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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Dos evangelhos da pós-verdade

Tiber & Cloaca Maxima.jpg



  O noticiário da emissora nacional às 8h00 desta manhã levou dez minutos dez, cheiinhos de óscares da América. Cheiinhos e bem sustentados, não lhes faltando as ambientais pastilhas antitrampa obamizando como habitualmente tudo o que se escoa da cloaca maxima me®diática quando a exalação é a América.
  Isto dito, levou o noticiário depois dele breves instantes na rápida notícia dum aluir de terras na Rua de Damasceno Monteiro, em Lisboa (1 ferido ligeiro e alguns desalojados, a quem interesse) e o inevitável carnaval do Rio, até que acabou.
  E acabado que foi o noticiário, entrou uma sempre oportuna reportagem em dia de óscares, sobre os óscares da América, repetindo os dez minutos de óscares da América do noticiário, pouco mais ou menos, mas agora com tisa (teaser no pós-português mercantil em vigor) — & de Oz cagou-se tuuuu… (= and the Oscar goes to, segundo tradução me®diática ou oficial) —, porque era reportagem e não simples notícia.


 O corolário deste desconchavo oscarino-noticieiro nacional foi uma pregunta, ao depois, que me a senhora, pouco atenta aos evangelhos radiofónicos matinais, fez:
  — Afinal quem ganhou?
  — O Lá Lá Lão primeiro (La La Land na tradução oficial) e, depois, o Moonlight (impossível de traduzir, tanto que não traduzem), porque se enganaram.
  O singelo comentário da senhora ao galardoado drama dum negro de Miami que se autodescobre, segundo a linguagem redundante da emissora, foi um riso de tão sincero quanto informado escárnio.
  — Ena, que mau!
Menos informado eu me confesso: só aí alcancei o argumento do negro que se autodescobre...


  — And the Oscar gays to…





Água forte: Piranesi, Vista do Tibre à boca da Cloaca Maxima, 1778. In Antiquarium.

5 comentários:

  1. Um negro que se "autodescobre", ahahahahhahahah, o politicamente correcto vai de vento em popa!

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  2. Mandarinia1/3/17 06:14

    Foi o oscar dois em um (negro e gay) em jeito de servir para a nova lei das multidiscriminações...

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  3. Anónimo2/3/17 08:50

    A única coisa que estão a conseguir é que se fale mais das farpelas que dos filmes, que de resto estão cada vez mais fraquinhos.

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