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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O cabeçalho, o cabecilha e os cabeçudos

 O cabeçalho é a notícia, toda a notícia, e nada mais é notícia.
 O cabecilha, vê-se de fugida no fundo do artiguelho.
 Os cabeçudos, devemos ser eu e os leitores.


 


Tânia Laranjo, «[Negreiro indiano escravizava centenas de indivíduos da sua raça.] Onze polícias eram pagos pagos para controlar [i]migrantes escravizados», in Correio da manha (isto mesmo, manha), 25/XI/25.


Tânia Laranjo, «Onze polícias eram pagos pagos para controlar [i]migrantes escravizados [Negreiro indiano escravizava centenas de indivíduos da sua raça.]», in Correio da manha (isto mesmo, manha), 25/XI/25. 


 Esqueciam-me as polícias, que servem como habitualmente de bombo da festa.


 




P.S.: a sr.ª jornalista bulha com a gramática; baralha rebuliço com reboliço e no acto, destaca-o entre aspas.


 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Um dia e um mundo assim…


Johnny Mandel, Being There
Performance Interpretação ao piano de Shirin.
Cenas de «Bem-vindo, Mr. Chance», 1979.


 

domingo, 23 de novembro de 2025

N.I.F. à pressão

Cá vai, emoldurado e tudo.


 


N.I.F. à pressão


 

sábado, 22 de novembro de 2025

Lisboa novíssima, em português suave

Praça de Londres, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)
Praça de Londres, Lisboa, 1953.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.


 

Ao depois da missa

Lisboa novíssima, com portugueses.


 


Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)


Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem)
Igreja de S.João de Deus, Lisboa, 1953.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.


 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Júlio Rendeiro


Júlio Rendeiro (A. n/ id., in Tesouro Verde)
Júlio Rendeiro (A. n/ id., in Tesouro Verde)



 Na sua experiência como dirigente do S.C.P., foi o grande responsável pela inserção do Paulo Jorge Gama — o popularizado Paulinho — no S.C.P., o qual, por coincidência, iniciou no hóquei em patins a sua participação no Clube. Como aconteceu esse episódio?


 J.R. — Recorrendo à minha memória, no final da década de oitenta, em data que não consigo precisar, e na qualidade de vice-presidente com o pelouro das modalidades, fui abordado pelo saudoso Coronel Cunha Bispo, responsável pelas infraestruturas do S.C.P., contando-me a seguinte história: tinha sido contactado pelo Luís Repolho, dirigente da nossa claque Torcida Verde, dizendo-lhe que uma pessoa de uma instituição de apoio social lhe havia relatado que tinham institucionalizado um jovem com graves limitações motoras e cognitivas. Esse jovem vivia praticamente sem interagir com o meio exterior, nada lhe interessava, nada o motivava e nada o fazia sair do seu mundo interior.
 No entanto, as pessoas que com ele lidavam notavam que o jovem reagia de forma entusiástica sempre que o nome do Sporting era referido.
 Através do Luís Repolho pretendiam, então, saber da nossa disponibilidade para explorar a pista ligada ao interesse que o jovem revelava pelo nosso clube. Aceitámos o desafio, arranjámos instalações no estádio para o acolher com dignidade e colocámo-lo como roupeiro do Hóquei em Patins.
 O resto é história conhecida. O jovem renasceu, transformou-se num homem, hoje [em Outubro de 2023] com 54 anos, profissional de excelência.
  É o nosso Paulinho, salvo pelo seu amor ao Sporting.


«Grande entrevista com Júlio Rendeiro», in Sporting 1906, 24/X/2023.


 


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Verdades escondidas da T.A.P.

T.A.P.: 1.º curso de Assitentes de Bordo, Aeroporto da Portela, 1947. Fotografia: autor n/ ident. Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.
T.A.P.: 1.º Curso de Assistentes, Aeroporto da Portela, 1947.
Helena Calafate, Natália, M.ª de Lourdes dos Santos Martins [?], Mrs. Summers (instrutora), Ana Duarte, Françoise, Ruby, [?].
Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.


 




 


 O documento em baixo guarda-se no Museu da T.A.P. É anterior à fotografia em cima e é anterior também ao primeiro curso de Assistentes, que foi ministrado só em 47. Dá conta da admissão das primeiras Assistentes de Bordo dos Transportes Aéreos Portugueses em 23 de Dezembro de 1946. Entre elas mencionam-se Miss Summers, que salvo erro fôra da B.E.A. e ministrou nesses tempos o primeiro curso de Assistentes nos T.A.P., e Lourdes dos Santos Martins que foi nem mais nem menos que a Assistente de Bordo do primeiro vôo da Linha Aérea Imperial, como a baptizou pomposamente o H. Delegado, ou linha de África, como era vulgarmente referida pelos aviadores.


