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quinta-feira, 28 de julho de 2005

«A Sé é natural que se visse»

 O passado torna-se ponto de fuga e de refúgio de uma demanda obsessiva: passagens no tempo às avessas do seu fluir. Aqui e ali abro desajeitadamente alguma janela. Cer-
tas vezes julgo descobrir passagens no engenho de alguém superiormente capaz... Não passam de janelas. Ninguém passa por elas.

Rua-Nova.jpg

Rua Nova dos Ferros, Lisboa no séc. XVI.
Aguarela de Roque Gameiro.

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Obras na rua de Campolide

Foram demolidas e intriga-me o sítio onde seriam!



[É capaz de uma delas ser reconstruída em Belém...]


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Foto: Armando Serôdio, [s.d.], in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

terça-feira, 26 de julho de 2005

5$00

BB-22-24 CCFL 265

 Perto da casa dos meus pais passava o autocarro 55. Certa vez, tinha eu uns nove anos, resolvi descobrir o percurso do 55. Pela minha mãe soubera já que o bilhete mais caro nos autocarros era 7$50. Como era bom em aritmética foi fácil calcular que precisaria de 15$00 para levar a cabo aquela aventura. Naquele tempo a carreira 55 ia da Picheleira a Alcântara-Mar.
 Assim que consegui juntar o dinheiro fui à Picheleira e apanhei o autocarro. É óbvio que subi para o andar de cima e fui tudo lá para a frente.
 O autocarro partiu e quando chegou ao Arco do Cego o pica-bilhetes e o motorista foram rendidos. Foi o novo pica quem acabou por ir lá acima cobrar o bilhete.
 — É para Alcântara, se faz favor — disse eu.
 — São 5$00 — respondeu. Admirei-me de não ser 7$50, mas paguei e não disse nada.
 Em Alcântara-Mar nem saí do autocarro. Mirei o lugar desde lá dentro pois estava ansioso por regressar. A minha mãe não sabia de mim (se lhe tenho pedido não me deixava ir). O 55 partiu, finalmente, quase sem ninguém. Não tardou que o cobrador viesse outra vez e perguntasse:
 — Faz favor de dizer!?
 — É um de cinco — respondi. Se fora 5$00 para cá, havia de ser 5$00 para lá, pensei.
 Cheguei à Picheleira sem problemas e ainda com 5$00 no bolso. Em casa a minha mãe quis saber por onde andara. Como ela fazia má cara ao que ouvia eu disse que tinha sido só 10$00, para ver se me safava do pior. Ela afinal não me bateu... Mas tirou-me o dinheiro.

5$00 7$50
 Os bilhetes ficaram para colecção (com o de 7$50 por picar).

segunda-feira, 25 de julho de 2005

Problema resolvido?

 Num quebra-cabeças anterior disseram-me que a ajuda não era lá grande coisa. Este monumento está na intersecção de quatro caminhos. Se identificar um deles aqui, pode ser que descubra.


Monumento aos heróis da Guerra Peninsular, Entrecampos, post. 1933.
Foto: Judah Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

Um pequeno olhar

... sobre o que pode ver-se ao vivo e (também) a cores no Palácio Nacional de Queluz.



[Mas só antes de Cronos fazer aqui o que tem feito acolá.]

domingo, 24 de julho de 2005

Nota sobre o Aterro

 O n.º 125 dos Bilhetes Postais Antigos... talvez nos remeta ao cenário queirosiano do Aterro com maior verosimilhança. Pode ser que a deusa pisando a terra [Maria Eduarda], que o Carlos da Maia vira aproximar-se, caminhasse por aqui:

Aterro da Boa Vista - Lisboa
O Aterro da Boa Vista — Lisboa, [190...]

Lisboa, 24 de Julho de ...


  1. A primeira história que me ocorre neste dia é a da expedição do duque da Terceira ao Algarve em Junho de 1833 e depois o seu avanço para norte, tomando Lisboa a D. Miguel em 24 de Julho. Fica uma ilustração de caderneta.




