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sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

De enquanto houve Portugal


 Andando neste reino um frade fidalgo castelhano, disse a um fidalgo português que se não podia negar a nobreza que tinha este reino; mas que lhe parecia que recebera alguma perda ou dano grande, pelo qual a gente trazia sempre dó. E o português respondeu-lhe:
 — Vossa Reverência diz verdade, que foi tão grande o nojo que os Portugueses tomaram quando el-rei D. João, de gloriosa memória, venceu el-rei de Castela porque não seguiu a vitória até lhe tomar todo o reino, que, enquanto houver Portugal, sempre trarão dó os Portugueses naturais dele!


José Hermano Saraiva (anot. e com.), Ditos Portugueses Dignos de Memória; História íntima do século XVI, 3.ª ed., Mem Martins, Europa-América, 1997, [1266].



Azulejo da «Redempsão de Portugal», Palácio dos Condes de Almada ( da Independência), in S.H.I.P.




A gente trazia sempre dó: parecia que as pessoas andavam sempre de luto. São possíveis dois sentidos para esta expressão: o feitio triste dos Portugueses, que contrasta com a exuberância castelhana, e a pobreza das roupas, porque o luto podia consistir no uso de roupas velhas. Nojo: desgosto. Não seguiu a vitória: não continuou a guerra vitoriosa, depois da batalha de Aljubarrota. Naturais dele: nascidos nele. [N do E.]


(Azulejo da «Redempsão de Portugal», Palácio dos Condes de Almada ( da Independência), in S.H.I.P.)

5 comentários:

  1. Em dia de Restauração da Independência, venho por este meio perguntar a Vocemessê se já viu o novíssimo "logopito" (sic) que o agora Governo em estado terminal inventou quando ainda estava em cuidados paliativos?
    Aquilo é muito giro: é uma bola amarela no meio de dois quadrados, um verde e o outro vermelho!
    Quanto terá custado o design da coisa?

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  2. Já tinha visto havendo agora coisa de um mês pouco mais ou menos.
    Se o anterior era uma cagada desnecessária e despesa perdulária (ou negociata de amigos, que é qualificação «sine qua non» do «bom» govêrno) do tempo do Passos Coelho, isto agora ultrapassa-o na tal arte do bom governo, pelo refinado gôsto, pela habilidade do desenho e pelo brilho mental da justificação.
    Em suma, o boneco mais não é que o cheiro dum cadáver a que por hábito teimam em chamar Portugal.
    O dia de hoje comemora um defunto.
    Cumpts.

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  3. Li que custou 74 000 €.
    Cumpts.

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  4. Sim, uma amiga acabou de declarar-me o valor!
    Bem achada essa do defunto. Será que foi eutanasiado?

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  5. Quando lhe deram o golpe não havia cá isso de eutanásia. Era homicídio. Mas ao defunto aplicou-se outro eufemismo: revolta dos cravos. Lembra-me que bastaram três para cravar Cristo na cruz…
    Cumpts

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