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quinta-feira, 7 de março de 2013

Palacete a vagar

Palacete prémio Valmor 1914, Av. Fontes Pereira de Mello,  28 (P. Guedes, post 1914)Moradia de José Maria Marques (Arq.: Norte Júnior; prémio Valmor em 1914), Av. Fontes Pereira de Mello,  28, post 1911.
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


 O palacete da sede do Metro na esquina da Fontes com a Andrade Corvo está para vagar. A administração do Metropolitano de Lisboa, de perdulária em faustos de arte duvidosa nas catacumbas das estações, deu em remediada por desmame forçado. Lá anda de armas e bagagens aprestadas a ter de dividir renda nalguma assoalhada que a administração da Carris lhe ceda. Isto, de ver eu dias a fio um camião que a Carris ali manda, acostado ao quintal do palacete a carregar tarecos.
 Mais um palacete da Belle Époque caminho da ruína, como aqueles dois que restam no Saldanha... Deus queira que me engane!

Escadaria Monumental da sede do Metro (In Do Porto e Não Só, 7/IX/2011)Escadaria Monumental da sede do Metro (In Do Porto e Não Só, 7/IX/2011)


Escadaria monumental, in R.F., «Lisboa: do Passeio Público às Avenidas Novas, 3», Do Porto e Não Só, 7/IX/2011, que recomendo ao leitor interessado.

17 comentários:

  1. Receio bem que se não engane. Se em tempos de (infundada, parece) abundância tais tesouros - ou simples dignas memórias de um tempo (e o que interessa isso a um povo que quer é modernidade de aço inoxidável e "pogresso"?) - eram arrasados, ou apenas deixados paulatinamente a apodrecer, em favor do novo-riquismo e ganância dos bandos de patos-bravos, e do deslumbramento das massas ignaras, agora, por estes longos dias de chumbo do Glorioso Desígnio da Descida Patriótica à Miséria, apodrecerão por simples falta de verba de parte do seu proprietário. Verdadeira ou muito oportunamente alegada.

    Ou, se confiados à coisa pública mais estritamente tomada, perder-se-ão nas andanças entre ministérios, direcções-gerais, institutos disto ou daquilo, cada um dizendo que é ao outro que cabe a sua conservação. E sempre sem um responsável a quem pedir contas.

    Um dia, admissivelmente, a crise passará. Muito apropriadamente surgirá um projecto de torre de escritórios de prestígio ou andares de luxo, ou isso tudo. Por essa altura, reduzido a ruína, a despesa de demolição do palacete será afinal mínima O que é muito conveniente. Alguém, claro, enriquecerá ainda mais.

    Até lá, enquanto for conseguindo barrar a chuva, o vento e atenuar o frio, servirá de abrigo a gente caída na miséria. Por verdadeira e involuntária desgraça, ou daquela cujas seringas pagaremos nós... Talvez sejam grotescamente emparedadas portas e janelas, como medida de recurso. Quem sabe até essa utilização proporcione um afinal bem útil incêndiozito que lhe enfraqueça a estrutura. É cruel escrevê-lo, talvez, mas é (será, muito provavelmente) assim.

    Tudo decorrerá, de uma forma ou outra, na esperada normalidade portuguesa.

    Saudações,
    Costa

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  2. José Lima7/3/13 15:39

    Creio que este palacete é Prémio valmor, circunstância que julgo suficiente, mesmo em terra de bárbaros, para o livrar do camartelo. Provavelmente, deverá acabar antes transformado em sede de um "private banking" qualquer ou de outro negócio de agiotagem de igual género...

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  3. José Lima7/3/13 15:41

    É mesmo Prémio Valmor: tresli a legenda da fotografia.

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  4. Anónimo8/3/13 00:11

    Que maravilha d'interiores. Que haja alguém com poder suficiente para travar o abandono e mais tarde o derrube desta jóia da arquitectura novecentista. Pela fachada e pela decoração interior terá sido edificado antes do estilo Arte Nova ter sido iniciado, será oitocentista portanto, ainda que o Prémio Valmor lhe tenha sido atribuído em 1914.

