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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ano bom!


(Ben E. King, Don't Play That Song, 1962.)

Rossio

Rossio, Lisboa (A. Pastor, 1973)
Rossio, Lisboa, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Em Dezembro, treme de frio cada membro

(Este verbete quase repete um de há anos.)


 Em menino achava maturidade nos crescidos. Os avós, os pais, os tios, a sr.ª D.ª Maria do Rosário que foi minha professora primária falavam assisadamente, soavam como gente grande e não me parecia que dissessem disparates. Estivesse frio diziam-me agasalha-te! sem muitos nhanhanhãs; se porventura perguntasse por que estava frio diziam-me que o Inverno é a estação do tempo frio. Isso mesmo também dizia o livro da 2.ª classe...


Inverno, «Livro de Leitura da Segunda Classe, 1968»


 Nas TV das notícias sobre o cão que mordeu o homem informam a cada hora do frio de Dezembro. Parece que haverá temperaturas abaixo de zero pelo Norte...


 Extraordinário! 


 O corolário são uns conselhos em português... ceboleiro: -- Aconselha-se o uso de várias camadas de roupa!


 A geração rasca (a minha) não ensinou sequer a dizer «agasalhe-se!» a esta nova geração diluviana de trivialidades e agora parece que há uma desgraça em cada estação do ano. Duas gerações cuja mentalidade hibernou na creche debaixo de muitas camadas de roupa de marca. Essa a desgraça!...


 




Página do Livro de Leitura da Segunda Classe (Ministério da Educação Nacional, 1968), in Santa Nostalgia.

Efacec

fRestauradores, Lisboa (A. Pastor, 1973
Praça dos Restauradores, Lisboa, 1973.
Arthur Pastor, in archivo photographico da C. M.L.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Av. de Dom Rodrigo da Cunha

 Av. de Dom Rodrigo da Cunha ao amanhecer em Dezembro de 73. Sem risco de UVA A nem UVA B, portanto... 

Av. de Dom Rodrigo da Cunha, Lisboa (A. Pastor, 1973)

Av. de Dom Rodrigo da Cunha tomada da do Aeroporto, Lisboa, 1973.
Arthur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Do baú dos anos 70

Ou da juke box da leitaria lá da rua. Ressoa-me agora isto, sei lá eu porquê...



Adriano Celentano, Don't Play That Song (You Lied)
(Versão de 1977 ao vivo em 2008.)

Do imperativo de «trazer»


« Na educativa (!!!) rubrica da RTP destinada a pôr o rebanho a falar segundo o chamado acordo ortográfico assisti hoje ao [seguinte] exemplo:



  • Traz o teu amigo também

  • Trás o teu amigo também


  Depois das perguntas da repórter pela rua sobre se traz se escrevia com «z» ou com «s» e acento, a decisão chegou, sábia, de que era com «z», porque correspondia à terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo trazer.


  Perante isto, é imperativo fazer qualquer coisa. Ou mesmo fazer qualquer coisa na terceira pessoa do singular do presente do indicativo [...]»


Nelson Reprezas, «É IMPERATIVO fazer qualquer coisa», in Espumadamente, 18/XII/14.



*   *   *


 Já cá disse da dissolução cultural do índígena por esse instrumento do abastardamento pátrio que é a R.T.P., mas não só... O caso é todavia mais fundo pois mesmo os que queremos, procuramos e nos esforçamos por escapar dos camadões de ganga estrangeira com que nos forram a burrice avulsa e com que nos ferram a imprensa, a rádio e a TV, já nos havemos com defeito.
 No tempo e no modo em que a voz do bom povo ditou a Gramática por gerações não havia grande dúvida: a 3.ª pessoa do singular de trazer nunca se confundiria com a 2.ª do imperativo. Para fazer qualquer coisa pelo problema bem posso dizer: traze os amigos todos e, se tens amigas, traze-as também... Ainda assim seremos nada. A civilização de subúrbio importada pelos suburbaninhos mais ilustrados tomou conta da cultura.


V_Trazer.jpg
Cunha, Cintra, Nova Gramática do Português Comtemporâneo, 14.ª ed., Sá da Costa, Lisboa, 1998.

