sexta-feira, 29 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Vendem-se...
Não porque se vendam pròpriamente. Mas pelo que mais se pode saber de estarem à venda (v. comentários de Montexto).
Estas casas vendem-se, Santiago do Alandroal, 1955.
Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-EVR-ADL03-006.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Lubrificação e lavagem
Lubrificação e lavagem, Garagem Sorel, [s.d.].
Estúdio de Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.
sábado, 23 de junho de 2012
Fozeta
Dois comentários (e meia conclusão):
– Se a etimologia manda zê (Fuzeta) e não esse (Fuseta), porque não impõe então «o» em lugar de «u» em vez de caucionar a confusão metafónica?
– Se a metafonia do português deu com a grafia Fozeta em Fuzeta, o que a impedirá de dar com a «adoção» do estúpido acordo ortografico em «adução»? Como pode assim ser a pronúncia a fixar a grafia?!...
Olhão, 1955. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-IARP-FAR-OLH01-006.
(Revisto às dez e um quarto.)
Cabo Espichel
sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Desafrontamento
Desafrontamento que o Estado Novo levou a cabo no terreno diante das casas que Brás de Albuquerque levantou no tempo de el-rei D. João III para o marido da sr.ª D.ª Pilarª, de modo a plantar-se ali uma oliveira arrancada da Azinhaga e polvilhar-se-a de Saramago.
Pensão dos Bicos na Rua dos Bacalhoeiros, Lisboa, anos 50.
A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 031.
sábado, 16 de junho de 2012
De um DC-2...
| A imagem escura duma noite qualquer no novíssimo aeroporto da Portela deu-me saudade. E curiosidade. O negro da noite, um crescente de Lua meio deformado, o aeroporto sobressaindo à distância e dois aviões que nem se percebem muito bem... |
|
| O avião maior parece um DC-3, mas mais fino; um DC-2, portanto (não me pergunteis como o sei...). A matrícula lê-se mal, parece G-AG... — «G-» é matrícula de avião inglês. G-AGOB? Não. Mas o palpite serviu: G-AGBH. Um Douglas DC-2 com uma matrícula adicional: PH-ALE. Holandesa. Agora, adiante. O DC-2 estacionado no aeroporto da Portela fôra da K.L.M.. Quando a Alemanha invadiu a Holanda, em Maio de 1940, a real companhia aérea holandesa tinha vários aviões em trânsito no estrangeiro que se dirigiram a domínios ingleses e holandeses. Outros aviões e tripulações da K.L.M. refugiaram-se em Inglaterra. Entendeu-se o governo holandês no exílio com os ingleses e entraram os aparelhos e as tripulações da K.L.M. a servir em voos de carreira da B.O.A.C. Ganharam pintura e insígnias inglesas excepto o Union Jack; em seu lugar levavam escrito o nome de aves da Holanda por debaixo das janelas do cockpit — Edelvalk (Nobre Falcão?) foi o nome deste nosso DC-2. — O interior das cabinas manteve a decoração da K.L.M.. O Edelvalk operara antes na rota de Amesterdão para Lisboa, em ligação à carreira de clippers entre Lisboa e Nova Iorque. Com a invasão da Holanda, a operação de voos de carreira anglo-holandesa (mas formalmente inglesa) acabou baseada em Whitchurch (Bristol) em Setembro de 1940 donde continuou a operar para Lisboa em voos da B.O.A.C. Os voos civis de países beligerantes para países neutros mantiveram-se apesar da guerra. Compreende-se a vantagem; os clippers americanos não operavam para aqueles destinos e Lisboa ganhou enorme importância no trânsito para a América. É sabido que nesses anos da guerra fervilhava de espiões — o chefe de escala da B.O.A.C. contava que Lisboa era uma Casablanca multiplicada por vinte. — Cuido que no novíssimo aeroporto da Portela fosse mais. — Antes da sua abertura ao tráfego (Outubro de 1942) usava-se o campo de aviação de Sintra, com uma pista em relva, como destino de voos para Lisboa. Não sei como se há a espionagem de ter dado para passar desapercebida num aeródromo tão... provinciano. Justamente a partir do ano de 42, em que entrou ao serviço o aeroporto da Portela, a guerra sobre a Biscaia aqueceu. Os voos de carreira passaram a ser nocturnos por se fugir às acções bélicas. O avião estacionado na placa da Portela, com a aerogare toda iluminada e os holofotes da torre apontados