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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Santos e defuntos

Espelho de Portuguezes / Alberto  Pimentel. — Vol. II. — Lisboa : Parceria A. M. Pereira, 1901. — 186 p.; 18cm. — Collecção Antonio Maria Pereira, 43


 Prosa deliciosa, cheia de graça e poesia. Muito bem escrevia Alberto Pimentel. O volumesinho percorre habitos e costumes dos portuguezes, tão perdidos hoje como perdidos estão os portuguezes n’ este Portugalinho finado. Sem os costumes que eram seus, e que os faziam ser o que eram, os portuguezes deixaram de ser.
 Tudo isto anda já esquecido e quasi ninguem dá por ele. Sobra o livrinho, a bem poucos recordar.



SANTOS E DEFUNTOS


« Referindo-se à festa de Todos os Santos, dizia o correspondente lisbonense do Commercio do Porto:


   Em Lisboa a festividade do dia limita-se ás cerimonias religiosas que se praticam nas egrejas, aos passeios, ao jantar um pouco mais lauto do que o costume e em que as familias se reunem em alegre convivio, e, para coroar a festa, aos espectaculos theatraes que n'estes dias téem, em regra, casas cheias, auferindo as respectivas emprezas uma boa receita.


  Isto é exacto, e dá a medida da indifferença com que Lisboa e quasi todas as capitaes olham para as festas tradicionaes da provincia, cheias de pittoresco e, porventura, de ingenuidade patriarchal.
 Porque, a bem dizer, e segundo a veridica observação do correspondente, Lisboa passa o dia de Todos os Santos como qualquer outro dia santificado, a saber:
 Vai á missa;
 Dá o seu passeio;
 Conversa á mesa com a familia;
 Vai, finalmente, ao melhor theatro, se tem dinheiro para isso.
 E disse.
 Se na mesma semana ou na seguinte houvesse outro dia santificado, Lisboa procederia certamente de identico modo:
 Missa;
 Passeio;
 Jantar;
 Theatro.
 Assim, póde affirmar-se, como fez o correspondente, que a capital olha para o dia de Todos os Santos com a mesma indifferença que para qualquer outro dia santo de guarda.
 Mas aposto que já assim não aconteceria se, no calendario politico, houvesse em cada anno um dia consagrado a Todos os Ministros, os que foram, e podem tornar a ser, e os que são, e estão com a mão no cofre das graças. »


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 113-114.


domingo, 29 de outubro de 2023

Ind' há tempo

Manobras, Senhora da Hora (Gricer, 1974)
Manobras, Senhora da Hora, 1974.
Gricer, in Flickr.

sábado, 28 de outubro de 2023

Quarenta anos de aviação

Quarenta Anos de Aviação / Eduardo Alexandre Viegas Ferreira de  Almeida. — [s.l.] : [Edição de autor], 1995. — 330 p.; 23cm


 Quarenta anos da vida de aviador de Eduardo Alexandre Viegas Ferreira de Almeida, o Alferes Viegas da Aeronáutica Militar, um dos «11 de Inglaterra», o Comandante Ferreira de Almeida dos/da T.A.P., da S.A.T.A. e da D.T.A. de Angola. Relato de interessantíssimos espisódios pessoais que o A. qualifica modestamente como «estórinhas».
 Ao leitor interessado ficará demonstrado que não são só isso, pois que muitas destas «estórinhas» são fonte directa da História, não só da Aviação Portuguesa, mas da própria História de Portugal.


 


*   *   *


 


Despedida do Cte. Viegas, Lumiar, 1956. Esp. Cte. Amado da Cunha, col. Sr. Ant.º Fernandes.
Legenda no v., pelo C.te Amado da Cunha:
[Da esq.:]A/B Ana [Duarte], Com.te Viegas, A/B Margarida Pedro.
Jantar de homenagem e despedida da T.A.P., ao Com.te Eduardo Viegas Ferreira de Almeida no restaurante Castanheira de Moura (Lumiar).

Lisboa, Abril de 1956.


Fotografia do esp. do C.te. Amado da Cunha, col. do Sr. Ant.º Fernandes.


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(Quarenta Anos de Aviação / Eduardo Alexandre Viegas Ferreira de Almeida. — [s.l.] : [Edição de autor; Coord. Tereza Ribeiro Reis], 1995. — 330 p.; 23cm.
Imagem: in-Libris.)