Martim Moniz soalheiro em manhã encoberta

 Martim Moniz de sobre os telhados orientaes da Rua da Mouraria (o que restava dela). A esperteza das demolições para desanuviar o trânsito na Rua da Palma não conseguiu mais do que atrofiá-la em acto contínuo com a notável edificação do Hotel Mundial....
 O autocarro (um Daimler Fleetline) devia ser o 8 e o eléctrico do modelo caixote, talvez o 12. Apesar dos prédios decadentes e do estacionamento por tudo quanto é lado, conseguia ter mais encanto do que hoje.


Martim Moniz, Lisboa (F.L. Pinto, 1970)
Martim Moniz, Lisboa, c. 1970.
Francisco Leite Pinto., in archivo photographico da C.M.L.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Passagem de nível

Viaduto de Alcântara-Mar, Lisboa (Anón., 1970)
Passagem de nível, Lisboa, c. 1970.
Autor não ident., in archivo photographico da C.M.L.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Do baú dos natais esquecidos

 No tempo das tardes de Natal com o circo do Billy Smart e das manhãs de Ano Novo com saltos de esqui na televisão também havia irmos ao cinema: havia os filmes do Trinitá ou do Gendarme no Avis com o pai do Zé, o sr. Possidónio; ou da Música no Coração no Roma ou da Heidi com lotação esgotada no Apollo 70, com a tia  D.ª Margarida do Luís. São tudo rememorações de infância que me saem agora do baú, amalgamadas. Calhando algumas aí são do tempo da Feira Popular do Joselito do Poço da Morte, não do Natal. Importa pouco porque num caso ou noutro o hábito era assim, quando os crescidos que se dispunham a levar alguma miudagem do bairro, em rancho, ao cinema; tal como o era, ao depois, revivermos e tornarmos a encenar em brincadeiras de rua as maluqueiras vivas do Gendarme e do cowboy insolente (a Música no Coração era para meninas). -- Aquela do chapadão no mexicano aos 2'10" é que era. E o assovio da melodia não havia quem no não soubesse, todos o sabíamos.



Trinitá Cowboy Insolente, 1970.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Piruns

Venda de perus, Calçada do Lavra (C.Ferreira, s.d.)
Venda de perus, Calçada do Lavra, [s.d.].
Cunha Ferreira, in archivo photographico da C.M.L.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Rua Nova do Almada

Decorações de Natal, Rua Nova do Almada (A. Pastor, 1973)
Decorações de Natal, Lisboa, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Rua da Prata [i.é, Rua Augusta]

Decorações de Natal, Rua Augusta (A. Pastor, 1973)
Decorações de Natal, Lisboa, 1973.
Artur Pastor, in archivo photographico da C.M.L.

Adenda ao meio-dia e meia: apercebo-me agora de que é a Rua Augusta, tomada de N para S um pouco acima da Rua de Santa Justa; o archivista pôs a etiqueta mal e eu fui na conversa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Chiado

Chiado, Lisboa (A. Serôdio, 1965)
Iluminação de Natal, Chiado, 1965.
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.

Rua do Carmo, 1959

 Sr.ª Feliz e sr. Sorridente no cimo da Rua do Carmo, diante dos Grandes Armazéns do Chiado no Natal de 1959. O sr. Sorridente sorria por disfarçar a sua visceral oposição ao Estado Novo escondida no bolso esquerdóide da gabardina.

Rua do Carmo, Lisboa (A. Serôdio, 1959)
Iluminação de Natal, Rua do Carmo, 1959.
Armando Serôdio, in archivo photographico da C.M.L.



 O cavalheiro de chapéu de aba à porta dos armazéns é indisfarçado agente da P.I.D.E. que não suspeita da actividade subversiva do casal sr.ª Feliz e sr. Sorridente, mas só nós hoje é que democrática e òbviamente o podemos saber. Por causa do Vinte e Cinco DAbril e da liberdade...!


 Desejos dum Natal feliz e sorridente!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Feliz Natal !


 


Boucher,-adoração-(1750).jpgFrançois Boucher
Adoração dos Pastores
Óleo sobre tela
(Museu de Belas-Artes de Lião)




*
*    *

 



Aos benévolos leitores que
generosamente visitam este blogo,
sinceros votos de um
SANTO E FELIZ NATAL .


