Moradia de José Maria Marques (Arq.: Norte Júnior; prémio Valmor em 1914), Av. Fontes Pereira de Mello, 28, post 1911.
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
O palacete da sede do Metro na esquina da Fontes com a Andrade Corvo está para vagar. A administração do Metropolitano de Lisboa, de perdulária em faustos de arte duvidosa nas catacumbas das estações, deu em remediada por desmame forçado. Lá anda de armas e bagagens aprestadas a ter de dividir renda nalguma assoalhada que a administração da Carris lhe ceda. Isto, de ver eu dias a fio um camião que a Carris ali manda, acostado ao quintal do palacete a carregar tarecos.
Mais um palacete da Belle Époque caminho da ruína, como aqueles dois que restam no Saldanha... Deus queira que me engane!
Escadaria monumental, in R.F., «Lisboa: do Passeio Público às Avenidas Novas, 3», Do Porto e Não Só, 7/IX/2011, que recomendo ao leitor interessado.
Receio bem que se não engane. Se em tempos de (infundada, parece) abundância tais tesouros - ou simples dignas memórias de um tempo (e o que interessa isso a um povo que quer é modernidade de aço inoxidável e "pogresso"?) - eram arrasados, ou apenas deixados paulatinamente a apodrecer, em favor do novo-riquismo e ganância dos bandos de patos-bravos, e do deslumbramento das massas ignaras, agora, por estes longos dias de chumbo do Glorioso Desígnio da Descida Patriótica à Miséria, apodrecerão por simples falta de verba de parte do seu proprietário. Verdadeira ou muito oportunamente alegada.
ResponderEliminarOu, se confiados à coisa pública mais estritamente tomada, perder-se-ão nas andanças entre ministérios, direcções-gerais, institutos disto ou daquilo, cada um dizendo que é ao outro que cabe a sua conservação. E sempre sem um responsável a quem pedir contas.
Um dia, admissivelmente, a crise passará. Muito apropriadamente surgirá um projecto de torre de escritórios de prestígio ou andares de luxo, ou isso tudo. Por essa altura, reduzido a ruína, a despesa de demolição do palacete será afinal mínima O que é muito conveniente. Alguém, claro, enriquecerá ainda mais.
Até lá, enquanto for conseguindo barrar a chuva, o vento e atenuar o frio, servirá de abrigo a gente caída na miséria. Por verdadeira e involuntária desgraça, ou daquela cujas seringas pagaremos nós... Talvez sejam grotescamente emparedadas portas e janelas, como medida de recurso. Quem sabe até essa utilização proporcione um afinal bem útil incêndiozito que lhe enfraqueça a estrutura. É cruel escrevê-lo, talvez, mas é (será, muito provavelmente) assim.
Tudo decorrerá, de uma forma ou outra, na esperada normalidade portuguesa.
Saudações,
Costa
Creio que este palacete é Prémio valmor, circunstância que julgo suficiente, mesmo em terra de bárbaros, para o livrar do camartelo. Provavelmente, deverá acabar antes transformado em sede de um "private banking" qualquer ou de outro negócio de agiotagem de igual género...
ResponderEliminarÉ mesmo Prémio Valmor: tresli a legenda da fotografia.
ResponderEliminarQue maravilha d'interiores. Que haja alguém com poder suficiente para travar o abandono e mais tarde o derrube desta jóia da arquitectura novecentista. Pela fachada e pela decoração interior terá sido edificado antes do estilo Arte Nova ter sido iniciado, será oitocentista portanto, ainda que o Prémio Valmor lhe tenha sido atribuído em 1914.
ResponderEliminarE que tal o-atraso-de-vida-senhor-José-Sá-Fernandes, que anda sempre tão pressuroso a mandar suspender obras úteis à cidade de Lisboa, obrigando o erário público a pagar fortunas pela interrupção das ditas, que tal, dizia, este senhor preocupar-se com a preservação dos edifícios e moradias de valor artístico e arquitectónico sem preço, verdadeiras preciosidades insubstituíveis, em vez de mandar interromper obras necessárias ao melhoramento do trânsito na cidade, como aconteceu durante mais de dois anos com o túnel do Marquês, que tanto tem beneficiado aquela zona de Lisboa?
