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sábado, 30 de junho de 2007

Algarve, 1991

Falésia, Algarve © 1991
Praia da Falésia, Algarve, 1991.

De saída...


Joe Jackson - Steppin' Out

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Bruce Hornsby


Bruce Hornsby – The Way It Is

Quadro

Placar (do Fr. placard) é galicismo pouco recomendável; se for de corticite podem surgir problemas de rolha.
Podia sempre dizer-se quadro...

 Permite pôr e dispor funcionários.

Quinta do Caldas

 A Av. Cidade do Porto onde quem sobe do Relógio começa a descer para a Av. de Berlim.
 Em tempo — vai ali um guarda republicano —, antes de fazerem a 2.ª Circular e os Bombeiros da Encarnação, deste lugar avistava-se o velho solar da Quinta do Caldas. Tinha capela e era um pouco a N donde hoje está o viaduto sobre a Av. de Berlim, exactamente onde quem vem do N pela 2.ª Circular toma o desvio para a gare de chegadas do aeroporto. O limite poente dessa quinta do Caldas era a estrada de Sacavém (sensivelmente onde hoje corre a Rua C do aeroporto de Lisboa) que mal se percebe na fotografia, mais à esquerda, a confluir com a Av. Cidade do Porto lá ao longe, com um arvoredo de permeio. Para o solar descia uma Azinhaga do Lavadinho desde a estrada de Sacavém, perto do palácio Benagazil (Quinta do Policarpo) que ainda hoje existe. As terras do Caldas estendiam-se para nascente até ao fundo da Av. de Berlim e para sul até ao Relógio.
 Para maior clareza fica a faltar o mapa.

Av. Cidade do Porto, Lisboa (E. Portugal, 1941)
Av. Cidade do Porto; saída de Lisboa pela Encarnação, Lisboa, 1941.
Fotografia: [Eduardo Portugal], in Arquivo fotográfico da C.M.L.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Tempo jornalístico e modelos climáticos

 Abriram a época balnear e nada; abriram a época dos incêndios e nada. Isto quando já tinham preparado o Verão para ser o mais quente de todos os tempos. Nada.
 Hoje [ontem] foram buscar o meteorologista; perguntaram-lhe pelo clima, que em pé de página garantiam estar a mudar. - Pudera não! Se empolam e vergam qualquer fenómeno meteorológico atípico até provar a teoria que pregam...
 Dantes se havia chuvadas em Junho ali, ou acolá fazia mais calor que a conta isso era notícia, sim, mas não havia jornalistas-apocalipse logo dizendo: - Eis a prova! O clima está a mudar!
 Está a mudar? O meteorologista puxou dos galões - que para explicar teria de usar linguagem científica - disse. Repetiu então três vezes a palavra 'posicionamento' para pôr o anticiclone nos Açores. Mas o jornalista é que sabia: o calor - o Verão mais quente desde o princípio dos tempos - é a partir de terça-feira.
 O meteorologista aí hesitou. - É muito difícil prever (prognosticar foi o termo) com tantos dias de antecedência...
 Ora?! Então e o modelo de aquecimento global para 100 anos...?

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Portela de Sacavém

 Portela: mais um documento para a história do local do aeroporto de Lisboa. Um solar em ruínas que podia bem ser em Alcochete, no Poceirão, no Rio Frio ou na Ota. Talvez venha a fazer-se um estudo sobre a localização exacta desta velha casa.

Solar em ruínas, Portela (E.Portugal, s.d.)
Portela de Sacavém; solar em ruínas, Lisboa, c. 1940.
Fotografia: [Eduardo Portugal], in Arquivo fotográfico da C.M.L..

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Postais de Lisboa

Avenidas novíssimas: Alvalade, Av. de Roma, Areeiro...




Postais: António Passaporte: Lisboa, anos 50. Do Arquivo Fotográfico da C.M.L.