A todos,



FESTAS FELIZES!


 


 


*    *
*


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Criatura

Sérgio Monteiro (T.V.I. 24, 18/XI/14)


 Esta criatura meia alucinada aparece-me em todo o lado. Ontem esteve nos púlpitos da R.T.P. e da T.V.I. 24; só não deu na S.I.C. porque o ministro se empoleirou por lá primeiro. Esta manhã pregava no areópago da T.S.F.. Tão magno fervor e omnipresença assim numa criatura, se não é obra dos céus é diabrura do mafarrico. Certeza certezinha é ser sua única missão terrena vender a TAP.

(Fotograma: «Política Mesmo», T.V.I. 24, 19/XI/14.)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Súmula de enriquecimento

torneira de dinheiro.jpg  Anteontem passei de raspão no noticiário da Anna Lourença e ouvi um manuel dos Espíritos Santo dizer que naquilo dos submarinos «eu não intervi». Repetiu-o e ficou claro que não quando lhe ouvi «quem interviu foi a E.S.C.O.M.».
 Bom, ele não interviu mas intervejo eu (eu intervejo, tu intervês, &c.; do verbo interver...) e intervedes vós que o caso deste manuel dos Espíritos Santo não foi de submarinos; foi de somarinos, pois o único que lhe calhou em trabalho foi ele somar...
 Cuidei de mim para mim que isto havia de ter o seu quê de imoral: vá lá da justiça de alguém somar só porque sim, só porque calhou em estar para ali sem mais, sem sequer haver de comprar bilhete da lotaria antes nem nada! Òbviamente equivoquei-me nesta ideia porquanto ontem passei novamente de raspão no noticiário da Anna Lourença e ouvi-a dizer, exactamente como escrevo, que aquilo dos submarinos havia já, afinal, «prescrevido».
 Vamos ver que a moral passou do prazo, vai daí somar por nada.



Dinheirama a jorrar ...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parangona de arrebitar cristas

Estrangeiros autorizam portugueses a pescar mais 2/3 de carapau no mar de Portugal.



Naufrágio do «Senhora das Dores», Aveiro, 1922. In Memórias de Aveiro, Naufrágios.

Linha de Évora

fotografia.JPG
Horário 33 d' Os Caminhos de Ferro.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Av. do Padre Cruz em 1972

 Alto da avenida do Padre Cruz no entroncamento da Av. da Rainha Dona Amélia. Ao longe, a descair para a esquerda (salvo seja) contra o horizonte, avista-se o Monsanto. Avistava-se...


Av. Padre Cruz, Lumiar (N.B.R. da Silveira, 1972)
Av. do Padre Cruz, Lisboa, 1972.
Nuno Barros Roque da Silveira, in archivo photographico da C.M.L.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Leyland Titan

Teste de inclinação dum Leyland Titan, Chiswick, 1949

 Teste de inclinação dum Leyland Titan levado a cabo em 1949 na fábrica de Chiswick da London Transport Executive (autoridade de transportes londrina). O autocarro é idêntico aos primeiros dois de dois pisos comprados pela Carris em Junho de 47. Os cavalheiros que se punham a jeito de apanhar com o autocarro, caso tombasse, eram o chefe de serviço da Park Royal Vehicles, sr. Guilherme Davis, e provavelmente o inspector do Ministério dos Transportes (o sr. de chapéu).


 Fotografia publicada em Park Royal Vehicles, por gentileza de Nigel Davis.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Av. E. U. América...



 Av. da República, Lisboa. Fim dos anos 60, calhando...
 O 230 da Carris em serviço na carreira 49 — Av. E. U. América, via R. de S. Bento. A inclinação do autocarro é notável e diz da condição do arruamento. Mas não parece que arreceasse aos passageiros como em 1947, quando os alfacinhas viram espantados o primeiro autocarro de dois pisos. Esta paragem era entre a Elias Garcia e a Barbosa du Bocage. Ainda se viam eléctricos por ali, para o Campo Grande e Lumiar, coisa que me só lembra haver os trilhos.
 As obras eram do Metropolitano, calhando...




