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sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Monte Abraão

 O caudex anda aburguesado; em vez de calçar as galochas deu em manda-chuva. É vê-lo feito Olavo Rasquinho a explicar a superfície frontal. Tem perfil...
 Ouvi outra ali na televisão dizer que alguém ficou com o carro atolado; com isto da chuva fiquei na dúvida se o atolamento foi dentro de água. Neste caso temos evolução semântica por via duma tola mente...
 Vamos então ao Monte Abraão: por motivo inesperado vi-me na obrigação de lá ir. O monte é tão íngreme que subir até lá é uma epopeia. Ver toda a construção feita ali e gente morando lá é penoso. Os vizinhos de Monsaraz, logo que os mouros já não rondavam, desceram para o Reguengo porque viver muito no alto quando se trabalha na planície nunca é fácil. Monsaraz foi quase abandonada por uma questão prática. Ao invés, dá-me ideia que a moirama anda rondando por Queluz...


Aqueduto que abastecia o palácio [monte Abraão em 2º plano], Queluz, c. 1900.
Fotografia de Paulo Guedes in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

No concelho de Sintra ainda se hão-de erguer prédios no meio de rotundas.

9 comentários:

  1. Esta memória, da encosta do Monte Abraão, no dia 25 de Novembro, está-me marcada indelével.
    Era o ano de 1967 e a encosta ainda não tinha prédios. A manhã de 26, Domingo, depois da catástrofe.
    Abraço

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  2. Meu Caro Bic Laranja:
    O alerta final que deixa é a luta urbanística do futuro,já que o conceito de "espaço verde" se acha limitado a uma rotunda com um arbusto. O antes e o depois da nossa «qualidade de vida», que, evidentemente, considerando as concretizações oficiais, não passa de conceito póstumo. Abraço.

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  3. E não será só em Queluz!

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  4. Bic Laranja25/11/06 14:18

    Manuel: Julgo que fala da cheia de 1967. Deslizou, o monte...? Cumpts. // Qualidade de vida pela bitola duma rotunda com arbusto... Exactamente, Paulo. Exactamente! Cumpts. // É onde quer que haja um palmo de terreno para lotear, Marta. Uma desgraça! Cumpts.

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  5. Falo pois. O monte não deslizou mas morreu muita gente no Jamor, ali no vale.
    Se me permite, usarei esta foto num post alusivo.
    Abraço

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  6. Bic Laranja25/11/06 21:10

    Use, sim! Obrigado! Cumpts.

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  7. Primeiro que tudo quero pedir desculpa mas não resisti em "roubar" esta foto para o blogue onde registo o nome de todas as ruas de Monte Abraão. Vai para 34 anos que moro neste local; de 1967 não tenho memória mas a primeira vez que aqui vim ver a anta ainda sem a incúria de que tem sido vitima visitei também nessa altura a igreja do Senhor da Serra mais para o lado de Belas, que ainda estava de pé, e a fonte e o Palácio da Quinta do Marquês. Estavamos então em 1970. Mal sabia eu que aqui viria morar 3 anos mais tarde.

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  8. O troço do aqueduto que serve de passeio ao casal está enterrado, escondido, maltratado, nas traseiras dos prédios horrorosos que enchem a Rua Dr. Manuel de Arriaga.
    Daqui até ao tanque que abastecia o Palácio (igualmente maltratado) quase nada se vê do aqueduto. Em segundo plano, a pequena casa que interrompe a linha escura onde se esconde a linha de Sintra foi demolida há cerca de 20 anos. Creio que se tratava da casa do guarda da passagem de nível que foi desactivada após a construção do Bairro Económico de Queluz e crescente urbanização do próprio Monte Abraão.
    Curiosamente, após a montagem das barreiras sonoras ao longo da linha, um grande portão continua a marcar a passagem.

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  9. Obrigado pela nota descritiva. Pena o estrago contemporâneo.
    Cumpts.

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