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terça-feira, 31 de maio de 2016

O que é Portugal...

 Pediram-me para fotocopiar o recorte duma revista que ao depois identifiquei; li na última frase do artiguelho:



 Esta semana, à pergunta «Portugal tem futuro?» de um professor visionário, um miúdo do 4.º ano respondeu: «Pode explicar-me o que é Portugal?»


(Victor Bandarra, «Portugal tem futuro?». Domingo – Correio da Manhã, 29/5/2016).



 Um miúdo insinuado como sábio, mas a quem não ensinaram nada na escola.
 Professores visionários...

Capture.JPG
Livro de Leitura da 3.ª Classe da Santa Nostalgia.

sábado, 28 de maio de 2016

Sabe o que são tivadores?

Este sabe.


— Terminou a greve dos tivadores do porto de Lisboa vão retomar o trabalho na segunda-feira &c. &c. [locução sem pausas], TVI, 28/V/16.
Terminou a greve dos tivadores do porto de Lisboa vão retomar o trabalho na segunda-feira &c. &c. [locução sem pausas], TVI, 28/V/16.


 


E actoras?


 Esta Mónica Ferro, professora universitária que reza o Pai Nosso dos refugiados e a Avé Maria do feminismo da igualdade de género sabe também o feminino plural de actor: é actoras.


Olhar o Mundo, R.T.P. 3, 28/5/16
Olhar o Mundo, R.T.P. 3, 28/5/16.

 E diz player por não dizer actor, porventura por ser português e, pior, masculino. E também diz que lá na Síria a economia contraiu 50%. Contraiu 50% de quê? Da Gramática? Do complemento directo?...


 Professora universitária.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Às alforrecas

N.º 7304 — © 2015


Praia do Barril, Tavira — © 2015

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Aos pardais

N.º 7297 — Praia do Barril © 2015


N.º 7298 — Praia do Barril © 2015


N.º 7299 — Praia do Barril © 2015


N.º 7300 — Praia do Barril © 2015


N.º 7303 — Praia do Barril © 2015


N.º 7302 — Praia do Barril © 2015


N.º 7301 — Praia do Barril © 2015


Praia do Barril, Tavira — © 2015

segunda-feira, 23 de maio de 2016

À conquilha

Praia do Barril, St.ª Luzia de Tavira — 2010
Praia do Barril
, Tavira — © 2010

domingo, 22 de maio de 2016

Corrigenda

N.º 7309 — Praia do Barril © 2015


Praia do Barril, Tavira — © 2015

À estrada

N.º 4699 — Alentejo © 2012


Além Tejo — © 2012

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sabe o que são trangeiros?

 Trangeiros são uns negócios qu' há, havendo até ministro deles: o ministro dos negócios trangeiros.


Locutor, (Amílton de Menezes/, 2010)

Locutor radiofónico da rede...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mais três dos alvores da Av. de Roma

Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


 




Fotografias: Avenida de Roma, Lisboa, 195... Claudino Madeira, in archivo photographico da C.M.L.


 


Adenda:


 Existe nestas imagens um encantamento que nao consigo definir muito bem. Talvez se deva à harmonia e a um certo vazio inicial, de começo e de promessa de perenidade. Faço parte da geração que por aqui passeava pela mão do pai ou da mãe a fazer perguntas e a ouvir historias. Por aqui passava muitas vezes, ao sábado no final das aulas da primária. Talvez por me lembrar ainda agora das sensações que me provocava essa harmonia, passo a passo, pela mão da minha mãe que eu acompanhava nas pequenas compras de fim-de-semana antes de tomarmos o autocarro de volta a casa. Lembro-me particularmente de a caminho deste local, vindo da minha escola que se situava no cimo da [Alameda de] Dom Afonso Henriques, descer num desses finais de sábado, pela Primavera, a Alameda e de pensar que tudo fazia parte dum filme. Estava tudo florido e arranjado, ordenado, bem estruturado, da Fonte Luminosa brotava o som de jactos de água. A subida da Guerra Junqueiro, ainda com duas vias — única estrada em Lisboa de que me lembro ter visto a divisória central das duas vias ser feita em metal em vez de tinta branca — era a parte mais penosa devido às continuas interrupções de entradas e saídas nos estabelecimentos, até se chegar à João XXI onde tomaríamos o 22 rumo à Encarnação. Há um território que faz parte de nós, que nos é querido, que é indizível nos remete para o sonho, para a nostalgia. Esse território que não é só físico: é a nossa própria ampliação, identifica-nos e transcende-nos. É aquela coisa só de nós de que muitas vezes nos esquecemos por estar sempre presente, mesmo quando estamos longe destes e de tantos outros locais [...]


