
Doutor Salazar, Portugal, 1940.
Portimagem, in Flickr.
terça-feira, 28 de abril de 2020
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Do social, dos sociais &c.

O distanciamento, esse acto de se pôr à distância, à margem, refinou-se. Entrou no chic socializante das televisões. E ai de que apareça sem o social ! Ficava-lhe muito mal. Como às oportunidades, que há muito nada brilham sem a indispensável janela.
Distanciamento, só social, portanto.
Isto mesmo com as redes, sempre e só ditas sociais pelo chic bem-falante que nos teleatrofia o pensamento, os modos e a linguagem, mas que diz que aproximam, quebrando a distância.
O social e os sociais, finamente aplicados ao distanciamento e às redes, dão, portanto, para tudo mais o seu contrário. Deve ser isto o socialismo.

Celebração fúnebre do grande acidente nacional, S. Bento, 2020.
Fotografia da Lusa, i.é, brasílica.
Clinanseife ou o novíssimo-chique em forma de selo
domingo, 26 de abril de 2020
Monte mor sobre o Mondego
José Hermano Saraiva, A Lenda do Abade João
(Lendas e Narrativas, R.T.P. 2, 24/IV/1996)
Termo antigo de Lisboa, c. 1940
Lisboa novíssima, c. 1960
sábado, 25 de abril de 2020
sexta-feira, 24 de abril de 2020
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Lisboa (ainda) castiça
Anno 1978. Reminiscências de casta: os topónimos Santo André (largo), Rua do Salvador, São Tomé — se bem que o primeiro haja sido profanado em Rodrigues de Freitas, publicista republicano, jacobino, evangelista do socialismo catedrático (seja lá isso o que seja) e revolucionário do 31 de Janeiro; o topónimo Graça, Calçada da Graça.
Mais. Gente na rua: vizinhas de alcofa de ráfia, miudagem; um Mini com rodas à… Cooper; uma camioneta da carreira (ou da Rodoviária, dado o anno) a abalançar-se à dita Calçada; um táxi Datsun carregadinho de flores, uma leitaria com portas de madeira, roupa estendida, a gaiola dum pássaro e…
E o eléctrico 12.
Rua de São Tomé e Rua do Salvador, Lisboa, 1978.
Tim Boric, in Flickr.
(Revisto.)
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Portugal a vapor

Passagem de nível, Régua, 1970.
Roberto Bridger, in Base de dados de fotografia de Transportes..
terça-feira, 21 de abril de 2020
I.S.T. nalguma manhã de Abril dos anos 60…
![Instituto Superior Técnico, Lisboa (Portimagem, [s.d.]) Instituto Superior Técnico, Lisboa (Portimagem, [s.d.])](https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gca175c01/21776475_esLph.jpeg)
Instituto Superior Técnico, Lisboa, 196…
Fotomontagem de originais de Portimagem, in Flickr.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
É bom português a palavra colapsar?
Agora preferem aí «colapsar», do amaricano, para arrunhar melhor o português.
domingo, 19 de abril de 2020
Santa Maria de Guadalupe
José Hermano Saraiva, Histórias para esquecer
(Lendas e Narrativas, R.T.P. 2, 16/IV/1996)
«Santa Cruz»
O primeiro Skymaster dos T.A.P. nos últimos anos ao serviço da Companhia. Quem desembarca parece ter viatura oficial à espera (o Volkswagen preto). E podia bem ser o grande demitidor, pelo penteado…
![Douglas DC-4 Skymaster, Heathrow [?], post 1953 Douglas DC-4 Skymaster, Heathrow [?], post 1953](https://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gbc17a8c0/21774548_uRRem.jpeg)
Douglas DC-4 Skymaster CS-TSA «Santa Cruz» da T.A.P., Heathrow [?], c. 1958.
Portimagem, in Flickr.
sábado, 18 de abril de 2020
O 5 do Campo Pequeno

