Publiquei há dias à conta da Quinta da Saúde uma planta de 1909 cuja luz faço agora com o inventário do que ela contém e do que lhe corresponde actualmente.

J.A.V. da Silva Pinto, A. de Sá Correia, Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911: planta 12 K (des. por F. Santos), Lisboa, 1909.
Planta referente a: Rua do Conselheiro Moraes Soares, Cemitério Oriental (ao Alto de S. João), Quinta do Pinheiro, Rua do Sol a Chellas, Quinta do Sol, Quinta da Curraleira, Quinta Nova, Quinta do Loureiro ou Quinta do Poço, Casal Novo, Quinta dos Sete Castellos, Rua do Barão de Sabrosa, Rua 4 de Agosto, Rua Sabino de Sousa, Azinhaga dos Sete Castellos, Azinhaga do Arieiro, Quinta do Sabido (ou da Ladeira), Quinta da Saúde, Quinta do Manuel dos Passarinhos, Azinhaga dos Baldaques, Quinta da Silveira, Horta da Cera, Quinta da Brazileira, Quinta da Pimenteira, Quinta do Papagaio, Quinta do Saraiva, Estrada do Poço dos Mouros e Quinta do Manuel Padeiro.
Actualmente: Rua do Sol a Chelas, Quinta da Curraleira, Rua António Luís Inácio, Rua Melo Gouveia, Rua Barão de Sabrosa, Rua Quatro de Agosto, Rua Sabino de Sousa, Travessa dos Baldaques, Rua Dr. Oliveira Ramos, Rua Actor Vale, Rua Actor Joaquim de Almeida, Largo Mendonça e Costa, Rua Carvalho Araújo, Rua Lucinda Simões, Rua Ângela Pinto, Rua José Ricardo, Rua Edith Cavell, Rua Actor António Cardoso, Rua Morais Soares, Calçada do Poço dos Mouros, Rua dos Heróis de Quionga, Rua Cavaleiro de Oliveira.
Interessante visionar esta planta, com cento e poucos anos, do que viria a ser uma das melhores zonas de Lisboa.
ResponderEliminarÉ extraordinário o 'ir às hortas' ser proeza de como 'ir pra longe', afinal as hortas ficavam ali mesmo junto da, agora, Praça do Chile.
Um pormenor interessante é a actual Rua Carvalho Araújo ter aproveitado o traçado da Azinhaga do Areeiro, que era a continuidade da íngreme Azinhaga do Poço dos Mouros que descia da Penha de França.
Bem observado.
ResponderEliminarAcontecia. Caminhos rurais de Lisboa para o seu termo darem ruas que hoje conhecemos, mas que quotidianamente não reconhecemos na malha urbana; lembro-me p. ex., do Campo de Santana ao Rego, da Estr. da Cruz do Taboado (Gomes Freire) e a sua continuação na Estr. das Picoas e na Rua das Cangalhas. Há mais.
Cumpts.
boa noite,
ResponderEliminartem mais informações sobre a quinta do manel padeiro?
das minhas investigações, estou convencido de que esse edifício é o palácio de são gonçalo, dos marqueses de soidos. A calçada do poço dos mouros chamava-se travessa do marquês (ou dos marqueses) de soidos.
Obrigado,
João
Sei pouco dessa quinta, ou palácio de São Gonçalo. Mas hei-de procurar e, do que achar, darei conta.
ResponderEliminarObrigado!
Obrigado! Está na planta 7 do Atlas do Folque cá em baixo. Mas não sei ainda mais nada.
ResponderEliminarBoa noite,
ResponderEliminarNo processo de autorização a Joaquim Rodrigues Baganho para a abertura de ruas em seus terrenos, encontrei a confirmação de que o casarão que surge na planta de 1911 (e nas anteriores até à de 1780), como sendo a Quinta do Manel Padeiro, era de facto o Palácio (provavelmente mais perto de uma casa senhorial do que de um palácio), dos Marqueses de Soidos, que lá nasceram todos, do 2º ao 5º.
A própria Calçada do Poço dos Mouros aparece como Calçada dos Marqueses de Soidos na planta 7 do Atlas do Filipe Folque.
Ora a minha pergunta é: Tem fotografias da Quinta do Manel Padeiro? Já encontrei duas em que se vê a Quinta do Saraiva, logo "do outro lado da rua".
Muito obrigado de me elucidar destes preciosos pormenores. Da minha parte apenas tive ensejo de achar a pp. 67 de d’ «A Paróquia de S. Jorge de Arroios» (Roberto Dias da Costa, Lisboa, 1939) uma singela menção à capela de S. Gonçalo que diz: «ficava no palácio que o Marquês de Soidos possuía no sítio do Poço dos Mouros».
ResponderEliminarRespondendo à sua pergunta, não. O que posso ter visto sem considerar as casas dos marqueses de Soidos, que até desconhecia, há-de ter sido no archivo photographico da Câmara. Lamento.
Em todo o caso, algo que me surja darei cá notícia.
Cumpts.
Topei agora com o processo e li-o em parte.
ResponderEliminarE lembrei-me da única fotografia da quinta que Joaquim Rodrigues Gadanho quis urbanizar que conheço, que publiquei a propósito doutra coisa.
Cumpts.
Muito obrigado! Portanto a fotografia é tirada dentro da quinta certo? A correnteza em frente aparece na planta de 1911. Depois os telhados e o que parece uma latada e os telhados mesmo à direita da imagem serão as casas da quinta? Logo depois vê-se o cucuruto da quinta do Saraiva. Será?