Música: Nat "King" Cole - Pretend

(Revisto em 16/VI/13 e em 26/III/24.)

sábado, 23 de junho de 2007

O Desafio

 Verão. Férias grandes, meia dúzia de putos, uma bola de borracha Futebol 3 e uma rua de poucos carros. O desafio ia ser contra os da rua de cima: 5 contra 5.
 O puto pediu para jogar. Era o mais miúdo de todos; entrara para a escola naquele ano e os outros iam já na 3.ª ou 4.ª classe. Os maiorezinhos iam mais adiantados que isso; já nem andavam na escola da Câmara. Também nenhum deles queria jogar à baliza.
 E o puto pedindo para jogar.
 — Pomos o puto à baliza e jogamos todos à frente — disse o Beto, que era manhoso.
 O Rui, o mais velho, procurou aos da rua de cima se tinham mais um para jogar – tinham — e disse ao puto para ir para a baliza.
 Quando o desafio começou lá na rua houve alguns na leitaria (*) que vieram com cadeiras e mesas pôr-se no passeio feito esplanada. Aparelharam-na com imperiais e pires de caracóis e incentivavam o jogo aos gaiatos. O puto era arrojado: lançava-se aos pés dos da rua de cima e defendia todas as avançadas deles; roubava-lhes a bola dos pés. Jogando na rua aprendera rudimentos das defesas; depois admirava o Damas: tentava imitá-lo, como os cachopos fazem aos ídolos da bola, pouco importando o campo ali ser de alcatrão e não de relva.
 O jogo era dos que muda aos 5 para acabar aos 10 e neste as defesas do puto enervavam os da rua de cima, que iam começando a perder.
 — Não vão a fintar até à baliza, pá! — diziam entre eles — Não vêm que o puto assim defende tudo! Chutem mas é de longe, pá!
 Na segunda parte os da rua de cima passaram só a chutar de longe. Mas o puto defendia tudo à mesma; com grandes defesas. E como agora a baliza era a em frente à leitaria, ouvia de lá incentivos e aplausos entre caracóis e imperiais.
 — Grande defesa, puto! — Boa! Todo no ar; pareces o Damas, pá! — E o puto animava-se.
 O desafio já ia nos 9-3 quando houve um penálti contra os daquela rua. Veio o Filipe, o maior da rua de cima para marcar... Saiu uma bujarda mas o puto, numa defesa em voo, defendeu.
 — Olha o puto defendeu o penálti! — ouviu-se alto lá da leitaria.
 O atónito Filipe, tal era o desânimo, nem foi à recarga.
 — Poça! Até o penálti o puto defende — disse acabrunhado para os seus que lhe criticavam o desacerto.
 Nisto o Beto, que era manhoso, apanha a bola que o puto não encaixara à primeira – Deixa! Deixa a bola! — e corre para a outra baliza com os outros ainda surpreendidos; finta o guarda-redes e marca golo. — Ganhámos! — gritou. Gritaram todos. — Ganhámos! Ganhámos!
 Os da rua de cima eram mais fortes e ganhavam muitas vezes. Naquela tarde não. Quando já lá iam subindo a rampa do Galego ainda alguém lhes atirou. — Querem jogar outro desafio?!...


B102121.jpg
Guarda-redes Damas rodeado de miúdos, Estádio Nacional, 1974.
Fotografia: Amadeu Ferrari, in Câmara Municipal de Lisboa, Uma Cidade de Futebol. Lisboa, Arquivo Fotográfico Municipal e Assírio & Alvim, 2004.