Fotografia: Artur Inácio Bastos, Av. da República, Lisboa, [s.d.], in archivo photographico da C.M.L.

Av. da República, 1969

 Em 69 modificaram a rotunda do Saldanha. Fizeram faixas de rolagem em moda de via rápida. A Av. da República, apesar dos mamarrachos trágico-modernos, era menos claustrofóbica que hoje.



Saldanha e Av. da República, Lisboa, 1969.
Artur Inácio Bastos, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Primo bom, primo mau

Primo bom & primo mau.jpg


Primo adiado.

(Imagem por aí...)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Micróbios (vidas curtas)

 O caso das reformas vitalícias dos políticos ficou aquém. Mas já de si era curto: subvenções aos políticos -- aos nossos abrilinos políticos --, por elementar justiça, haviam de decretar-se eternas; vitalícias é pouco.


~~ « » ~~




(Penico de Raphael Bordallo Pinheiro nas Leituras.)

90 anos


 Filho do papá, sem profissão que se lhe conheça porque de mau advogado teve apenas o proveito de um processo que lhe deu fama por envolver quem se sabe, oposicionista por birra e por provir em linha recta de um pai do velho reviralho republicano (com alguns méritos inegáveis enquanto professor), anti-clerical renegado (os renegados tornam-se sempre nos mais fanáticos, já o notava Unamuno sobre São Paulo).
  Um péssimo aluno, entretido entre farras próprias da juventude e conspirações de café M.U.D.
  Um inútil que, e quando se viu encartado com uma licenciatura e sem saber que serventia podia dar ao canudo, resolveu enveredar pela política. A baixa, que a outra nem nos manuais escolares deve ter aprendido alguma coisa.
  Comunista por arrastão, que é como quem diz, pelos sinais dos tempos que por aqui (e não só) vogavam de feição. Ou seja, comunista sem convicção.
  Opositor malgré-lui. Exilado num paraíso tropical e instalado num gulag-roça-hotel com todas as mordomias, às quais ficou agarrado. Fundador, com outros da mesma laia, de um partido de traidores porque ditos portugueses em período difícil da vida nacional. Partido esse que teve o empenho e o dinheiro dos congéneres alemães na matriz fundacional.
  Cúmplice dos comunistas e revolucionários no pós-25 de Abril. Autor de uma descolonização nada exemplar, antes criminosa. Traidor dos amigos por mera conveniência política e de luta pelo poder.
  Traste que carregamos às costas faz quase 40 anos e a quem ainda temos de suportar as indecorosas flatulências mentais sobre o presente. Presente do qual foi o principal responsável no passado.

Choldra Lusitana disse, in Porta da Loja, 26/III/014.



Parabéns!



(Apertão da bochecha no Sol.)

A perca

 Renato Epifânio tem uma coluna n' O Diabo: «A via lusófona». Dizia esta semana que na qualidade de professor tem achado crescente degradação na qualidade do ensino. E como exemplo dá «a perca de hábitos de leitura».
 A «perca» é evidente.


pERCA.JPG


Aulete, 1.ª ed., Imprensa Nacional, Lisboa, 1881, p. 1326.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Espectáculo tão pobrezinho

 Sobre a R.T.P. e a compra de jogos de bola para entreter o Zé, cada um arrota a sua posta de pescada e em cada arroto os do governo mudam de conversa, que mais parecem cata-ventos.


Pés-sem-cabeça.jpg
(Imagem de pernas e sem cabeça no pasquim da faca e alguidar.)

Perfilhe um cavalo

Pode escolher a cor.

requerimento cavalos novoREQ_P20_02_12_12_10.jpg

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Rua Pascoal de Melo, 1953

 Nestes dias andam por lá a podar o arvoredo. Cheira-me a outsourcing empreitada, que as câmaras hoje já não dão para isto.

Rua Pascoal de Melo, Lisboa (E. Portugal, 1953)
Rua Pascoal de Melo, Lisboa, 1953.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.


