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quarta-feira, 15 de abril de 2020

O 5 do Areeiro

 O autocarro 5 do Areeiro, alguns conhecerão. Há um sucedâneo seu a circular o com n.º 705, a chamada rede 7, que somou o n.º 700 às carreiras da carris e assim obrou uma melhoria nunca antes vista no serviço de autocarros em Lisboa. Deste 5, alguns lembrar-se-ão, portanto; vinha de Moscavide e tinha a particularidade de passar pelas ruas da A.N.A. no aeroporto da Portela. Salvo erro foi a última carreira da Carris com autocarros de 2 pisos. Mas este 5, muito melhorado em 705, é post abrilino, é de 1977. 


 E, antes dele? O 5, o antigo, o autocarro que ligou a baixa ao novíssimo Areeiro através das avenidas novas? …


Terminus d o autocarro 5, Restauradores, 1957. Fotografia original: Estúdio de Horácio de Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..
Terminus do autocarro 5, Restauradores, 1957.
Fotografia original: Estúdio de Horácio de Novais, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.


 Segundo li (*), a carreira 5 foi a 5.ª e última das carreiras de autocarros a entrar em serviço sem bandeira de número, em Março de 1948. — As primeiras quatro foram as carreiras dos Restauradores ao aeroporto (1 e 2) e às avenidas novas (3 e 4, os autocarros da Miguel Bombarda).
 Pois bem! O 5 desses tempos tinha terminal nos Restauradores, no lado do Palácio Foz, ao invés de ser do lado da Rua do Jardim do Regedor. Subia a Avenida, seguia pela Fontes e pela António Augusto de Aguiar até apanhar a Filipe Folque, por onde seguia até à Duque de Ávila, que cruzava, prosseguindo pela Conde de Valbom, Rego, Av. de Berna, até ao Campo Pequeno. Esta carreira pretendia-se que chegasse ao Areeiro logo que estivesse acabada a Av. João XXI até ao Campo Pequeno. Nos primeiros tempos teve terminal provisório na António Serpa, ao Campo Pequeno. Em Fevereiro de 50 passou a seguir pela Óscar Monteiro Torres, Augusto Gil, João XXI no troço já existente, chegando como planeado ao Areeiro.
 No fim dos anos 50 o 5 foi desdobrado no 5A e o itinerário do Campo Pequeno ao Areeiro alternava: o 5 seguia como sempre até ao Areeiro, retornando pela Av. de S. João de Deus e Sacadura Cabral enquanto o 5A fazia o percurso inverso.
 O 5 e o 5A acabaram em Junho de 1973.

A.E.C. Regent V, n.º de frota 391 da Carris, Restauradores (post 1961)
Autocarro 5A, Restauradores, post 1961.
Portimagem, in Flickr.




(*) Cruz-Filipe, «5 e 5A: os autocarros das avenidas novas», História das carreiras da Carris, 3/VI/2010 (outrora em linha).

4 comentários:

  1. Mandarinia16/4/20 11:24

    Caro BIC,

    Fotos soberbas!
    A de 1957 mostra pessoas bem vestidas e uma cidade limpa e bem cuidada. A fila que se vê é a paragem de autocarro? A ser assim até a espera seria menos penosa (com direito a protecção e tudo). Vê-se na imagem um senhor com uma pasta na mão esquerda; ele e a senhora que julgo acompanhá-lo parecem saídos do filme Intriga Internacional (North by Northwest) de A. Hithcock. Convenhamos que esta Lisboa era muito cosmopolita.

    Cumprimentos

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  2. Mérito dos fotógrafos.

    Eram abrigos abertos de cobertura arqueada, ainda me lembro deles; sempre me pareceu que lhes faltava um banco. Eram abertos, não havia menção de lhes pespegar publicidade.

    As pessoas devem ser figurantes da propaganda fassista. E o sol era a fingir, ou não fosse o S.N.I. logo ali. Na verdade o ambiente era cinzento, e a indumentária sempre negra, segundo uma lavourada antiga; e as pessoas eram macambúzias de tanta opressão do fassismo.
    Não se vê??

    Cumpts.

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  3. Fernando Antolin17/4/20 12:41

    Boa tarde
    O autocarro 705 ainda passa pelas ruas da ANA, no seu percurso actual, do Apeadeiro do Areeiro à Gare do Oriente. Uso-o amiúde, ou ao 722, depois de sair do autocarro que de Almada me deixa no Areeiro, precisamente a caminho do trabalho, lá no aeroporto.

    Cumprimentos

    Fernando Antolin

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  4. Boa tarde,
    Obrigado do comentário!
    :) Cumpts.

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