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domingo, 26 de março de 2006

O 301

 Três anos após descobrir o percurso do 55 com uma poupança de 5$00, tornei-me freguês habitual deste autocarro. Prosseguir para o 7.º ano deu-me então direito ao passe: o percurso diário era até ao Arco do Cego, onde era a escola.
  Havia um 55 de 20 em 20 minutos; ao todo havia quatro carros fazendo esta carreira. Costumava apanhar o das sete e cinquenta, que dava para chegar, o mais tardar às oito e cinco.
 Ora, calhava que, saindo da escola à uma da tarde, era o mesmo carro que apanhara de manhã que vinha de volta e que eu apanhava. O autocarro que mais me transportou nestas andanças de 55, lembra-me muito bem dele: foi o 301.
  Naquele tempo, o 301 somaria por certo mais de vinte anos ao serviço da Carris. Pois bem: este autocarro conseguia o notável feito de subir a íngreme ladeira nascente da Alameda de D. Afonso Henriques em 2ª. Chegava a subi-la em 2.ª mesmo sem ganhar embalagem, por encontrar vermelho o semáforo do cruzamento com a Rua Rosa Damasceno. Lembro-me de andar noutros 55 que só conseguiam subir em 1.ª. E era se fosse: alguns paravam por altura da Rua Actor Vale e não subiam mais. — Eh pá! Lá tinham de ir os passageiros a pé até ao cimo da rampa onde ficava uma paragem; ali ficavam à espera que o autocarro conseguisse acabar a subida sem carga. Caso contrário era esperar pelo próximo. Muita gente aborrecia-se e ia-se embora a pé.
  Hoje nenhum autocarro da Carris enfrenta a ladeira nascente da Alameda.
 O 301, que vedes aí numa fotografia de 1999, se existir, há-de ter à roda de cinquenta anos.


DD-56-73 - Carris 301, Algés, 1999.
Fotografia: Marco Lindo — AEC Society.

17 comentários:

  1. Aquela parte frontal, com reentrância incluída, era tão deliciosamente característica da época! E isto antes de os autocarros se haverem transferido do Sporting - ou seria da CUF? - para o PSD... Sabe-se a marca? Suponho que não era Volvo, como os de hoje, uma origem adequadíssima para transportes colectivos de um País do Sul da Europa...
    Abraço.

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  2. I Encontro de Blogues em Vila Viçosa

    Participe e divulgue! Saiba mais em http://encontrodeblogues.pt.vu/ e no Restaurador da Independência.

    Saudações!

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  3. Marca uma época, marca. E dá-me saudade. Os autocarros eram da marca inglesa AEC, integrada depois na Leyland. As carroçarias, originalmente da Weymann, eram depois feitas na UTIC e na própria Carris. Penso que a cor verde tem origem na concessão à firma inglesa. Já a febre laranja desconheço a razão: foi uma coisa que deu em 75 e afectou rodoviárias e ferroviárias e fluviais... Escapou a TAP e o Metro não sei como. Cumpts.

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  4. Ai que saudades meu Deus, ai que saudades...!
    Fui “cliente” diário de um “espécime” destes anos a fio, primeiro a caminho do “Liceu D. Diniz” (por mais que a “escarafunche” não me recordo do número da “carreira” maldita memória!), depois a caminho do Aeroporto, na “operária carreira 5”!
    Destas e de outras “carreiras” guardo “estórias” nostalgicamente hilariantes...

    Aquele abraço!

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  5. Hei-de averiguar essa carreira para o D. Diniz. O 5 julgo que foi o último autocarro de 2 pisos a circular. Cumpts.

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  6. Curioso este blog. Cheio de recordações. Muito bom mesmo. Parabens. Já não sou do tempo dos autocarros verdes, e a carreira que mais utilizei foi o 23 da Carris e o 2 da Vimeca.

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  7. Obrigado pela simpática visita e pelo amável contributo de recordações. Cumpts.

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  8. O que esta foto me veio recordar, meu Deus.
    Andava eu na Eugénio dos Santos (Alvalade) e sempre que acabava as aulas ia a pé para casa.
    Então um dia apanhei o autocarro (este modelo) e quando veio o pica-bilhetes, eu, armado em bom, desci em andamento.
    Resultado, braço partido, fronha toda amarrotada e uma sova das antigas.
    E outras e outras......


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  9. Lamento recordar-lhe tão desafortunado acontecimento. Cumpts.

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  10. O autocarro ainda existe, e costuma estar exposto agora na Praça do Comércio aos domingos, juntamente com o 109.

    Parabéns pelo blog.

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  11. Bic Laranja7/2/08 23:39

    Grato pela informsação. Boas viagens! :)

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  12. O velhinho 301 é diariamente visivel no museu da carris em santo amaro, tenho a sorte de, mesmo não sendo um autocarro do meu tempo, entrei nele. Encontra-se preservado juntamente com o 86, o 109, 0 301, e se nao me engano, um da série 200; também têm dois DAIMLER de 1967 em excelente estado de conservação.

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  13. peço desculpa, afinal não é o 86 mas sim o 76

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  14. Outros veiculos k fizeram história e ainda fazem são os velhinhos VOLVO B10R construidos entre 1980 e 1984, aquele som caracteristico dos 1470 a 1484 é unico! Só é pena não durarem muitos anos devido a sua idade avançada, não sei quando irão pra sucata, mas espero k continuem por ca muitos anos, tal como os B59, B51 e os MAN SL200 ficaram e poderiam ter ficado....

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  15. marie Costa2/2/19 04:14

    Devia ter uns 4ou 5 anos.
    Cai do degrau de um desses autocarros e bati com a cabeça no passeio. Deixei de falar por uns minutos !
    :) :)

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  16. O 301 está neste momento no Museu da Carris e ainda circula em eventos

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  17. Depois de amanhã há um.
    Cumpts.

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