Comentário do leitor Almeida em 20 de Maio de 2016.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Política de melhoramentos

 Os gajos que fizeram a Ponte 25 de Abril foram ontem à Portela e fizeram lá o Aeroporto Humberto Delgado. Foi tal qual!


B092964.jpg
Lugar da Portela de Sacavém
, Lisboa, c. 1938.

Eduardo Portugal in archivo photographico da C.M.L.

O panegirista de Salazar...


« Demolidora vem a crise mundial [de 1929] que na opinião da engenheira Perpétua (*) devia ter sido uma salvação para nós... Por nós importarmos mais que exportamos. Com ela naturalmente vieram as falências e as penhoras. Cunha Leal (**) esfregará como esperto, as mãos de contente, e dirá: não é a crise a culpada; é o Salazar, seguindo a Perpétua. La politique oblige...


  Quem tem culpa de no Canadá se queimar o trigo como carvão para... o aproveitar? — Salazar. O culpado do desemprêgo na Inglaterra e na Alemanha — o Salazar. Dos estoiros dos bancos da livre América? E assim por diante? Sempre o Dr. Oliveira Salazar... ”Vão às colheitas os pardais? ”De quem a culpa senão dos Cabrais?“...


   [...]


   O mais contra Salazar não tem resposta. Só a tiro, como já disse.»


Humberto Delgado, Da Pulhice do “Homo-Sapiens“, Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1933, pp. 222, 250.



  Ou o mito do grande demitidor servido à populaça por democráticos aldrabões. Mas a estes ninguém demite.


Comissário Adjunto da Mocidade Portuguesa
Capitão aviador do Estado-Maior Humberto Delgado


Humberto Delgado. Comissário Adjunto da Mocidade Portuguesa, c. 1938.(Retrato in «Um fascista esquecido», Área Nacional, 6/III/06.)


 




(*) « Outro que se atirou, além de Cunha Leal, à obra de Salazar, foi um tipo que por aí anda com o nome de Perpétuo da Cruz. Eu cheguei a julgar, como algures um jornal alvitrou, que fôsse uma engenheira Perpétua da Cruz, em virtude dos métodos de combate, por serem tão miüdinhos, darem a perfeita impressão de pertencerem a indivíduo vulvado. Mas não; é homem, ao que parece, o cidadão.» (Op. cit., p. 203.)
(**) « Que o Cunha Leal pedia a Ditadura toda a gente o sabe. Di-lo êle no livro em que ataca o estadista Oliveira Salazar e disse-o muita vez antes ”do 28 de Maio“.» (Id., p. 110.)

domingo, 15 de maio de 2016

Gin tasting (ou o idioma com rating de lixo)

Gin tasting ou o idioma como um traste



(*) Restos de linguagem de cafres ginlovers, tuteados por estranhos como fossem amigalhaços (poderás conhecer...) e domesticados para largar 20 € por masterclasses, workshops (educação chic a valer) e... provas comentadas (i.é, explicação ISO 9000 da beberagem dada a sorver — como naqueles Centros de Interpretação museológicos onde a História é servida pronta-a-comer e o visitante poupa-se de pensar).