(*) A leitaria era mais um café ou um tasco, vulgo snack-bar, mas os crescidos naquela rua sempre diziam leitaria; com os mais novos passou a usar-se o nome comercial que a leitaria ostentava no toldo, nome que se pegou em alcunha ao fulano da leitaria, mesmo depois de ele a ter trespassado.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

"Meme"

 O sexólogo dizia na antiga Emissora Nacional ontem de manhã que já não aguenta ouvir a palavra 'proactivo'. Eu digo o mesmo; até porque não na encontro nos dicionários que tenho à mão. Todavia qualquer glossário da Deloitte há com certeza de exibir orgulhosamente tão repugnante anglicismo. Vaticino inclusivamente que figure em todos os glossários de todas as deloittes logo a seguir aos insuportáveis vocábulos 'implementar' e 'mudança'.
 E o mais que posso dizer é que se o consultor glossarista tivesse sido proactivo prognosticado este meu escrito teria com natural proficiência incluído no tal glossário os vocábulos prognose, conjectura, predição, profecia, e porque não também presságio, premonição, prenúncio, agoiro e por aí diante; isto em vez de transliterar barbarismos.
 Sobre 'memes', a literatura que consultei não manda entregá-los a ninguém. Ainda assim, os primeiros cinco deloittes que por aqui passarem recebam a estafeta. Se lhes aprouver.




Notícia de Torto,
IAN/TT, Mosteiro do Vairão, mç. 2, doc. 40,
315×170mm


quarta-feira, 20 de junho de 2007

Centieira

 Perco-me eu neste blogo muitas vezes por essas velhas estradas do termo de Lisboa. Esta não conhecia. E assim sendo, num dos nossos habituais almoços há tempo procurei ao meu prezado amigo S. da Portela pela Estrada da Centieira. A conversa não teve grande sequência, mas ele conhecia-a.
 Já que nestes dias me disse ele que havia de visitar aqui o blogo deixa-me cá pôr a dita estrada que é para o melhor receber. Calha bem que vá ali uma carrada de cortiça porque o meu bom amigo sabe de sobreiros (salvo seja!).





Passagem de Nivel da Centieira, Olivais, 1940. 
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L. 

(Revisto em 4/V/24.)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ironia dos privados

 Privados é um nome muito na moda. Assim mesmo no plural. Julgo que é como dizer prontos...
 Ora bem, há também agora aí outra moda chamada privatizar. Parece coisa muito janota e moderna, mas quem conheça a História sabe que é prato requentado da Revolução Liberal: isto que se diz privatizar é tão só vender os bens nacionais. A particulares, não a privados, entendei. Sim porque se privada é a propriedade desses bens quando hábeis governantes os vendem, os compradores, esses designam-se particulares.
 E então os privados?
 Ora privados é uma condição. É a condição geral daqueles que pagam a conta do saneamento de empresas públicas quando qualquer governante as vende. Ficam, já se vê, privados, i.e. desprovidos, das empresas e da renda do que investiram em sanear. Depois, se for preciso, compram-lhes bens ou serviços, às ditas empresas. É parecido com a R.T.P. haver vendido os transmissores que eram seus à Companhia dos telefones. Agora aluga-lhos. O produto da venda ainda pagou o aluguer nos primeiros tempos...
 Ontem diziam nas notícias que o governo vai vender a antiga J.A.E.. Acho inteligente. Acho que foi também um governante inteligente quem vendeu o vento dessas serranias ermas às ventoinhas da Mercedes. Mas queira Deus que os governantes - mesmo os inteligentes - ainda tenham amigos particulares quando não houver bens nacionais para vender; porque aí os privados de bens nacionais já não poderão fazer nada por eles.

E.N. 3-2, Valada © 2007
Campo de Valada, 2007.

domingo, 17 de junho de 2007

Artistas de casino

Vi escrito algures pelo João Marchante que um dos prazeres dum blogo é mudar de assunto quando apetece. O assunto é... É o que está no título, pois claro.



