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domingo, 31 de agosto de 2008

Esta vida de turista! (epílogo)

 O postal remetido sem selo (v. Correio) chegou sem multa ao destino oito dias depois, com carimbo do posto de correio de 8/7/2008. Honra aos C.T.T..



Praia da Falésia - Algarve - Portugal.
(c) Ilustral, Refª 194.
Postal circulado sem selo dos Olhos de Água, Albufeira, para Lisboa em 8/7/2008.

Esta vida de turista! (12/7/2008)

Estábulos destinados a cavalos


 Estábulos destinados a outra espécie senão a cavalos pode ser pouco aceitável. Mas pelo linguajar de azémola, alguns não se perdia nada dormirem lá.



Esta vida de turista! (11/7/2008)

Gente


 São duas as personagens famosas que já topei estas férias. Quando chegámos encarei com a Suzanne Vega. Ontem no restaurante estava a Miss Piggy. São a cara chapada de duas que trabalham lá na...


(Retrato de Miss Piggy a partir do Sapo)


Os patagões do aquecimento noticioso


 A notícia do degelo na Patagónia é de certeza uma consequência da doutrina calorífera agora em voga. Que o próprio degelo o seja já ponho mais dúvidas.


Os patagões e os exames nacionais


 Neste tempo em que qualquer tolice afirmada em UHF, por cabo ou no jornal passa por tese científica ninguém concebe nada com singela facilidade. Se há algo fácil elaboram logo com pompa: é facilitismo. Mas acaba por estar bem: Facilitismo conforma todo um sistema de eduquês, provas de cacaracacá, correcção em banda larga e comentário de especialistas light sobre... 


Hosé Mourinho


 Cada vez que ouço o Mourinho a falar inglês tenho que lembrar-me que ele foi intérprete do sr. Robson. Esforço-me por não me esquecer de me lembrar...


(Imagem daqui...)


Melão


 Quem diz melão diz meloa (prefiro meloa a melão). Ando desiludido com as meloas. Todas as que escolho não prestam. Uma excepção: a primeira que comprámos ao chegar ao Algarve era  uma maravilha! Doce e sumarenta. Conclui à pressa que o que fazia falta era livrarmo-nos da fruta sensaborona dos hipermercados que (parece) vem toda de Espenha.
  Errado! Nem por serem do Algarve as meloas foram melhores. Daquela meloa em diante tornou tudo ao mesmo.  Mas a premissa não a descarto. Em vez dos árabes, as técnicas agrícolas também devem agora vir de Espenha. Daqui o [meu] melão...


(Imagem em Ti@go.spot)


Policiamento de quê?


 O linguajar que ouço na televisão arrepia. Arrepia tanto mais porque espelha a mente dos locutores, especialistas, etc., e esses fazem escola. Por mais que me esforce não concebo policiamento sem haver polícia nos locais a vigiar. Para que dirão agora "de proximidade"?


Cerveja preta


 No restaurante. O rótulo da cerveja que me põem na mesa diz-me fora de contexto - "Estás convocado!" — Tratamento demasiado familiar, este, por tu. Para marketeiros: eu sou «público-alvo» de mais cerimónia. Esta marca não me serve.

Carreira 19, P.Figueira (Theo Neutelings, 1990)
Carreira 19, Praça de Figueira, 1990.
Theo Neutelings, in
world.nycsubway.org.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O romance de Duarte Pacheco

Filomena Marona Beja, "A Cova do Lagarto",



 Tenho sem abrir há dias na mesinha de cabeceira A Cova do Lagarto. O título desgarrado conjuga-se com os parágrafos telegráficos que se espalham em novelo caótico pelas páginas de papel meio pardo. Não ficava mal a coisa feita blogo, mas um livro é mais que a costura das páginas. A extravagância é só aparente porque os cânones da nova ortodoxia fracturante premeiam hoje em dia todo o tipo de absurdo como originalidade artística. Prosa sem fio pode ser entendida assim... Melhora ainda se a autora se refere sempre a Salazar como o Outro, com o 'O' grande, apesar de tudo.