 A linha de África inaugurou-se oito dias depois, em 31 de Dezembro, com a partida do primeiro avião de carreira para Africa Portuguesa, como escreveu o Diario de Lisbôa na sua primeira página dêsse dia.


 O jornalista Norberto Lopes viajou como convidado. Nas crónicas desta viagem que ia telegrafando ao jornal e foram sendo publicadas nos dias seguintes, usou por vezes o termo comissária para se referir à Assistente de Bordo Lourdes Martins. A notícia da partida (que não será de Norberto Lopes) refere-a, porém, como hospedeira quando apresenta os tripulantes e a respectiva função. Não estava ainda ao tempo definida no uso geral a nomenclatura da profissão que se habitualmente ainda hoje refere como de hospedeira, ou hospedeira de bordo.


 Todavia a Comunicação de Serviço 1696/T do Chefe da Secretaria dos T.A.P. para a Contabilidade é clara: as senhoras admitidas passam a prestar serviço nos T.A.P. com a categoria de assistentes de bordo.


 Para o pessoal da T.A.P. até hoje é o que impera. — A T.A.P. não tem hospedeiras. A T.A.P. tem Assistentes de Bordo! — é como dizem sempre sorrindo antes que alguém ouse chamar-lhe hospdeiras.


  Curiosamente a designação comissária não vingou no feminino, mas impôs-se no masculino.


 


Transportes Aéreos Portugueses, «Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo».  Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade,  23/12/1946
Transportes Aéreos Portugueses, Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo, 1946.
Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade, 23/12/1946, in Museu da T.A.P.


 




(Adaptado do original publicado em 17/III/25 com o título «Comissária, hospedeira, assistente de bordo».)


 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Do histórico histérico

 Parece que os matraquilhos quando o dono do esférico não joga dão cabazadas nada menos que históricas. É o que todos dizem. E já se torna um hábito: aos 9 de cada vez. Importa lá que seja a amadores. Não importa nada e a conversa é ela toda sem dúvida: já ganharam! Vão ser campeões do mundo, pá! Vai ser histórico.


A Bola, 17/XI/25
(A Bola, 17/XI/25.)

domingo, 16 de novembro de 2025

Frei Luís de Sousa

Frei Luís de Sousa / Almeida Garrett, J. Tomaz Ferreira (intr.). — 8.ª ed. . — Mem Martins : Europa-América, [1995]. — 147 p.; 18cm. — Livros de Bolso Europa-América, 3 Li o livrinho enquanto ouvia a peça em teatro radiofónico transmitida pela Emissora Nacional em 23/VII/1958. Bons actores, grande declamação. Diálogos num Português maravilhoso de ouvir.


 A peça, bem!… O enredo é bem esgalhado. As personagens entroncam na História do nosso séc. XVI. início do XVII, e isso agrada-me, mas…
 É cá um dramalhão!
 A inocente morre, os «pecadores» morrem para o mundo: recolhem-se à clausura conventual. Pecadores desgraçados pela sua própria consciência, por crentes num Deus que lhes lançou um ardil nas suas vidas, em que não haveriam de nunca ter a mínima hipótese de não cair. Só negando-se ao irreprimível amor (quereis lá ver pecado tão grande?!…) que nutriam um pelo outro.
 O cânon da peça reflecte um gosto e uma mentalidade que não entendo, nem concebo, a menos que reflicta uma ímpia e turtuosa elaboração do A. para mostrar como mal a fé doentia ou, um Deus tenebroso.
 Uma urdidura do marfarrico através da pena superior, mas aventaleira, anticlecrical do A.?…
 Mas, não é o avental marca da venda por régua e esquadro da própria alma ao diabo?!…
 Talvez até por isto, deveio um clássico.
 Ao depois, pode sempre dizer-se que a dramaturgia nacional não tinha substância, nada em que se estribar… — Adeus ó Gil Vicente!…


 O volumezinho desta edição vale por mais do que pela peça que é, no mínimo, se quisermos com alguma boa vontade, uma desgraçada e enjoativa tragédia das antigas. À grega, mas para pior.
 As notas em apêndice, do A., à conferência no Real Conservatório em 6 de Maio de 1843, quando da apresentação do drama, são um interessante testemunho e reflexão erudita de Garrett sobre literatura, drama, história, política, e sobre a sociedade, vistas na marcha do tempo na sua época — a do liberalismo e do romantismo — e no confronto desses ideais com o passado remoto do classicismo e, sobretudo, com o próximo — do Antigo Regime —, que era o alvo a abater.
  Achei mais interessantes do que a peça.