De prègar «não ao racismo»

  Despejada que foi a Maria Machadão do Bataclan, deu o missal noticioso por cá em prègar contra a pelagem do novo governo do Sítio do Pica-pau Amarelo. A pelagem e o sexo. O anti-racismo em vigor e o feminismo antidiscriminatório vigente não apreciam os caras pálidas governando povos de mestiços e mestiças.
  Curioso não se afligirem nunca da pelagem da Maria Machadão nem do molusco antes. Talvez do género e da espécie... políticas.
  E curioso na regência de cá não prègarem a falta de nativos da Madeira e dos Açores. Será por um brâmane e uma negra suprirem as quotas editoriais daqueloutros? E já agora, às dos moiros daquém-mar ou dos Galegos de Entre-Douro-e-Minho, também...?


Mapa Escolar de Portugal Continental, VI.ª ed., Porto Editora, 1962


Mapa Escolar de Portugal Continental, VI.ª ed., Porto Editora, 1962.
In Biblioteca da Universidade de Toronto.

sábado, 14 de maio de 2016

Ainda os anos 70


Gloria Gaynor, Never Can Say Goodbye
(Kultnacht, ZDF, 1975)

Não sei porquê...

... Deu-me agora saudade dos anos 70.



Tina Charles — Love to Love
(Kultnacht, ZDF, 1976)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Plano inclinado

 O plano inclinado da Av. de Roma, aqui (pouco mais ou menos), e o seu acentuar na Guerra Junqueiro é uma coisa de que me não dá sensação tão nítida em passando no lugar. Só quando vejo fotografias antigas como esta, com as fachadas ainda não obstruídas pelo arvoredo jovem. A primeira sensação (e surpesa) com este declive da avenida tive-o duma imagem no tamanho da parede, exposta no Centro Comercial Acqua, onde em tempos houve a R.A.C.
 Não sei se já cá disse isto...


Av. de Roma, Lisboa (S.A., Fernandes, post 1958)
Av. de Roma, Lisboa, post 1958.
Salvador Fernandes, in archivo photographico da C.M.L.

Paragem na Av. de Roma

Avenida de Roma, Lisboa (A castelo Branco , 195...)
7-22, Paragem,
Avenida de Roma, c. 1950.

Ant.º Castelo Branco, in archivo photographico da C.M.L.

Lisboa moderna

 Esquina da Av. de Roma com a João XXI. Notai a harmonia primitiva das montras das lojas. Hoje raro se acha prédio com sua face primitiva ao rés da rua. A apresentação do comércio ao sabor do modernaço esfacelou inúmeras fachadas em Lisboa.

Tinturaria do Chile e Mobiladora Roma, Lisboa (Claudino Madeira, 195...)
Tinturaria do Chile e Mobiladora de Roma, Lisboa, 195...
Claudino Madeira, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Do panegírico a um farsolas


 Apesar de portuense, Medina é apresentado como um lisboeta convicto que «conhece bem as ruas da cidade»; os lisboetas são apresentados como o «seu povo». (*)



 Mesmo que nem distinga o Campo das Cebolas da Rua da Alfândega.
 Mesmo que massacre árvores em largosruas ajardinados querendo plantá-las doentiamente no alcatrão da Av. da República.


 Ou como o trolha enxertado na Câmara de Lisboa é passado por coisa de jeito pelo jornalismo pela propaganda a pataco do saco de plástico.


Medina medíocre a passar por providencial (Malomil, 2016/05/06).




(*) Eduardo Cintra Torres, «A capa duma revista», Malomil, 8/V/16. Imagem no mesmo.

Do insuportável evangelismo radiofónico

image001.jpg  Emissora nacional, noticiário às 8h30 (cito de cór) — «Um homem feriu quatro pessoas com uma faca numa estação perto de Munique. Um dos feridos morreu. O Ministério Público admite motivações políticas para este atentado. Segundo uma testemunha o homem investiu sobre os circunstantes aos gritos de Alá é grande...»


 Cerca de ¼ para as 9 na mesma emissora, Leonor [Irene] Pimentel, n' O fio da Meada, começando a incensar exilados e desertores (!): — «Quarenta e dois anos após 25 de Abril de 1974, vinte e dois portuguesas e portugueses...»
 A telefonia perdeu o pio neste instante, não sei porquê...