 - Artifício literário, não exageremos! - dir-me-ão.

 Sem dúvida. Se fosse no tempo dele, o Outro, a censura havia de boçalmente riscar a arte, mesmo apesar do 'O' grande. Como é hoje trata a autora de livremente lhe não enunciar o nome. Tomar-lhe a arte literária como censura é que não, claro! (Não fales no diabo...)

 Como do título não se tirava que fosse acerca do engº Duarte Pacheco, o editor - comercialmente muito ortodoxo, pois bem! - colou-lhe já depois de impresso um autocolantezinho redondo dizendo: O romance de Duarte Pacheco.

 Vou agora voltar a ele, passe a publicidade.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A ronda da noite


A ronda da noite, Rembrandt, 1642.
Óleo sobre tela, 363 x 437 cm,
 Rijksmuseum, Amesterdão.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Alarme

 Onda de notícias aumenta o eco dos crimes violentos.


Quiosque, balança e lixo, Rua da Palma, 1976.
F. Gonçalves, in Arquivo fotográfico da C.M.L.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A vida de Brian (*)

 Há quem diga que os porcos dizem barac barac ou algo do género mas o pregão mais ouvido é ao Obama. Se houvesse um contador de pregões ao Obama nos noticiários, Jesus!...
 Há instantes as notícias do Sapo apregoavam o Obama a 9.954 cada pesquisa. Já alguém viu em quanto está o McCain? E no telejornal, ao jantar, vi que o F.B.I. capturou uns bandidos mesmo com caras de mau que planeavam um atentado 'à-boma'...
 É um problema não haver carrinhas da Prosegur na América.



A imprensa favorece Obama, Dailyshow, 24/7/2008.


 




(*) Brian nasceu no genuíno dia de Natal num estábulo ali ao lado. Ele passa a vida a ser confundido com um Messias.

Dos riscos da aeronáutica

 Gostava de ouvir um comentário do sr. ministro Mário Lino sobre o festival aéreo da Red Bull.

Festival aéreo Red Bull (Porto 2007)
Festival aéreo Red Bull, Porto, 2007.
(A imagem é do blogo do João Gonçalves.)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Normal

 O locutor da rádio dizia: - "Porque conseguem melhores resultados os atletas paralímpicos que os ditos normais." - Repetiu várias vezes a arenga dos "ditos normais"; não era ele que afirmava, era alguém, os outros, a sociedade. E ele não tinha outra palavra...
 Este locutor (uma das maiores figuras do Rádio Clube segundo o próprio Rádio Clube) mete-se em sérios apuros. Se o mais comum dos humanos tem por norma dois braços, duas pernas e cinco dedos nas mãos e alguém ao referir-se-lhe não consegue simplesmente designá-lo como... normal, que raio de termo politicamente correcto se haverá de inventar?!...
 Este locutor da rádio - escolhido a dedo - há-de rapidamente conseguir transformar a linguagem no mais completo obstáculo à comunicação.
 Pergunto: será isto dum locutor de rádio dito normal?

'Nonsense'

I read the news today oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall



The Beatles - A Day In Life

domingo, 24 de agosto de 2008

Do ruído e da imagem


(1ª página do Correio da Manhã, hoje.)

Oportunista

Um autêntico ministro (independentemente de ser autêntica ou não a fotografia).




(Imagem oportunamente pescada no 31 da Armada)

sábado, 23 de agosto de 2008

Francisco Mira

 O valente forcado Francisco Mira do grupo de forcados amadores da minha terra levou a cabo há pedaço, em Albufeira, uma magnífica pega. Deu duas voltas de consagração à arena. O público exigiu.



Forcados amadores de Lisboa (foto de João Silva in bandadosamouco.blogspot.com )




Adenda: Francisco Alegre (pasodoble)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Será demais pedir para pagar?

