Pediram-me para fotocopiar o recorte duma revista que ao depois identifiquei; li na última frase do artiguelho:
Esta semana, à pergunta «Portugal tem futuro?» de um professor visionário, um miúdo do 4.º ano respondeu: «Pode explicar-me o que é Portugal?»
(Victor Bandarra, «Portugal tem futuro?». Domingo – Correio da Manhã, 29/5/2016).
Um miúdo insinuado como sábio, mas a quem não ensinaram nada na escola.
Professores visionários...
Livro de Leitura da 3.ª Classe da Santa Nostalgia.
No futuro só existirão "migrantes"... Não pertenceremos a lado nenhum. Claro está que se não se pertence e não se sabe nada fica a interessante pergunta "o que sou". Haverá limites para o "eu"?
ResponderEliminarNão tive estes livros (entrei para a 1ª classe em 1978). Mas já comprei o da 1ª classe e o da 2ª classe para o meu filho. Acho os textos bons e o vocabulário é enriquecedor. Até o tipo de letra é bom. A parte da matemática é óptima, muito clara. Este ano compro o da 3ªclasse.
ResponderEliminarNão sei como era a escola antes do 25 de Abril, mas quando frequentava o 8º ano, lembro-me da professora de português nos dizer que nesse ano não sabia que nos ia ensinar porque o Min. da Educação não tinha definido o programa da disciplina. Nós perguntámos-lhe porque não dava o do ano lectivo passado (afinal a língua portuguesa era a mesma).
Na disciplina de história, aprendi em três anos lectivos distintos o século XIV (fome, guerra, peste), ou seja, repetiam a mesma matéria, mas nunca "passei" do Marquês de Pombal (se não fosse o terramoto acho que nem lá tinha chegado). Só na universidade percebi um pouco mais da nossa história ao estudar as Constituições portuguesas (tirei Direito).
Enquanto estudante sempre senti que professores e Min. da Educação navegavam aquele barco numa noite de nevoeiro sem bússola.
O limite de eu é a onde a transumância me levar. Ou será o futebol e neste caso fica respondida a pergunta do miúdo: Portugal é a selecção.
ResponderEliminarCumpts.
Numa noite de nevoeiro,
ResponderEliminarde lua nova,
com um timoneiro cego,
sem bússola,
sem mapa,
com uns corvos
e com um papagaio.
Pertinente comentário. Inspira-me responder que da primeira à quarta classe tive 1 (uma) aula de História; foi na terceira e foi sobre o Viriato. Ansiei pelo resto da História de Portugal e sorvi-a autodidàcticamente na 13.ª ed. dos cromos da Agência Portuguesa de Revistas, que eram de meu irmão. Só no 2.º ano do ciclo preparatório tive uma disciplina de História de Portugal em que passei com nota máxima, em boa medida à custa dos cromos do Estado Novo (em todos os sentidos).
ResponderEliminarQuando comprar o livro da 3.ª Classe veja a porção dos textos de História pátria e confronte-a com a livralhada que o douto Ministério , a escola ou os professores ditam ao ensino.
Enquanto estudante sentiu um país desgovernado, naturalmente porque o país acabou em 25 de Abril de 1974.
Hoje melhorou: os meninos na escola sentem o país da brincadeira, até porque é proibido chumbá-los.
Cumpts.
Os corvos aportaram ao município. Vão levantar mesquita por 3 milhões. Quando os vir de cu para ar voltados para Meca pregue-lhes um biqueiro em honra do deus foot-ball.
ResponderEliminarDeus nos dê paciência!...
...
ResponderEliminarA Selecção da Sagres, do Novo Banco, do gato fedorento...
Caro Bic:
ResponderEliminarExcelente ideia essa sua de publicar as gravuras do livro de leitura da 3ª classe… Assim, as gerações mais novas têm oportunidade de ver algo que, estou certo, lhes dirá qualquer coisa.
De facto, nesse tempo, e falo de antes de 1969, dum livro de (pelo menos) capa igual, não era preciso sequer ler a lição de que fala, pois que os petizes “sentiam” e “respiravam” o que era ser português; de qualquer modo, qualquer caderninho de exercícios tinha na contracapa um texto histórico sobre um Português ou acontecimento relevante para a nossa identidade, o que ajudou imenso aquelas gerações a terem a noção do lugar que ocupavam no Mundo*; era o tempo em que os presidentes dos EU, quando queriam algo do Estado Português, vinham cá e diziam ao que vinham; hoje por hoje, são estes desgraçados que lá vão, de escudela na mão a pedinchar qualquer coisa, e, por vezes, nem recebidos são.
