Na cozinha havemos um garrafão com água. Tem uma bomba para tirá-la e um copo
a par. Como havemos sêde (quando temos; como, é maneira antiga de
dizer), damos à bomba e a água verte para o copo e bebemos.
Na cozinha da avó havíamos uma bilha de barro com uma tampa de madeira ou uma
rodilha e um caneco de cima, não sei se de latão, zinco ou barro. Ou,
calhando, um copo de vidro. Como havíamos sêde (quando tínhamos, &c., como
já disse), tomávamos o cântaro pela iasa e vertíamos a encher o copo e assim
buíamos. Era auga da fonte que as mulheres tiravam adestradas dando à manivela
com um braço e mão na ianca, a encher a bilha de barro.
No casal da Malhada Velha havia um poço raso atrás da casa, antes dumas casas
velhas mais antigas e já arruinadas (minha mãe nascera nelas, assim dezia).
Chamavam-lhe «a manilha». Tinha uma tampa de tábuas pregadas, cortadas em
redondo à forma do poço e por sôbre, uma escudela de cortiça do tamanho de
duas mãos em concha. Como alguém houvesse sêde, andando ali em trabalhos do
campo ou menino da cidade só de fim de semana, tirava a tampa, mergulhava a
escudela na iauga da manilha, sempre ao alcance dum braço e buía. Às vezes
buía por repetidas vezes, conforme a sêde.
Há tempos quando lá estive pelas partilhas mencionei o tal poço aos primos
como velhinha e curta memória que retinha do casal. O primo Jaquim Luís
recordou-ma — era a manilha.
A água da bilha de barro da cozinha da avó Rosa como a da manilha do casal
da Vila Nova era mais fresca cà do garrafão de plástico daqui.
sábado, 8 de julho de 2023
Da (i) auga
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Aprendi no Liceu (com Rómulo Vasco da Gama de Carvalho) que a água nas bilhas de barro era mais fresca pois o barro é poroso e a água permeava até à superfície onde se evaporava roubando energia e daí arrefecendo o recipiente e o seu conteúdo.
ResponderEliminarNos Liceus do meu tampo, os fásssistas eram lixados.
Rómulo de Carvalho continua a ensinar. Eu agora aprendi.
ResponderEliminar😊
Já não há liceus. Sobram para aí é fàssistas…
Cumpts.