T.A.P.: 1.º Curso de Assistentes, Aeroporto da Portela, 1947.
Helena Calafate, Natália, M.ª de Lourdes dos Santos Martins [?], Mrs. Summers (instrutora), Ana Duarte, Françoise, Ruby, [?].
Esp. do C.te Amado da Cunha; col. do Sr. Ant.º Fernandes.
O documento em baixo guarda-se no Museu da T.A.P. É anterior à fotografia em cima e é anterior também ao primeiro curso de Assistentes, que foi ministrado só em 47. Dá conta da admissão das primeiras Assistentes de Bordo dos Transportes Aéreos Portugueses em 23 de Dezembro de 1946. Entre elas mencionam-se Miss Summers, que salvo erro fôra da B.E.A. e ministrou nesses tempos o primeiro curso de Assistentes nos T.A.P., e Lourdes dos Santos Martins que foi nem mais nem menos que a Assistente de Bordo do primeiro vôo da Linha Aérea Imperial, como a baptizou pomposamente o H. Delegado, ou linha de África, como era vulgarmente referida pelos aviadores.
A linha de África inaugurou-se oito dias depois, em 31 de Dezembro, com a partida do primeiro avião de carreira para Africa Portuguesa, como escreveu o Diario de Lisbôa na sua primeira página dêsse dia.
O jornalista Norberto Lopes viajou como convidado. Nas crónicas desta viagem que ia telegrafando ao jornal e foram sendo publicadas nos dias seguintes, usou por vezes o termo comissária para se referir à Assistente de Bordo Lourdes Martins. A notícia da partida (que não será de Norberto Lopes) refere-a, porém, como hospedeira quando apresenta os tripulantes e a respectiva função. Não estava ainda ao tempo definida no uso geral a nomenclatura da profissão que se habitualmente ainda hoje refere como de hospedeira, ou hospedeira de bordo.
Todavia a Comunicação de Serviço 1696/T do Chefe da Secretaria dos T.A.P. para a Contabilidade é clara: as senhoras admitidas passam a prestar serviço nos T.A.P. com a categoria de assistentes de bordo.
Para o pessoal da T.A.P. até hoje é o que impera. — A T.A.P. não tem hospedeiras. A T.A.P. tem Assistentes de Bordo! — é como dizem sempre sorrindo antes que alguém ouse chamar-lhe hospdeiras.
Curiosamente a designação comissária não vingou no feminino, mas impôs-se no masculino.

Transportes Aéreos Portugueses, Provimento de pessoal — Assistentes de Bordo, 1946.
Comunicação de Serviço 1696/T da Secretaria dos T.A.P. p/ a Contabilidade, 23/12/1946, in Museu da T.A.P.
(Adaptado do original publicado em 17/III/25 com o título «Comissária, hospedeira, assistente de bordo».)
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