 Disseram da companhia do gás que podia pagar a conta atrasada na loja das máquinas de costura. Pareceu-me bem.
 Uma boa meia hora antes de fechar duas empregadas conversam ao balcão; talvez espantando o tédio da loja às moscas. Com algum fastio, quando digo ao que vou interrompendo-as, respondem-me que pagar o gás é só até às cinco e meia.
 - Bem vejo! O empregado da companhia do gás sai a essa hora - comento.
 - Não. Somos nós que recebemos. Mas esse serviço só o fazemos até às cinco e meia da tarde.
 - Ah! São as senhoras que recebem. E depois dessa hora já não...
 - Depois dessa hora já não.

Três, dois, um, vai arrancar [...]
 o nosso fado
 do coitado, do comido
 Porque é que o país se queixa do que podia ter sido? [...]

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

— Há frut' òò-chicolate!

 Em menino era guloso. Dos bolos fui aprendendo o nome mas dos gelados da minha infância não tive tempo. Desse tempo em que a minha mãe mos comprava comigo apontando: -"Quero um destes!" - tenho uma vaga ideia de que, antes de haver Super Máxis, houve um gelado do género (chocolate e baunilha) que emparelhava com os Laranja e Ananás na forma (cf. 1971) e que depois acabou.
 E ao depois acabaram também aqueles que tinham um copo com um pauzinho para empurrar por baixo.
 E acabaram também com um que emparelhava com o Crispy, com menos amendoim por fora mas com frutinhas por dentro que uma vez - lembra-me - o Ti Nitas me pagou um lá na leitaria.
 E por fim até acabaram com o Crispy.
 E agora - não sei se sou eu, se é essa maluqueira da alimentação saudável que para aí vai - nem o Super Maxi tem já o mesmo sabor que tinha dantes.
 



1971


1972



1973



1974



 Os cartazes (infelizmente ilegíveis) estão nas imagens de marca. Recordou-mos hoje a srª Dª C.C..

A estrada mais perigosa do mundo

E porque não? Tem mais ar de zona de guerra que aqueloutra...

Estrada de Chelas, 97 (Lisboa, 2008)
Estrada de Chelas (antigos 87-97), Lisboa, 2008.

domingo, 17 de agosto de 2008

Domingo à noite...


Tenderly by Ella Fitzgerald on Grooveshark

Rua das Picoas

Rua das Picoas, Lisboa (A.C.Lima, c. 1900)

Rua das Picoas, Lisboa, c. 1900.

Alberto Carlos Lima, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



 Aliás, Rua Engº Vieira da Silva...

 Voltando atrás: Rua das Picoas; na primeira à direita, depois do burro, a Rua Fernão Lopes; seguindo adiante, o cruzamento com a Av. Fontes Pereira de Melo; mais para diante, pelas traseiras do que foi o Colégio Normal de Lisboa (pousa lá hoje o Monumental), alcança-se o último troço (sobrevivente) da dita Rua das Picoas.

 Segue-se ao depois a Rua das Cangalhas...

 Os alfacinhas aqui diante parecem dirigir-se para a Actor Taborda.

Colégio Normal de Lisboa


Colégio Normal de Lisboa, Saldanha, 1938.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

sábado, 16 de agosto de 2008

Rua Engº Vieira da Silva

Rua Engº Vieira da Silva, Lisboa, (A. Serôdio, 1955)



Rua Engº Vieira da Silva, Lisboa, 1955.

Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

A reportagem mais perigosa do mundo

A estrada mais perigosa do mundo Aquele eminente jornalista que os deputados da República acharam necessário ouvir no parlamento para lhes explicar porque subia sem parar o preço do petróleo é o repórter de guerra da R.T.P. na Jórgia (ou Georgia, há quem prefira). Na estrada para Góri, no seu dizer a estrada mais perigosa do mundo, entrevistou dois (perigosos?) camponeses (um que até se chamava Hamlet) e três aldeãs mais um cão sarnoso em... estado de choque.

