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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Da indigência

 O ramal nacional 370-1 tem 4,5 km, liga a E.N. 370 à barragem do Maranhão. O marco miriamétrico aos 0 kms foi diligentemente pintalgado de tinta preta, no figurino do novo Plano Rodoviário Nacional, com os dizeres E.N. 370-1 (bem) a par de E.N. 243 (mal). O estar esta última indicação gravada em baixo relevo no marco indicia o seu reaproveitamento para ali, o que nem é necessàriamente mau. Mas, realçar a informação gravada relativa à E.N. 243 quando o marco foi reaproveitado no km 0 da E.N. 370-1, indicia o quê?
 Dir-me-á o benévolo leitor.

E.N. 370-1 (km 0), S. António do Alcórrego (prox.), 2012.
E.N. 370-1 (km 0), S. António do Alcórrego (prox.), 2012.

 Se quisermos aferir a indigência disto tudo basta seguir o dito ramal até à barragem. Nem um só dos marcos ao longo dos 4,5 km foi pintalgado com as tais riscas pretas do figurino do novo Plano Rodoviário Nacional. Uma bênção, confesso, mas, quer-se melhor prova de o fidalgo pintor de marcos não andar ali para se rebaixar a ramais...?

E.N. 370-1 (km 4), Barragem do Maranhão, 2012.
E.N. 370-1 (km 4), Barragem do Maranhão, 2012.

7 comentários:

  1. Inspector Jaap3/10/12 23:46

    Indicia que o desnorte dos cafres que nos “governam” é, tudo o indica, um prenúncio de morte, como diz a canção dum “gaijo” do norte e fazer fé na tinta utilizada.
    Ainda assim, não houvera que estranhar, que ele há gente(inha) capaz de beber vinho do Porto por um penico; assim sendo, puseram o madraço nas estradas, que se o pusessem na cultura, ele seria capaz de mandar pintalgar quadros por cima dos propriamente ditos…
    Daqui a 100 nos NINGUÉM de senso-comum irá acreditar que isto aconteceu.
    Cumpts
    P.S. quanto à foto de baixo: ele é que é o prlesidente da junta, pois então! Gente importante de vias principais e não de ramais!

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  2. O marco de cima transborda ordem e método. Tem um zero gravado. O baixo relevo pintado preserva-se melhor dos elementos do que um zero pintado à superfície. Pois a ordem vigente manda ignorar o zero gravado e pintar o mesmo zero de cima, assim, à face do marco, em baixo. O caso é tão intrigante que o pintalgueiro subcontratado, com natural ânsia de fazer o melhor, pintou o que se lhe pedia e o que obviamente se lhe havia de pedir. Para o ordenante bastaria pintalgar a nova imagem. Para si (ele), legendas gravadas em marcos rodoviários são coisa velha e relha. Que nexo tem essa coisa ultrapassada diante duma modernidade tão bem apresentada?
    O trabalho no ramal não estava no contrato de subempreitada.
    Cumpts.

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  3. Inspector Jaap5/10/12 22:59

    É isso mesmo!
    Cumpts

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  4. Fernando Vilela27/12/20 22:38

    Provavelmente não se trata de um reaproveitamento de marco trazido de outro local. O EN 370-1 indica a designação da estrada, e essa mesma face originalmente indicaria o início e o termo dessa EN. A EN370-1, criada por decreto-lei de 1959, tinha os seguintes pontos extremos e intermédio: "E. N. 370 - Barragem do Maranhão - S. Martinho - E. N. 243". Assim, sob aquela faixa preta estava gravado o extremo inicial da EN - provavelmente "EN370" e, em baixo, ainda visível, a gravação original do extremo final da EN - EN243.

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  5. Um esclarecimento interessante. O marco, portanto, era dali — realmente faziam-se em pedra para não serem facilmente removidos do lugar.
    E a E.N. 243, deixou de ser o extremo final?
    Cumpts.

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  6. Fernando Vilela28/12/20 15:46

    A EN243 foi o final projetado para a EN370-1. De facto nunca o chegou a ser por duas razões.
    1.º embora a EN370-1 tenha sido projetada em 1959 para o itinerário "E. N. 370 - Barragem do Maranhão - S. Martinho - E. N. 243", apenas o troço E.N.370-Barragem foi construído, num total de pouco mais de 4kms. O restante percurso desde a Barragem até entroncamento com a EN243, passando por S. Martinho (coordenadas 39.023649, -8.020096) nunca foi construído. O final da EN370-1 seria cerca de 1km a Norte de S. Martinho.
    2.º a EN243 nunca foi construída a passar nas proximidades Norte de S. Martinho; na verdade, o troço da EN243 entre a Barragem de Montargil e Avis nunca foi construído.
    Assim, o marco parece ser o original, indicando em cima a designação da estrada - EN370-1 - na segunda linha, o seu início - deveria dizer EN370, agora coberto de tinta preta - e na terceira linha, o final (projetado) da estrada - EN243.

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  7. Agora entendo. O marco está em rigor o plano; e o plano está em rigor com a indigência. E esta, é só mais outra. Ou ele mesma.
    Muito obrigado da explicação, que é preciosa e merecia ficar marcada na pedra. E afinal até está. Eu é que não soube ler.
    :)
    Boas festas!

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