Autocarro 5, Restauradores, 1949.
Portimagem, in Flickr.
Adenda ao 5 do Areeiro.
Nos primeiros tempos teve o autocarro 5 terminal provisório na António Serpa, ao Campo Pequeno (Cruz-Filipe, «5 e 5A: os autocarros das avenidas novas», História das carreiras da Carris, 3/VI/2010 — outrora em linha). Entre a inauguração da carreira, em 2 de Março de 48, e Fevereiro de 50, esperou-se a conclusão do troço final de ligação da Av. João XXI ao Campo Pequeno. Em vão. Só se completaria esta serventia por 1967, salvo erro, pelo que o itinerário planeado para fazer a carreira 5 prosseguir até ao Areeiro foi abreviado pela Av. Óscar Monteiro Torres logo em Fevereiro de 1950.
O postal aqui do autocarro 5 com bandeira do C. Pequeno é com certeza desse período e, atentando ao cartaz do cinema Condes, «Sol e Touros», é com certeza do Verão de 1949. «Sol e Touros», como se vê no cartaz (ou «Sol e Toiros» como passou à história), filme de José Buchs, com o «espada» nacional Manuel dos Santos, Leonor Maia (a Tatão do Pai Tirano) e a grande revelação feminina Ana Paula, estreou-se no Condes em 29 de Julho 1949 e esteve 17 semanas em cartaz, de acordo com o Diário de Lisboa. O autocarro com todas as janelas abertas indicia os meses de Verão.

A folha do Diário de Lisbôa é ajeitada duma fotocópia subsidiada da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Nem nada pára a vontade da máfia acordita

Parafraseando.
A máfia acordita tem sempre uma má relação com o português e não são as regras desta ou daquela ortografia que vão ser excepção (excepção, com p, bem o demonstra). Ainda a pandemia dos barbarismos no Observador (que são zoom e podcast?) e o folhetim contra a língua portuguesa na Caixa Geral de Depósitos.

(Imagens do O'servador e da Caixa Geral de Depósitos comissões.)
Tremida
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Restauradores, Abril de 1947
Vistas dos Restauradores em Abril de 1947 num dia chocho mais ou menos como o de hoje…

O autocarro que partiu da paragem — se a sequência das imagens é a apresentada — era o n.º de frota 12, um A.E.C. Regal III com matrícula de Dezembro de 1946; seria ali um dos da carreira da Miguel Bombarda. O cartaz do Éden ajuda a pôr a data nas fotografias: Kitty, de Mitchell Leisen, com Paulette Goddard e Ray Milland, estreou-se em Portugal em 5 de Abril de 1947. O cinecartaz do Diário de Lisbôa parece que corrobora.
As fotografias são do estúdio de Horácio de Novais, na Bibliotheca d' Arte da F.C.G. A folha do Diário de Lisbôa é ajeitada duma fotocópia subsidiada da Fundação do irmão do dr. Tertuliano.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
O 5 do Areeiro
O autocarro 5 do Areeiro, alguns conhecerão. Há um sucedâneo seu a circular o com n.º 705, a chamada rede 7, que somou o n.º 700 às carreiras da carris e assim obrou uma melhoria nunca antes vista no serviço de autocarros em Lisboa. Deste 5, alguns lembrar-se-ão, portanto; vinha de Moscavide e tinha a particularidade de passar pelas ruas da A.N.A. no aeroporto da Portela. Salvo erro foi a última carreira da Carris com autocarros de 2 pisos. Mas este 5, muito melhorado em 705, é post abrilino, é de 1977.
E, antes dele? O 5, o antigo, o autocarro que ligou a baixa ao novíssimo Areeiro através das avenidas novas? …
Terminus do autocarro 5, Restauradores, 1957.
Fotografia original: Estúdio de Horácio de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
Segundo li (*), a carreira 5 foi a 5.ª e última das carreiras de autocarros a entrar em serviço sem bandeira de número, em Março de 1948. — As primeiras quatro foram as carreiras dos Restauradores ao aeroporto (1 e 2) e às avenidas novas (3 e 4, os autocarros da Miguel Bombarda).
Pois bem! O 5 desses tempos tinha terminal nos Restauradores, no lado do Palácio Foz, ao invés de ser do lado da Rua do Jardim do Regedor. Subia a Avenida, seguia pela Fontes e pela António Augusto de Aguiar até apanhar a Filipe Folque, por onde seguia até à Duque de Ávila, que cruzava, prosseguindo pela Conde de Valbom, Rego, Av. de Berna, até ao Campo Pequeno. Esta carreira pretendia-se que chegasse ao Areeiro logo que estivesse acabada a Av. João XXI até ao Campo Pequeno. Nos primeiros tempos teve terminal provisório na António Serpa, ao Campo Pequeno. Em Fevereiro de 50 passou a seguir pela Óscar Monteiro Torres, Augusto Gil, João XXI no troço já existente, chegando como planeado ao Areeiro.
No fim dos anos 50 o 5 foi desdobrado no 5A e o itinerário do Campo Pequeno ao Areeiro alternava: o 5 seguia como sempre até ao Areeiro, retornando pela Av. de S. João de Deus e Sacadura Cabral enquanto o 5A fazia o percurso inverso.
O 5 e o 5A acabaram em Junho de 1973.
Autocarro 5A, Restauradores, post 1961.
Portimagem, in Flickr.
(*) Cruz-Filipe, «5 e 5A: os autocarros das avenidas novas», História das carreiras da Carris, 3/VI/2010 (outrora em linha).
terça-feira, 14 de abril de 2020
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Ozoto
A qualidade do ar na Av. da Liberdade em Lisboa bateu recordes deste século. Os dados são da associação ambientalista Zero e demonstram que a concentração média de dióxido de ozoto [sic] foi a menor dos últimos 20 anos. O dióxido de ozoto [sic] é a consequência dos processos de combustão dos automóveis pelo que a descida é associada à queda do tráfego rodoviário.
Zero, bem vê o benévolo leitor, é mais do que uma associação ambientalista. É a dióxida soma do ozoto da Radiotelevisão coisa com a notícia de que o ar na Avenida é melhor porque não há tráfego rodoviário. Se a bisavó do dióxido do tal ozoto não tivesse morrido, ainda agora com certeza era viva.
Deus nos dê paciência!

