por algo. O pai continuou a bater-lhe até que desistiu. (Por esta altura já eu estava a começar a chorar por sentir uma pena do animal que só visto).
A filha levou o animal para o estábulo e deu-lhe de comer, mas ele não quis comer nada. No dia seguinte quando a rapariga foi mais uma vez alimentar o animal ele voltou a recusar a comida, mas ela insistiu várias vezes e sempre sem resultado. Ela começou a ficar preocupada (e eu também!, repare que eu estava a ver uma ficção mas era como se estivesse a ver um acontecimento real).
Um dia depois a rapariga foi ver como estava o seu querido cavalo e reparou que ele continuava a não querer alimentar-se nem a beber água. Então ela pegou num pouco de palha e levou-lha à boca pedindo-lhe carinhosamente para "comer nem que seja um bocadinho", mas ele continuava a recusar o alimento. Ao fim desse dia ela voltou ao estábulo e ao verificar que o animal não tinha tocado na palha nem bebido água, fez-lhe uma festinha no focinho e implorou-lhe: "vá, come lá nem que seja um bocadinho e bebe um pouquinho de água, faz isso por mim". Por esta altura, já antevendo o fim, eu chorava copiosamente e continuei a chorar até muito depois de ve
... in Os Cinco na Casa em Ruínas, 1956.
ResponderEliminarAqui está uma boa ilustração de «moda». Há mais de 60 anos já se usava o babette nos canídeos.
PS: Compreende-se — aliás é óbvio — que a senhora do duplo post vive só e sofre de solidão. Deus se amerceie dela.
É simpática comigo. E generosa, obrigado!
ResponderEliminarO caso é que da comparação velada até tremo. O R.A.P. é um toleirão e o outro não passa dum ordinário. Se o meu comentário lhe motivou a comparação, não é bom.
Preciso ter mais atenção, há-de desculpar.
Cumpts.
Assino aqui.
ResponderEliminarAo P.S.:
ResponderEliminarDas TV às ditas redes sociais, do «telemarketing» à administração fiscal, ninguém consegue padecer de solidão. Uma possibilidade intangível até na Lua.
Quem me dera, a solidão.
Gato: Está enganado, não sofro nada de solidão. Um dos meus filhos, ainda solteiro, vive comigo e tenho os meus adorados cães que me fazem ir à rua com eles, coisa que sempre detestei porque gosto é de estar em casa. O meu marido morreu há alguns anos após sofrer uma dupla operação ao coração com o intervalo de um dia! Claro que se tratou de (quase um crime) negligência médica.
ResponderEliminarE não sofro de solidão, mais uma vez, porque tenho muito com que me entreter graças a Deus Nosso Senhor. Além de escrever poemas - tenho um livro escrito há vários anos sobre a política e os políticos que infelizmente temos o azar de suportar e só não o publico em edição d'autor por querer fazer ainda mais uma revisão de prova. Facto que me tem impedido por falta de vontade, consequência da operação a um cancro a que fui submetida há tempos e que deixou sequelas e que me tem retirado a vontade de o fazer.
E não sofro de solidão, mais uma vez, porque pinto sobretudo retratos, mas também paisagens. A pintura também tem estado desde há alguns anos em stand by. Felizmente tive há dias uma encomenda, vamos ver se tenho disposição para a satisfazer.
Chega Gato?
Maria
Nem pense nisso, era o que mais faltava! A consideração que me merece ultrapassa qualquer má interpretação que eu possa fazer d'alguma citação menos clara da sua parte. Defeito meu, garanto-lhe.
ResponderEliminarMaria
Ah grande "Gato"!
ResponderEliminarObrigado pela mensagem que escreveu... uma saída em grande!
Não sei se o "bichano" tem nome, eu sou o André, André Sousa.
Não sei se tem noção que o acabou de entrar para a lista, não vou dizer negra, porque não existe - digo eu!
O "post" começou de uma maneira, foi comentado, foi apagado, foi alterado... aliás... caso você passe por aqui com alguma frequência (o BIC é um animal, como todos nós, mas tem fotografias fantásticas!), vai perceber que por vezes acontece o que acabo de dizer...!
Por "defeito" de profissão, guardo tudo o que escrevo no "mundo da internet"... e como se tratava de uma resposta... também guardei o texto original, isto para lhe dizer, o seu texto pode "desaparecer" e se disse o que disse... adorava ter lido um comentário seu à origem do "post"... este é um "remendo para passar a mão no pêlo!"
Gostava de ler um comentário seu!
Cumprimentos,
André Sousa
A que se refere?
ResponderEliminarÁ resposta que escrevi lá e transpus para aqui? E que que lhe fiz correcções de pormenor?
Pois ponha-o cá, para que todos cotejemos as diferenças entre a resposta como saiu no verbete e o verbete como saiu em resposta mais composta.
Vossemecê tem-se em demasiada conta. E cuida que se vai safando passando cá a mão pelo pêlo. Continue e não se admire de mais um coice.
Cumpts.
Bic, Bic...
ResponderEliminarVá... vá ler o meu último post!
Parece que hoje, estamos - "ambos os dois" - com tempo a meio da tarde... férias, no meu caso.
O dia em que tiver que lhe passar a "mão pelo pêlo", apago o "linque do seu blogo"... simples!
Cumprimentos,
André Sousa
Não estamos… Está V.
ResponderEliminarO seu estilo insinuante tem pendor irritante.
(Calhando eu sou igual.)
Como estou com que fazer não me inteirei inteiramente do que para aqui andou a dizer.
Ou esclarece ou espera que eu descubra. O que não garanto.
Cumpts.
(Ou cumprimentos, vá!)