 

sábado, 15 de novembro de 2025

Página desportiva


« O Sporting estreou ontem o seu novo fardamento. Camisola e meias verdes e brancas, em listas horisontais, e calção preto. É um equipamento bonito, agradavel.
Diario de Lisbôa, 7-11-927, p. 3.


 




Pagina desportiva (Diario de Lisbôa, 7-11-927)
(Página desportiva ajeitada duma fotocópia deslavada da fundação do irmão do Dr. Tertuliano.)



 

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cristianão

 A queda em desgraça de grandes beldades ou de vedetas do desporto com a marcha do tempo é duma tristeza deprimente. 
 Ser medianamente capaz ou talentoso tem o seu lado bom. Porque me haveriam de ralar as rugas, o reumático, o declínio da idade? Desde o princípio que estou na média.


 


Ronaldo, in Desenhos para fazer no caderno da escola.


 


 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Aquém e além e de roda do treze no Totobola

 Fazer doze no Totobola é coisa mais vulgar do que treze. Mas no que toca a falar-se dele é ao contrário. Do que se sempre fala sempre é do treze, quere se faça, quere se não faça. Há ele até umas rhythmas meias esquecidas que me lembram agora:



Com um brilhozinho nos olhos
Dissemos, sei lá,
Tudo o que nos passou pela tola
Do estilo: és o number one
Dou-te vinte valores
És um treze no Totobola



 Claro que acabar o passo com És um doze no Totobola não passaria pela tola. Dizer, do estilo, és o number two, dou-te dez valores, és um doze no Totobola — não poria nenhum brilhozinho nos olhos a ninguém. Se pusesse, seria um brilhozinho nos olhos, de choro, tal a mediocridade da conversa. E às duas por três, beber um copo nem dava para fazer o quatro nem para pintar o sete. Por tais contas, calhando, só bebendo uns poucos de copos antes, não só um.
 O Godinho não fez portanto por tanto nem por menos.
 Por isso soube-lhe a pouco e a tanto.


 


 
Sérgio Godinho, Com Um Brilhozinho nos Olhos
(Versão sonora do álbum Canto da Boca, 1981, c/ imagens ao vivo no Coliseu de Lisboa, 1995)


 

domingo, 9 de novembro de 2025

12 no Totobola

12 no Totobola [fictício]. Concurso n.º 1 do Totobola, bilhete 870332, 24/9/1961.
12 no Totobola. Bilhete 870 332, Concurso n.º 1, S.C.M.L.,  24/9/1961.




A «chave» do Totobola


«A »chave» do Totobola (Diario de Lisbôa, 24-9-961, p. 8)
Diario de Lisbôa, Domingo, 24 de Setembro de 1961.


 


Nota: Qualquer realidade de factos, pessoas, ou lugares com a coincidência, é mera semelhança.


 

sábado, 8 de novembro de 2025

No tempo dos cabazes de vime

Portinho da Arrábida, Portugal, 195… (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem
Portinho da Arrábida, Portugal, 195….
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.


 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

No tempo da Laranjina C

Portinho da Arrábida, Portugal, post  1969 (A. n/ id., Col. Fundação Portimagem
Portinho da Arrábida, Portugal, post 1969.
A. n/ id., Col. Fundação Portimagem, in Flickr.


 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Da demência colectiva

Condenado que se julga mulher lança fogo na prisão de mulheres onde alguém doido o resolveu meter.  Cinco guardas feridos, Sol, 3/XI/25


 Qual o pior louco?
 O marado dos cornos que resolveu que era uma gaja?
 Os alucinados (ir)responsáveis que o tomaram por bom do tino, encarcerando-o numa prisão de mulheres?
 O jornalista imbecilizado que baralha a gramática e cauciona na notícia uma loucura pegada?


 É preciso chegar mesmo, mesmo ao fim da notícia para ler de maneira menos obscura que raio de merda é esta. Alguém que manda nas prisões decidiu sem pestanejar meter um condenado doido varrido em prisões de mulheres só porque o gajo acha que é mulher!



O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (S.N.C.G.P.) também já reagiu, considerando que esta situação «coloca em causa a segurança prisional» e defendendo que a reclusa [sic] «deveria ter sido colocada [sic] numa ala de segurança da cadeia de Monsanto [masculina], e não junto de mulheres e crianças na ‘Casa das Mães’».



 Porém até o sindicato acerta mal, porque também refere no feminino o gajo condenado, que deveria ter sido colocada numa prisão de alta segurança.


 Chegados aqui, onde haverá prisão ou manicómio para todos estes figurantes?