 Até aprendeu a dizer ponto de controlo em russo (ou jorgiano não vá a coisa parecer tendenciosa): checkpoint.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quase ao virar da data...



 


Vista do Mosteiro da Batalha. Gravura publicada em Londres no mês de Outubro de 1838.

© Blog da Rua Nove

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Frágil



Sting, Fragile

Altos e baixos...

 




 


A-HA, Hunting High and Low


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Museu dos coches

 Mudar o museu dos coches para a esquina do outro lado da rua faz-me lembrar aquele estudante de engenharia que se transferiu duma universidade pública para uma particular (diz-se privada, não é?) porque ficava ali perto, entre outras razões...




Praça Afonso de Albuquerque e Museu Nacional dos Coches, Lisboa, 1940.

Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Aviso aos gatunos

 Diz que havia 4600 prédios devolutos em Lisboa quando ardeu aquele agora em Julho na Avenida. Sei de mais um: o senhorio despejou a polícia porque precisa do palacete para fazer um hotel. Despejar assim a autoridade demonstra bem a força de quem manda. 



Av. João Crisóstomo, 42, Lisboa, 1969.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L. 




(Reposta a imagem em 22/IV/23, perdida que estava logo desde 2008.)

domingo, 10 de agosto de 2008

Para pendurar e pôr ao fumeiro

Chouriços Os do telejornal descobriram que a sr.ª gerente do banco assaltado em Campolide é duma terreola qualquer e foram já lá a correr ao café da terra.



Os chouriços são da sopa de pedra,
in Sótão da Inês. 

sábado, 9 de agosto de 2008

Diário da República ilustrado


Av. da República, cruzamento com a Elias Garcia, Lisboa, 2008
Av. da República, cruz. com a Elias Garcia, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 55, Lisboa, 2008
Av. da República, 55, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 73, Lisboa, 2008
Av. da República, 73, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 77-79, Lisboa, 2008.
Av. da República, 77-79, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 93, Lisboa, 2008
Av. da República, 93, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 95, Lisboa, 2008
Av. da República, 95, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, 97, Lisboa, 2008
Av. da República, 97, Lisboa, 2008.


 



Av. da República, muro da Feira Popular, Lisboa, 2008
Av. da República, muro da Feira Popular, Lisboa, 2008.


 






 No princípio dos anos 80 a série da Balada de Hill Street deu-me uma imagem muito abjecta de Nova Iorque: imunda de graffitti e degradada, habitada como um formigueiro por gente que, depois vista em pormenor, era no mínimo pouco menos que sebosa, vivendo em casas semiarruinadas ou na rua, convivendo em desacatos e zaragatas.
 Vendo melhor, outros filmes ou séries americanos dos anos 70 já davam esta imagem, mas com a Balada de Hill street lembro-me de ter pensado com certo alívio que Lisboa não era assim, pelo menos do centro para as avenidas. A imagem deprimente de edifícios em ruínas no tecido urbano nuclear da cidade, da imundície dos grafitos, das pilhas de lixo em cada esquina, das ruas encardidas, do cheirete a mijo, dos cachos de gente andrajosa deambulando pelas ruas arrastando trastes vasculhados na porcaria dos caixotes, tudo isso, se fosse era a excepção e não a regra. Havia os bairros de lata, bem sei, mas a cidade como um todo não tendia para uma imensa zona J. Pois hoje parece que sim.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Esta vida de turista! (10/7/08)

Engano


Moleskine 


 O novo caderninho foi um engano. A capa mole não facilita nas anotações breves e rápidas; não dá apoio de escrita. Em chegando a Lisboa vou ter de comprar outro. Ao depois vejo o que fazer deste. Entretanto pus cá nele, a abrir, o homem das pastilhas...