Tom Jones - It's Not Unusual

Sol

 - O Sol só nasce ao sábado. Pelo menos aqui.
 Ri-me. Compro tantas vezes o jornal que desconhecia o dia do Sol. Não admira a resposta bem humorada do jornaleiro quando procurei o semanário na sexta-feira passada. A chuvada de ontem não descobriu o Sol. Mas hoje, com o dia ainda murcho, lá despontou.
 Em boa verdade não era o Sol, era o Álbum de Memórias do professor Saraiva que eu queria.
J.H.Saraiva, «Álbum de Memórias»

sábado, 16 de junho de 2007

Nível

 Se o nível do notíciário resvala sem remédio da publicidade para a sarjeta, o nível dos agentes políticos é inacreditável. Ouço espantado que um dos benfeitores do C.D.S.-P.P. é uma anedota boçal chamada Jacinto...

 L. do Caldas, Lisboa (s.n., s.d.)

[Tristemente, parece tudo somado até fazer sentido.]




A fotografia do L. do Caldas é do espólio de Eduardo Portugal do Arquivo Fotográfico da C.M.L..

S.I.C. Notícias

 O irmão do candidato Costa à C.M.L.. - disseram-me que são irmãos - dizia ali na sua televisão que é difícil imaginar a SIC Notícias sem o Imagens de Marca. E reforçou.
 - Obviamente a SIC Notícias é um canal de notícias.
 
 Conheci em tempos na Azinhaga do Ribatejo uma fábrica de tomate chamada S.I.C.: Sociedade Industrial de Concentrados.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

MCMLXXXVII

 Em MCMLXXXVII o meu irmão apareceu com um walkman; logo ele que nem ligava a música. Era porreirinho, aquilo: tinha telefonia, gravava cassetes e podia ouvir-se sem auscultadores porque tinha um altavoz altifalante incorporado. A minha cunhada também tinha um igual.
 Com dinheiro dum curso da C.E.E. que frequentava no largo da Abegoaria fui logo comprar um para mim. O curso durou o Verão todo; eu ia e vinha de lá com música nos auscultadores — só no Metro é que não podia ouvir por causa do barulho que aquilo faz. Com isto o meu ano de MCMLXXXVII ficou cheio de cantigas. Tantas que mais tarde gravei uma cassete C90 e chamei-lhe MCMLXXXVII em números romanos. E pus lá esta que é das que me encheram o Verão.



Crowded House - Don't Dream It's Over


[Também se deu o caso do meu irmão saber que eu já tinha carta e ter ido a correr tirar...]

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Santo António de Lisboa

Procissão de Santo António, Lisboa (E.Gageiro, 1966)

Vislumbre

Dois quarteirões na Av. da República diante do Campo Pequeno...

Obras do Metropolitano, Lisboa (J.Benoliel, 1955-59)
Obras do Metropolitano, Av. da República, 1955-59.
Fotografia: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Avenida a baixo

Av. da Liberdade, Lisboa (Garcia Nunes, 1959)
Av. da Liberdade junto à Rua do Salitre, Lisboa, 1959.
Fotografia: Garcia Nunes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Da Rua do Blogo ao Pátio das Cantigas

Descendo a Rua do Blogo, a ginjinha foi no que deu...



domingo, 10 de junho de 2007

Rua do blogo

 Certa vez um fulano comprou um sela na feira do cavalo; um amigo que ia com ele quis saber para que diabo queria ele uma sela se não tinha cavalos.
- Pois não vês tu! Agora que tenho sela, já posso ter um - respondeu.
Rua do Blogo © Manuel 2007

Saiba a Câmara Municipal que já pode dedicar uma rua a este blogo.


Placa topinímica laboriosa e gentilmente oferecida por Manuel.

sábado, 9 de junho de 2007

A bola

 Quando era menino ligava alguma coisa à bola. Os jogos eram sobretudo ao domingo e o meu pai não costumava falhar o Sporting no estádio de Alvalade. Certa vez que houve um Sporting-Benfica, ainda jogava o Eusébio, o Sporting perdeu por 5 a 3. Creio que é o mais antigo Sporting-Benfica que me recordo ter tido notícia do resultado. A minha mãe ouviu dizer na rádio e só comentou: –— O pai há-de vir lá pior que estragado.
 Fiquei algo desanimado; mais por o meu pai haver de vir triste que por o Sporting ter perdido. Quando ele chegou corri para ele. — Pai, o Sporting perdeu!...
 — Pois foi filho; mas não faz mal, ganha para a próxima – disse. Como me não mostrou tristeza nem desânimo eu senti-me aliviado.