P.S.: na página da emissora nacional diz que o autor do atentado de Munique é um «jovem alemão». Calhando esses jornalistas em investigar bem as «motivações políticas» do «jovem alemão» e vamos nós a ver se não descobrem eles a verdadeira verdade do atentado...


Deutsches Jungvolk
Jovem alemão apanhado na rede...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A homilia ortográfica do Diário de Notícias



  O Diário de Notícias (um diário brasileiro que se publica em Lisboa) traz parangonas hoje como há dias o foro da T.S.F., a inculcar subliminarmente no leitor um fatalismo falacioso sobre o Acordo Ortográfico.
  — Eh pá, pois é! Agora os miúdos da primária até ao ciclo preparatório já só sabem escrever assim (se souberem e, se escrever assim fosse saber escrever...)
  Todavia o pois é! e agora que já está?! é menos do que quando a asneira foi metida a ferros e logo servida a preceito pelo Diário de Notícias. Houve porventura, então, parangonas insinuantes do género?...


PORTUGUESES ALFABETIZADOS SÓ ESCREVEM PELO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 45

  Pois parece que não.
  Para alfabetizar 9 ou 10 milhões que já só escreviam pelo Acordo Ortográfico de 45 não se levantaram dificuldades. Não obstante ainda arranjaram prestes um facilitador, o Lince. Curiosa tecnologia, que só foi pensada, concebida com diligência e graciosamente outorgada com dinheiro de impostos no propósito de lubrificar todo um povo tornado subitamente analfabeto com o novo Acordo. Calibrá-la agora para endireitar «Alunos até ao 6.º ano [que] já só escrevem pelo Acordo Ortográfico» é que chiu! nem falar.


 O Diário de Notícias infelizmente é como dizia o outro — só não muda quem é burro — e nada se pode para consertá-lo. Mas o Lince já alguém consertou de maneira a desfazer documentos em acordês vertendo-os em Português.
 Para que conste.

domingo, 8 de maio de 2016

Programa de variedades

 A cantora deixa algo a desejar, mas a banda é boa. Recria a melhor versão que conheço do tema; a dos Carpenters.


Laurel Martel & Band — This Masquerade
(Savoy Hotel, s.d.)

sábado, 7 de maio de 2016

A idade do armário e Os Maias

Eça, Os Maias — (c) 2016



  No tempo em que as paulas eram ùnicamente paulas e as cristinas singelamente cristinas, e em que uma Paula Cristina fôra estranho caso que me apareceu, a ponto de me cultivar no neo-realismo de Namora, confesso, não tinha vontade nenhuma de ler Os Maias. Mais me parecia outro daqueles livros chatos que havia de ler para escola. Sucede porém que Os Maias tinham carácter mais necessário que o Trigo e o Joio mai-la Paula Cristina por junto e, como tudo o que é e não pode deixar de ser, vi que me não livraria da sarna que me havia de calhar. Congeminei sublimar a necessidade de ler Os Maias e o desprazer de tal obrigação como a uma mente assim atormentada pôde parecer: com subterfúgios dum viciante fascínio e viva curiosidade ganhas pela escrita antiga do Português, mas de que só cheirara vapores  em autos vicentinos, na lírica medieval do 10.º e nas maravilhosas páginas do Livro das Armadas estampadas na História do 8.º ano do Pedro Almiro Neves:



 No Anno de 1500 — Partio Pedralvz. cabral pera a Jndia ẽ 9 de Março por capitão mór de treze vellas &c.