 


O homem das pastilhas


Carrinha do homem das pastilhas (Ford 300E) O homem das pastilhas era o pracista das guloseimas que abastecia a mercearia da esquina. Nunca aquele homem de bata cinzenta por cima do fato engravatado deu qualquer coisa à miudagem lá da rua. Uma pastilha que fosse.

  - "Ó vizinho! Dê-nos uma pastilha! Só uma! Dê lá!..." - era a cantilena do Nabo e do irmão. O homem das pastilhas quase sempre ignorava; raramente respondia sequer que não, mas eles persistiam; para o fim era já só o Nabo que se punha naquilo, quando o irmão mais velho se fez rapazola e deixou de parar lá na rua. Nesses tempos mais antigos eu ficava calado atrás; não me rebaixava à pedincha porque o homem nunca dava nada, mas não me afastava, não se desse o caso de o homem perder o tino e acabar por dar alguma coisa. Entretanto ia cismando cá comigo sobre a marca da carrinha antiquada do homem das pastilhas. Não sei porquê ganhei crença que era Opel; todos os carros arredondados de aspecto antiquado que eu via eram Opel. E todos eles ostentavam a marca, o que não era o caso da carrinha do homem das pastilhas. Toda a vez que o homem abalava sem dar nada o Nabo reclamava: - "É sempre o mesmo. Custava-lhe muito dar uma pastilha à gente?!..." - Eu respondia, quem sabe desculpando o homem das pastilhas: - "Ele nem tem dinheiro para uma carrinha mais moderna. Anda naquela Opel tão antiga." Aí o Nabo enervava-se: - "Aquilo não é uma Opel, é uma Ford." - mas eu não acreditava. Não conhecia nenhum Ford com aquele aspecto. Nem a carrinha dizia Ford no capot nem em mais lado nenhum que eu visse. Mas o Nabo tinha razão. Era Ford era. Nabo afinal era eu.


Cultura biológica


 Quando as coisas eram simples a linguagem não precisava ser elaborada. Hoje estamos no ponto das mentiras se dizerem inverdades. Também dantes, os pais perante os filhos eram pura e simplesmente pais; não sendo progenitores diziam-se então pais adoptivos para maior clareza. Era quanto bastava. Agora a clareza é uma madrasta e a Biologia é um prado verde cheio de adubo natural onde os jornalistas pastam. Foi este desenvolvimento sustentável que fez brotar pais biológicos da cabeça daquela gente noticieira.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dos assaltos a bancos

 Quando havia muitas notícias sobre fogos era quase certo que no dia seguinte haveria muitas mais notícias sobre ainda mais fogos. Logo:



  1. É de esperar que aumentem em breve os assaltos a bancos.

  2. É previsível o advento dum crime novo na imprensa: bankjacking.

  3. Comprova-se que presidente-da-câmara-comentador é um emprego de futuro.

     




Imagem em Voz de burro não chega ao céu...

Oxalá não chova

 No gaveto da Casal Ribeiro com a Almirante Barroso veja-se a desgraça. Que gente perdulária esbanja um bem patrimonial assim? Quereis lá ver que a avidez lhe(s) embotou o espírito? - Ora se foi tal, tal não foi de todo: houve um freguês de modos requintados que se deu a trabalhos de remover todas as telhas - oxalá não chova! - Vede lá que foi trabalho imbricado: para quê não sei dizer; se foi o dono, zelou melhor pelas telhas que pelas casas; se não... Melhor é havermos cuidado com beatas mal apagadas...


Av. Casal Ribeiro, 1 (Lisboa, 2008)

Av. Casal Ribeiro, nº 1, Lisboa, 2008.



