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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Mais um biltre…

Orlando Raimundo, «António Ferro; o Inventor de Salazar», 1.ª ed., Dom Quixote, [Alfragide], 2015


 Na introdução (p. 11) temos António Ferro como cimentador do Portugal retardado e atávico do séc. XX. Logo à entrada do primeiro capítulo (p.15) temos que Portugal no fim do séc. XIX é um país muito atrasado. Intriga-me está lógica de que vindo «muito atrasado» do séc. anterior, o biografado cimente o Portugal retardado do séc. seguinte.
 Em meras 4 páginas…
 A propaganda tem coisas!…
 Ainda na introdução (p. 13) «usando e abusando do poder que lhe foi concedido, Ferro sentou à mesa do orçamento intelectuais e artistas, arquitectando com eles a figura de um ditador messiânico num país pobre que dança o vira e o fandango.»
 O trecho é um primor de inspiração literária e lapidar no estilo usado ad nauseam pelo morigerado jornalismo hodierno para qualificar a… democracia de Abril. Tire o A. dele «um ditador» e ponha-lhe «uma democracia», mude o vira e o fandango em festivais de cerveja e rockalhada e, a mesa do orçamento  aparecer-lhe-á messianicamente muito mais justa! E o país pobre prestar-se-á como nunca ao epíteto de pobre país! — Se o conseguir entender…
 Ao menos o vira e o fandango são nossos.
 Mais um livro, enfim, sem fio (colagem de verbetes avulsos com capa de cartolina) com fito apenas de desfazer do Estado Novo. O regime tem tanto de odiado como de ganha-pão para todo o antifascistóide que vegeta democraticamente por aí. Não fosse a parasitice interesseira, não pareceria que quarenta e tantos anos depois o sempre ciciado «fassismo» ainda surgisse tão papão, tão papão que metesse medo. Papões, bem se os topa... —  Não diziam cantigueiros, dos outros: «eles comem tudo»?!... Da «Joana come a papa» foram eles que ensinaram melhor. Daqui aos papões foi um trago.
 O volume, que me ofereceram de muito boa fé, foi arrematado por 1€ na Feira da Ladra. Uma inconfidência de verdadeiro valor. Ou a prova da barateza da intrujice nos tempos que correm!… O A. de mais esta maledicência indispensável sobre o Estado Novo é apresentado ao leitor incauto com dois grandes qualificativos acima de toda a suspeita: «investigador» e «independente». Duas marcas ISO 9000 de qualidade e acreditação de qualquer pregador antifascista, mai-la sua rica propaganda.
 Haverá mais suculento cartão de visita?
— Sim! — Diz que de profissão é jornalista.
 Mais: entre pares desta estirpe, este A. é quem se mais tem dedicado «à pesquisa dos aspectos mais sombrios do Estado Novo.» Ora «sombrios» anuncia com alva clareza ao que vem. Ninguém cairá na ingenuidade de tomar «sombrio» pelo que se quede singelamente na sombra, desconhecido, e portanto seja pertinente revelar; «sombrio» é claramente antes desdizer com baixeza do que se até já conhecia bem melhor contado, mas que se quere agitar por maldizente propaganda como tenebroso. Qualificar com este lugar-comum o Estado Novo é necessário, mormente quanto os mesteirais de Abril afloram mais e mais estridentes ano a ano, mais e mais impantes dia-a-dia no seu mester de rapina. É preciso ir berrando mais alto para o abafar. Daí o afã crescente em denegrir o Estado Novo. Somente que, denegrir o Estado Novo pela maledicência sobre António Ferro (ou outro que fosse) e ganhar a vida com ele, marca o rasteiro que se pode ser. E bate certo: ficamos informados do cariz do A. e do seu propósito. Dispensamos a leitura.

P.S.. O vir aquela virtuosa apresentação do A. jornalista, «investigador independente» chapada na badana de trás do livro é que se não compreende. Como cartão de visita, qualquer badana, sobretudo a traseira, não me cheira que abone. Que descuido!...

5 comentários:

  1. Mais um biltre a juntar à seita.
    Já cá tínhamos rosas e pimentel e ainda aparece mais este.
    O que é que esta gente quer demonstrar ?
    Que agora estamos melhor ?
    Que no "antigamente" era tudo mau e agora é um paraíso ?

    Diziam os latinos "Res non verba".

    Onde estão as grandes Obras, de que todos os Portugueses directa ou indirectamente beneficiem, FEITAS COM DINHEIRO PORTUGUÊS, erigidas nos últimos 46 anos ?

    Onde está o progresso económico no Portugal de hoje ?

    Depois de sucessivos "governos" terem dissipado (diria eu, torrado) a "pesada herança" que receberam, em tudo menos naquilo que faz falta a Portugal, aí estamos NÓS com uma DÍVIDA COLOSSAL que terá que ser paga um dia.
    E nós tanto precisávamos de uma Escola robusta, de uma Indústria robusta e diversificada, de uma Agricultura moderna e generalizada e de um Mar estudado e explorado cientificamente; nada de substancial disto se fez.
    Afinal os figurões do 25 de Abril e seus descendentes políticos já levaram o País a três bancarrotas e passam a vida de mão estendida a essa Europa que, tradicionalmente, foi sempre mais nossa inimiga que amiga.
    Vive-se com um Banco Alimentar com VINTE E UMA (21) delegações espalhadas pelo País!
    Se não fosse a Caridade do Povo, morreria muita gente na miséria.
    Paga o País todas as despesas para que qualquer mulher portuguesa, em qualquer circunstância, aborte; em vez de se criarem creches estatais em quantidade suficiente e a preços acessíveis para cuidar das crianças.
    Chegou-se ao ponto de nem em máscaras cirúrgicas estávamos auto-suficientes em Fevereiro deste ano !
    RIDÍCULO, RIDÍCULO, TRÊS VEZES RIDÍCULO !
    E andam estes tristes a escarafunchar num Regime desaparecido, para nosso mal, HÁ MAIS DE 46 ANOS.
    Haverá ainda alguém que lhes compre o esterco que obraram ?


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  2. Joe Bernard31/5/20 19:21

    É isso mesmo.
    Mas o marau tem mais livros publicados...
    Já sabe, se lhe faltar o papel higiénico...

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  3. Tem. Todos no mesmo género: 4 rolos = 12…
    Abraço.

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  4. Isto não é gente séria.
    Na melhor das hipóteses é simplesmente estúpida.
    Hipótese que não acredito.
    Cumpts.

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  5. Joe Bernard3/6/20 15:33

    Nem mais...

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