 Taça de Portugal, Jamor (A.Ferrari, 1974)
 O Sporting ao depois foi campeão nesse ano e veio a jogar a final da Taça de Portugal também com o Benfica. O meu pai, que não era habitual ir à bola sem ser em Alvalade, comprou um bilhete e foi ao Estádio Nacional. Foi de comboio. Eu recorda-me que o jogo ia dar na televisão e que em vez de ir brincar fui ver. É o mais antigo Sporting-Benfica que vi. Estava ansioso porque sabia que o Benfica era forte e podia ganhar, e que isso entristeceria o meu pai. No intervalo o Benfica estava a ganhar 1 a 0, mas na 2.ª parte o Sporting veio com mais força e eu pensei com ingenuidade que o Sporting guardara as forças para 2.ª parte. E foi isso mesmo que fui dizer à minha mãe no fim quando o Sporting ganhou a Taça de Portugal por 2 a 1.
 E ao depois repeti-o contente ao meu pai quando ele chegou.
 Foi no dia 9 10 de Junho de 1974.




Fotografia: Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Pare, escute, olhe!

Um comboio pode esconder o outro.
Ou furacões podem esconder seguradoras.
Ou livros da escola podem esconder publicidade.
Ou...

Comboio de Chelas, Lisboa © 2007
Comboio de Chelas, Lisboa, 2007.

Ou aquela ponte parece mais pequena vista daqui.
E ficamos por aqui!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Germinação


Marcovaldo


 Um dia, à faixa do canteiro de uma avenida citadina foi parar sabe-se lá como, uma rajada de esporos de que vieram a germinar cogumelos. Ninguém deu por isso senão o servente Marcovaldo que todas as manhãs apanhava ali mesmo o eléctrico.

 Marcovaldo, Italo Calvino, apud Ana de Amsterdam, 4/6/2007.




Avenida Fontes Pereira de Melo




Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa (P.Guedes, c.19...)
Fotografia de Paulo Guedes, Lisboa, c. 1901-1910.
In Joaquim Vieira, Portugal século XX: crónica em imagens, v. 1,
1ª ed., [Lisboa], Círculo de Leitores, imp. 1999.





Pagode


Pagode, Lisboa © 2007
Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa, 2007.


Termo de comparação

Ele há umas outras melhores deste lugar... Mas para comparar esta agora é bastante.

Marquês de Pombal, Lisboa (J.Benoliel, s.d.]
Monumento ao Marquês de Pombal, Lisboa, [s.d.].
Fotografia: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

terça-feira, 5 de junho de 2007

A envolvente

Depois da inauguração do túnel da Rotunda recebi esta mensagem da prezada leitora Isabel.

 Olá Caro Bic,

 Vinha fazer-lhe um desafio e pedir-lhe uma opinião. Quando tiver tempo, leve a sua máquina fotográfica [...] ao Marquês de Pombal, na entrada para o túnel do lado da Fontes Pereira de Melo. O vereador dos espaços verdinhos anda a falar da envolvente, dos jacarandás mas o que eu vejo não é isso. O que vi foi o desaparecimento visual de uma praça, da visão de conjunto, substituida por barreiras e obstáculos. Tudo muito jeitoso para os carros [...] Se quer que lhe diga, aquilo é um pesadelo. Mas é a minha opinião. Depois dá-nos a sua? Conhece a cidade e para mim isso é importante. Até agora não ouvi ninguém falar da envolvente. Desconfio que estou de má fé.
 :)
 Obrigada,
 Isabel

