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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

A Rua da Palma ensolarada numa imagem de arquivo

Rua da Palma, Lisboa (J. Benoliel, 195…

 A imagem é de guarda do archivo da Câmara de Lisboa. Guardei-a eu de lá faz tempo, para ilustrar qualquer coisa que me viesse a ocorrer dizer. Calha-me agora dizer algo que me ocorreu logo a seguir ao domingo após o último S. Martinho, há ele pouco mais de um mês. Dei-me conta naquele domingo de que o archivo photographico em linha não dava nada. Não funcionava. Estava fora de serviço. — Manuntenção? Às vezes sucede. — No dia seguinte já funcionava, mas dava, como dá desde então, as imagens com uma aborrecida marca-de-água, por sinal bastante carregada.


 Em tempos teve já o archivo photographico uma marca-de-água nas imagens que facultava em linha ao público. Ao depois acabou com isso e pareceu-me ele muito bem; dei conta até disso em algo que publiquei em 5 de Abril de 14. E pareceu-me aquilo muitíssimo bem e justo até, porque a bibliotheca d' Arte da Gulbenkian faculta a todos as suas imagens de archivo com muito melhor qualidade do que o archivo da C.M.L., sem qualquer marca-de-água. Acresce que a Gulbenkian não é nenhum archivo público pago com dinheiro de impostos…


 Duas coisas há que reparei antes desta reintrodução de marcas-de-água nas fotografias do seu acervo em linha pelo archivo photographico da C.M.L.


 Uma foi que na Lisboa de Antigamente (a remissão está aí ao lado) o seu A. passara a indicar as fotografias que vinha publicando como sendo originais do seu próprio acervo: menciona-lhes o autor (vá lá!), seguido de in Lisboa de Antigamente; a fonte, dá assim a entender que é ele mesmo, nem mais! — Não sei se compra ele as fotografias ao archivo photographico. Duvido de tal, porém, a julgar até do plágio descarado que fez daqui uma ou mais vezes, casos em que bastaria dignar-se mencionar as fontes primária ou secundária sem nada mais a ser-lhe cobrado. Do que não duvido é que as imagens que aparecem como in Lisboa de Antigamente sejam muitas delas do archivo photographico da C.M.L.


 A outra coisa que reparei, foi que esse blogo da Lisboa de Antigamente foi destaque no Delito de Opinião um dia antes da reintrodução da marca-de-água pelo archivo photographico. Há só de ter sido coincidência. O caso é que o Delito de Opinião tem muita projecção; há muitíssima gente que o lê…


 Coincidência ou não, estivesse eu encarregado do archivo photographico, talvez ficasse desagradado se reparasse que as fotografias à sua guarda andavam para ali publicadas omitindo o archivo que as preserva, somando-se-lhe que tal omissão dava ainda por cima lugar a uma abusada menção do usufrutuário a si mesmo como fonte das fotografias, como se dá o caso na Lisboa de Antigamente.


 Talvez me o desagrado crescesse em certa raiva vendo que o abusador se saía ele até com crítica áspera por alguma imagem ser de baixa qualidade/resolução, graças ao paupérrimo trabalho de digitalização efectuado pelo Arquivo Municipal de Lisboa (A.M.L.) hoje completamente ao abandono. Crítica espúria porquanto em passo anterior da legenda sempre, sempre o A. da Lisboa de Antigamente toma para si mesmo a posse da imagem. Pois se a imagem é sua, como se aceita vir o fulano queixar-se do paupérrimo trabalho do Arquivo Municipal de Lisboa?!… Ou de trabalho nenhum, pois que proclama na mesma frase o dito arquivo completamente ao abandono!  


 É tudo isto duma esperteza!…


 


Recorte de «A Avenida da República 71-73». Lisboa de Antigamente, 10/XI/23.


 


 Não sou do archivo photographico nem nada tenho com ele, salvo como munícipe com os impostos em dia. Daí a minha primeira crítica lá em cima, por comparação à Gulbenkian.


 No fim, a ironia tem coisas: o esperto que se sobrepõe ao archivo photographico da C.M.L. como depositário de tantas imagens que publica na Lisboa de Antigamente tem à margem, com destaque, o rol dos copiões-mores que lhas levam à revelia para o livro das fuças.


 


 A fotografia da Rua da Palma em dia ensolarado pelos anos 50 é de Judah Benoliel e acha-se no archivo photographico da C.M.L.; calha a propósito porque é na Rua da Palma que fica o dito archivo, bem que não naquele troço.


 O recorte da Lisboa de Antigamente é da «Avenida da República 71-73», com textículo publicado em 10/XI/23, sexta-feira anterior ao reaparecimento da marca-de-água nas imagens do archivo photografico da C.M.L., que foi na segunda-feira a seguir.

