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sábado, 25 de março de 2023

Das «gordas»

 Costumava ler os títulos dos jornais no quiosque. Já não há jornais. Sobram uns folhetos… E os quiosques, temo, alguns funcionam agora como T0 para o… ardina pardo de importação que vende neles cigarros (se vende) à hora do expediente. Nem sei de que viverá… Quiçá de subsídio à imigração (migração, digo; os imigrantes acabaram, com a globalização…)


 Gostava de ler as gordas. Há pedaço pus-me a lê-las no quiosque do Sapo. Como tudo é virtual agora, pus-me a lê-las no quiosque do Sapo, um quiosque virtual. — Qualquer dia somos nós, as pessoas, virtuais; muitas serão mais gado; talvez daí…


Notícias Magazine, 19/III/23 E bem, li e gostei. Gostei desta. É periférica, diz-se a moça em oração adversativa. Pode ser que seja, seja lá isso o que seja. A ressalva de que pode parecer querida e fofinha é todavia o principal que se no fundo ela acha. Periférica será antes apresentação irreverente escondida com o rabinho de fora (na fotografia não mostra) vestida de pseudo qualquer coisa original, artística. Para dar estilo. Assim como estar empoleirada lá no cimo da monumental da minha terra o é e que, hoje por hoje, é paradoxalmente bastante central.


 A tanto vai a periférica. Fica pelo telhado.


 Bárbara (nome muito próprio…) Tinoco cresceu na linha de Sintra. Do subúrbio trepou à periferia que já vejo… Diz palavrões por tudo e por nada; mais prova da tal irreverência, com pitada valente de rebeldia. Palavrões são asneiras e asneira vem de asno… — Bem o caso.


 Por fim, os portugueses sabem de cor [de côr ou de cór?] muitas das suas músicas.


  Já não devo ser português.


 


 


 


 


Notícias Magazine, 19/III/23.

2 comentários:

  1. Figueiredo26/3/23 10:59

    Leio «O Diabo» e o «Tal & Qual», os únicos jornais que ainda existem e vale a pena ler, embora o primeiro tenha decaído muito; à medida que o pessoal da Velha Guarda que colabora com o semanário vai morrendo, entrou num desvio de liberalismo, infelizmente.
    Longe vão os saudosos tempos em que «O Diabo» era um jornal não só de notícias, mas também com artigos orientados por princípios, valores, e ideologias, com uma forte componente sobre História (Estado Novo, Descolonização,etc.) e também Identitária.
    Quanto ao tabaco, até isso deram cabo, acabaram com grande parte das marcas que havia e que se destacavam pela variedade e qualidade dos seus cigarros, sendo que actualmente o tabaco que está a ser vendido - nestes últimos 10 anos - não tem qualidade e prejudica a saúde do fumador.
    Os Estrangeiros que estão a ser deslocados para Portugal em grandes quantidades, é já o desespero do regime liberal/maçónico, que, deslegitimado nas Urnas pela Abstenção, procura substituir os votos em falta, ou seja, damos-te a nacionalidade Portuguesa mas em troca tens de ir votar.
    A dr.ª Bárbara Tinoco nunca ouvi falar, mas já reparou no calçado à aleijadinha?


    Post-Scriptum: Ao ler o seu artigo fui obrigado a recordar a satisfação que era ir ao quiosque na minha infância, comprava-se tabacos, livros, jornais, colecções/fascículos, guloseimas, etc.

    E ainda por causa dos jornais, recordo-me também do prazer que era, sentar-me na barbearia a ler o «Jornal de Notícias» (JN), «O Comércio do Porto», «O Primeiro de Janeiro», e «O Jogo», enquanto esperava a minha vez de ir ao corte.

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  2. Parei de fumar no ano 2. Embirro solenemente com o puritanismo feroz que se mais tarde instalou, porém. Sinal dum processo inquisitorial que não tem parado. As marcas de cigarros que havíamos vejo que se foram acabando. E saber que governos caíram por causa do monopólio dos tabacos.

    Resiste ainda, a Tabaqueira nacional?…

    Do gôsto dos jornais.

    Com uns ganhos na Feira da Ladra aos sábados aburguesei-me no «chic» (cuidava eu) de comprar o «Expresso» nos meados de 80. Nêsse tempo não havia saco de plástico, nem eu sabia nada. Ao depois mudei-me para o «Independente» cuidando aí que talvez que me afidalgava eu alguma migalha só da irreverência monárquica do Miguel Esteves Cardoso. — Era novo, não pensava!…

    Meu pai lia o «Diário Popular», até que acabou. Ficou-se então só pelos desportivos «A Bola» e «Record» que se publicavam em dias alternados. Mantinha êle um trato com o Manecas jornaleiro; levava o jornal de hoje à tardinha e devolvia-lho à manhã; pelo meio comprava o jornal de sábado e a Teleculinária para a minha mãe. De quando em vez um «Zé Carioca» ou um «Pato Donald» a rôgo meu. Um negócio mais em conta, até que o Manecas se também acabou. Os jornais nêsse ainda, porém estavam para durar. Agora já não…

    Onde isto já vai!… Dispersei-me.

    Com o tempo o jornal tornou-se para mim um rito sòmente estival. Uma coisa de tempos livres e que me dava realmente prazer desfrutar na praia ou na esplanada. Mais tempo e desencantei-me, tal a pobreza dos pasquins. O estúpido Acordo Ortográfico matou-mos terminantemente a todos. (O «Púbico» nem precisou disso; apodreceu por si.)
    Lia por fim «O Diabo», mas até dêle me cansei há uns poucos de anos. Tornou-se-me maçador. Ou fui eu que desmoralizei ao ponto de nem o prazer simples de ler o jornal já ter…

    Espero não havê-lo maçado com tamanha resposta a despropósito.

    Ah! Os sapatos da aleijadinha, pois são! Nem tinha reparado.

    :) Cumpts.

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