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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Caixote n.º de frota 907 (espécie de almanjarra)

 Na gíria dos alfacinhas, almanjarra designava popularmente os carros eléctricos grandes, de dois trucks (*). Parece que é termo oriundo do árabe e quere dizer pau, trave ou barrote. Por deriva semântica deu em usar-se para designar pessoa ou coisa grande, desmedida e mal ajeitada. Deram-no, pois, os alfacinhas por alcunha no início do séc. XX aos gandes carros eléctricos que apareceram a ranger nas calhas da capital.
 O 907 aqui na imagem tinha uma dessas plataformas grandes das almanjarras, mas não deve ter sido alguma vez chamado tal. É um carro moderno, de 1947, do tipo rectilíneo dos que ficaram antes conhecidos por caixotes, justamente por causa dessa forma quadrangular que tinham. São ele tudo alcunhas que se vão sucedendo na voz da gente Coisa típica não só de alfacinhas.


Eléctrico 907, Rua Bernardino Costa (antiga do Corpo Santo), 1.ª metade da déc. de 70. A. n/ id — © 2025 Fundação Portimagem, Saudade VI, 1767.

Eléctrico «caixote» 907, Rua Bernardino Costa, c. 1970.
A. n/ id, in Col. da Portimagem.


(*) Dizia-se truque na gíria da Carris; bogie na do Metropolitano — em português é zorra.

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