Tudo é mercadoria.
Parafraseio aqui dois títulos de Ant.º Borges Coelho, medievalista. O tempo parece outro, mas os títulos são tão adequados… Retiro antes os clérigos porquanto estes com poderes de mando parecem andar na mó de baixo (ou discretos q.b. e, no caso, aí está uma sabida virtude).
De virtudes sabidas, e bem, temos então que abundam aí pelos partidos. É por virtudes destas, entre aspas, que, respeitante a Portugal, sou de inteiros. Desde que Portugal acabou e se escaqueirou é o que há: partidos; e é nesses cacos partidos da ex-pátria que os fidalgos cometem modernamente seus feitos. São fidalguia de berço, berço jota, e tomam recompensa de tenças e sinecuras à moda da Idade Média por feitos de bravura cometidos em… papel de jornal.
Com pergaminhos de tão bom coiro assim, natural é ver estes fidalgos honrar ao depois a sua democrática nobreza na feira de mercadores que são os governos e que se tem vista. E com tão alto mercadejar como não haveriam de ser eles também uns judeus em contas!…
Isto para dizer o quê?
O voto.
Também é mercadoria.
Hoje houvemos notícia de que pelos tais mercadores, judeus, fidalgos foi dado um crédito de imposto de circulação aos automobilistas com chaços de há dúzia e meia de anos ou mais. Por conta da santa cruz do voto.
Ámen!
Com o botar do voto em Março liquida-se o crédito.

O automovel do Sr. L. Elysio Mendes (1.º prémio de automoveis ornamentados), Campo Grande, 1907.
Alberto Carlos Lima, in archivo photographico da C.M.L.
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