 

Adoptem-nos como a um filho e baptizem-nos com o nome da família

Destaques da treta.JPG
(«Vá dar banho ao cão» em destaque nos blogos do Sapo.)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Estabelecimento Prisional de Évora

Estabelecimento Prisional de Évora

Pátio dos Ourives em 1961

E uma Rua de Arroios amplíssima!...



Rua de Arroios, 102-118 (Pátio dos Ourives 1-2, 9-11), Lisboa, 1961.
Arnaldo Madureira, in archivo photographico da C.M.L.

Confio que seja... sintaxe arrevesada

Adeus modo conjuntivo, (O Diabo, 2/XII714)


 (O Diabo, 2/XII/14.)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Pátio dos Ourives

 Procurava há dias uma leitora através dum recado deixado na Rua de Arroios, 44, se haveria porventura alguém que mostrasse uma imagem do Pátio dos Ourives, pois nascera lá e não havia meio de conseguir uma fotografia do lugar que lhe matasse a saudade.
 Respondi-lhe há pedaço que desconhecia (em boa verdade desconhecia de todo o Pátio dos Ourives), mas que havia de ver...
 Pois bem, o Pátio dos Ourives era na Rua de Arroios, 102-118 e as casas que davam frente para a dita Rua de Arroios são as que se vêem na imagem. Cuido que a entrada do pátio fosse o n.º 110, pelo interior destas casas.
 Do Levantamento da Planta de Lisboa (1910) noto que o Pátio se estendia quase ao leito da Rua António Pedro; a abertura e loteamento desta serventia nesse tempo truncou o primitivo Pátio dos Ourives pelo lado Nascente.
 Dos arquivos da câmara tiro que pelas traseiras (voltadas a Nascente, portanto) do renque de casas que se vêem na fotografia ficariam os n.ºs 1-2 e 9-11 do Pátio dos Ourives; as casas do n.º 3 ao 8 conjecturo que houvessem de conformar o dito pátio pelos quadrantes N e S, prependicularmente à Rua de Arroios; os n.ºs 12-15 cujos quintais confrontariam com as traseiras dos n.ºs 6-8 dariam por sua vez frente para S, dando a forma dum U aberto ppara Nascente ao Pátio dos Ourives. São conjecturas...
 Da consulta rápida aos índices dos processos de obra 36 691, 36 692, 36 693, 36 728 e 36 881 tira-se que ali esteve instalada nos anos 40 uma Vulcanizadora Ulissiponense, Ld.ª, que nos anos 50 se lá fez obra para uma garagem, em 1974 reparação de esgôtos e em 1982 houve obras coercivas. Mas pode tudo isto ter sido no Pátio como nas casas da Rua de Arroios...
 As casas do Pátio dos Ourives à Rua de Arroios foram demolidas pela segunda metade dos anos 80, presumo; as que lá temos hoje são num prédio com porteira de c. 1989-90. -- Falo na porteira para contrariar a aridez humana no que disse atrás. Saibamos que a porteira do prédio novo, porém, foi por sua vez descartada em 2009, segundo li no arquivo municipal. Das gentes do antigo Pátio dos Ourives ao condomínio que lhe ocupou os chãos, parece que o colorido da vida se esbate mais e mais com a modernidade.

Pátio dos Ourives -- Rua de Arroios, 102-116, c. 1902.
Rua de Arroios, 102-118 (Pátio dos Ourives 1-2, 9-11), Lisboa, 1901-1908.
Fotógrafo não identificado, in archivo photographico da C.M.L.

Havemos de todos morrer cheios de saúde

Dieta mediterrânica


 

Cinco mil léguas portuguesas


 Estando o conde [de Sortelha, D. Luís da Silveira] por embaixador em Castela, dizem que, querendo o imperador [Carlos V] motejar Portugal de pequeno, lhe perguntou se se levantava uma lebre em Portugal, aonde a iam matar? E o conde respondeu-lhe:
 — Senhor, vão-na matar à Índia, que é daí a cinco mil léguas.


José Hermano Saraiva (anot. e com.), Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do século XVI, 3.ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997, p. 311 [849].



Índia (Lopo Homem, in Atlas de Lopo Homem-Reinéis, 1519)




(Carta do Oceano Índico de Lopo Homem, in Atlas de Lopo Homem-Reinéis, 1519.)