Visitando os vários 'O António Maria' aqui sugeridos, podemos observar como naquele tempo, finais do século dezanove, e na primeira década do século vinte, julgo até 1911, se escrevia não com as 'amaricanices' de agora mas com galicismos e anglicismos bem desnecessários. Mas, observando este 'O António Maria' reparamos no dezenove à brasileira e no afim, não sei se por gralha, que deveria ser a fim. Do resto, são textos com ironia ao momento político da época, com grande sentido de humor. Em determinado texto e lembrando-me do momento actual, aparece shake-hands quando poderia mito bem aparecer escrito aperto de mãos.
Suponho que o texto denota um Portugal que já se queria cosmopolita (que depois os arautos dessa tendência se tenham desiludido, parece estar hoje esquecido). Embora se esforcem por não esquecer a Tia Gertrudes, que nem aceitou ser retratada. Seria ela a representante de uma época que se perdia rapidamente para os que acima de tudo queriam fama e reconhecimento? Apesar de tudo fica o registo de uma escrita bem mais bonita e escorreita do que o que hoje nos aparece. Gostei da data, afinal 11 de Dezembro, é o meu dia de anos.
Eram tempos de coisas à franceza. E no entanto Eça pendeu muito nessa Cidade e as Serras. Fradique Mendes, que — escreve ele a Oliveira Martins —, correspondia-se com toda a sorte de gentes várias, all sorts of men, como se diz na Bíblia desta terra. Ele escreve a poetas como Baudelaire, a homens de estado como Beaconsfield, a filósofos como S. Antero, e a elegantes como (não me lembra agora nenhum elegante a não ser o Barata Loura) e a personagens que não são nada disto, como o Fontes, é o expoente desse claro dilema. Cumpts.
Sim. Sobretudo galicismos. Eça foi grande mestre até nisso, mas a coisa vinha de trás Já Camillo foi sempre mais castiço. O que o torna mais difícil de ler hoje, paradoxalmente. O dezenove à brasileira é á antiga portugueza (ou á brazileira, se quizermos, o que dá no mesmo). Cumpts.
Visitando os vários 'O António Maria' aqui sugeridos, podemos observar como naquele tempo, finais do século dezanove, e na primeira década do século vinte, julgo até 1911, se escrevia não com as 'amaricanices' de agora mas com galicismos e anglicismos bem desnecessários.
ResponderEliminarMas, observando este 'O António Maria' reparamos no dezenove à brasileira e no afim, não sei se por gralha, que deveria ser a fim.
Do resto, são textos com ironia ao momento político da época, com grande sentido de humor.
Em determinado texto e lembrando-me do momento actual, aparece shake-hands quando poderia mito bem aparecer escrito aperto de mãos.
Caro BIC,
ResponderEliminarSuponho que o texto denota um Portugal que já se queria cosmopolita (que depois os arautos dessa tendência se tenham desiludido, parece estar hoje esquecido). Embora se esforcem por não esquecer a Tia Gertrudes, que nem aceitou ser retratada. Seria ela a representante de uma época que se perdia rapidamente para os que acima de tudo queriam fama e reconhecimento?
Apesar de tudo fica o registo de uma escrita bem mais bonita e escorreita do que o que hoje nos aparece.
Gostei da data, afinal 11 de Dezembro, é o meu dia de anos.
Cumprimentos
Eram tempos de coisas à franceza. E no entanto Eça pendeu muito nessa Cidade e as Serras. Fradique Mendes, que — escreve ele a Oliveira Martins —, correspondia-se com toda a sorte de gentes várias, all sorts of men, como se diz na Bíblia desta terra. Ele escreve a poetas como Baudelaire, a homens de estado como Beaconsfield, a filósofos como S. Antero, e a elegantes como (não me lembra agora nenhum elegante a não ser o Barata Loura) e a personagens que não são nada disto, como o Fontes, é o expoente desse claro dilema.
ResponderEliminarCumpts.
Sim. Sobretudo galicismos. Eça foi grande mestre até nisso, mas a coisa vinha de trás
ResponderEliminarJá Camillo foi sempre mais castiço. O que o torna mais difícil de ler hoje, paradoxalmente.
O dezenove à brasileira é á antiga portugueza (ou á brazileira, se quizermos, o que dá no mesmo).
Cumpts.
Grata pela indicação.
ResponderEliminarCumprimentos