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Jardim Constantino com portugueses

Jardim Constantino, Lisboa (A.I. Bastos, 1968)
Jardim Constantino, Lisboa, 1968.
Artur Inácio Bastos, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Notícia de ontem há 81 anos

«A visita do sr. general Carmona a diversos melhoramentos em curso na cidade», Diario de Lisbôa, 23/X/942.
«A visita do sr. general Carmona a diversos melhoramentos em curso na cidade», Diario de Lisbôa, 23/X/942.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Das musas da Carris

 Das etymologias tenho que tôdo o museu é templo ou santuário de musas. O da Carris também o será e, assim sendo, cuido que haverá de por lá rondar principalmente Clio, a musa da História. Todavia parece-me uma ronda meia de esguelha, meia daltónica, meia vesga… Ou amba-las três, pois que — já por aqui o disse antes — baralhou as cores dos volantes dos autocarros A.E.C. históricos. Lembra-me a memória e não mo nega a História que eram êles, os ditos volantes, verdes nos autocarros dum só piso e vermelhos nos autocarros altos de dois andares. Sucede que andam ao contrário nos autocarros do museu da Carris.
 Isto, de Clio ser daltónica.
 De andar por ali de esguelha, ou de mesmo ser vesga, descobri agora que o 301 se passeia luzidamente por aí com o emblema da Carris mal centrado na carroçaria.


A.E.C. Regent V, n.º de frota 301 (c/ logótipo mal centrado), Belém (Museu da Carris, 2023.)
A.E.C. Regent V, n.º de frota 301 (c/ logótipo mal centrado), Belém, 2023.
Fotografia: A. n/ id., Museu da Carris, in Livro das Fuças.



A.E.C. Regent III n.º de frota 240 na carreira 4A [?], Rossio de Lisboa, c. 1960. Fototipia animada dum original de Portimagem, in Flickr.
A.E.C. Regent III n.º de frota 240 na carreira 4A [?], Rossio de Lisboa, c. 1960.
Fototipia animada dum original de Portimagem, in Flickr.


 E, pois, assim é. Clio a precisar de óculos?!… Ou, alguma partida de Thália. Ao fim e ao cabo já é hábito firmado dizer que se a História repete é como comédia.

sábado, 21 de outubro de 2023

Lisboa doutro tempo

«Avenida», Lisboa, c. 1960. Portimagem, Saudade 1445, in Flickr.
Avenida, Lisboa, c. 1960.
Portimagem, in Flickr.

Das gordas (e dum gordinho)

Expesso (assim mesmo), 20/X/23.
Expesso (assim mesmo), 20/X/23.


 


 Um baluarte dêstes!… Ali há 500 anos, rodeado de água por 400… Nunca se afundou. E agora dizem que vai a baixo com uma ninharia: alterações climá®ticas. — Tempo de artistas…


 


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Sol, 20/X/23.
Sol
, 20/X/23.


 


 Só agora se deram conta?! Já faliram em 74… Até a capa da Sábado (um magazine brasileiro que se publica às sextas [quintas] em Lisboa) dá fé do caso (também só agora); não fôra êle assim, não houvera a debandada de que volta não volta tornam e retornam a dar notícia.


 


Sábado, 19/X/23.


Sábado, 19/X/23.


 


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 E de vivermos um tempo de artistas, ahi está a prova. Em tôda a linha.


 


Me®dina pintalgado de verde (Ant.ª Cotrim/Lusa, — © 2023)


 




Recortes dos jornais do Sapo. Me®dina pintalgado de verde, Ant.º Cotrim / [Brasi]Lusa, in D.N.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Cantata barrôca

 Uma gravação memorável: como não era fácil achar um soprano rapaz para esta cantata, Gustavo Leonhardt decidiu pedi-lo a Mariana Kweksilber, que tinha uma voz de menino («Knabenhafte Stimme»). Ela gloriosamente sobreviveu às muitas exigências desta gravação. (Max van Egmond)



João Sebastião Bach, Cantata n.° 51, Jauchzet Gott in allen Landen (Aria: «Höchster, Mach Deine Güte»).
Maestro: Gustavo Leonhardt. Soprano: Marianne Kweksilber.
Leonhardt-Consort (com instrumentos originais), TELDEC, 1974.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Quem não tem que dizer fala do tempo

Tem chovido. 


Gente à chuva na Ec-xepó, Olivais (Luís d’Orey, 1998)
Gente à chuva na Ec-xepó, Olivais, 1998.
Luís d’Orey, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Música barroca

 Concerto para 2 bandolins de Vivaldi (com um extraordinário Pedro Nuno Santos — barbado à moda e tudo — no bandolim da esquerda).



Vivaldi, Concerto para 2 bandolins em sol maior.
Barrocade Ensemble, Museu de Telavive, 2016.

domingo, 8 de outubro de 2023