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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Falazar

Maria de Aljubarrota, «Uma curiosidade», in O Diabo, 11/X/2019


Abonos para minha memória e vossa curiosidade:


Falazarem



Fialho, «Os Gatos», vols. 5 e 6 (pasquinadas originais de 1890 e tal)
… amigos falazarem
… logo a falazarem do caso…



 Falazavam



Aquilino, «Terras do Demo» (1919)
— … o que elas falazavam não sei eu…



Falazar



Manuel Ribeiro, «Planície Heróica» (1927)
— … aquele falazar é já de zorata…



 Falazava



Samuel Maia, «Mudança d’ Ares» (1915 ou 16)
— …Manuel Caseiro, remexia, falazava… a acordar o pessoal…





Notas: o Aulete na rede dá o verbete (original) com o abono de Samuel Maia; os restantes abonos foram colhidos do Corpus do Português; na 5.ª ed. do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto «falazar» tem entrada; no Dicionário Prático Ilustrado, Lello, 1976, não consta.


Recorte: Maria de Aljubarrota, «Uma curiosidade», in O Diabo, 11/X/2019.

7 comentários:

  1. Muito interessante. Olhe, eu acho que há tempos empreguei o verbo falazar a propósito das calinadas dadas por alguns jornalistas e comentadores televisivos, assim como as que verifico nas primeiras páginas dos jornais quando compro alguma revista e O Diabo, o único jornal que adquiro. Mas posso estar a fazer confusão.

    Na realidade este verbo significa o mesmo que linguajar ou linguarejar. Se não usei o que mencionou, então destes dois terei usado o primeiro.

    Citou o Dicionário da Porto, 5ª Edição e fez muito bem. É excelente. Deixei de consultar esse mesmo, que tinha sido editado antes do 25/4 (não tem data, mas sei que foi) por estar muito estragado, de modo que passei para um da Porto, 6ª Edição, adquirido por uma pessoa cá de casa em 92. Já era de esperar, a data diz tudo...

    Este tem falhas em alguma ortografia e faltas de alguns verbos e de substantivos importantes (quantas de uns e de outros torna-se impossível de contabilizar numa Edição de 1.763 páginas) e sobretudo de alguma informação gramatical e de acentuação, ambas importantes e necessárias para quem quiser tirar alguma dúvida por querer ser rigoroso na escrita. A Edição anterior a 74 tinha tudo isto. Numa palavra, era completíssima.
    Maria

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  2. E mais uma nota. O Priberam — sempre tão capaz a caucionar o calão corrente como barbarismos — não se acha «falazar».
    Será censura por eufonia?

    Cumpts.

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  3. Trata-se de simples ignorância ou a necessidade de agradar a quem esteve na origem de mandar editar o Priberan. (Peço desculpa mas não consulto o Priberan, fi-lo duas vezes, uma não encontrei o vocábulo que pertendia e que existe em todos os nossos Dicionários; e na outra havia falta de sinónimos da mesma palavra, além de que um deles estava erradamente grafado).

    Mas suspeito que a razão primordial da existência deste Dicionário a pensar nos internautas, foi seguir os ditames de quem governa Portugal desde o 25/4 e o Brazil desde que este se tornou democrático (eles lá queixam-se do mesmo) ou seja, abandalhar a língua-pátria de ambos os países o máximo que os responsáveis puderem e o mais depressa que lhes for possível.
    Maria

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  4. Manuel Alves24/10/19 21:26

    Nos meados do século passado, ouvi ao Povo da região Centro de Portugal (entre Coimbra e Tomar) usar o termo "esfalaçar" com o sentido de "falazar". Só bastante mais tarde tive conhecimento deste último termo.
    Ocorre-me também aqui referir que, por volta do ano 2000, adquiri o Dicionário de Expressões Populares Portuguesas de Guilherme Augusto Simões, obra que tenho vindo a estudar desde então, quase diariamente. Com tristeza posso afirmar que a Obra, talvez por falta de revisão, está eivada de "gralhas" que muito a desvirtuam (em média, mais de três por página!). Sobre este facto escrevi, em tempos, ao Editor mas foi "clamar no deserto" porque não obtive qualquer resposta.
    Muito gostaria de saber se ainda há alguém que se interesse pelo "falar popular português" mais antigo, porque o moderno (o dos jovens)põe-me "os nervos em franja", "bué"!!!!!
    Tenho vindo a coleccionar as expressões que detectei omissas nesse Dicionário (passam já das 20000!); paralelamente elaboro também uma Lista das Variantes de todas as expressões que conheço, a qual conta já mais de 2500. Enfim, o bom Povo português, com as "boas" lições que tem recebido nas Escolas nas últimas quatro décadas e meia está quase esquecido desta imensa riqueza pois evidencia um léxico paupérrimo e insípido.
    E quem não dominar a Língua não domina o pensamento...
    Bic Laranja saúdo o seu excelente trabalho neste sítio e faço votos para que o possa continuar por muitos anos. Obrigado. Manuel

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  5. Eu é que lhe agradeço. E espero e desejo que possa publicar esse acervo do falar do bom povo porque, como diz a coisa está para se perder. Se se não perdeu já de todo.
    O falar macarrónico e paupérrimo que se entoa é bem um soar de finados.
    Obrigado!

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