OS SANTOS DE DEZEMBRO
« Dezembro não precisava tanto sol, como este anno, para ser mez alegre.
Imaginem os srs. que chovia a potes, que não podia haver étalage no Campo Grande e na Avenida, que não se podia passear sob um ceu azul e ouro, como este que estamos vendo.
Ainda assim, ficava de pé o calendario com as suas festa de dezembro, sobretudo as religiosas, que são as mais notaveis do anno.
Porque n'este mez dá-se a circumstancia agradavel de não ser preciso esperar alguns dias para ver chegar a primeira festa.
Vem logo ao dia 1, como o prologo costuma vir no principio dos livros.
Refiro-me á commemoração patriotica da restauração de Portugal, dia alegre, em que pode chover muito, sem que por isso se deixe de ouvir, ao longe ou ao perto, foguetes e musicatas.
Se chove, o patriotismo fica em casa, mas vem á janella dar vivas aos restauradores mortos.
Se não chove, o patriotismo sai para a rua, e agora o verás! é cada viva que parece um foguete, e cada foguete que parece um viva.
Estoira tudo.
Vem logo depois a festa da Conceição […] »Alberto Pimentel, Espelho de Portuguezes, v. II, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1901. pp. 120-121.
sábado, 2 de dezembro de 2023
o 1.º de Dezembro por 1900
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Estou a ver que gostou de Alberto Pimentel, escritor Portuense natural de Cedofeita, Porto.
ResponderEliminarTendo em conta que é do estrangeiro, poderia sugerir-me um escritor Lisboeta dentro da geração e corrente literária do primeiro, que retrate Lisboa e os Lisboetas - com os seus costumes e tradições - para adicionar às minhas leituras?
Aproveito para relembrar que faz 46 anos que Vera Lagoa, destacada Patriota-Republicana, escritora, e fundadora do jornal «O Diabo», organizou uma grandiosa manifestação no 1º de Dezembro de 1977 em comemoração da Efeméride que celebra a Independência de Portugal recuperada em 1640.
Foi uma marcha monumental e de coragem contra o medo e a grave situação que se instalou em Portugal e nos Portugueses provocado pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974, que impôs ao País e ao Povo o regime liberal/maçónico.
"...tendo em conta que é do estrangeiro...." ???
ResponderEliminarNão percebo, quem é que é do estrangeiro?
Cumpts.
Sim, senhor, aprecio A. Pimentel. Ainda estou para chegar aos livrinhos em que ele fala do Porto.
ResponderEliminarE sim, senhor, sugiro-lhe:
Luiz Augusto Palmeirim, Os Excentricos do meu Tempo, Imprensa Nacional, Lisboa, 1891.
No mais, respeitante ao 1.º de Dezembro de 77, não tenho memória, mas fiquei curioso de ver o que disseram os «passarões» do Diário De Lisboa de 2/XII/977.
Cumpts.
Ah ah ah!
ResponderEliminarNão vê V.? O nosso confrade Figueiredo trata-nos carinhosamente como alfacinhas, mas de maneira bairrista.
Cumpts.
No futebol temos os morcões e os mouros, na Restauração tivemos os lisboetas a atirar com o Vasconcelos janela fora.
ResponderEliminarCumpts.