sobre ele, podia estar a aguardar o embarque. Talvez por assim ser, o fotógrafo haja dado um saltinho ali para uma fotografia nocturna. Aeroporto da Portela, Lisboa, 1943. Estúdio de Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.. Das histórias destes voos anglo-holandeses nos anos da guerra, a mais fantástica é a do voo 777. O avião Ibis, o DC-3 G-AGBB (PH-ALI), seguia de Lisboa para Bristol quando foi abatido pela força aérea alemã no golfo da Biscaia. Ninguém se salvou. A bordo ia o actor Leslie Howard que viera a Portugal para algumas palestras sobre cinema condimentadas de propaganda aos Aliados. Por isto tinha viagem marcada para Bristol. A morte de alguém tão famoso em tais circunstâncias (os beligerantes por regra não atacavam aviões civis nas rotas de países neutros) despertou muita curiosidade e fomentou especulação. A teoria rebuscada mais famosa é de que o avião fôra propositadamente abatido pelos alemães por crerem que nele seguia Churchill vindo duma conferência nos Estados Unidos com Roosevelt. Winston Churchill dizia que a única coisa que igualava a brutalidade alemã era a estupidez dos seus serviços secretos. Nas suas memórias alimentou a especulação ao afirmar que eles se convenceram de que ele próprio era um dos passageiros do voo 777 da B.O.A.C., por o confundirem com o contabilista de Leslie Howard, Alfredo T. Chenalls. — Este tinha por hábito fumar charuto... — Os pilotos da força aérea alemã explicaram-se mais prosaicamente: tomaram o Ibis por um avião militar e alvejaram-no. Dando pelo engano detiveram-se mas era tarde. Três pessoas — relataram os aviadores — saltaram do avião em chamas mas os pára-quedas não se abriram; tinham pegado fogo nas chamas do avião. O restante caiu no golfo da Biscaia. Ninguém foi encontrado. Outras teorias dizem que Leslie Howard era um espião e que por isso... Foi o destino. Mais estranheza do que a especulação romanesca causam as voltas dele: o voo estava cheio e vários passageiros foram recusados; Leslie Howard confirmou tarde os bilhetes, mas como lhe davam precedência obrigou a desembarcar o menino de 8 anos Derek Partridge, filho dum diplomata britânico, e a sua ama, Dora Rove. Mas até aqui aflora a especulação: diz que um padre católico largou do avião depois de ter embarcado; nunca o ninguém o achou ou conseguiu identificar. Helena Gerassi, Leslie Howard, Alexandre Gulbenkian, Alfredo T. Chenalls, Hotel Aviz - Lisboa, 1943. Fotografia part. de Patrick Gerassi, in Aterrem em Portugal. |
| Segundo a Aviation Safety Network, o Edelvalk — o nosso DC-2 — durou pouco mais que a guerra. Saiu da pista em Luca, Malta, em 1946 durante uma descolagem e acabou sem conserto. Sem vítimas também, menos mal. Pertencia então à Southampton Air Service. Ali na fotografia em Lisboa ainda estaria longe do fim, quero crer; talvez ande ela por fins de 1942, quando o aeroporto entrou ao serviço, ou inícios de 1943. Conjecturo isto porque o que motivaria o fotógrafo a documentar o aeroporto em actividade nocturna seria precisamente a sua novidade. Ou não? É mero palpite, mas, a não ser isto só se alguém que saiba ler o céu nos consiga pela fase da Lua e pelo quadrante das estrelas dizer qual é o ano da fotografia. Não quere o benévolo leitor tentar? |
Ref.ª: «B.O.A.C. Flight 777», in Enciclopédia Livre.
(Revisto às 11h10 da manhã.)
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Aeroporto em fase crescente
Busca Malaka! Busca!
Ele há coisas que, por sumo absurdo, não lembram a ninguém. Outras que pelo cheiro se topam logo….
Este ininteligível palavrão – receção – é das que não lembram a ninguém. Foi parido pelo «Acordo» ortográfico como grafia portuguesa válida, pasme-se! Esperar achar grafia de feição meramente portuguesa no vocabulário (orto)gráfico da Academia Brasileira (mesmo se parido dum enlevo da indigência acadêmica e a comprovada estupidez acordita), cheirava-me logo ao coitus interruptus que havia de dar.
Festas de Lisboa [com plica] 12 (*)
Diz que o Alto do Pina ganhou as marchas? Parabéns à organização. O notável regedor do Largo do Intendente pode bem lambuzar-se de sardinha no arraial que arranjou.
