9 de Abril de 1918. Noventa e quatro anos da batalha de La Lys em que milhares de soldados portugueses tombam a ferro e fogo debaixo da fuzilaria alemã.
Sabia da data, porém escapava-se-me a lembrança do dia, confesso, não fora terem dado há pedaço no canal da memória um dos programas do prof. Hermano Saraiva em que ele o mencionava.
Uma subtileza dalguém fazendo jus ao nome do canal?
Caso assim fosse, foi ele cousa tão tímida, tão tímida, que a poucos há-de ter avivada a memória. Veio-me porém à ideia se teria porventura, afinal, a agenda mediática dado eco à efeméride e se não seria o meu particular esquecimento de andar eu a Leste. Assaltado por esta preocupação (e certo remorso) procurei saber. — Pois, em no fazendo, a pesquisa do noticiário sobre «La Lys» no Guglo, hoje, traz-me três notícias da imprensa regional e uma num jornal da emigração, todas requentadas, nada com menos de 5 dias. Uma última notícia, da R.T.P., é ainda mais deprimente; é de 26 do mês passado e dá nota de a Liga dos Combatentes não ter dotação para recuperar as campas dos soldados portugueses sepultados em Boulogne-Sur-Mer. Sobre La Lys é tudo.
Não devo afligir-me. Os nossos bravos caídos em batalha já lá estão, em descanso. Honraram a pátria que lhes cobrou a vida. Cumpriram o dever melhor do que aqueles que os mobilizaram como carne para canhão, que os largaram à sua sorte mal equipados e mal preparados, que lhes cavaram a sepultura, que os esqueceram então e cujos herdeiros políticos os esquecem agora.
Nao devo afligir-me, pois. A omissão deliberada de datas nacionais nos noticiários há-de acabar por diluir-me memórias tão inconvenientes como esta ou alguma ideia de Portugal. De modo que engulhos de consciência por esquecimentos como este meu de hoje acerca dos nossos que tombaram ralar-me-ão a mim menos e menos e aos vindouros nada de nada. Em compensação, doses soporíferas de Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira (o aniversário deste trovador da liberdade foi lá esquecido, como podia?!), como as que ouvi logo de manhã na antiga Emissora Nacional são muito melhor remédio para estados de alma patrióticos. La Lys interessa tanto à agenda mediática como relembrar a Restauração de 1640. Vede antes que aconchegante foi havermos tido agora a policia espanhola patrulhando as nossas terras. 
Ilustração Portugueza, II.ª Serie, n.º 635, 22 de Abril de 1918.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
La Lys
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Paz às suas almas (se é que existe alma, o que eu duvido... mas isso são outros 2$50...!).
ResponderEliminarInfelizmente mais uma vez fomos enganados pela pérfida Albion...
Houve um Português que sempre se bateu pelo bem-estar das nossas tropas: S.M. o rei D.ManuelII, desde o seu exílio!
Mas esse nunca contou para a pérfida 1ª República!
D. Manuel era um bom homem. Um enorme português. Não usava avental, usava?...
ResponderEliminarCumpts.
Diz o Caro Bic:
ResponderEliminar“Sabia da data, porém escapava-se-me a lembrança do dia, confesso,...”
Usando uma frase humorística de aqui atrasado, “este gaijo num é do norte, careig!”, pois, se o fosse, isso não lhe teria acontecido!
Veja a ligação:
http://www.google.pt/imgres?q=pra%C3%A7a+9+de+abril+no+Porto&hl=pt-PT&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&tbnid=0qjcJsRN8WA6oM:&imgrefurl=http://mjfs.spaceblog.com.br/67102/Praca-9-de-Abril-Porto/&docid=vcm42pCfWkbOyM&imgurl=http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/330920/gd/1194689818/Praca-9-de-Abril-Porto.jpg&w=600&h=450&ei=p2iFT5reNeuk0AXzyLTZBw&zoom=1&iact=rc&dur=315&sig=115348378396391184743&page=1&tbnh=120&tbnw=164&start=0&ndsp=30&ved=1t:429,r:3,s:0,i:69&tx=93&ty=68
Calorosos cumprimentos.
Diz o Caro Bic:
ResponderEliminar“Honraram a pátria que lhes cobrou a vida. Cumpriram o dever melhor do que aqueles que os mobilizaram como carne para canhão, que os largaram à sua sorte mal equipados e mal preparados, que lhes cavaram a sepultura, que os esqueceram então e cujos herdeiros políticos os esquecem agora.”
Se calhar até o vou surpreender: as suas palavras são muito mais exactas do que muitas pessoas poderão supor…
É que, para que conste, uma parte importante do nosso Corpo Expedicionário, mandado para a morte quase certa por espúrios interesses republicanos, depois que uma mudança de governo, foi pura e simplesmente abandonada à sua sorte, e teve que regressar a pé!!!!!!!!! à sua Pátria, amada seguramente, pois de outro modo não teriam ido… faz tempo que vi, acho que no canal NGC, vi um programa em que disso se falava e ainda me lembro de ouvir uma descendente belga de alguém que deu guarida a soldados portugueses, por trabalho em troca de comida e pouco mais, que também eles (quase) nada tinham, falar com a maior admiração da tenacidade daqueles homens; para rematar, tive a sorte de privar, ainda que brevemente, com o avô da senhora, que esteve em Reims e lá foi ferido, e do qual obtive testemunhos nesse sentido; ele só se safou da provação, por via da outra de que padecia.
É, pois, mais uma pérola da cultura republicana, portanto nada de que nos devamos admirar hoje… nem a massa nem o fermento melhoraram, assim, por que raio haveria de ser melhor pão?
Cumpts
Claro que não...
ResponderEliminarTalvez (também) por isso, ainda não esteja explicada a sua morte.
Cumpts
Não precisava. Bastava-me andar atento.
ResponderEliminarCumpts.
Poucos sabem das provações de C.E.P.. Cada vez menos sabem do C.E.P., ponto. E do 9 de Abril até eu me esqueço.
ResponderEliminarDe regressos a pé já tínhamos tido os que foram à campanha do Rossilhão e, mais cem anos para trás, parece-me que na guerra da sucessão espanhola os que marcharam a Madrid para pôr Carlos III no trono. Nestas duas podemos deitar culpas aos aliados estrangeiros que nos viraram costas. No caso do C.E.P. agradecemos aos nossos beneméritos republicanos.
Muito grato pelo seu pertinente comentário.
Cumpts.
Não se penalize que disso não é caso...
ResponderEliminarem Queluz a informação só é menos completa, e, por via disso, é que eu lhe mandei aqueloutra.
Cumpts
E eu a si, pela pertinentíssima adenda.
ResponderEliminarCumpts
Onde arranja disto ?
ResponderEliminarNa Hemeroteca Digital.
ResponderEliminarCumpts.