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sábado, 10 de fevereiro de 2024

Berec

Pilha Berec (e-Bay, s.d.)


 Nos da minha geração há — houve — um hiato de 20 para 30 anos nas memórias. Memórias de coisas de nada que me mostravam o ir e vir do mundo, me povoaram a ideia em menino e que, enfim, se foram. Desapareceram. Com isso a memória arrumou-mas num qualquer canto recuado da mente até me nunca mais haver de lembrar.


 Foi comigo o caso com as pastilhas Pirata, que me apareceram certa vez inesperadamente no Mistério Juvenil, .Com (já deve haver uma abreviatura para o .Com antecedido de vírgula e tudo, como S.A.R.L. e C.ª, Lda., não?!…) Uma sensação de saudade veio-me de revê-las que não sei bem dizer. Por redescobrir aquelas imagens de algo já completamente esquecido. Não me aparecendo nunca mais, nunca mais me haveria de lembrar delas: as pastilhas Pirata.


 Outras memórias de infância me não estariam tão esquecidas: o Chapi-Chapô, o Professor Baltasar e o quê, mais?… Mas quando vagabundeei a rebuscá-las e as achei tive à mesma a sensação de cobrar saudades. Muitos da minha geração que foram apanhados pela rede da Internete há uns 20-25 anos hão-me de entender. Tiveram decerto sensação semelhante, a julgar do que li ou e fui vendo.


 Ao depois que estas coisas retornaram, com o espalhar da rede, a memória esbatida dum passado esquecido tornou-se de novo presente. Foram salvas do esquecimento completo, pelo menos na memória de quem sente saudade. São agradáveis recordações que me alegram recuperar.


 Lembro-me de ter pensado então que, nas malhas desta rede, a minha geração e uma ou outra para trás, também nela apanhada, logravam recuperar brandas memórias perdidas com um saborzinho e saudade que doutra forma difìcilmente ou nunca mais recuperariam. Era uma coisa só delas, dessas gerações mais antigas, porquanto aos novos lhe não havia ainda passado tempo de as perderem. Os mais novinhos, cresceriam já de tal maneira emaranhados nas malhas da rede que seria impossível que lhe alguma vez levassem sumiço suas tenras memórias. Logo, nem lhe a saudade, cuido, poderia alguma vez dar.


 Talvez seja assim ou talvez não.


 Não sei que pense das gerações mais novas. Cuido sòmente que a influência abismal dos meios de comunicação (da rede, i.é) e a sua imersão neles (nela, pois…) como nunca houve nada antes, lhe venha a moldar a mente muito a contrário de sequer formar memórias além das desta manhã. Nem cuido que venham estes últimos a sentir saudade senão do que ainda está para acontecer. — Como o fim do planeta! — Eles que esperem.


 


(Revisto ao depois do almoço porque antes, já estava na mesa…)

6 comentários:

  1. Figueiredo11/2/24 11:31

    Uma pilha fornecida pela Empresa Eléctrica Britânica «Ever-Ready» (hoje parece que se escreve assim: «Eveready»).

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  2. Economia de esforço.
    Cuido que foi tomada pelos americanos.
    Cumpts.

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  3. Tchiiii!!!, Pilhas Berec. Já não me lembrava delas. Agora que vi a foto e li o texto, muita coisa me veio de repente à memória. Como a facilidade com que se ‘babavam’ dentro das lanternas e nas caixas de pilhas dos meus comboios LEGO, entre muitos outros brinquedos que precisavam dos seus préstimos. Ah, ah, ah!
    * …e não duravam nada.
    Obrigado pela partilha.

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  4. Calhando, nunca mais se havia de lembrar.
    Eram tal qual; faziam uma babugem desgraçada.
    Cumpts. :)

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  5. Que tempos esses.
    Tudor era a marca usada no meu gravador a pilhas e rádios portáteis.
    Agradeço a lembrança.
    Jose

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  6. Tempos de gratas lembranças.
    Cumpts.

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