Noite de Santo António, Lisboa, 2012.
Dia de Santo António, Lisboa, 2012.
(*) Plica 12, ou '12, é isto mesmo: 12 com plica. Muito diferente de 12 sem plica. Talvez...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Scenas contemporaneas em scenario d' aldêa
« Eram 8 horas. Na aldêa é esta a hora dos amantes. Manoel Pires enfiou as suas meias de lã até á cintura, calçou os sapatos confidentes de mil emprezas semelhantes, dobrou galhardamente o seu pau de carvalho ferrado de amarello, e partiu.
Ás 8 e um quarto, estava Manoel Pires no quinteiro da Mariquinhas, esperando-a, com a anciedade propria da sua organisação nervosa. Maus fados quizeram que n'aquella noite, e a taes horas, andasse fóra de casa o tio João do Eiró. A rapariga entendeu que devia esconder em casa o seu boticario, em quanto o pai não recolhesse. Quiz primeiro sumil-o na córte das vaccas, mas lembrou-se que o pai, antes de deitar-se, costumava hir afagar a sua vacca castanha, pela qual na feira dos 8 rejeitára sete moedas e um quarto! Metteu-o, depois, na loja da egua, mas a bestinha, egoista e ciumosa da manjadoura, não comprehendeu que o snr. Manoel Pires era um racional, e jogou-lhe uma parelha de couces, que por um tris o não remetteu á galeria posthuma dos pharmaceuticos illustres. Introduziu-o no curral dos carneiros, mas a entrada do infeliz amante foi recebida com uma escaramuça de marradas, como se um lobo cerval os surprehendesse. Ultimamente, Mariquinhas, melhor avisada, levou o seu paciente amante para a cozinha, levantou um alçapão, fêl-o descer uma escada, e, quando descia mansamente o fatal alçapão, entrava o pai.
― Que fazes tu ahi, rapariga? ― bradou elle.»
Camillo Castello Branco, «Aventuras d' um boticario d' aldêa», Scenas Contemporaneas, 2.ª ed., Cruz Coutinho ― Editor, Porto, 1862, pp. 47, 48.
Casas de Brás Afonso
O que em tempos sobrava das casas que Brás Afonso de Albuquerque mandou construir ainda no tempo de el-rei D. João III para o Zé Saramago. Entretanto o erário pagou certo melhoramento em favor da sr.ª D.ª Pilar Pilarª.
(Fotografia sem legenda, A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, lote 0, cx. G, neg. 340. Pilarª revista em 14 às 11.)
terça-feira, 12 de junho de 2012
Carta aberta aos portugueses, presentes e futuros!
Maria José Abranches, «A Herança», in I.L.C. Contra o Acordo Ortográfico, 10 de Junho de 2012.
A carta da professora Maria José Abranches é um poderoso resumo dirigido a todos, bem detalhado sobre o essencial da vergonha que fere no âmago a nós, portugueses. E não diz da missa nem a metade. Todos nós, portugueses, com o mínimo de tino que Deus nos deu, só por má fé ou vil interesse a não entenderemos. Merece, por conseguinte, atenta leitura e divulgação por todos os meios. Chegasse ela há mais tempo aos medinas carreiras e às judites -- que demonstram ao vivo e a cores andarem a dormir tanto como os deputados -- e podia ser que penetrasse nalgum crânio dos que nos governam e lhe produzisse alguma sombra de vergonha. Os do governo juraram servir com lealdade os portugueses, não o Brasil. Tivessem eles noção. Tivessem eles palavra...
(Selo, I.L.C. contra o Acordo Ortográfico - Leia, assine, divulgue!)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Carteiros ciclistas
Alguém que passe aí e veja estas imagens dos anos 30, se as confrontar com a apregoada «excelência» dos tempos hodiernos, provavelmente interroga-se sobre o caminho que esta velha forma de compor as coisas levou. Ou que o alardear e a propaganda delas não mudou assim tanto. Ou que talvez tenha mudado, sim, evoluindo na inversa da qualidade do objecto alardeado. Ou talvez quem para aí ande nem pense nada.
É o mais certo, não pensar coisa nenhuma.
«Carteiros ciclistas», Terreiro do Paço, [1934-39].
Francisco dos Santos Cordeiro, Fundação Portuguesa das Comunicações. Digitalizado por Luís Pavão a partir de negativo a preto e branco original.