Em resumo: é a diferença entre um (M.E.N), Ministro da Educação Nacional e um qualquer (men) mário estrangeirado nogueira, putativo ministro da estupidificação nacional; naquele qualquer aluno, por modesto que fosse, sabia o que era Portugal, e neste, um que, pelos vistos, é vivaço, teve que perguntar o que é!!! É preciso dizer mais alguma coisa??? Devem andar a gozar com a nossa cara, ou então estão a trabalhar para a definitiva estupidificação deste povo miserável, medíocre e vil como nunca se viu que já não sabe nem o que é nem onde está.
Portugal, de facto, acabou e nós, a meia dúzia que ainda estrebucha, somos apenas o materializar do seu último estertor.
Cumpts
*= Se quiser, terei muito gosto em lhe fazer chegar algumas fotos do que digo, que acho que vai gostar.
Sim, mande. Agradeço-lhe.
ResponderEliminarNo mais, acrescento só que após acabar com o país, o trabalho é diluir a nação. É nisto que vamos.
Cumpts.
Acho a questão extraordinariamente inteligente, actual e pertinente, mas ninguém respondeu:
ResponderEliminar- o que ê Portugal?
😳😳😳
Portugal não é, acabou. A ainda ser é saudade.
ResponderEliminarCumpts.
om gosto, claro!
ResponderEliminarÉ só o tempo de voltar à minha aldeia natal, onde guardo os meus tesouros.
Cumpts
Com gosto, digo!
ResponderEliminarLi com alguma surpresa a definição de Portugal do Livro de Leitura da 3.ª Classe, "do Minho ao Algarve".
ResponderEliminarSeria esta fórmula ainda resultado do regime anterior à revisão constitucional de 1951, em que havia "Portugal" e havia o "Império"? É que o modelo que resulta de 1951 e da consagração das Províncias Ultramarinas colide frontalmente com esta fórmula.
O Caro Bic sabe algo sobre isto?
Cumprimentos
A sua atenção levanta uma questão interessante. A doutrinação do Minho a Timor parece ter sido descurada. Empreendendo na questão procurei em vão a 1.ª ed. deste livro da 3.ª Classe a ver se seria ela anterior à revisão da constituição que aboliu o Acto Colonial. A Biblioteca Nacional não guarda nenhum exemplar (ou eu pesquisei mal). A ed. aqui apresentada é de 1969; um pouco tarde para andar esquecida a versão do Minho ao Algarve doutras eras. O caso merece melhor estudo, mas, vai ver-se e é maior a ampliação pós-abrilina da propaganda do Minho a Timor, do que foi a pròpriamente dita do Minho a Timor pelo Estado Novo. Não me admiraria mesmo nada!...
ResponderEliminarCumpts.
ResponderEliminarSe Portugal não é, acabou.
Reformulo:
O que foi Portugal, como começou?
O que é uma nação?
O que é que isso acresce ao Ser de hoje?
A Saudade é uma afetação individual e subjectiva, não é, nem partilhável, nem definível…
O apego ao passado é estéril, tal como o apego ao futuro O passado só é importante enquanto momento reflexivo potenciador de um melhor entendimento do presente e perspetivador de futuros possíveis
Hoje, paradoxalmente, a informação com que os miúdos da primária são bombardeados está a anos luz da informação ministrada no secundário de 60. Nas matérias consideradas críticas
Há quem lhe chame «do Choupal até à Lapa»
ResponderEliminarNão me admirava que tivesse sido mesmo descurada.
ResponderEliminarJá agora, os livros nas províncias ultramarinas seriam os mesmos? Seria interessante compará-los se não.
Depois do que já li da imensa Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África, fiquei com a sensação de que a Acção Psicológica (como lhe chamam) era muito diferente entre a Metrópole e o Ultramar, com vantagem para este último em que se criaram orgãos de âmbito provincial a dado ponto (já tardio ainda assim) envolvendo as autoridades civis e militares, para centralizar a coordenação dessa acção.
Compreende-se a diferença na propaganda. Mas do menoscabo dela na metrópole podemos ter descurado a retaguarda; foi fatal.
ResponderEliminarNão sei se os livros no Ultramar eram diferentes. Calhando eram. Aposto que hoje não são, sendo certo que vão agora infalivelmente de cá porque lá nem tipógrafos hão-de saber ser.
Cumpts.
Foi esse o meu livro de leitura no ano letivo de 1972/73. Assim como você, me tornei um excelente aluno de História à custa dos cromos da "História de Portugal" - o último (do Caetano ) era dificílimo de conseguir. Abraço!
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