14 comentários:

  1. O do blogue Lisboa de Antigamente publica fotografias com legendas erradas e é teimoso não rectificando.
    Julgo que o 'in Lisboa de Antigamente' ou 'in Lisboa de Antigamente de Arnaldo Madureira' está a querer dizer ter sacado as fotografias dessa proveniência.
    É pessoa esquisita não aceitando comentários rectificativos.
    Por ex,: tem um postal com a Largo de São Paulo identificando os lados norte e sul em relação a quem fotografa e não ao que é visto na fotografia
    Nesta fotografia da Rua da Palma ainda ficaram de pé os prédios mais baixos desde a Rua
    Barros Queirós até ao que vemos da BelMala.
    Cumpts.

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  2. O velho CAROCHA sempre lá. Na velha e transitável Lx.

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  3. Bons tempos da capital do império

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  4. Sobre o prédio da Av. da República 71, parece que ainda tem inquilinos e não está "completamente abandonado".
    O prédio do lado, o mais baixo, foi demolido mantendo-se a fachada suspensa por fortes vigas de ferro.
    O problema destes prédios, com serventias laterais, é o não poder haver construção que tape as janelas vizinhas existentes.

    Cumpts.

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  5. «In Lisboa de Antigamente» é para os incultos que copiam tudo a eito, incluída a legenda, e não sabem nada de citar fontes.
    Ele próprio é desses, que eu bem o vi ao princípio. O pouco que progrediu foi de aprender à custa de sofrer o mesmo que lhe faziam; passou a indicar a autoria dos textos que publicava sem aspas. — Alguns, nem todos; cuido que muito do que para lá anda é textualmente da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais ou lá como se chama esse organismos agora. O fulano é que me não parece ter bagagem para certas descrições arquitectónicas.

    Pois sim, ficaram esses que diz. Nem tinha reparado. Fujo de ir à Baixa para não morrer do coração. Toda esta Lisboa de agora, morro dela, nada a fazer!…

    Cumpts.

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  6. Ali, um nadinha mais transitável do que antes, mas não muito; foi só o espacinho do desvio para a entrada do Hotel Mundial.
    Cumpts.

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  7. Acredito que foram bons tempos, sim.
    Cumpts.

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  8. O 71 deve estar classificado, mas não será por isso…
    Do 73 está para ali só a fachada háum rôr de anos. Não sei o que estará para vir. Alguma redoma de lego envidraçado com um autocolante da Belle Epoque pelos artelhos.
    As janelas de saguão resolvem-se bem demolindo tudo ou tudo menos a fachada, como já vimos. Dê-lhe tempo.
    Cumpts.

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  9. Certo.
    Repare no que acontece na Av. Almirante Reis com o pequeno edifício nº. 74 que ninguém lhe pega por causa das janelas dos prédios laterais.
    (ao lado do que aproveitou parte da fachada anterior estilo"árabe")
    Cumpts.

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  10. Cuido que não. Ninguém lhe pode mexer porque está classificado. Tem azulejos de Arte Nova.
    Cumpts.

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  11. Infelizmente, só hoje tive o prazer (repito o prazer!) de ler esta sua nota muito bem escrita e com muita propriedade, nos dois assuntos que abordou.
    Quanto ao Arquivo da CML já estou acostumado a erros (alguns clamorosos) de legendas, datas, etc. Mas é o que temos. Pena é que são pagos para tal.
    O confrade "Bic" diz que está ao abandono, mas parece-me que não, já que pelo tiveram alguém por lá que alterou o software para que sempre que se vê uma foto, lá está a odiosa e até ofensiva para os fotógrafos e intervenientes nas mesmas, maraca d'água. Colocar uma marca de água em cima da cara de uma pessoa é ofensivo e é falta de respeito !!!!
    Já não chega os impostos que pagamos ... é como "eles" dizem a "democracia a funcionar" ...
    Quanto a esse senhor que gere, ou é proprietário do "Lisboa de Antigamente", já respondeu a alguns comentários de leitores com elevada falta de educação e até ofensivo. Basta atender à secção "copistas .." Pura má educação. Não faço mais comentários acerca desse senhor porque o não merece. è pura perda de tempo.
    Quem faz trabalhos como o seu, o meu, e de outras pessoas bem intencionadas, só merecem o nosso respeito e admiração. Fazem-no desinteressadamente (!!!) e em prol da comunidade. Uns melhor, outros pior, uns mais "profissionais" outros menos. Não interessa! Fazem, e fazemos, o melhor que sabemos e nos é possível. Com todas as virtudes, falhas, erros e defeitos, evidentemente.
    Resta-me desejar ao caro "Bic" e sua família, um feliz Natal.
    Cumprimentos
    José Leite

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  12. José Leite23/12/23 18:24

    Peço desculpa não me ter identificado no comentário anterior, apesar de assinado.
    José Leite

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  13. Tarde mas ainda a tempo, espero, o leio aqui. Pelo menos para lhe agradecer a generosa simpatia e desejar um feliz 24, com interessantíssimos Restos de Colecção, que são já uma instituição na blogosfera nacional.
    No mais é como diz, infelizmente ou felizmente, conforme a má intenção na apropriação do mérito alheio ou a boa fé na divulgação desinteressada da nossa memória colectiva.
    Mais uma vez, obrigado!

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  14. Nada de que pedir desculpa.
    Cumpts.

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