    E que tal o-atraso-de-vida-senhor-José-Sá-Fernandes, que anda sempre tão pressuroso a mandar suspender obras úteis à cidade de Lisboa, obrigando o erário público a pagar fortunas pela interrupção das ditas, que tal, dizia, este senhor preocupar-se com a preservação dos edifícios e moradias de valor artístico e arquitectónico sem preço, verdadeiras preciosidades insubstituíveis, em vez de mandar interromper obras necessárias ao melhoramento do trânsito na cidade, como aconteceu durante mais de dois anos com o túnel do Marquês, que tanto tem beneficiado aquela zona de Lisboa?
    E já que estou nisto, pergunto, porque é que o sr. Sá Fernandes não manda repôr o traçado da Rotunda Marquês de Pombal (o seu pelouro na Câmara permite-o, creio) como estava antes do oportunista e trapalhão senhor Costa ter virado do avesso aquele traçado rodoviário para, segundo o próprio, "facilitar" o trânsito no local? Esta estupidez de medida só veio provocar um pandemónio naquela Rotunda e uma dor de cabeça das antigas aos automobilistas que têm a triste ideia de lá se meter.

    Porque ao senhor Costa este inferno no trânsito do Marquês não incomoda nem um bocadinho, terá de certeza um helicóptero que o leva do terraço da Câmara (ou do Largo desta) a casa.
    Maria

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  5. amigo, pelo que me conta neste seu verbete, é que esta cidade de seu nome Lisboa, vai ter mais imóvel devoluto e com tanta gente a precisar de casa, tristeza mesmo, já está como há uns dias fui esclarecer uma dúvida ao meu fornecedor de internet e comprar algum pão e qual o meu espanto vejo num caixote do lixo, pão limpo, fresco sem qualquer bolor para ir fora.
    Contei e eram mais de 40 pães saloios pequenos que iam para o lixo e com tanta gente a passar fome

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  6. Cara Maria


    Aquela coisa que fizeram ali no Marquês foi algo semelhante a uma "viagem" no ácido (LSD) e que muitos grupos musicais dos anos 60,70 e 80 eram especializados e prova disso são algumas composições dos Beatles, Pink Floyd, Queen e outros grupos da mesma geração

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  7. ASeverino8/3/13 14:03

    Mesmo assim se der dinheiro os patos bravos interessam-se lá da arte, então e o investimento...cambada de analfabetos, agiotas e vaidosos cheios de dinâmica e know-how às carradas.

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  8. Nem me engano eu nem o sr. Costa. De certo assim o veremos.
    Cumpts.

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  9. Irá tudo a eito. Este é só o próximo. O Clube de Empresários já anda devoluto. O que lhe fica adjecente há muito que assim vai. Por enquanto sustêm um cartaz de venda. Devem seguir-se telas de publicidade para esconder janelas às escancaras, como vimos em tempo no do gaveto da Fontes Pereira de Melo com a Av. Cinco de Outubro. Quando o estado de ruína for suficientemente adiantado a câmara resignar-se-á com prazer a dar o aval à demolição. A montante ou ajusante ficam cobertas umas ajudas às campanhas eleitorais.
    Cumpts.

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  10. O mundo não está para isto. É um palácio de «velhos do Restelo» que só entope a marcha do futuro.
    Cumpts.

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  11. Mais um prédio devoluto a juntaraos milhares que estão. A maior parte são da câmara.
    Cumpts.

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  12. Mais um a ir abaixo, pois claro.
    Os bárbaros querem é coisas giras e novas.
    Coisas modernas para mostrar aos amigos do José Manuel lá da Comissão, que somos pobres mas cheios de pinta!

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  13. Imagine só a pinta então quando formos ricos.
    Cumpts.

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  14. "Aquela coisa... ali no Marquês... algo semelhante a uma "viagem" no ácido(LSD)..." Ahahahahah

    Se calhar até é verdade. Não sei a idade deste Costa e dos gabirus que o acompanham na destruição urbanística de Lisboa, mas se aí pelas décadas 60/70 andavam pelos 15-20 anos de idade, então é mais do que certo, tendo em consideração as costelas esquerdistas desta maltosa brava toda, que andaram por Woodstock bebendo (fumando) de tudo e mais alguma coisa que a onda flower-power proporcionava, impregnando-os do vírus destruidor das células nervosas cerebrais para sempre. O pior foi este bando de psicopatas ter chegado ao governo de Portugal. E nós, povo português, sem culpa alguma das suas permanentes alucinações psicadélicas, é que pagamos as favas.
    Maria

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  15. Maria Lucia Reis28/6/17 20:28

    Não posso acreditar!!! Quando li este texto deixei quase de respirare.Só pode ser brincadeira!!!

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  16. Descanse. Passados meses verifiquei que a mudança era da Carris para lá. A administração da Carris preferiu o palacete a St.º Amaro, onde havia de se cruzar com o operariado.
    Para já salvou-se. Até ver.
    Cumpts.

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  17. Maria Lucia Reis29/6/17 20:52

    Obrigada pelo vosso email.
    Estou mais tranquila. Seria desastroso, pois não se volta a fazer obras como estas. São testemunhos vivos da nossa história!

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