 Enviado por ISABEL em 25/04/07 às 10:04 PM


Preâmbulo:


Boca do túnel, Lisboa © 2007


Resposta:


 Prezada Isabel,
 Honra-me o desafio que me faz e o interesse em saber o que penso. Oxalá me perdoe tanta demora e tão desinspirada resposta.
 O que me ocorre advém do que objectivamente vejo no início da Av. Fontes Pereira de Melo: duas embocaduras do túnel e quase 300m de alcatrão repartido por dez faixas de rodagem separadas por muros e frades, bordejadas longitudinalmente por dois passeios, e encimadas por duas passadeiras: uma em chegando à Rotunda e outra - a seguinte na avenida - acima do entroncamento com a António Augusto de Aguiar. À roda há um pedaço ajardinado do Parque e vários mamarrachos - deitam sombra à avenida mas encobrem-lhe o castelo e o Tejo.
 Para os automobilistas que se não atrapalhem com tanta largueza de vias a obra está muito bem: cinco faixas em cada sentido numa avenida é um luxo. Para os que jornadeiem por ali a pé assiste-lhes porém maior estreiteza; no lado do Parque o passeio é para magrinhos; há sitios onde só cabe o candeeiro, que, claro, nunca se desvia; desvia-se o peão. Mas que importa. Quem mais anda ali a pé são turistas; não dão votos.
 Mas adiante.
 Prossigamos nos obstáculos que fragmentam a vista da Rotunda: este lugar na Fontes Pereira de Melo está [ainda] livre dos grandes cartazes de publicidade - os edis cá nisso agora foram prudentes. Menos mal. A sinalização de trânsito tapa a vista, sim senhora, mas a obra ali acabada é tão superior a uma auto-estrada que quase se consegue desculpar. Deixando a ironia, a verdade é que acima da Sidónio Pais, em qualquer dos passeios, o vislumbre da Rotunda é prejudicado pelo diverso... mobiliário urbano, como agora se diz, e pelo permanente trânsito de carros...
 As imagens que aqui ficam valem o que valem; quem queira passear por ali e apreciar a cidade do futuro deve fazê-lo de popó: uma voltinha para lá, uma voltinha para cá e ele obtém-se os melhores ângulos para apreciar as vistas desde a moleza dos engarrafamentos. Fazê-lo a pé pelo meio da avenida também podia... Dá mais amplos panoramas mas - mesmo ao domingo de manhã - desaconselho. Os carros são como flechas apontadas a nós.


Rotunda © 2007 Av. de Fontes Pereira de Melo, Lisboa © 2007 Rotunda © 2007

 Pois bem! Do que digo acima o crédito é certamente do vereador ou vereadora do trânsito; mas a prezada Isabel falava no vereador dos jardins. Pois a ele, ainda que lhe conceda haver um jacarandá ao fundo da Sidónio Pais, mais o aparente aprumo em se que se vê o Parque desde a Av. Fontes Pereira de Melo, não quero deixar de lhe endereçar esse arranjo da varanda do Metro que ponho aí adiante.
 À prezada Isabel, os mais respeitosos cumprimentos!
Lixo, Lisboa, © 2007  Sana Mato Hotel, Lisboa © 2007

domingo, 3 de junho de 2007

Da rua e do desvio

Desviada a rua, assentaram-se arraiais...
R.Campolide, Lisboa (A.J.Fernandes, 1967)
   Muro [do Casal do Sola], Rua de Campolide, 1967.
   Fotografia: Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..
 
Rua de Campolide, Lisboa © 2007
Lugar onde a Rua de Campolide foi desviada, Lisboa, 2007.

E chega de Rua de Campolide.