(Imagem chapada do ozoto no Jornal da Tarde, R.T.P. brasileira, 13/IV/2020).
domingo, 12 de abril de 2020
Lendas e narrativas em salas ogivais dos horizontes da memória
José Hermano Saraiva, A Lição da Feira
(Lendas e Narrativas, R.T.P. 2, 9/IV/1996)
Stirling Moss (uma notícia extravagante no monólito deformativo)

Quem escreveu o teleponto a este papagaio informadeiro é tão bairrista ou ignorante como ele:
— Morreu Stirling Moss, uma lenda do automobilismo. O antigo piloto britânico tinha 90 anos, morreu após doença prolongada [chiu! não se pode dizer cancro*]. Stirling Moss ficou conhecido com uma designação que é bastante curiosa, a do «melhor piloto que nunca venceu um campeonato do mundo». Ao longo da carreira ganhou 212 corridas, 16 delas no mundial de Fórmula 1, no qual foi por 4 vezes vice-campeão. Entre nós é particularmente lembrado por ter ganho as duas primeiras edições do Grande Prémio de Portugal, em 1958 e 59, no velho circuito da Boavista, no Porto (Jornal da Tarde, Radiotelevisão Portuguesa brasileira, dia de Paschoa de 2020).
Falso!
Em 1959, o G.P. de Portugal foi no velho circuito, sim, do Monsanto, em Lisboa.
__________
* Aliás, se persistem outras doenças, elas não valem. Nem quem morra delas conta. Só vale o (a) covidezanove, a (o) do corno-vírus.
sábado, 11 de abril de 2020
A ponte e o Tejo em Vila Franca, 1951
Ponte Marechal Carmona, Vila Franca de Xira, 1951 (postal ilustrado circulado em 28/III/1953).
Portimagem, in Flickr.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
quarta-feira, 8 de abril de 2020
domingo, 5 de abril de 2020
Nem sempre rainha, nem sempre sardinha
Viemos outra vez a Arouca por causa desta carta. Esta carta é uma espécie de sacrário de saudade. Viemos a Arouca trazidos pela saudade de um emigrante que nesta Páscoa gostava de estar aqui. Mas não está.
Ora uma das coisas que esta carta dizia era o segunte:
— A rainha Santa Mafalda, a rainha Santa Mafalda!… Então, e a vitela?! Então, o senhor nunca ouviu falar… na vitela de Arouca?
Bom! E eu tenho que reconhecer que sim. Claro que em Arouca há a rainha Santa Mafalda, mas também há uma vitela deliciosa. E em Portugal há um ditado popular que diz «nem sempre rainha, nem sempre sardinha». Pois naquele programa falei-lhes na rainha de Arouca. Este programa é para falar principalmente na vitela de Arouca.
José Hermano Saraiva, A Vitela de Arouca
(Lendas e Narrativas, R.T.P. 2, 2/IV/1996)



















