
Vista do porto, Lisboa, 1967.
John F. Bromley, Lisboa: diapositivos 1962–2004, in Flickr.
sábado, 29 de setembro de 2018
Vista do porto há 51 anos
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Radiotelevisão de desqualificados
Concedo que será estulto esperar que na Radiotelevisão Portuguesa brasileira o jornalismo dê para aproximações ínfimas à cultura clássica. Mas ilustrar uma notícia sobre o embaixador Franco Nogueira com uma fotomontagem de Francisco Franco, caudilho de Espanha, e o Vale dos Caídos, é já qualquer coisa que nem consigo qualificar.

Ubris [i.é, Húbris ou Hybris = Ὑβρις, em grego], R.T.P. brasileira, 26/IX/2018.
«Franco, sim, mas Nogueira», in O Diabo, 25/IX/18.
sábado, 22 de setembro de 2018
Rua castiça
Uma rua que não descubro onde seja; onde fosse... — Também não curo agora de saber. Hei-de ver...
Mas cá vejo os típicos gaioleiros com janelas de bandeira, alguns com arrimos decorativos tão comuns como platibanda de balaustre e fachada de cerâmica — o azulejo tão nosso — lampiões de pé, um marco do correio; o camião dos vinhos ante a taberna…
Lembra-me da taberna da esquina, na minha rua. Via o camião dos vinhos da janela da minha casa descarregar os pipos de vinho cheios e levar os vazios — numa vez que brincava na rua quase fui atropelado pelo camião dos vinhos; apanhei um susto valente porque atravessei de repente sem medir que ele lá vinha; o camionista fez uma travagem de chiar os pneus, gritou comigo lá do alto do camião e só achei segurança nos braços do Fernando da D.ª Vicência que tinha mais um ano que o meu irmão, já era rapazola; eu tinha uns 5 anos. Nesse dia minha mãe trancou-me em casa e não me deixou brincar mais na rua, de castigo. — Da descarga do camião que abastecia a taberna do Saraiva recorda-me a estranheza que me fazia descerem os pipos por uma padiola sem nos deixarem rolar; os homens baixavam o taipal do camião, punham a padiola e baixavam por ela os pipos cheios, longitudinalmente, não nos atravessando em posição de poderem rolar por ela até ao chão; isto quando para subir os vazios recolhidos da taberna, os faziam rolar a braço pela padiola acima; sempre achei que que era trabalho estranho não nos deixarem rolar na descarga, porque descerem-nos logitudinalmente à padiola os obrigava a empurrar para baixo para vencer o atrito dos pipos nos varais da padiola. Deixarem-nos rebolar na descida não seria tão mais fácil?
Não sei se se isto entende.
Todo ele, o que me recorda aqui, é duma idade em que observamos o mundo tentando apreender como se compõe. E chego aqui à conclusão de que nada disto compõe, já, o mundo. A distribuição de vinho não é em camiões de taipal carregados de pipos; os pipos foram proibidos nas tabernas e, as tabernas acabaram. O copo de três é uma memória extinta.
Os gaioleiros também. Ruas só de gaioleiros já não há. — Conheceis aí alguma que sobre?...
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Rua castiça, Lisboa, [s.d.].
Amadeu Ferrari, in archivo photographico a C.M.L.
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
O.L.I.V.E.R.
domingo, 16 de setembro de 2018
Variedades: Tony & Tom
Tony Bennett, Tom Jones — Fly Me To The Moon
(Espectáculo de variedades: «This Is Tom Jones», América, 1969)
Quinta de Montalegre…
« […] Após os correspondentes estudos técnicos preliminares e tendo como alvo prioritário a Quinta de Montalegre (Quinta de Carlos Anjos ou Quinta de D.ª Leonor), seguiram-se os preparativos do local onde seria erguido o futuro complexo desportivo do Sport Lisboa e Benfica. Árduos trabalhos que consistiam na terraplanagem das áreas pré-sinalizadas, já depois do selvático arranque pela raiz de cerca de duas mil oliveiras centenárias de excepcional produção de azeitona e dezenas de árvores de fruta, além do extermínio do bosque de buxos e outras espécies arbóreas que embelezavam a Cascata Monumental.
[…]
Depois e no impulso seguinte, demoliram as casas de habitação, palheiros e estábulos, arrasaram a viçosa horta (a menina dos olhos da herdade) e o tanque de rega, soterraram poços de água potável, destruíram importantes lençóis aquíferos e a mina de água que abastecia a Cascata Monumental. E no assalto seguinte, revolveram os excepcionais solos de alta produção cerealífera e esventraram o subsolo até à profundidade desejada onde seria assente o chamado rectângulo de jogo. »Fausto Castelhano, «A Quinta de Montalegre e o Bonifácio», in Retalhos de Bem-Fica, 2/VIII/2015.