Carteiros aprumados
domingo, 10 de junho de 2012
Mala-posta
sábado, 9 de junho de 2012
Da austeridade
Emparelhar latinhas com marcos rodoviários para poupar no desbaste do capim. À atenção da tróica.
E.N. 319, Santo Tirso, 2012.
Fotografia gentilmente cedida pelo Sr. Alves Pereira.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
De governos-bronca
« [...] O ministro da Defesa Nacional Paulo Portas protagonizou, ainda, uma cena de antologia, num dia em que ia embarcar num helicóptero Puma, no Comando Operacional da F.A., em Monsanto, para ir visitar oe estaleiros de Viana do Castelo. Era dia de tomada de posse de um novo governo e faltava nomear o secretário de Estado da Defesa, atribuído ao C.D.S.-P.P.. O caso não encerra nenhum conflito com as chefias militares, mas já vão ver porque merece ser contado.
O Ministro da Defesa Nacional dirigiu-se ao clube de oficiais onde o general comandante, o coronel chefe do Estado-Maior e o barista assistiram à cena. Portas, visivelmente nervoso, acolitado pelos seus acompanhantes, fazia telefonemas frenéticos à procura de alguém que aceitasse tão relevante incumbência, mas as negativas sucediam-se...
Quase em desespero o ministro da Defesa Nacional falou com uma amiga de longa data, filha de um oficial da Armada, e lá a conseguiu convencer a aceitar o encargo. A comitiva partiu com duas horas de atraso, mas voltou a tempo de o ministro da Defesa nacional chegar ao Palácio da Ajuda para a tomada de posse, apenas para saber que o seu colega de coligação (P.S.D.) tinha resolvido ficar com o cargo. A comadres lá se entenderam e foi foi assim que a Dr.ª Teresa Caeiro, da Secretaria de Estado da Defesa foi parar à Secretaria de Estado da Cultura! Uns «todo-terreno» estes políticos...
Este episódio ilustra bem a irresponsabilidade, a cirncunstancialidade e a falta de sentido de Estado com que os partidos políticos actuam e funcionam.»
Brandão Ferreira (Tenente-Coronel), «Conflitos com o governo», O Diabo, 5/VI/2012.
É nisto que andamos, vai para 40 anos, não tarda.
Equipa feminina de tiro do Liceu Central, Washington, 1922.
Col. da C.ª Nacional de Fotografia (E.U.A.), in Shorpy.
Da debilidade mental
Há dias fustiguei aqui e ali os da Bibliotheca de Arte da Fundação Gulbenkian no Flickr por lhe darem em escre-
ver com erros. Muito a propósito, como parece que enveredaram pela asneira ortográfica em três fotografias do Júlio de Matos, chamei-lhes débeis mentais, nada menos.
Pois vede! Responderam-me em português.
Responderam-me e tiveram tréplica.
Pois parece que surtiu. Cobraram algum juízo, louve-se-lhe a parcial sanidade. Recuperaram uma meritória «activi-
dade» na catalogação, mas foram relpasos neste nocturno. E o caso é que pelo caminho há duas dúzias e meia de boas fotografias com erros de português na legenda que não abonam à higiene.
J.C. Alvarez, Rua Augusta [1947].
Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..
Adenda: os da Bibliotheca d' Arte da Fundação Gulbenkian interditaram-me todo e qualquer comentário na sua galeria do Flickr.
Da esperteza artificial
Programei os alertas do Guglo para ir recebendo no correio electrónico novas do maldito «acordo». Mistura-se tudo. Ontem, por via do «acordo» deram-me notícias de fanchonos.
De: Alertas do Google
Data: 6 de Junho de 2012 13:50:15 [OESTE]
Para: Bic Laranja
Assunto: Alerta do Google - ortográfico
=== Notícias - 10 resultados novos para [ortográfico] ===
Homossexuais: Homens casam mais, mas número de casamentos baixou
Jornal de Notícias
... muitos anos e já não acreditavam que algum dia iriam viver esta
mudança e, por isso, quando passou a ser permitido o casamento em
Portugal, "casaram-se", explicou João Paulo. Este texto da agência Lusa
foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
Veja todos os artigos sobre este assunto &c.
(...)
Seguiam-se excertos de nove notícias disto ou daquilo porque o «texto da agência Lusa Brasílica «foi escrito ao abrigo do» &c.
Enfim!... Costuma dizer-se que uma desgraça nunca vem só. É verdade. É verdade...
Grande loja do tio Pedro – (c) 2004
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Por maior clareza...