ResponderEliminarAssim parece, nas casas voltadas ao Caminho de Baixo da Penha (por onde hoje a Rua Dr. Lacerda de Almeida se entronca na Rua Jacintho Nunes). A correnteza (armazéns?) arrisco que seria no chão que veio a dar a Rua Neves Ferreira. Os telhados seriam a vila ou pátio do Manuel Padeiro, com latada de tardoz e que dariam frente à Calçada do Poço dos Mouros, as tais que foram demolidas com as casas que se mal vêem no canto direito da fotografia; estas talvez as principais dos marqueses de Soidos.
ResponderEliminarA que espreita além da cerca que desce a encosta pode ser que haja sido a casa principal da Quinta do Saraiva, ou dos Merceeiros, também chamada muito a propósito como Quinta da Cerca. Hoje uma ruína deplorável cuja serventia através da Rua Marques da Silva é referida como Vila Manuel Bernardo, n.º 10. Provavelmente um antro de drogados.
Cumpts.
Atenção que a certidão narrativa dá a quinta do marquês de Soidos como confinando com a Travessa do Calado o que leva a ter de considerar se a casa principal da quinta não será a da Junta de Freguesia da Penha de França. A morada mencionada na mesma certidão narrativa — Calçada do Poço dos Mouros numero um — parece corrobrá-lo. Não sei muito da história da casa que alberga a Junta da Penha, mas tem mais porte de casa nobre do que as casas ao fundo da calçada e que à data da feitura dos arruamentos pelo Joaquim Rodrigues Gadanho são referidas como «barracas» insalubres.
ResponderEliminarCumpts.
é verdade. mas a casa segundo consigo desvendar, foi do pero de alenquer. já apanhei outra descrição dizendo que essa casa do navegador era onde está a piscina hoje. Teria sido essa a casa da quinta do calado?
ResponderEliminaressa quinta do calado, segundo os antigos proprietários da outra quinta dos alperces na alameda, foi do pina manique, de quem também descendo.
A casa Junta da Penha de França tem essa tradição, do Navegador, de que Norberto de Araújo descrê (Peregrinações, VII, 2.ª ed., p. 21). Mas também ele não dá certeza de nada, salvo que «o prédio do fundo, com pátio, jardim, e ao qual pertence o muro com o citado painel de azulejo» pertencia em 1939 a Manuel Travassos de Almeida por via de sua mulher, D. Izabel Maria Romeiro filha de Francisco Maria Machado, grande proprietário este de terras e quintas das redondezas, entre elas a Quinta dos Peixinhos, e a quem pertenceu o «palácio nobre» que existia fundo da Tv. do Calado, no Caminho de Baixo da Penha, conhecido ainda então por «Palácio da Machada», alusão à viúva do tal Machado que herdou essas casas.
ResponderEliminarEsta casa da Penha anda muito pouco estudada; Gomes de Brito nas Ruas de Lisboa, Luiz Pastor de Macedo na Lisboa de Lés-a-Lés, tanto quanto vi nada adiantam. O caso é que auando estes nada dizem é porque Júlio de Castilho pouco disse. Estou para ver.
Do que entendo, é uma meada com muitos fios — Alenqueres, Soidos, Pinas Maniques, Machados, Padeiros, Calados, Gadanhos… — que ninguém puxou. A propriedade parece que foi extensa e dispersou-se. Se foi por inteiro ou em parte dos marqueses de Soidos, não é descabido somar-lhe algum apagar da memória à conta de ser uma família legitimista. Talvez desvendem os registos prediais antigos, caso os haja.
Cumpts.
Pois, também começo a achar que terei de estudar as duas casas e desempatar a coisa. Entretanto, a calçada do poço dos mouros começa no 7 do lado dos ímpares. Terá sido engano no assento? Ou falta um 0 e era no número 10? A quinta fica do lado dos pares.
ResponderEliminarApanhei também num blogue, creio que o toponimia de lisboa, que diz que a casa do navegador seria por detrás desta e que veio abaixo com a chegada da piscina - digamos que o navegador meteu água! :)
O que me parece é que os dois corpos eram da mesma casa e a biblioteca foi construída depois.
Tenho de embrenhar nos arquivos, assim acabe este confinamento. A quinta está encontrada. Agora é perceber onde era casa principal, a casa dos Soidos. A ser aquela que foi demolida, que é descrita como tendo andar nobre e lojas em baixo, e à qual se juntam umas casas abarracadas (creio que a tal correnteza da imagem da quinta do padeiro e que na planta de 1911 parece ser uma vila), não me espanta que estivesse abandonada porque os Soidos tinham muitas propriedades e o 5º Marquês e a sua família (e talvez o pai e o irmão depois do regresso do exílio), assentaram arraiais em Alcochete, onde tinham palácio (hoje a CML), uma quinta de recreio (a quinta da praia das fontes), e várias propriedades, além das de Santarém e também Barcarena (hoje o seminário).
No fundo, com os liberais a entrar, saíram eles para Alcochete (onde o 5º marquês teve importante acção cívica em prol da terra)
Há outra possível hipótese para a "casa do navegador" . os Soidos eram representantes do Bartolomeu Dias de Novais.
ResponderEliminarAí está uma hipótese interessante e verosímil.
ResponderEliminarCumpts.
Boa noite, bom ano! Voltando a esta conversa e investigação (que não tive oportunidade de voltar a continuar), vinha perguntar se este livro do Roberto Dias da Costa faz mais alguma referência à Ermida de S. Gonçalo ou a mais alguma coisa relevante para este tema da quinta do Manuel Padeiro, Palácio do Marquês de Soidos, JF de Penha de França? Obrigado!
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