 

domingo, 2 de novembro de 2025

Espelho de (quando éramos) portuguezes

Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 113


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 114


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 115


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 116


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 117


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 118


Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 119


Alberto Pimentel, «Santos e defuntos», in Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 113-119.


 

sábado, 1 de novembro de 2025

Disto e daquilo que anda tudo ligado

 A civilização parece rodar as modas, mas, tirando a estupidez, a inculca muita vez é outra. Barbados de três dias de repente ficaram a ser cheios de estilo, charmosos até. Dantes andar barbado era simplesmente desaprumo, quando não rudeza, baixa, reles.


 De baixeza reles fez-se ele moda… Isto e muito mais…


«Conserve-se bem barbeado por mais tempo» (anúncio Williams), Diario de Lisbôa, 30-9-958, p.2



 Quando vieram para aí com a moda das barbas à António Variações — à hipster, chamaram-lhe (estas modas hão sempre de ter nome estrangeiro que é para serem fashion) — Esta merda agora traz coisa!… — desconfiei.


 Modas disparatadas não são novidade, mas esta cheirou-me a esturro.
 — Quem é que eu sei de barbas hirsutas, por fé e tradição? — cogitei cá com os meus botões.
 — Uma malta mais lá para Oriente: padres ortodoxos gregos e, mais além, da Turquia em diante e para baixo, toda aquela seita da mafoma. Todos de barbicha de bode, sem bigode, coisa de ortodoxia religiosa também (suna), claro. Mas não só imãs, molás, aiatolas e andrajosos quejandos. Não. Aquela seita toda faz questão de usar tal adorno chibante por distinção orgulhosa, para elevar-se ante os (dizem eles) infiéis (kuffar). Isto é mesmo assim, e no entanto, racismo e xenofobia só se colam aos últimos, aos ditos infiéis, a nós, cristãos; colagem auto-infligida, para cúmulo, mas logo aproveitada… Enfim!…


 Por cá só a ciganada de luto se via com barbas desgrenhadas e por aparar naquele desalinho repelente; herança ancestral por ventura, ou não fossem os ciganos entroncar linhagem ao Oriente. Neste e noutros modos seus os vestígios dos hábitos da mafoma não são poucos…


 Pois bem, os barbudos impingidos pela moda hipster, que fazia por ser coisa bem amanhada e até com tesoiradas de artista, o mais que me pareceram foi serem uma espécie de idiotas úteis a uma inculca insidiosa. Desde os barbudos da Sierra Maestra, do M.F.A. e do P.R.E.C. (passe tanta redundância) o ver-se barbudos por aí em geral e a pontapé era raro. Lá um ou outro como o Santana Lopes nos anos 80 e 90, tudo isso coisa já passada, como a moda das pêras à Deus Pinheiro e à Marcelo Rebelo de Sousa no Expresso (o Marcelinho da Gente).


 Mas a barbeirice repenicada e barba à hipster tornada moda pareceram-me de maneira a se não haverem de estranhar barbudos por aqui e, desde logo, a normalizá-los pela surra até se a coisa entranhar. Passo seguinte e a moda das barbas pròpriamente à hipster passava, mas os barbudos deram de pressa no trivial do homem que se visse na rua. Tão natural cá como nessas cidades de Fez ao Cairo, de Istambul a Islamabad. Só faltou o turbante dos aiatolas, mas até isso no fim se resolveu. É sempre engraçado ver passar o Sandokan!… (Ou centenas dele…)


 E assim, nem meia dúzia de anos dessa inculca dos hipsters, demos em ver passar com maior das naturalidades nas nossas ruas essoutros barbudos da mafoma, coisa que muitos, não por acaso, estranharam menos, não estranham já de todo, ou até gostam.


 Pois, não é ver tanta dessa malta nova, nativa, ainda de barba rala e a querer aparecer barbuda?


 Como isto corre e se entranha, só visto, porque até gajas se vêem para aí agora com fartura que enfiam o barrete do véu islamita quais aberrações tão velhas como a da mulher barbuda do circo dos horrores. E são gajas de cá, não de importação. Talvez a barbicha de bode lhes não ficasse mal…


 E por fim! Em reacção a esta inculca barbosa, consciente ou inconsciente, parece-me que gira agora aí a moda do bigodinho à Tonico Bastos, como no rapaz Afonso da Reconquista. Não sei se é com Afonsos assim que vamos lá…


Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini), Gabriela, 1975 (A. n/ id., in IMDb)
Tonico Bastos (Fúlvio Stefanini), Gabriela, 1975.
A. n/ id., in IMDb.


 

Primeira página dum feito (agora) inacabado

«A tomada de Lisboa aos Mouros e a sua importancia politica e historica», Diario de Lisbôa, 25-10-935