Três anos após descobrir o percurso do 55 com uma poupança de 5$00, tornei-me freguês habitual deste autocarro. Prosseguir para o 7.º ano deu-me então direito ao passe: o percurso diário era até ao Arco do Cego, onde era a escola.
Havia um 55 de 20 em 20 minutos; ao todo havia quatro carros fazendo esta carreira. Costumava apanhar o das sete e cinquenta, que dava para chegar, o mais tardar às oito e cinco.
Ora, calhava que, saindo da escola à uma da tarde, era o mesmo carro que apanhara de manhã que vinha de volta e que eu apanhava. O autocarro que mais me transportou nestas andanças de 55, lembra-me muito bem dele: foi o 301.
Naquele tempo, o 301 somaria por certo mais de vinte anos ao serviço da Carris. Pois bem: este autocarro conseguia o notável feito de subir a íngreme ladeira nascente da Alameda de D. Afonso Henriques em 2ª. Chegava a subi-la em 2.ª mesmo sem ganhar embalagem, por encontrar vermelho o semáforo do cruzamento com a Rua Rosa Damasceno. Lembro-me de andar noutros 55 que só conseguiam subir em 1.ª. E era se fosse: alguns paravam por altura da Rua Actor Vale e não subiam mais. — Eh pá! Lá tinham de ir os passageiros a pé até ao cimo da rampa onde ficava uma paragem; ali ficavam à espera que o autocarro conseguisse acabar a subida sem carga. Caso contrário era esperar pelo próximo. Muita gente aborrecia-se e ia-se embora a pé.
Hoje nenhum autocarro da Carris enfrenta a ladeira nascente da Alameda.
O 301, que vedes aí numa fotografia de 1999, se existir, há-de ter à roda de cinquenta anos.
DD-56-73 - Carris 301, Algés, 1999.
Fotografia: Marco Lindo — AEC Society.
domingo, 26 de março de 2006
O 301
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Aquela parte frontal, com reentrância incluída, era tão deliciosamente característica da época! E isto antes de os autocarros se haverem transferido do Sporting - ou seria da CUF? - para o PSD... Sabe-se a marca? Suponho que não era Volvo, como os de hoje, uma origem adequadíssima para transportes colectivos de um País do Sul da Europa...
ResponderEliminarAbraço.
I Encontro de Blogues em Vila Viçosa
ResponderEliminarParticipe e divulgue! Saiba mais em http://encontrodeblogues.pt.vu/ e no Restaurador da Independência.
Saudações!
Marca uma época, marca. E dá-me saudade. Os autocarros eram da marca inglesa AEC, integrada depois na Leyland. As carroçarias, originalmente da Weymann, eram depois feitas na UTIC e na própria Carris. Penso que a cor verde tem origem na concessão à firma inglesa. Já a febre laranja desconheço a razão: foi uma coisa que deu em 75 e afectou rodoviárias e ferroviárias e fluviais... Escapou a TAP e o Metro não sei como. Cumpts.
ResponderEliminarAi que saudades meu Deus, ai que saudades...!
ResponderEliminarFui cliente diário de um espécime destes anos a fio, primeiro a caminho do Liceu D. Diniz (por mais que a escarafunche não me recordo do número da carreira maldita memória!), depois a caminho do Aeroporto, na operária carreira 5!
Destas e de outras carreiras guardo estórias nostalgicamente hilariantes...
Aquele abraço!
Hei-de averiguar essa carreira para o D. Diniz. O 5 julgo que foi o último autocarro de 2 pisos a circular. Cumpts.
ResponderEliminarCurioso este blog. Cheio de recordações. Muito bom mesmo. Parabens. Já não sou do tempo dos autocarros verdes, e a carreira que mais utilizei foi o 23 da Carris e o 2 da Vimeca.
ResponderEliminarObrigado pela simpática visita e pelo amável contributo de recordações. Cumpts.
ResponderEliminarO que esta foto me veio recordar, meu Deus.
ResponderEliminarAndava eu na Eugénio dos Santos (Alvalade) e sempre que acabava as aulas ia a pé para casa.
Então um dia apanhei o autocarro (este modelo) e quando veio o pica-bilhetes, eu, armado em bom, desci em andamento.
Resultado, braço partido, fronha toda amarrotada e uma sova das antigas.
E outras e outras......
Lamento recordar-lhe tão desafortunado acontecimento. Cumpts.
ResponderEliminarO autocarro ainda existe, e costuma estar exposto agora na Praça do Comércio aos domingos, juntamente com o 109.
ResponderEliminarParabéns pelo blog.
Grato pela informsação. Boas viagens! :)
ResponderEliminarO velhinho 301 é diariamente visivel no museu da carris em santo amaro, tenho a sorte de, mesmo não sendo um autocarro do meu tempo, entrei nele. Encontra-se preservado juntamente com o 86, o 109, 0 301, e se nao me engano, um da série 200; também têm dois DAIMLER de 1967 em excelente estado de conservação.
ResponderEliminarpeço desculpa, afinal não é o 86 mas sim o 76
ResponderEliminarOutros veiculos k fizeram história e ainda fazem são os velhinhos VOLVO B10R construidos entre 1980 e 1984, aquele som caracteristico dos 1470 a 1484 é unico! Só é pena não durarem muitos anos devido a sua idade avançada, não sei quando irão pra sucata, mas espero k continuem por ca muitos anos, tal como os B59, B51 e os MAN SL200 ficaram e poderiam ter ficado....
ResponderEliminarDevia ter uns 4ou 5 anos.
ResponderEliminarCai do degrau de um desses autocarros e bati com a cabeça no passeio. Deixei de falar por uns minutos !
:) :)
O 301 está neste momento no Museu da Carris e ainda circula em eventos
ResponderEliminarDepois de amanhã há um.
ResponderEliminarCumpts.