Armada de Cabral, 1500 (in Livro das Armadas)


 



 Ocorreu-me que num alfarrabista — cuja existência descobrira com meu amigo Jaime na feira da Ladra, logo lá resgatando por uns módicos 200$00 um velho e desconjuntado Diccionario da Lingua Portugueza de Fonseca e Roquette, impresso em Pariz no anno de 1863 — num alfarrabista, portanto, talvez pudesse achar impresso na orthographia antiga que me fascinava, a obra que por imperativo escolar estava condenado a ler. Vai daí e, não sei já como — a conselho do meu imão ou sugestão do Jaime —, desaguei certa tarde na Barateira da Trindade (que a voragem do tempo levou e o deus dos livreiros haja; e à Sá da Costa, e à Portugal...) onde me vi meio perdido, meio ansioso, de nariz no ar olhando as estantes carregadas de velhos livros. Foi assim que por lá descobri um volumezinho em meia inglesa esgatanhada, maçado do uso, miolo escuro do tempo e a cheirar ao velho a que ainda agora cheira, mas ainda assim firmemente cosido, sem se haver de desconjuntar. Era só o primeiro volume. Porém, ponderado o preço — 250$00 —, cabia perfeitamente na contia que levava na algibeira. E satisfazia-me no principal: não dizia a data mas, logo de entrada, vi que o «sombrio casarão de paredes severas» que era o Ramalhete, era nas Janellas Verdes. Janellas! Não cuidei de mais e paguei-o; o segundo volume talvez se houvesse de achar, quisesse a Fortuna...


  O caso foi que, no liceu, Os Maias que eu desencantara destoavam sensacionalmente. Enquanto os meus pares carregavam (os que carregavam) a insípida edição dos Livros do Brasil, a um conto de réis o volume e ortografia vulgar, eu possuia uma curiosidade typographica com «philosophia», «bric-a-brac» e... «hespanholas»; entre o grego, o afrancesado e, bom, o resto... resolveram os colegas que a minha edição d' Os Maias parecia uma Bíblia. E assim ma baptizaram.


  Sucedeu ao depois nesses dias da bíblia queiroziana que fui catequizado: Eça, afinal, não era nada, nadinha enfadonho como a chateza neo-realista dos Esteiros (7.º ano), dos Novos Contos da Montanha (8.º) ou do Trigo e o Joio (9.º, mai-la Paula Cristina). Livrei-me dum trauma juvenil e dum preconceito ignorante (mas ninguém nasce ensinado) da literatura portuguesa. Claro que para completar a leitura tive de me contentar com um segundo volume meio desirmanado do primeiro que já havia; arrematei menos mal uma sexta edição em capas de brochura, de 1923, que mais tarde mandei encadernar numa tipografia da Fonte Nova em Benfica e que não ficou nem bonito, nem feio, nem barato... — A orthographia, porém, era a do tempo de Eça; não destoava do primeiro volume e era o que me importara desde o início.


Eça, Os Maias — (c) 2016



  Ontem, por nada, peguei nestes volumes para me pôr à coca da edição do primeiro deles. Nunca a pude identificar porque lhe falta o rosto. O que me moveu a comprá-lo foi o devaneio que já contei. Do que valoriza os livros só muito mais tarde tomei melhor noção. Sem folha de rosto (a única que lhe falta) tomei nota das «obras do mesmo auctor» no verso do anterrosto e do n.º de páginas (458) a ver no que dava. Bem que as edições das obras indicadas possam ser anteriores à 1.ª ed. d' Os Maias (1888) — a edição refundida d' O Crime do Padre Amaro é de 1876; a Reliquia é de 1887; só a 3.ª ed. d' O Primo Bazilio e a 2.ª do Mandarim é que não soube... — descartei logo ali a hipótese de possuir a 1.ª ed. pois o registo bibliográfico da Biblioteca Nacional de Lisboa dá 456 págs. ao primeiro volume dessa 1.ª edição. Sucede, em tanto, que o acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa há um exemplar da 1.ª ed. d' Os Maias que pertenceu a Fialho de Almeida. Esse exemplar tem cópia pública na B.N. digital e a última página do primeiro volume está numerada com... Adivinhai!


Eça de Queiroz, Os «Maias: Episodios da Vida Romantica», [1.ª ed.], Porto, Chardron, 1888.
Eça de Queiroz, Os Maias: Episodios da Vida Romantica, [1.ª ed.], Porto, Chardron, 1888.