  2. A data não mereceu feriado mas justificou a mudança do topónimo do famoso Aterro d' Os Maias:
     Mas Carlos não escutava, nem sorria já. Do fim do Aterro approximava-se, caminhando depressa, uma senhora — que elle reconheceu logo, por esse andar que lhe parecia de uma deusa pisando a terra [...]
     Voltou ainda tres vezes ao Aterro, não a tornou a vêr;

    Eça de Queiroz, Os Maias, [1.ª ed.], Porto, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1888.



*   *   *



O Aterro transformou-se na Rua 24 de Julho e é hoje a avenida desse nome em Lisboa.

Av. 24 de Julho, Lisboa
Vista do porto e da Rua 24 de Julho, [191..]
Foto apud José Manuel da Silva Passos, Bilhetes postais antigos, do Largo do Rato à Praça D. Luís: persistências e inovações no decorrer de quatro décadas = Old postcards of the seventh hill, Lisboa, Horizonte, 1994, nº 98.

sábado, 23 de julho de 2005

Sem prédios

 Uma área deste tamanho sem levar prédios senão à volta? Imagino que fosse necessário um novo estado de coisas. Ou talvez não: se em lugar de relva levasse macadame ordinário e no lugar da fonte um hangar.

Alameda, Lisboa (A.Serôdio, 1966)
Alameda Dom Afonso Henriques, panorâmica, Lisboa, 1966.
Foto: Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Queque

 A propósito de um senhor brasileiro chamado Deivid lembrei-me da permuta de vocábulos entre idiomas. É comummente aceite que tal se justifica plenamente quando o vernáculo não faculta forma de exprimir certo conceito. Foi esse o caso do queque. Os antigos ingleses não conheciam o queque (nem sabiam sequer o que era um bolo). O primeiro bolo que conheceram foi o queque. Por gulodice, logo assimilaram o conceito e adaptaram-no ao seu falar. É por isso que em qualquer dicionário de inglês se pode encontrar o seguinte:



Main Entry: 1cake
Pronunciation: "kAk"
Function: noun
Etymology: Middle English, from Portuguese queque; [...]

queque



Bom apetite!

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Novo aeroporto de Lisboa já!

 Segundo o relatório do IX Congresso da Associação Internacional Permanente dos Congressos da Estrada, Lisboa, 1951, o aeroporto de Lisboa tem pistas em macadame ordinário que, para disfarçar, foram revestidas com betão betuminoso. Um embuste sofrido pela nação durante tantos anos obriga um governo justo à feitura dum novo aeroporto como compensação.



Aeroporto de Lisboa, c. 1950



[Parece que o sr. ministro Campos e Cunha desconhecia este relatório.]

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Fotos cedidas amavelmente por H Gasolim.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Vade retro praepositio

Sei de uma preposição, nem rica nem pobre, era da classe média, cujo nível de vida lhe não permitia habitar na sua cidade.


Felizmente o seu rendimento permitiu-lhe habitar numa tabuleta dos subúrbios, mas anda contrariada...


Diz que se tivesse ocupado um contentor ou construído uma tabuleta clandestina tinha beneficiado do plano de realojamento da Câmara Municipal!

terça-feira, 19 de julho de 2005

Lá no escritório, ao pé da fotocopiadora...

 Há tempos deu-me para afixar junto à fotocopiadora esta fotografia de Judah Benoliel de 1951 com uma provocaçãozinha: quem sabe onde é?


image.jpg



Como o assunto esmoreceu aqui vai uma ajuda.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Sesimbra, Agosto de 1968

 Nesta coisa de ir a banhos julgo que comecei relutantemente em Agosto de 1968, quando ainda me não aguentava muito bem nas canetas. Os tios do Algarve avivaram-me a memória com estas relíquias.

Sesimbra, 1968  
 

Sesimbra, 1968



[Parece-me que quando a mãe deu colinho sosseguei.]

Algum dia a casa vai abaixo!

Admira-me que não haja postais com esta vista.

Praia da Falésia, 2005 

Os patos bravos já há muito a descobriram...

domingo, 17 de julho de 2005

Do Algarve com amizade!