E já que estou nisto, pergunto, porque é que o sr. Sá Fernandes não manda repôr o traçado da Rotunda Marquês de Pombal (o seu pelouro na Câmara permite-o, creio) como estava antes do oportunista e trapalhão senhor Costa ter virado do avesso aquele traçado rodoviário para, segundo o próprio, "facilitar" o trânsito no local? Esta estupidez de medida só veio provocar um pandemónio naquela Rotunda e uma dor de cabeça das antigas aos automobilistas que têm a triste ideia de lá se meter.
Porque ao senhor Costa este inferno no trânsito do Marquês não incomoda nem um bocadinho, terá de certeza um helicóptero que o leva do terraço da Câmara (ou do Largo desta) a casa.
Maria
amigo, pelo que me conta neste seu verbete, é que esta cidade de seu nome Lisboa, vai ter mais imóvel devoluto e com tanta gente a precisar de casa, tristeza mesmo, já está como há uns dias fui esclarecer uma dúvida ao meu fornecedor de internet e comprar algum pão e qual o meu espanto vejo num caixote do lixo, pão limpo, fresco sem qualquer bolor para ir fora.
ResponderEliminarContei e eram mais de 40 pães saloios pequenos que iam para o lixo e com tanta gente a passar fome
Cara Maria
ResponderEliminarAquela coisa que fizeram ali no Marquês foi algo semelhante a uma "viagem" no ácido (LSD) e que muitos grupos musicais dos anos 60,70 e 80 eram especializados e prova disso são algumas composições dos Beatles, Pink Floyd, Queen e outros grupos da mesma geração
Mesmo assim se der dinheiro os patos bravos interessam-se lá da arte, então e o investimento...cambada de analfabetos, agiotas e vaidosos cheios de dinâmica e know-how às carradas.
ResponderEliminarNem me engano eu nem o sr. Costa. De certo assim o veremos.
ResponderEliminarCumpts.
Irá tudo a eito. Este é só o próximo. O Clube de Empresários já anda devoluto. O que lhe fica adjecente há muito que assim vai. Por enquanto sustêm um cartaz de venda. Devem seguir-se telas de publicidade para esconder janelas às escancaras, como vimos em tempo no do gaveto da Fontes Pereira de Melo com a Av. Cinco de Outubro. Quando o estado de ruína for suficientemente adiantado a câmara resignar-se-á com prazer a dar o aval à demolição. A montante ou ajusante ficam cobertas umas ajudas às campanhas eleitorais.
ResponderEliminarCumpts.
O mundo não está para isto. É um palácio de «velhos do Restelo» que só entope a marcha do futuro.
ResponderEliminarCumpts.
Mais um prédio devoluto a juntaraos milhares que estão. A maior parte são da câmara.
ResponderEliminarCumpts.
Mais um a ir abaixo, pois claro.
ResponderEliminarOs bárbaros querem é coisas giras e novas.
Coisas modernas para mostrar aos amigos do José Manuel lá da Comissão, que somos pobres mas cheios de pinta!
Imagine só a pinta então quando formos ricos.
ResponderEliminarCumpts.
"Aquela coisa... ali no Marquês... algo semelhante a uma "viagem" no ácido(LSD)..." Ahahahahah
ResponderEliminarSe calhar até é verdade. Não sei a idade deste Costa e dos gabirus que o acompanham na destruição urbanística de Lisboa, mas se aí pelas décadas 60/70 andavam pelos 15-20 anos de idade, então é mais do que certo, tendo em consideração as costelas esquerdistas desta maltosa brava toda, que andaram por Woodstock bebendo (fumando) de tudo e mais alguma coisa que a onda flower-power proporcionava, impregnando-os do vírus destruidor das células nervosas cerebrais para sempre. O pior foi este bando de psicopatas ter chegado ao governo de Portugal. E nós, povo português, sem culpa alguma das suas permanentes alucinações psicadélicas, é que pagamos as favas.
Maria
Não posso acreditar!!! Quando li este texto deixei quase de respirare.Só pode ser brincadeira!!!
ResponderEliminarDescanse. Passados meses verifiquei que a mudança era da Carris para lá. A administração da Carris preferiu o palacete a St.º Amaro, onde havia de se cruzar com o operariado.
ResponderEliminarPara já salvou-se. Até ver.
Cumpts.
Obrigada pelo vosso email.
ResponderEliminarEstou mais tranquila. Seria desastroso, pois não se volta a fazer obras como estas. São testemunhos vivos da nossa história!