Na imagem, ao cimo, o muro da Azinhaga dos Soeiros cortando a paisagem, precário caminho para o novo estádio (a par da Az. da Fonte). À esq. as casas da Quinta de Montalegre, cuido, e à direita as ruínas do Casal do Caeiro, que ficava encravado na dita quinta. Mais além as casas da Quinta da Panasqueira, talvez…
Passados estes anos todos, demolido o primitivo estádio de betão e reconstruído um de Lego, acham-se por ali ácaros cibernéticos a escavar toupeiras. Novas culturas que o progresso traz.
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Fotografia: Estádio da Luz, Quinta de Montalegre, 1955. Mário Oliveira, in archivo photographico da C.M.L.
sábado, 15 de setembro de 2018
Da alienação estúpida
Nada disto já leva emenda. A alienação a referências lá de fora é uma constante que povoa o subconsciente do indígena. Não há título, nome ou marca comercial que não reverbere o bárbaro: do stand de automóveis qualquer coisa car à agência de administração de condomínios Great House, passando pela faxineira Molly Maid ou outra merdice maid, o português só se dá conta de português pela selecção cervejeira. Uma coisa fomentada de dois em dois anos por reportagens assaz brilhantes sobre o autocarro da selecção. E até nisso nem é da selecção. É antes uma brasileirada que as televisões adutaram...
Porquê tal referência? A Route 66 é que dá essência à E.N. 2? Bardam... ao Sapo mais ao destaque! A Sarah e o Rui (ou será Roy) que se enxerguem! Ou se rendam meramente ao bárbaro. O Português acabou, afinal! É feio bater nos mortos.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
segunda-feira, 10 de setembro de 2018
domingo, 9 de setembro de 2018
domingo, 2 de setembro de 2018
Setembro
Este ano ouve-se para aí que não muda a hora. Os mandarins de Bruxelas sondaram para se não mudar — descobriram que faz mal à saúde… 4 600 000 de europeus responderam (3 000 000 deles terão sido — é isto o jormalismo — alemães); 4/5 diz que disseram que não mudasse a hora. Os mandaretes do protectorado rectangular nada farão senão cumprir o que palpitou essa mole de germânicos. Tempos houve em que a hora legal em Portugal era sopesada cá, por gente de cá, e decretada soberanamente. Depois do grande acidente nacional acomodaram-nos ao estrangeiro. Agora é como é.
Ainda assim (sendo que Portugal acabou) menos mal…
Setembro está para Março…
O mês mai' radioso é Junho. Gosto dos meses luminosos. Julho está para Maio — mais dez, menos dez dias; Agosto para Abril… A diferença é o calor; Julho, Agosto e Setembro são no Verão.
Em Abril, vindo do Inverno tristonho, os dias parecem-me sempre mais radiosos (salvo quando chove); frescotes, brumosos, mas mais radiosos, prenúncio de dias ainda maiores e, do Verão. O ânimo anima-se-me.
Dantes, os alfacinhas abriam a época das hortas em Abril. A romaria dos domingos aos retiros arrabaldinos seguia até Outubro, tanta vez entre fados e esperas de toiros. Mas eram as pescadinhas de rabo na boca que chiavam tardes inteiras na sertã ou o coelho que ia para a caçarola enquanto na almácega nadava a alface, a refrescar.
Tempos bons de prazeres simples...
Cuido que herdei uma inconsciência do ciclo desses tempos. Vou tomando consciência agora.
De Abril sinto-me antecipar com prazer os dias grandes e radiosos do Verão. Por Abril, entre brumas que embranquecem ainda as manhãs frescotas de Primavera, cada sábado e domingo madrugo propenso ao devaneio: pela manhãzinha me levanto e barbeio com fados de antigamente ecoando fanhosamente duma grafonola pela jinela aberta do saguão onde pouso o espelho de mão. Capricho meu, repartido com uma vizinhança, que não madruga nem se vê (nem é de cá). O ideal seria a cena com bacia e gomil numa trapeira com o velho faduncho a repercutir-se por telhados castiços, entrevendo o Tejo.
A vida tem limites. O tempo mata os horizontes. Supre-se-me o devaneio. Setembro é deprimente. Os dias encurtando-se e ao depois, enfim!... Deviam era logo decretar o fim do Inverno, pela minha rica saúde.
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Fotografia: S. Miguel e o Tejo tomados da Adiça, Alfama, 195... Artur Pastor, in archivo phtographico da C.M.L.
Fado: Amália, As Penas (Fernando Caldeira/«Fado Bacallhau»). Continental, Rio de Janeiro, 1945.
sábado, 1 de setembro de 2018
E.N. 104, km 12

E.N. 104, km 12, Trofa, 2012.
Fotografia: cortesia do Sr. J.A.A.P.
Entretanto a imagem parece que perdeu a actualidade. Peço desculpa ao autor.