 Gosto das cousas à moda antiga. Um hábito que conservo é enviar postais quando estou de férias. Aqui deixo o que enviei para mim (salvaguarda para alguém que haja esquecido).
Albufeira
 Falésia, 10/7/05

 Cá estamos na Praia da Falésia. O tempo tem estado óptimo, sem fazer muito calor, e a água está deliciosa.
 Temos ido à praia todos os dias [a pé] e há pouca gente por aqui, o que melhora as coisas. Chegámos no dia 1 e contamos regressar no domingo 17.
 Beijos,
 [...]
 P. S.: cheira a Verão.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Bartolomeu Dias

 Fomos ontem a Lagos depois do jantar. Enquanto passeávamos calmamente na marginal da marina topámos com Bartolomeu Dias que nos brindou com o seu retrato.
Caravela Bartolomeu Dias, Lagos, 2005
 A noute estava algo fresca. Prosseguir a pé em trajos estivais ameaçava tornar-se um cabo das tormentas. Tomámos um café asinha e seguimos vendo a cidade, de carro. Lagos via-se povoada com leda gente com boa esperança nos folguedos nocturnos.

domingo, 10 de julho de 2005

Lembrança num sítio antigo

Os humanos julgam possuir o poder dos deuses por erodirem certos lugares. Eis duas ideias:



  1. A Reconstituição de uma vista aérea do Cerro da Vila (in José Cavaco e Rogério Vieira Fontes, Vilamoura na Época Romana, Lusotur, Vilamoura, [s.d.], p.11) ilustra como os humanos materializam o seu poder de recriação;
    Cerro da Vila, Vilamoura
     

  2. Saturno (Cronos) tem eterna paciência e eterno poder devorador;
    Cerro da Vila, Vilamoura © 2005 


Lembrei-me disto no Cerro da Vila despendendo uma parte do crédito que Cronos me concedeu.

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Adamastor

Lisboa — © 2005 
O mostrengo ofereceu-nos um cafezinho. Talvez quisesse recordar-nos o Cabo das Tormentas.

Obreiras

Trabalhadoras assim, na soalheira do Verão, havemos de lhes reconhecer mérito.



[Serão obras no jardim?]

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Outro café

Hoje fomos por um café a Belém. Sobrou o registo que se vê.

Jerónimos, 2005

Uso simples

Descobri isto nas Janelas Verdes, em Lisboa. Não tem porta e parece de uso simples (descomplicado, dizem alguns agora em tom de grande novidade).
 Cabina telefónica, Lisboa, 2004
 Dantes era dificílimo usar... Ou até escolher a cor.

terça-feira, 5 de julho de 2005

Café

Tomámos café esta noute no miradouro da Graça. Lisboa ficou assim registada.

Lisboa, 2005

Terraços do

 Na Vilamoura, além das oliveiras que bordejam a estrada de Albufeira, surgem debaixo dumas gruas os Terraços do Pinhal.
 Sei que houve ali um pinhal [foi a oliveira que está fora dos tapumes que me disse], que depois vieram as gruas e finalmente os terraços. Mas o nome não liga bem com a coisa porque os pinheiros emigraram. Proponho, se as gruas ficarem, se baptize Terraços das Gruas; se as gruas saírem, simplesmente Terraços do.

Vilamoura, 2005

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Praia

  O eléctrico 17 ia do Alto de São João para Belém. Tenho muito viva a memória do trajecto: a rua Morais Soares e a Almirante Reis; os pavilhões do Martim Moniz com suas lojas, as arcadas do Terreiro do Paço, a rua de São Paulo e depois, todos aqueles armazéns na 24 de Julho.... A estação de Santo Amaro era uma emoção com tantos carros eléctricos: quando o guarda-freio e o cobrador iam render passávamos lá por dentro. Finalmente era a Cordoaria, na Junqueira, e saíamos em Belém ao pé do palácio para apanhar o barco.
 A minha mãe levava-nos, a mim e ao meu irmão para a praia da Trafaria. Estávamos aí por 1970 e o papão ecológico da poluição não assustava...


 O MTUIR conserva fragmentos desta e doutras memórias idênticas.
Nota: a legenda diz Rossio, mas trata-se da Praça da Figueira, a caminho da Rua dos Fanqueiros.