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quarta-feira, 6 de março de 2013

«Ai Mouraria» em 78 r.p.m.


O fado Mouraria cantado por Amália é qualquer coisa! Como pràticamente todos os seus fados. Não tanto pelas letras/poemas, embora também, mas muito principalmente por aquela voz extraordinária e inimitável, carregada de sentimento e nas mais das vezes de profunda dor. Uma vez ouvida é impossível ser esquecida.
Maria



 É agradável receber um comentário assim a propósito dum verbete que já tem uns anitos. O mérito é de Amália, porém. E dos compositores, é justo que diga.
 Não sou nada entendido em fado, em Amália, ou algo que se pareça. Mas talvez não erre em que o fado lá naquele verbete quase esquecido é a versão mais badalada de Ai Mouraria. Salvo erro, uma gravação num L.P. de 1965 (Fado Português). Nota-se-lhe ali, a Amália, a voz com aquele timbre seguro e maduro com que a reconheço de sempre. Quando crescemos e tomamos um contacto mais ou menos alheado com o que nos há-de moldar no que somos é como se o que apreendemos tivesse sido sempre assim, e assim houvesse de continuar a ser. Com a voz de Amália dá-se isso. Aquela voz, naquele timbre firme e maduro daquela gravação de Ai Mouraria é a voz de sempre.
 Sucede que nada é para sempre e que há sempre um antes e um depois. Do depois não quero falar. O tempo, que tudo corrói, desencantou a voz a Amália. Compensou-a como faz aos heróis, fez de si um mito. Mas é o antes que me traz o encanto do mito. Foi Deus, numa gravação lá do tempo das 78 r.p.m. (cá está: o tempo dos heróis; a idade de oiro), que eu ouvi nos anos 90 numa colectânea dos anos 80, que me fez perceber o encanto e a razão do mito: a voz brilhante de Amália em nova.
 Há meses resgatei do iTunes (prodígios da técnica que ajudam hoje a estribar verdadeiros e falsos mitos), pelo equivalente a 800$00, uma colecção de mais de meia centena de cantigas de Amália. Uma boa quarentena é da idade de oiro das 78 r.p.m.. Não quero fazer publicidade, em todo o caso ponho no pick-up esta gravação de Ai Mouraria, acompanhada à guitarra e ao piano, como acontecia ao fado antigo.



(Imagem revista em 7/VIII/22; a gravação é da brasileira Continental, de 1945.)

6 comentários:

  1. Anónimo6/3/13 03:45

    Exactamente como escreveu. Quase meia centena de LP's de Amália, hein? Que sorte!
    Há muitíssimos e maravilhosos, mas este Mouraria, Foi Deus, Estranha Forma de Vida, Amália, Não Sei Porque Te Foste Embora, Povo Que Lavas No Rio, Que Deus Me Perdoe, são fados com poemas lindíssimos cantados por uma voz assombrosa, diria mesmo do outro mundo, como jamais haverá outra igual.
    Maria

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  2. Inspector Jaap7/3/13 10:57

    Obrigado, caro Bic ! Simplesmente sublime; a palavra diz tudo o que me vai na alma e até explica as lágrimas que me afloraram aos olhos.
    Cumpts

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  3. Não são L.P., são cantigas.
    Amália tinha o condão de saber escolher muito bem os poetas e compositores.
    Cumpts.

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  4. Acontece aos quem têm alma portuguesa.
    Cumpts.

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  5. Aqui no Brasil muitos de nós também admiramos muitíssimo a voz, a interpretação e o calor de Amália. Abraço aos primos portugueses.

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  6. É-me grato sabê-lo, obrigado!
    Cumpts.

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