... Vou passar a pôr acento grave em «sòmente»...
Não sòmente. Vou passar a pô-lo também no «pèzinho». E no «chapèuzinho».
...
Chapèuzinho em «pôr» já punha, que senão era «por».
(Calligraphia da Quarta República.)
terça-feira, 5 de junho de 2012
Em torno dos livros
Não comprava livros de edição recente fazia tempo. Há dias catava uma «Vida Ignorada de Camões» em livrarias online da moda (i.e. abrasileiradas). Lembrou-me de juntar à encomenda os volumes XVII e XVIII da História de Portugal do Prof. Veríssimo Serrão (Editorial Verbo, 2008-2010). Tinha-os em falta. Foi neste vogar bibliómano que me acabou nas mãos o do embaixador... de Jesus (José Duarte, tive agora de ir ver; tenho esta péssima memória para os autores modernos); quando fui pela encomenda à livraria lá estava o Salazar a vender... E, enfim, ele vende, eu compro.
Tornando à História do Prof. Veríssimo Serrão, aconselho. — Já aqueloutra de José Mattoso aconselho menos, especialmente o intragável volume quarto, coordenado pelo Hespanha: teoria do poder no Antigo Regime a rodos; História que se consiga aprender, nem vê-la. Tudo pela módica metade do peso de qualquer dos outros tomos da obra. E que contraste com o formidável volume sexto, A Segunda Fundação, de lavra inteirinha de Rui Ramos.
A História do Prof. Serrão aconselho. Agora mais porque (eis o mundo em que vamos) a Verbo foi comprada por um grupo livreiro qualquer e pôs esta História de Portugal em saldo; menos de três contos de réis cada volume. Mencionei-o sugestivamente ao livreiro: — «Os últimos destes que comprei custaram-me mais do dobro...» — A resposta foi de um grupo tomou a Verbo; «cheira» que lhe quere revolver por o catálogo e livrar-se do «armazém». Ganhei eu e ganha o benévolo leitor que procure completar esta História de Portugal. Saiba porém — se não procura a obra completa — que cada volume vale por si. E conta a nossa História recente como ninguém o ousa actualmente fazer. Ora oiça o autor no prefácio do vol. XVIII (1960-1968):
[...] No drama profundo que avassalou a vida portuguesa entre 1960 e 1974, uma pergunta fará sentido: houve ou não portugueses que aceitaram a autonomia imediata das províncias ultramarinas? Quando se tem presente que os republicanos de formação democrática se puseram ao lado do regime vigente em defesa do Ultramar português, talvez se compreenda melhor a génese do problema ultramarino. Porque as possessões de além-mar faziam parte de um Portugal disseminado pelos quatro cantos do mundo. Nessas longínquas parcelas viviam portugueses de alma e coração e já a I República entrara na Grande Guerra para defender o que considerava pedaços distantes do Portugal europeu. Como poderiam democratas impolutos como o general Norton de Matos, o Dr. Jaime Cortesão, o Engenheiro Cunha Leal e outros que já haviam fechado os olhos, aceitar que as terras de África e do Oriente deixassem de ser portuguesas?
As «campanhas de pacificação», a que os políticos e ideólogos de formação marxista continuam a apelidar de «gerras coloniais», careciam de ser vistas numa perspectiva absolutamente portuguesa. Apenas se pode negociar com os nossos adversários quando a sorte das armas nos coloca na posição de quem possui interesses nacionais a defender. Quanto mais não seja, o sentimento pátrio que qualquer nação forja por sustentar tem uma forte raiz cultural de que um povo consciente nunca prescinde. A concepção neocolonialista que então se gerou contra Portugal deformou a visão da História que cada nação considera um ser próprio fundado nas raízes do passado. Como se Portugal não tivesse o direito a orientar a sua política externa no sentido mais adequado ao seu passado ultramarino!
Que imensa tristeza nos provoca a leitura das Quase Memórias do Dr. António de Almeida Santos (Volumes I-II, Lisboa, 2006), onde se critica a II República por não ter aceite o p processo das independências coloniais. Um advogado de superior craveira põe-se a historiar o passado sem atributos para o fazer, e o resultado fica bem à vista. São lugares-comuns e juízos sem prova, até com o desplante de rebaixar um mestre da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, ousando revelar conversas privadas e o «diz-se» de versões deturpadas. Como é fraco o talento de um abalizado causídico que, em vez de se quedar para sempre em Moçambique, onde lhe estaria reservada a presidência da nova República, voltou á metrópole com os proventos amealhados numa conspiração consentida. E que hoje recolhe as frustrações de quem não soube fazer uma carreira política nesta metrópole onde praticamente ninguém deu pelo seu regresso!»
