Uma fotografia trivial de Lisboa sem muito que se lhe diga. Iluminações de Natal na Calçada da Estrela, no cruzamento da Rua de São Bernardo. Data incerta. Conjecturo-a pelo Natal de 71…
Não tem muito que lhe diga… Dois vultos fardados à esquina: um magala e um cauteleiro, talvez. Gaioleiros, alguns com fachadas de azulejo. Gaioleiros de traça, novecentistas; pisos de acrescento; platibanda de estilo; sacadas com ferro forjado; cantaria a emoldurar portas e janelas e cunhais. Montras, vitrinas: comércio com letreiros de época: Decorativa Lar — Loiças e vidros; Sapataria Costa (havia dantes aquele cheiro nas sapatarias); Sapataria Estrela — uma senhora a ver a montra; Farmácia Gama, com uma guarda de ferro na beira do passeio de ante; Palácio Estrela, cabeleireiro; Aníbal Barrento, cabeleireiro de senhoras; Ilford Filmes…
O vulto do eléctrico da Estrela, no largo da dita; trilhos, calçada de basalto. O eléctrico ainda é do tempo em que se usavam as caixas com o número da carreira sob o vidro da frente. Quando foi que isso acabou? Foi antes de 71, tenho impressão…
Cartazes publicitários (atenção, pois, que não são políticos!) chapados na parede; um do seu tempo — do meu tempo — onde consigo ler: «Invejável Saúde. Farinha Láctea Nestlé».
Invejável saúde, lá seria… O que é, é que nos ainda não damos conta. Damos?…
Fotografia: Iluminações de Natal, Lisboa, [s.d.]. Estúdio de Horácio Novais, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

O sinal de trânsito com menina de trança e o menino de calções (existiria alguma escola nas proximidades), no tempo em que só havia dois sexos e todos os restantes eram casos de psicologia, de psiquiatria e, no limite, de polícia (e sublinhe-se que nada tenho contra que assim fosse).
ResponderEliminar»No tempo em que só havia dois sexos» — invejável saúde, lá seria…
ResponderEliminarDe haver alguma escola próxima: sim; a primária n.º 52, feminina, na Rua da Bela Vista à Lapa; a travessa que se vê à esquerda é o prolongamento dela.
Cumpts.
'no tempo em que só havia dois sexos'
ResponderEliminare também havia hermafroditas.
Tem aparecido um sinal de transito parecido, próximo de igrejas, a avisar mas com uma criança a fugir de um padre.
Cumpts.
Havia raras aberrações, sim, como a da mulher barbuda do circo americano. Agora é norma.
ResponderEliminarA piadola também calha a propósito; porque nisto agora de arrimar-se aos meninos só é feio se partir dum padre. Aos mais, é como parafrasear o Fado do Estudante: é todo ele uma fé; embala, encanta e enebria, pois chega a ser bonito até na rádio-telefonia.
Cumpts.
Os hemafroditas são raríssimos acidentes naturais e nada têm a ver com a determinação do sexo por mero capricho volitivo.
ResponderEliminarEm relação ao sinal com os padres - alguns padres... - compreende-se e compreendo-o; mas quero crer que idênticos sinais deveria haver para outros destinatários, porque nesta coisas ou há moralidade ou levam todos.
Por onde começar?!…
ResponderEliminarCumpts.