 Ora pois, afinal de contas, se a mesquinhez foi requintada ao nível do telhado (talvez almejando a estética muito superior do mamarracho que se vê à direita), ao nível térreo é um chiqueiro o que todos podem ver: as janelas entaipadas a tijolo e cimento servem a um besuntado festival de cartazes; o gradeamento (pro)posto pela Câmara(?) para salvar os peões dalguma desafortunada derrocada atira-os para o meio da estrada; e ao depois a sinalização de trânsito por ali semeada pouco mais é que publicidade ao Código da Estrada, a que muitos ao fim e ao cabo pouco prestam atenção. Tal como ninguém liga a que neste pardieiro à beira da ruína tenha morado Fernando Pessoa.

 Dramática mensagem esta, a que até o Neptuno volta as costas. Mas, enfim, ele é de pedra...


Quando ainda podia chover


Estefânia, Lisboa (Tele Atlas/Google Maps 2008)

Vista de satélite da Estefânia, Lisboa, onde se assinala a casa onde morou Fernando Pessoa ainda com telhado. A imagem deve ter sido colhida antes de Outubro 2007.


(Tele Atlas/Google Maps)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela

Há perto de 70 anos o governo inclinava-se para a Portela. Resta saber para que lado estava o fotógrafo virado.


Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela  (E.Portugal, c. 1940)

Panorâmica do terreno para o aeroporto da Portela, Lisboa, c. 1940.

Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Prédio para demolir

Prédio para demolir lê-se na legenda do Arquivo Fotográfico da C.M.L. A fotografia é de Arnaldo Madureira, sem data, mas certamente dos anos sessenta. Estranhamente - e com rara felicidade, a meu ver - o prédio mantém-se de pé. Não sei quem lá viveu nem a quem pertence. Penso se não era casa duma só família. Na porta de entrada há um único puxador de campaínha, em cobre, que mecanicamente accionava, talvez, uma sineta. O piso nobre tem varandas em ferro forjado, uma de sacada, e todas as portas têm dintéis rematados com um friso decorativo de belo efeito, bordando cortinas. Não sei como seja por dentro nem os trabalhados artistícos que ainda guarda.
 Um imóvel burguês destas características, loja, andar nobre e água furtada, era comum na Lisboa de 1900 e compunha muito bem a cidade; hoje é extravagância inusitada - que não devia ser assim, pois que nem é questão de gosto (ou a sua falta). É a costumeira ganância que sempre devora o património.
 Desde esta fotografia aguentou-se bem, talvez graças à loja. Há tempo a loja fechou; logo depois um cartaz de autorização de obras foi devidamente posto na varanda. Obras que adivinho sejam de demolição e cujo único acto que me apercebi até agora foi o abrir subtil duma janela da varanda. E deixá-la depois ficar assim...
 É na Rua Rebelo da Silva, nº 1, faz esquina com a Pascoal de Melo. Mas podia ser outro noutro lado da cidade, pois esta Lisboa... é como anda...



Prédio para demolir, Lisboa, [s.d.].
Arnaldo Madureira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

(Ajeitado às 9h00 da noite.)

domingo, 3 de agosto de 2008

O home Jaquim

 Ele há agora um home Jaquim assaltando casas. Calhando é o mesmo que os jornalistas chamam 'cara' Jaquim e que tem andado roubando automóveis de gente grada.  Nã deve ser de cá, esse tal home Jaquim, pois...

 Ou ao invés - pensando melhor - já cá andaria quando o Geraldo Geraldes tomou de assalto o castelo de Évora.


 


História de Portugal, A.P.R., 1953 História de Portugal (pág. do álbum)



  E, calhando mesmo, os jornalistas medievais devem até ter noticiado todos os assaltos a castelos durante a Reconquista como castlejacking.




A caderneta de cromos da História de Portugal é da tabacaria.

sábado, 2 de agosto de 2008

Reabilitação da zona ribeirinha

A razão de ser de um megaprojecto alfacinha completamente explicada aqui.

A «garçonnière» lúbrica do sr. administrador, Lisboa, [s.d.].

Publicada por Lisboa S.O.S. em 26/7/2008.