*
* *
Se um historiador que sabe e não arredonda adjectivos para nos contar a verdade não é um grande historiador, não sei quem no possa ser.
(Imagem da Livraria Bulhosa.)
domingo, 3 de junho de 2012
«A Guerra Secreta...» de José Duarte de Jesus
Autor.

José Duarte de Jesus, embaixador. Demitido do M.N.E. em 1965, convidado pelo ministro Franco Nogueira a deixar Portugal em 24 horas quando se soube que andara em conversas com Eduardo Mondlane da FRELIMO. Reintegrado no corpo diplomático ao depois em 1974.
«A Guerra Secreta de Salazar em África» (Dom Quixote, 2012).
Longa introdução (metade do livro). O A. ferra os E.U.A. com a primazia («pecado original») no recrutamento de elementos do Eixo e de Vichy como agentes anti-subversivos para contenção do comunismo no Ocidente após a II Grande Guerra. Vai-nos dando ali conta da rede e organizações criadas por estes elementos com esse fito, nomeadamente duma Organisation Armée Secret, suas ramificações e excrescências; enfoque na Aginter cuja actividade em Portugal e Ultramar visa ser o principal do livro.
O livro só faz jus ao título (com o nome de Salazar a promover a venda...) a partir do meio (pág. 127). Daqui em deante, revela-nos o trabalho dos agentes da Aginter fomentado por Portugal (por intermédio da P.I.D.E., ministérios da Defesa e dos Estrangeiros) e motivado pela estratégia da defesa do Ultramar, desde operações de apoio ao Congo Belga, fomento da contra-revolução no Congo-Brazzaville (apoio ao abade Youlu), operações de contra-subversão sobre os terroristas de Angola, U.P.A./F.N.L.A e M.P.L.A.. Aventa ainda o A. a intervenção (incerta) da Aginter no Biafra e outro tanto nos golpes de 11 de Março e na acção da Frente de Libertação dos Açores em 1975.
Das operações relatadas dou-me conta (o A. não o refere) da extensa projecção da acção geopolítica de Portugal antes de 1974 -- bem além das nossas fronteiras ultramarinas. Por contraste, o ruir de Portugal na voragem demencial de 1975, em que o 11 de Março dá plena imagem dum Estado à nora e sem cadeia de de comando -- ali, até Holden Roberto e a F.N.L.A. aparecem como co-adjuvantes contra-revolucionários (Alpoim Calvão). A intentona da secessão dos Açores (cuja independência foi negada «a priori» porque são habitados por gente branca) demonstra a volatilização de Portugal com o 25 de Abril, que podia ter sido ainda mais mais completa. Os Açores mantêm-se até hoje, sim, mas como parte de um todo que há muito se finou.
A quem o queira ler, a escrita é escorreita. O português é salpicado de barbarismos («intelligence» -- quando não «inteligência» -- por «informações» ou «serviço secreto»; um absurdo «deal» por «trato»). A ortografia é a portuguesa a pedido do autor (ao que isto havia de chegar!...) mas ainda se lhe cata uma «arquitetura» danada a páginas tantas. Outros erros tipográficos ou de revisão... -- O benévolo leitor que me ature esta publicidade gratuita, mas não tenha paciência para o livro pode em alternativa entreter-se com a publicidade que o «Público» lhe fez há dias.
sábado, 2 de junho de 2012
Arquitetas
A Biblioteca de Arte da F.C.G. no Flickr tem lá agora duas ou três do Júlio de Matos que, diz, é dos «arquitetos» Leonel Gaia e Carlos Chambers Ramos. Valha-nos que não foi risco de arquitetas, senão tinha saído uma fábrica da U.C.A.L..
Arquitetas, Campo Grande, 2009.
Adenda
Arquitetinas e biberões Pyrex, Instituto Pasteur, [s.d.]
Estúdio de Mário de Novais, in Bibliotheca de Arte da F.C.G..
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Desdobramentos
« No dia 1 de Junho de 1970 (segunda-feira) os desdobramentos da carreira 40 para o Centro Sul [Almada] passam a circular com o número 54.»
C. Filipe, A minha página Carris.
Praça de Londres, Lisboa, c. 1969.
Artur Pastor, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..