O Trigo e o Joio

O Trigo e o JoioFernando Namora, O Trigo e o Joio, Lisboa, Círculo de Leitores, [1973].



 Uns camponeses numa courela muito pobre, muito pobre, com uma burra para trabalhar a courela muito pobre, muito pobre que não dá sustento e que, ou vendem a burra e se sustentam da sua venda antes de morrerem sem sustento porque ficam sem a burra para trabalhar a courela, ou, lavram a courela com a burra sem na vender e morrem de fome porque a courela é muito pobre, muito pobre, que não dá sustento.


 ...


 Foi a Paula Cristina, a minha colega de carteira no 9.º que, por via duma sugestão de leituras do professor de Português, fez questão de mo emprestar.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Rossio de Lisboa à noite

Rossio em noite de temporal, Lisboa (Fot. não ident., 193...)
Rossio em noite de temporal,
Lisboa 193...

Leilão de Soares & Mendonça, in archivo photographico da C.M.L.

Foros da T.S.F.

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 Devemos rever a posição do país, uma vez que o Acordo está em vigor com consequências no ensino e na edição livreira?


 Capciosa pregunta. Viciosa modalização — «uma vez que…» — Inculca no interlocutor o receio e a hesitação pelo prejuízo de desfazer o que foi (mal e que nunca deveria ter sido) feito. Mas entremos no jogo:


 A posição do país não é de rever. É de dar a conhecer. O país nunca quis o «acordo», nunca o pediu e nunca lhe foi favorável. É do senso comum e só a censura o critério editorial da imprensa, rádios e TV, assaz subservientes ao poder «democrático», omitiu ao país o sentir geral da Nação.


 O «acordo» estar em vigor é um embrulho jurídico. Desde a não ratificação por todas as partes — do tratado original de 1990 ou do 2.º protocolo modificativo, viciado com a ratificação por três para valer para todos — ao embrulho na publicação no D.R. do aviso do M.N.E. da data de sua suposta entrada entrada em vigor, a concluir no caricato «decreto» por expediente duma resolução do conselho de ministros que, a ser válida, não imporia o «acordo» a nenhum órgão de soberania além do governo... É todo um descaso de Direito tornado torto e tortamente praticado. Coisa de amador e mau, segundo as palavras do embaixador Carlos Fernandes.


 E o ensino mai-la a edição livreira… Ora bem! Fazer, desfazer e tornar a fazer é o motor deste negócio. E é da lei do comércio. Não haverá editor livreiro que o haja muito de contrariar. É, afinal, — perdoai-me o barbarismo — «business as usual».

terça-feira, 3 de maio de 2016

A adivinhar o Verão (pub)

 No tempo em que os blogos foram moda, numa daquelas demandas de diga seis coisas que aprecie e passe a outros seis, lembro-me dizer eu apreciar noites quentes, daquelas modorrentas, de Verão. Esta tarde apanhei 36º na Portela. São agora 10h00 e baixou para os 25º; sente-se a aragem abafada... Vou ali ao frigorífico buscar uma cerveja...



Cerveja Clarlsberg (pub). Horácio de Novais, in bibliotheca d'arte da F.C.G.

A infernização gratuita do munícipe

 O primeiro-ministro do Rato foi na Avenida. O enxerto que ele meteu na câmara prolonga-o a preceito. Esta manhã engarrafou a cidade da Rotunda ao Lumiar porque começou a plantar árvores na Av. de Fontes Pereira de Melo. Seguem-se meses disto e há-de estender-se à 2.ª circular.


 Alguém, que não os quatro ciclistas que apreciei este ano suando os bofes a pedal Fontes Pereira de Melo acima, me diga da necessidade destas obras!


Capture.JPG
Exnxertado com Lisboa de pernas para o ar a partir de Miguel Baltazar, Jornal de Negócios.

domingo, 1 de maio de 2016

Espectáculo de variedades

Frank & Nancy Sinatra — Downtown/These Boots are Made for Walking
(1966)