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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mais três dos alvores da Av. de Roma

Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


Av. de Roma, Lisboa (C. Madeira 195...)


 




Fotografias: Avenida de Roma, Lisboa, 195... Claudino Madeira, in archivo photographico da C.M.L.


 


Adenda:


 Existe nestas imagens um encantamento que nao consigo definir muito bem. Talvez se deva à harmonia e a um certo vazio inicial, de começo e de promessa de perenidade. Faço parte da geração que por aqui passeava pela mão do pai ou da mãe a fazer perguntas e a ouvir historias. Por aqui passava muitas vezes, ao sábado no final das aulas da primária. Talvez por me lembrar ainda agora das sensações que me provocava essa harmonia, passo a passo, pela mão da minha mãe que eu acompanhava nas pequenas compras de fim-de-semana antes de tomarmos o autocarro de volta a casa. Lembro-me particularmente de a caminho deste local, vindo da minha escola que se situava no cimo da [Alameda de] Dom Afonso Henriques, descer num desses finais de sábado, pela Primavera, a Alameda e de pensar que tudo fazia parte dum filme. Estava tudo florido e arranjado, ordenado, bem estruturado, da Fonte Luminosa brotava o som de jactos de água. A subida da Guerra Junqueiro, ainda com duas vias — única estrada em Lisboa de que me lembro ter visto a divisória central das duas vias ser feita em metal em vez de tinta branca — era a parte mais penosa devido às continuas interrupções de entradas e saídas nos estabelecimentos, até se chegar à João XXI onde tomaríamos o 22 rumo à Encarnação. Há um território que faz parte de nós, que nos é querido, que é indizível nos remete para o sonho, para a nostalgia. Esse território que não é só físico: é a nossa própria ampliação, identifica-nos e transcende-nos. É aquela coisa só de nós de que muitas vezes nos esquecemos por estar sempre presente, mesmo quando estamos longe destes e de tantos outros locais [...]


Comentário do leitor Almeida em 20 de Maio de 2016.

9 comentários:

  1. Tudo tem óptimo aspecto. A cheirar a novo...

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  2. Realmente durante o Estado Novo construia-se muito bem. Excepção feita aos Olivais (o que se terá passado?). Esta zona da Av. de Roma, bem como o Bairro de São Miguel, ainda hoje são muito procuradas. Obrigada por mostrar estas lindas fotografias.

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  3. Era magnífica, não era?
    Cumpts.

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  4. Os Olivais, o bairro como um todo, com jardins entre os prédios é digno de admiração. Mas a arquitectura do betão, depois do Português Suave, é para esquecer.
    Cumpts.

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  5. Lindíssimas fotografias e grande arquitectura.

    Nunca mais se fez nada assim

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  6. Os Olivais é bem posterior mas o bairro da Encarnação é muito bonito

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  7. Existe nestas imagens um encantamento que nao consigo definir muito bem. Talvez se deva à harmonia e a um certo vazio inicial, de começo e de promessa de perenidade. Faço parte da geração que por aqui passeava pela mão do pai ou da mãe a fazer perguntas e a ouvir historias. Por aqui passava muitas vezes, ao sabado no final das aulas da primaria. Talvez por me lembrar ainda agora das sensações que me provocava essa harmonia,passo a passo, pela mao da minha mãe que eu acompanhava nas pequenas compras de final de semana antes de tomarmos o autocarro de volta a casa. Lembro- me particularmente de a caminho deste local, vindo da minha escola que se situava no cimo da Dom Afonso Henriques, descer num desses finais de sábado, pela primavera, a Alameda e de pensar que tudo fazia parte dum filme. Estava tudo florido e arranjado, ordenado, bem estruturado, da Fonte Luminosa brotava o som de jactos de água.
    A subida da Guerra Junqueiro, ainda com duas vias - única estrada em Lisboa de que me lembro ter visto a divisoria central das duas vias ser feita em metal em vez de tinta branca - era a parte mais penosa devido às continuas interrupcoes de entradas e saídas nos estabelecimentos, ate se chegar à João XXI onde tomaríamos o 22 rumo à Encarnação.
    Há um território que faz parte de nós, que nos é querido, que é indizível nos remete para o sonho, para a nostalgia.
    Esse território que não é só físico: é a nossa própria ampliação, identifica-nos e transcende-nos. É aquela coisa só de nós de que muitas vezes nos esquecemos por estar sempre presente, mesmo quando estamos longe destes e de tantos outros locais.
    Este blog ajuda muito a relembrar-mo-nos de que existimos e faz-nos reflectir sobre porque é que existimos e como chegámos até aqui.

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  8. Não. A moda estrangeirada e os $$ passaram a ditar a arquitectura e o urbanismo.
    Cumpts.

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