O último troço da Rua de Campolide

 Já andei cá cismado com Rua de Campolide antes... Desde que ao depois cirandei por Sete Rios que andava curioso sobre o último troço da Rua de Campolide. Em fazendo este exercício agora fico sabendo melhor como era. Passando agora no lugar posso melhor imaginá-lo há cem anos.


Mapas do Levantamento da Planta de Lisboa - 1904-1911 (plantas 8L e 8M) e da Lisboa Interactiva (Rua de Campolide em chegando a Sete Rios; o novo traçado da Rua de Campolide riscado em amarelo.).
Legenda:
  1. Rua de Campolide junto ao nº 372.
  2. Casal do Sola.
  3. Ribeira de Alcântara.
  4. Viaduto da linha de cintura sobre a Rua de Campolide.
  5. Entroncamento da Rua de Campolide com a estrada de Benfica. Para N. seguia a Travessa das Laranjeiras até à estrada das Laranjeiras.
  6. Viaduto da linha de cintura sobre a estrada de Benfica (actual Rua Prof. Lima Basto).
  7. Torres Gémeas.
  8. Av. José Malhoa.
  9. Mercauto.
  10. Estação ferroviária de Sete Rios sobre a Av. Columbano Bordalo Pinheiro.
  11. Av. Columbano Bordalo Pinheiro.

sábado, 2 de junho de 2007

Estrato

 Uma perspectiva equivalente hoje à da Rua de Campolide junto ao nº 372 em 1969 pode ser a que vedes à direita.
 A senhora Dona T. pedia um contexto para a imagem de 69: o muro do lado esquerdo isolava ao que julgo o Casal do Sola, onde hoje há um parque de estacionamento em terra batida que serve sazonalmente para um arraial de santos populares; o casario que se avistava ao fundo [no monte para lá] da velha rua em 69 julgo que era o bairro das Furnas; a camioneta podia ser uma Hanomag...
 A estimada leitora Neves de Ontem não reconhece aquela Lisboa de arrabaldes, degradada e feia do fim dos anos 60. Eu reconheço. Era a velha Lisboa de entremuros, das quintas, à espera do (dizem) progresso. Daí a degradação. Se houver algures fotografias dos anos 20, 30 ou 40 daquele troço final da Rua de Campolide, com muita certeza a veremos mais cuidada e aprazível. A imagem de 2007 à direita aparenta uma cidade moderna e organizada (num sábado), mas nestes arranha-céus fruto de especulação imobiliária e de lobbies corporações de hoteleiros sou eu que não reconheço Lisboa. Nem quero, que far-
-me-ia mal. Isto que vedes é uma cidade banal - ou global, globalizada, &c, como alguns gostam. Para verdes que assim é, aí em baixo fica uma segunda imagem: é das traseiras da Av. José Malhoa, num lugar talvez mais certo com o do fotógrafo João Goulart em 69. (Horizontes globais, hem!)

Av. José Malhoa, Lisboa © 2007
 Av. José Malhoa, Lisboa, 2007.

Rua de Campolide, Lisboa © 2007
Rua de Campolide adiante do nº 360, Lisboa, 2007.


Nota final: A Av. José Malhoa e as Torres Gémeas engoliram o velho troço final da Rua de Campolide; o novelo de ruas que hoje tomam o nome da Rua de Campolide, em chegando a Sete Rios, vem desviado antes do nº 360; serpenteia, encaracola-se e enleia-se à esquerda, à direita, em viaduto sobre si mesmo, sempre com o mesmo velho nome. Parece-me uma boa demonstração de quão esquizofrénico tem sido o planeamento da cidade.


Em amarelo a Rua (nova) de Campolide; em azul, onde aprox. jaz a antiga Rua de Campolide.
O ortofotomapa é da Lisboa Interactiva.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Beja

Mui a sul do Tejo. Cerca de 35.000 habitantes em 2001...
Beja © 2007
Há por lá um aeroporto em construção.

Substrato


Rua de Campolide junto ao nº 372, Lisboa, 1968 1969.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..